quarta-feira, 13 de julho de 2016

Imagine Harry -Temporary Bliss

    
"Cometi tantos erros que não tenho dedos suficientes para contá-los. Espero que saibas que tentei ser o melhor que podia para ti, mas o meu melhor simplesmente não é suficiente.
      Então perdoa as minhas saídas enquanto esperavas por mim em casa para que pudessemos ver um filme até adormecer. Perdoa a minha ignorância quando me tentavas fazer ver a realidade. Perdoa a minha arrogância e falta de sensatez. Perdoa tudo, perdoa-me a mim, pois o meu melhor nada se compara ao que mereces.
      Afinal de contas, o meu melhor era uma merda não era? Pensar que estava a fazer a coisa certa e no fundo fazer tudo ao contrário. Deixava-te a discutir para as paredes para não dizermos coisas da boca para fora... deviamos dizer as coisas da boca para fora não deviamos? Devíamos discutir, partir copos e armários, partir tudo o que fosse necessário, perder a voz e a cabeça, até que lentamente percebecemos o quão ridículos eramos e o quão desnecessária era a discussão. Até que percebemos que o amor que nos unia era mais forte que as diferenças que nos separavam. Mas eu nunca fiz isso. Pelo contrário, eu fazia exatamente o oposto.
      Então quero pedir-te desculpa, por tudo o que prometi e não cumpri. Por tudo o que desejamos e não concretizamos. Deixei que a nossa relação tomasse um rumo que não conseguia controlar, deixei que acreditasses que tudo estava bem quando no fundo, nenhuma das peças encaixava. Desculpa-me se te deixei pensar que tudo ia resultar. Acho que sempre soube que não. Mas eu queria tanto poder mudar e viver esses sonhos contigo! Mas parece que de repente toda eu mudei. E hoje, já não quero casar na igreja, já não quero uma enorme casa nem piscina, já não quero filhos nem responsabilidades. Tenho a certeza que vou sentir saudades do cheiro a café todas as manhãs, de pentear o teu cabelo encaracolado e de apreciar os teus olhos e covinhas. Mas preciso de tempo, de ar e de respirar profundamente, de concentrar-me em mim por um pouco e não apenas em ti. Desculpa ser tão bruta contigo, mas só assim sou verdadeira comigo. Eu Amo-te, mas já não estou apaixonada por ti. Foram precisos 4 anos para perceber isso. Que só quero aproveitar uma vida sem compromissos sabes? E sem depender do teu sorriso, sem precisar de um carinho teu de vez em quando. Não. Talvez possa voltar a querer tudo isso e já seja tarde de mais, mas quero cair e levantar-me sozinha sem a tua ajuda.
      No fundo, quero ser alguém e não a tua sombra.
      Talvez tenhas sido o maior erro da minha vida, mas foste o mais belo erro que possa ter cometido".

quinta-feira, 24 de março de 2016

Pretend It's Okay - 1ª Temporada - Capitulo 44 - I'll go with you.



O meu corpo queixa-se enquanto permaneço quieta encostada contra a parede. Está frio. Estou sozinha. A música não parece encaixar com o meu humor neste momento e já é tarde. Espero pela presença de um corpo alto, pelo Dan... realmente não sei o que estou a tentar fazer, só espero que dê certo. As pessoas já foram embora, já ninguém parece permanecer na escola. Não vi o Liam. Estou certa que me está a evitar. Não o julgo por isso, apenas agradeço silenciosamente.
Dan: Bell? - Os meus pensamentos são interrompidos por uma voz rouca mas calma, a minha mente dispara.
Eu: Uh, hey. – tento sorrir, o meu peito já bate forte sabendo a afirmação que vou fazer. Se o fizer, não posso voltar atrás. Se não o fizer terei de viver arrependida pelo resto do meu tempo. Perdido por cem, perdido por mil. Tenho de o fazer.
Dan: Está frio boneca, já devias estar em casa. – ele ri, olhando o céu nebulado e algumas gotas começam a cair subitamente, a sua testa parece franzir com isso. Os seus braços ajustam-se e as suas mãos encaixam perfeitamente nos seus bolsos, enquanto avançamos pela estrada.
Eu: Eu vou contigo.
Dan: O quê? – ele parece confuso. Eu estou confusa. Nada parece melhorar e só me sinto idiota agora. Concentro-me, não me permitindo desistir da ideia.
Eu: Fazer a tal sessão... – respiro fundo após uma pausa, ele continua a investida nos seus passos, sem reação aparente - juntos. – então ele sorri. Sorri verdadeiramente e olha nos meus olhos por uma questão de milésimas de segundo, como se todo o seu mundo tivesse mudado.
Dan: Tens a certeza que queres fazer isso? – ele pergunta esperançoso, dizer-lhe que não destroçá-lo-ia, o seu sorriso é tão largo e brilhante, os seus olhos ficam mais claros a cada momento e ele baixa o olhar até os seus pés, avançando no passeio calmamente. Permaneço silenciosa, sei que ele é invadido de pensamentos. – És a melhor, babe. – ele morde o lábio sorrindo e solta todo o ar preso nos seus pulmões, repira pesadamente – E se fossemos comemorar? Eu pago; prazer meu boneca. – ele dá um pisquete de olhos.
Aceito o convite quase de imediato e então o nosso rumo muda até o café onde nos conhecemos pela primeira vez. Nunca mais lá voltei depois daquele dia, mas não me arrependo de o ter feito. Ele não é perfeito, é a principal causa pela minha separação com o Liam, mas se ele realmente me amasse ele teria acreditado em mim, porque tudo o que eu lhe disse foi verdade. Tudo, e ele não acreditou. E eu continuo a amá-lo, mas para quê se de nada serve? Por mais forte e verdadeiro que fosse o sentimento de nada serveria se ele nem sequer tenta perceber-me; ele não conhece a minha realidade, o meu mundo, não como o Dan.
***
São duas da manhã, pelo menos o meu relógio diz que sim, no entanto a minha visão é turva e não é de confiar neste momento. A minha barriga dói das gargalhadas e outra bebida é estendida em frente de meus olhos, lambo os lábios e empurro o copo contra os meus lábios, fechando os olhos forçadamente enquanto sinto o sabor horrível daquilo. Jesus, como é que ainda vendem destas merdas? Ugh devia processá-los.
Dan: Então bebé, conta-me mais sobre ti... – ele ri largamente – Não espera, deixa-me tentar adivinhas, deixas? – ele pergunta desafiador, gargalhando apoiado à garrafa de vodka, já pela metade.
Eu: Toda ouvidos. – riu e encosto-me contra o bar atrás de mim, as minhas pernas falham-me e oh deus, como estou zonza. Não devia estar a beber tanto pois não? Claro que devia, tenho tanto para comemorar. Novo emprego, perdi o Liam, o meu primeiro grande amor oh, que tristeza não é verdade? Era capaz de beijá-lo agora, que corpo meu deus, devia ter aproveitado enquanto podia, que idiota de merda... mas não o fiz, tão envergonhada e repugnada com aquele Gale, aquele filho da puta; era capaz de matá-lo, destruí-lo. Mas pronto, a verdade é que o meu Liam escolheu ficar sem mim, já não posso mais beijá-lo, tocar-lhe, ouvi-lo dizer o meu nome ao meu ouvido... vou ter saudades, mas a vida é assim, e eu consigo lidar com isto. Não há nem nunca houve romeu e julieta. E tal como os outros ele nunca quis saber de mim de verdade, não tanto como dizia; oh como ele mente bem, dou-lhe os meus sinceros parabéns, devia dizer-lhe isso na cara na verdade. Talvez vá procurá-lo quando chegar a casa? Sim, acabo de decidir que é uma boa ideia.
Dan:  Ouviste alguma coisa do que te disse?
Eu: Hm? – murmuro, a minha cabeça estala – Desculpa, – riu - estava demasiado concentrada a olhar para esses teus olhos, hm... que olhos. – murmuro e olho-o diretamente, ele morde o lábio. A que será que sabem?
Dan: Oh deus, queres dar cabo de mim miúda. – ele engole e enterra a boca na garrafa, quase a desvaziando, os seus olhos fecham e ele faz uma cara repugnante. – Que merda, porque é que ainda bebo disto.
Eu: Irónico não é? Que sabor horrível. – dou uma gargalhada quando ele engole outra vez, fazendo uma cara ainda pior. A garrafa está agora vazia. Os seus olhos perfuram os meus e o seu braço desliza sobre o balcão, partindo-a em bocadinhos quando cai ao chão.
Dan: Oops! – ele dá um sorriso torto.
Tento manter-me fixa mas as minhas pernas estão bambas devido ao álcool. Estou tão bebâda, foda-se. Os meus pés tropeçam um no outro balançando o meu corpo para a frente, é tudo muito rápido e antes que possa parar-me os meus lábios chocam com os dele. Oh deus, consigo provar o sabor da sua boca; é tão doce. Pressiono a palma da minha mão contra o seu peito e forço-me a descolar-me do seu corpo. Os olhos dele encontram-se com os meus e e a próxima coisa que sei é que ele tem a sua língua na minha boca. Ele não é o Liam. O sabor da sua boca é bom mas não o que eu quero, não agora. Fecho os olhos com força e deixo-me levar pelos movimentos da sua língua, empurrando o meu corpo contra o seu demasiado descaradamente mas ele não parece queixar-se. Ele murmura algo por entre os beijos e vamos caminhando assim até ao exterior, ele deixando uma nota no balcão à última hora.
Dan: Bebé, - ele parte o beijo mas logo empurro os meus lábios novamente contra a sua boca, ele murmura algo pesadamente e segura o meu rosto nas suas mãos. Os seus olhos bailam em desejo eu vejo-o, o canto da sua boca eleva-se, formando uma pequena curva. – não que eu não queira, mas amanhã vais arrepender-te disto. – ele murmura. Porque é que toda a gente pensa saber o que é melhor para mim? Se eu quiser beijá-lo, eu beijo foda-se! Porque haveria eu de arrepender-me? Estou tão bem aqui, sem ele, sem o Liam caralho.
Eu: Não vou. – censuro.
Dan: Eu pago-te um táxi, é melhor cada um seguir o seu caminho. Não aguento mais isto boneca – ele sorri, claramente referindo-se ao beijo. Pareceu-me que ele queria mais; não entendo os rapazes. Querem e depois não levam a sua avante, palermas... - Vemo-nos amanhã? – ele fala sorrindo. – Oh, foda-se. – ele apercebe-se de um táxi passar ali no preciso momento e corre até lá, parece trocar algumas palavras com o condutor mas estão tão longe, a minha visão é demasiado fraca agora. Ele acena até mim instruindo-me a ir para lá. Não quero ir na merda do táxi, não quero ir para a merda da minha casa. Não para ficar sozinha. Quero manter-me acordada até o sol raiar, até a minha cabeça rebentar, até os meus olhos se forçarem a fechar.

Continua...

sábado, 1 de novembro de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 12 - Deception



Os meus lábios abrem um pouco para que ele possa colocar o cigarro na minha boca, contudo ele era o que me mantinha fixada neste momento!! A minha atenção estava apenas concentrada nos seus olhos...
Kail: Queres provar o cigarro ou os meus lábios Melanie?... - a minha mente paraliza completamente com a sua pergunta e posso mesmo sentir a minha respiração alterar-se. Resposta alguma rompeu dos meus lábios agora mais selados que nunca, os seus olhos parecem procurar uma resposta nos meus, ele fica alguns segundos investindo nessa busca sem que qualquer reação fosse expressa por mim. Ele deixava-me impotente... um beijo é depositado no meu pescoço, algo suave contrariamente à primeira vez em que os seus lábios praticamente sugaram a minha pele, agora apenas conseguia sentir a humidade apoderar-se do local, uma sensação fresca mas que ao mesmo tempo me deixava cada vez mais confusa, não só a minha mente... tudo! Os seus atos, palavras, tudo nele provocava mudanças em mim no momento, aquilo que eu era deixava simplesmente de ser. De certa forma algo me diz que o mesmo acontecia com ele, caso contrário seria impossivel ele ser uma pessoa tão boa perto de mim, seria apenas o Kail de quem todo o mundo fala, o rapaz arrogante, desligado dos sentimentos, do mundo... ele não era assim, não pelo menos comigo! A pessoa que eu pensei que ele realmente fosse, existiu nas primeiras palavras, na minha mente por momentos, mas nunca de facto existiu. Palavras, primeiras impressões nunca demonstraram importância, nunca demonstraram realidade... ele já foi só palavras, palavras em que acreditei. Já não acredito. Os seus lábios descolam da minha pele, suspiro, a sua mão desloca-se pelo meu pescoço até chegar aos meus cabelos e pousar entre ele, o seu polegar acaricia o lóbulo da minha orelha e o seu rosto aproxima-se do meu - O que é para ti amar Mel? Qual o valor, o impacto... disso em ti? - pergunta calmamente.
Eu: Amar... - a minha voz sai fraca.
Kail: Apenas uma palavra babe, uma só! - ele interrompe-me. Uma palavra... poderia caracterizar amar como uma dor, afinal o facto de amar algo apenas nos vai magoar porque quando acaba nada mais resta a não serem memórias. Não é algo opcional, não é algo que se escolha, é algo que vem de nós, que nos controla e assume todo o poder da nossa vida acabando por nos levar à "morte", o coração ensina-nos a amar mas esquece-se de nos ensinar a superar o fim. Depois a clássica frase surge para derrubar ainda mais a ruína em que te encontras "Não deu certo porque não era para ser...". Se tudo acontece por algum motivo, tudo aquilo que vivemos é porque tinha de ser e o arrependimento pode ser certo mas a incerteza de não ter arriscado seria ainda mais dolorosa.
"Eu: Então o que é que vês nos meus olhos agora??
Zayn: Eu vejo fogo!"
Eu: F-fogo! - a minha voz treme, os seus olhos penetram os meus profundamente e perco-me totalmente nos meus próprios pensamentos...
Kail: Fogo, amor... poético, não significa que seja real. - ele deixa de me olhar e continua a fumar o cigarro que segura entre os dedos. - Incrivelmente o mundo vive demasiado de palavras, ou seja ilusões, encontram nelas um escape para alimentar a vida perfeita que não tem! - disse friamente e dando mais uma traga no cigarro que fumava lentamente aproveitando cada grama de nicotina que este lhe fornecia. - Realidade? - ele retoma e solta um riso sarcrástico em relação à pergunta que se faz a si mesmo e a mim que focava total atenção nele. Remexe nos cabelos já despenteados com a mão livre e solta o ar pesadamente da sua boca - Podes negar a realidade e viver no teu mundo de fantasias, ninguém erra, ninguém morre... tudo se resume a infinitos. Mas esses são mundos que negam a realidade babe. - as suas palavras acertam como flechas no meu peito, era tudo tão verdade... tudo tão real... tão duro! Vivemos nesses ditos mundos, e se não conseguirmos pelo menos um dia aceitar a realidade sermos eternamente alguém sem direção, alguém que não sabe quem verdadeiramente é! Contudo, amar será sempre algo que nos consume e dá vida... e ele sabia, apenas deveria ter cicatrizes mal curadas impossibilitando-o de vê-lo.
Eu: A tua pulseira... - seguro o seu pulso e analiso-a, tem uma frase nela gravada "Love you will never be a mistake...", um corte cobria toda a frase exceto a palavra 'mistake', encaro-o sem soltá-lo.
Kail: Quando aceitas a realidade da vida, superas. Quando a negas, a realidade encarrega-se de acabar com as ilusões e levar-te ao verdadeiro mundo quebrando tudo, e esse tudo inclui-nos a nós! - o seu olhar encontra-se finalmente com o meu e vejo-o brilhar - Pessoas como eu Mel, também criam cicatrizes. A diferença entre nós é que eu aprendo a ultrapassar e tu resumes-te à dor! - a sua voz é rouca e praticamente inaudível.
Eu: Mas tu guardas-a contigo! E se pessoas como tu ultrapassam a dor, porque é que guardas a dor contigo Kail? - ele permanece em silêncio por uns segundos e fico com medo da sua reação ao reparar na tensão que fica deixando que as veias se façam notar nitidamente na sua pele. - Kail?...
Kail: Qual é o teu problema? - explode, encolho-me para trás com o impacto da sua voz perto do meu rosto. - Estás a falar comigo dessa forma porque? Achas que as tuas palavras me afetam caralho? Deixa-me viver a minha vida, à minha maneira. - berra e atira o resto de cigarro para o chão
Eu: E eu estou a impedir-te de o fazeres? - elevo o tom de voz também - Talvez sejas tu que ages como uma criança, não sabes encarar os teus problemas e simplesmente os resolves sem o minimo de escrúpulos... Magoas as outras pessoas para minimizares a tua dor, isso é justo? - grito, o sangue nas minhas veias acelera e o estado em que o deixo é semellhante.
Deveria ter medo dele mas tudo o que sinto é raiva, ele consegue mostrar-me sempre pessoas diferentes e o verdadeiro ele... não sei, quero acreditar que seja bom mas as suas atitudes momentâneas de raiva fazem-me duvidar disso. A minha respiração está alterada e apenas sinto de repente o meu corpo ser atirado para a areia e o peso do dele cair em cima do meu. Os seus dedos apertam os meus pulsos, um de cada lado da minha cabeça, as minhas ancas são fortemente apertadas contra corpo... O que é que ele estava a pensar fazer? A força exercida sobre os meus pulsos impossibilita-me de fazer qualquer movimento, mordo o lábio ao sentir a ardência na minha pele.
Kail: Não me conheces Mel - cospe e sinto cada vez mais ele pressionar o seu corpo no meu - E se eu te fodesse agora bebe? - o impacto da sua pergunta sobre mim é intenso, sinto o ar quase ser-me roubado e os meus olhos inundam-se em lágrimas que consigo segurar por agora. Ele não seria capaz de o fazer, está apenas irritado... ou seria? Não sei - Oh Deus o que eu podia fazer contigo... neste preciso momento, agora. Ninguém nos ouve Mel, somos só eu e tu babe, na praia... Fodasse, quero-te tanto. - a forma como pronuncia as palavras é totalmente fria, a sua mão cobre o meu rosto gélido e engulo o choro.
Eu: Não, por favor Kail ... por favor - suplico, ele olha-me o tempo suficiente para perceber que nada que eu disse-se fosse mudar algo, sigo o movimento que os seus braços fazem desde o meu rosto até ás suas calças e observo-o descer o seu zyper dando-me visão para os seus boxes cinza claro. A água nos meus olhos escorre agora por todo o meu rosto e não controlo os soluços que desesperadamente saem da minha boca, os seus polegares pressionam a cinta das calças pretas que veste e descem-nas um pouco, - Para com isto ... K-Kail - choramingo, a minha cabeça não consegue raciocinar direito e tudo o que quero é que me solte, quero fugir... ele inclina-se, o seu abdómen roça contra a minha blusa.
Kail: Desiludes-me Mel! - sussurra junto do meu ouvido, tremo com a sua respiração quente - Achas-me capaz de te obrigar a fazê-lo?! Eu realmente não sou uma boa pessoa, mas pensava que percebeces que contigo é diferente. - engulo seco e dabato-me com a culpa de o ter pensado realmente.
Ele levanta-se bruscamente apertando as calças apressadamente e afastando-se de mim, da praia... limpo as lágrimas que se foram formando e levanto-me num impulso rápido correndo atrás dele, a velocidade que atinjo é suficiente para depressa o alcançar. Os meus dedos finos rodeiam o seu braço e ele volta o seu corpo lentamente para trás, os segundos em que nos olhamos parecem virar uma eternidade naquele preciso momento, apenas se ouve a agitação do mar aquelas horas da noite e as nossas respirações igualmente fortes cruzarem-se uma com outra. Os seus lábios tremem um pouco e acredito que a minha pele seja totalmente pálida com o vento gelado que quebra nela. Estou cansada, tento perceber comigo mesma o que está errado, o que não é assim, que não faz sentido no tempo, que não está no seu lugar, o que não está certo para a minha vida... nada é exato. Nada.
Eu: Desculpa... - murmuro e logo sinto a sua mão deslizar pelo meu rosto, a ponta dos seus dedos é gélida tal como a temperatura da minha pele, olha-me diretamente nos olhos. Congelo. - Eu... - ele imterrompe-me pousando a sua mão levemente sobre os meus lábios.
Kail: Shhh... não digas nada! - a sua voz está mais rouca e baixa, calculo que isso se deva ao facto de a temperatura que se faz sentir - Estás perdida, é só isso... - era isso, exatamente isso, não acrescentaria nem mais um ponto ao que ele acabava de dizer ... estava perdida. Perdida na minha própria vida! - Às vezes para podermos seguir em frente, precisamos de mudar de direção, pensamentos, ideias, trocar o que julgavamos errado e encará-lo agora como algo certo... Mel, ainda és tão jovem babe! Não deixes que algo te abata sem antes tentares lutar contra isso!
Eu: Falas como se soubesses tão bem o que dizes...
Kail: E sei... - suspira - O que é que te atormenta tanto afinal? - a maneira como me olha é cada vez mais profunda.
Eu: Solidão... E o que te atormenta a ti Kail?
Kail: "Eu vi na tua solidão uma excelente amiga para a minha solidão..." - ele começa a citar a frase de um livro que me lembro de ler antes me vir para Bradford - "... Achei que elas pudessem sofrer juntas, enquanto nós nos divertiamos" - um sorriso rompe nos seus lábios rosados exibindo um pouco do piercing que ele tem na lingua, não consigo evitar sorrir também, os seus braços agarram o meu corpo dando um impulso para que as minhas pernas se entrelacem na sua cintura e abraço-o fortemente apoiando o meu rosto no seu ombro. Os meus cabelos cobrem a maior parte do meu rosto escondido entre o seu casaco e descem pelo seu tronco ligeiramente curvado. A forma como me abraça, conforta-me. Consigo inalar o cheiro do seu perfume com aroma fresco e suave... o tempo passa, os meus batimentos cardíacos diminuem voltando ao normal aos poucos, sinto-me cada vez mais segura perto dele, fecho os olhos, abstraio-me de tudo e vivo apenas o momento.

Continua...
xxAndy

sábado, 11 de outubro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 43 - Humanity.

 

 

Dan: É, então... achas que podias ser modelo?

Eu: O quê? - pergunto, respirando mais rapidamente. Ele não pode estar a falar a sério. As minhas veias estão mais escuras na minha pele, os meus olhos seguindo os meus atos, escurecendo. Depois de todos os problemas que eu tive... com o meu corpo, com quem usou o meu corpo... eu não consigo simplesmente mostrá-lo em diante de várias câmaras e olhares, ainda para mais com os cortes no pulso... não posso, nem consigo, mesmo que quisesse, eu simplesmente não podia.

Dan: Podes ganhar bastante dinheiro com apenas uma sessão... Bell, - ele respira, olhando-me diretamente nos olhos. - eu só quero o teu bem. Se continuares assim não vais conseguir pagar as contas de casa... acredita em mim, vais precisar disso.

Eu: Eu não posso Dan... - suspiro, olhando o chão, voltando o olhar até ele, as minhas mãos tremem nos meus bolsos e as minhas pernas congelam enquanto balanço nos meus calcanhares. Ele suspira, tirando outro cigarro do bolso e procurando pelo isqueiro no outro, apalpando os seus bolsos do casaco várias vezes, franzindo as sobrancelhas de seguida, soltando um grunhido rouco.

Dan: Tens um isqueiro boneca? - ele volta a segurar no cigarro e segura-o na ponta dos dedos, olhando-me com cautela. Vou até a minha mochila e seguro no isqueiro, prestes a entregar-lho, mas as minhas ações são antecipadas pelo seu corpo que se move para mais perto, o seu rosto está próximo enquanto mantém o cigarro preso nos dentes, fazendo um gesto com as mãos para que o acenda eu mesma, logo o fumo se espalhando por toda a parte. Ele vai inalando algumas vezes, os seus olhos sempre nos meus. A minha visão arde um bocado, até se habituar com a sensação do fumo em redor.

Dan: Queres? - ele aponta com o cigarro na minha direção, retirando-o da sua boca.

Eu: Sabes bem que isso já não me faz nada Dan. - murmuro, ele logo rindo um pouco de seguida. Ele encosta-se contra a parede, apoiando a perna contra ela. Sigo os mesmos atos e vou até o seu lado, encostando o meu corpo contra ela, deixando-me descansar com a brisa do vento a soprar-me no rosto.

O dia está escuro, mas não tanto como ontem, não tão deprimente. Talvez isso ajude no meu autoestima. Provavelmente não. Percorro o estacionamento com o olhar, à procura de rosto conhecidos mas não os encontro. Talvez seja melhor assim. Pergunto-me se ele viu o casaco, como será que reagiu. A minha cabeça rodou em torno dele a noite toda, incapacitando-me de dormir de qualquer forma. Cada vez que fechava os olhos lembrava-me dos momentos que tivemos, e isso não é saudável. Não para mim. Mas eu estou a tentar esquecer, é o melhor que tenho a fazer. E não acredito como estou separada dele e estou junta da pessoa que provocou tudo isto. Mas tudo na vida tem um propósito.

Dan: Sabes, eu posso sempre ir contigo. - viro o meu rosto até ele, que continua a encarar o nada. - Se te sentires mais à vontade podemos fazer a primeira sessão juntos. Pode ser que funcione melhor, de qualquer das maneiras também preciso de dinheiro e ontem atirei com toda a cocaína que tinha para o chão...

Eu: Dan, - murmuro, mas sou interrompida pela sua voz profunda, cada vez mais rouca devido ao tabaco.

Dan: Eu quero deixar esta vida sabes Bell? Mas é difícil. Uma vez que entras, - ele inala uma vez mais. - já não consegues sair. Se ao menos fossemos juntos seria mais fácil, para ambos...

 

***

 

As aulas passavam devagar, a um ritmo quase doloroso até. Quando olho para o relógio ainda são 15 horas. Durante todas as aulas pensei em que resposta lhe daria. A verdade é que se eu não fosse, ele também não iria. Mas eu não posso fazê-lo por ele, não é como se ele fosse de confiança de um dia para o outro, não é assim que se ganha confiança nas pessoas... não tão rápido, muito menos comigo. Mas ele realmente tem perfil para esse trabalho, bem mais do que eu na verdade, não sei como nunca reparei nisso antes. Tem pele morena, cabelo castanho claro, lábios rosados, olhos de um verde totalmente perturbador, por vezes um pouco castanhos, e uma altura enorme. Pelo que pude reparar é bem maior do que todos em redor, acabando por descobrir que tem 1.90 de altura. Sinto-me demasiado pequena ao pé dele, o Liam era alto de certo, mas tem no mínimo menos 10 centímetros do que ele.

Estou agora a caminhar pelos corredores, perdida em pensamentos e na música que toca no meu telemóvel, os meus fones privando-me de ouvir qualquer outro barulho em redor. Olho em volta, várias pessoas seguem na mesma direção que eu. Continuo a caminhar, as minhas botas fazem barulho no chão molhado, já posso sentir o ar frio vindo das portas de saída. Sigo por entre vários caminhos, até chegar ao portão de entrada para a escola, a parte de fora. Geralmente ninguém cá estava, a não ser eu e o Dan, por isso tomo o lugar como nosso... Tenho passado cá parte do tempo. Aqui é silencioso, calmo, apenas alguns carros passam, ninguém podendo acabar com os meus pensamentos de qualquer modo...

Remexo no telemóvel várias vezes, os meus dedos inquietos batendo contra ele, o meu nariz lentamente ardendo e pingando, obrigando-me a limpá-lo com um lenço. Eu podia simplesmente dizer que estou constipada, mas é mais do que isso... acontece quando passo mais de três dias sem me injetar, e é o inferno. A minha pulsação é rápida, podendo senti-la no meu pulso. Mas eu vou parar, eu tenho de o fazer, porque se a minha vida já está arruinada, a culpa é minha, e não vou piorá-la.... não posso continuar a fazê-lo, uma vez que realmente vou seguir esta carreira tenho de parar. Acabo de tomar essa decisão uma vez que posso ganhar bastante dinheiro, possivelmente viajar para outros lugares e deixar a vida de merda que levo. Talvez tudo fique bem, sem ele? É só nisso que posso pensar, porque ele é tudo em que consigo pensar. Quer seja bom ou mau, ele está na minha mente, e está a deixar-me louca.

Mas eu não estou obcecada nele. Nunca o deixaria chegar a esse ponto. Porque desse modo, já nem é amar, é precisar de respirar o mesmo ar que essa pessoa para se sentir bem. E isso nem é saudável, nem agradável.

O tempo passa, as nuvens permanecem, escurecem, os minutos passam, os batimentos no meu peito dóiem a cada momento... não sei porquê, não consigo fazê-lo parar. Fecho os olhos e tento imaginar um futuro melhor, sem ele... mas não é a mesma coisa, nunca será. Deixei tudo chegar até aqui, tão longe, apaixonar-me... o pior erro de qualquer ser humano. O pior erro da humanidade.

 

Continua...

xxPatrícia