segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 2 - Panic



Mel P.O.V. 


Ele: Shhh ... Não me vais bater outra vez pois não?! - a sua voz rouca soou perto do meu ouvido arrastando os meus pensamentos para ele...
O meu corpo estremece quando sinto a sua respiração quente bater na minha pele. Era o rapaz que estava no treino... senti as palpitações do meu coração acelerarem cada vez mais, tornando-se fortes e intensas. Abanei a cabeça negativamente, não conseguia arranjar voz para falar. - Mel certo? - acenti - Não me enganei então! - ele sorri. E que sorriso!! Vi-me a sorrir involuntariamente também, enquanto o meu olhar se perdia nos seus cor de avelâ, agora tão próximos dos meus.
Eu: O que queres de mim? - finalmente falei, ele descolou o seu corpo um pouco do meu mas mesmo assim sem deixar de tocá-lo.
Ele: O Tyler não te devia ter deixado sozinha ali! - ele disse firme.
Eu: Eu sei tomar conta de mim! - respondi.
Ele: Não, não sabes! Se soubesses mesmo terias conseguido fugir. Imagina que não era eu a te encontrar, mas sim outro rapaz qualquer deste bairro... Tens noção do que acontecia? Estavas a ser violada neste momento. Acredita que ele não ia ter piedade de ti mesmo que chorasses. Tens que aprender uma coisa, isto não é Los Angles linda! - formou-se uma tensão entre nós, ambos ficamos em silêncio. Os seus olhos analisavam-me, percorrendo cada promenor do meu rosto ... Quem era ele?
De repente senti uma pontada forte no peito, como se fosse um aviso. A minha respiração começou a ficar pesada, parecia que havia algo a sufocar-me, sentia o sangue correr mais depressa no meu corpo provocando-me um onda de calor ... - Mel? - perguntou assustado, a minha visão foi ficando turva impedindo-me de vê-lo bem - MEL? - perdi as forças que tinha...


Zayn P.O.V. 


Eu: MEL? - o corpo dela estava demasiado quente e ela não reagia, parecia que estava a sufocar, assustando-me. De repente o seu corpo tomba, coloquei os meus braços à sua volta num impulso puxando-a para cima e peguei-a no colo. O que é que fazia agora com ela? Fodasse só me meto em merda!
***
Entrei em casa, felizmente a minha mãe não estava, porque se não ia começar com as perguntas! Levei-a até ao meu quarto e deitei-a na cama, pegando no telemóvel do bolso e digito uma mensagem para o Tyler.
Para: Tyler
"A tua irmã está comigo não te preocupes! Levo-a a casa daqui a meia hora, para já ainda é perigoso!"
Pousei o telemóvel e reparei nela ali, parecia estar a dormir como um anjo... deslizei os meus dedos pela sua pele suavemente, os cabelos dela eram longos cobrindo o seu peito. Não consegui deixar de reparar no facto de ela estar de saia... mordi o lábio enquanto focava o olhar nas suas pernas morenas sobre os meus lençóis. Naquele momento tive uma vontade maluca de sentir a boca dela, o seu sabor, queria tocar-lhe... certamente ainda era virgem, a inocência do seu olhar e a delicadeza da sua pele quando a agarrei hoje. A sua pele estava arrepiada... levantei-me e peguei numa das minhas sweats colocando uma em cima dela...


Mel P.O.V. 


Onde é que eu estava?
Agarrei a camisola em cima de mim e comecei a lembrar-me do que aconteceu, deixando-me uma lágrima escapar-me. Tinha tido mais um ataque de pânico, à cerca de dois anos que nunca mais tive um. A pior coisa no mundo é implorares por atenção, eu nunca quis a pena de ninguém apenas porque sim, eu não escolhi sofrer com isso... Mas ao final destes anos pensava que esta tortura tinha chegado ao fim... enganei-me!
A vida é realmente cruel, mesmo assim faz-nos aprender com ela, e o pior é continuares no chão em vez de te levantares e seguires em frente com medo... a queda pode ser muito violenta mas não podemos deixar que nos domine! Seguir em frente, é só isso... até que esse medo volta e depois não sabes como dominá-lo outra vez!
Era assim que me sentia agora, com medo de o enfrentar! Olhei mais um pouco à minha volta, era-me tudo completamente desconhecido. O que é que eu fazia ali? Ouvi passos vindos do outro lado da porta, caminhei até lá abrindo-a devagar, os olhos deles encontram-se comigo, abri a porta por completo dando um passo em frente e encostando-me na parede. Lambi os lábios, o nervosismo tomava conta de mim, não sabia o que lhe dizer ...
Zayn: Vou só tomar banho e já te levo para casa! - disse e entrou logo na porta ao seu lado. Senti o meu corpo pegar fogo... O que é que se estava a passar comigo??
Não sei o que me passou pela cabeça mas fui até à porta onde ele tinha entrado, ouvi a água correr durante algum tempo e depois parou, um silêncio pela casa. Notei que ainda agarrava a sua sweat na mão, abri a porta da casa de banho num impulso e logo me arrependi de o ter feito, ele estava apenas com uma toalha enrolada à volta da cintura, os seus cabelos escuros estavam molhados... engoli seco e atirei-lhe a camisola.
Eu: Vinha só agradecer pela camisola! - senti as minhas bochechas ficarem rosadas. Porque é que eu entrei ali?! Ele apanhou-a olhando-me confuso arqueando uma das suas sobrancelhas.
Ele: Mel - a suz voz rouca chamou-me, olhei-o com vergonha mexendo nas pontas do meu longo cabelo. - Sê sincera comigo! - vi-o aproximar-se de mim e as suas mãos cercaram a minha cintura. - O que vieste aqui fazer? - sussurou próximo do meu rosto.
Eu: Entregar-te a camisola, já disse! - ele não respondeu mais nada. Queria que ele falasse uma porcaria qualquer menos ficar calado a agarrar-me daquela maneira. - E-eu acho que é tarde, d-devia ir para casa o Tyler já d...
Ele: Cala-te um bocado! - ele interrompeu-me, reparei que ele não prestava atenção nenhuma aquilo que eu estava a dizer, os seus olhos pareciam admirar cada traço do meu rosto, mordi o lábio e nesse momento os seus dedos deslizaram sobre eles indo até a minha bochecha e acariciando-a de leve. - Acho que é melhor levar-te para casa!
Deixei de sentir o seu toque e um suspiro escapou dos meus lábios, deixei os ombros cairem e mantive-me quieta. Eu não conseguia ter qualquer reação no momento, nem mesmo quando ele estava perto de mim... era como se a realidade invadisse o meu mundo por segundos, o brilho do sol torna-se demasiado fraco para competir com a sua alma obscura e enegrecida, ofusca o meu coração, entrega-lhe sentimentos, sensações, as quais não entendo nem controlo... eu não vejo mais a realidade, sinto que vivo num mundo à parte! Não me conheço a mim mesma. O medo do desconhecido.
Zayn: Vamos! - ele fez-me um sinal com a cabeça enquanto vestia o casaco, a nossa casa nao era muito longe da dele, porque depressa chegamos, quando saí a porta do carro vi a Caissy a me olhar do outro lado da rua, o Tyler estava a sair a porta de casa...
Caissy: MELLLL!! - gritou , vi-a correr na minha direção, olhei para o lado, um carro vinha completamente descontrolado na minha direção. Quando me voltei a Caissy já estava perto de mim com lágrimas correndo o seu pequenino rosto, ia impedi-la de avançar mais, mas o carro estava demasiado perto, senti já as luzes quebrarem no meu corpo, o desespero tomou conta do meu peito, de mim. Uns braços agarram-me puxando-me dali... aconteceu tudo tão depressa... um estrondo... um aperto... Caissy... o meu corpo estava no chão, sentia as mãos dele... Caissy ... levantei um pouco o meu rosto com dificuldade e vi, eu vi, o seu corpo frágil na estrada sem fazer qualquer movimento... Foi como se me tirassem o chão, sentia-me em pedaços, cacos.
Soltei-me dos seus braços e corri até ela segurando a sua cabeça nas minhas pernas, deslizei os dedos pelo seu pescoço, ela não respirava. Uma respiração pesada surgiu ao nosso lado, o Tyler caiu de joelhos enquanto agarrava os cabelos e abafava o choro na sua camisola.
Eu: Caissy... por favor... - Morte. Uma palavra demasiado forte para que estejamos prontos para a encará-la verdadeiramente. Eu não estava, ainda para mais desta maneira, eu era quem a deveria ter salvo e não ela a mim! Ainda mesmo antes de deixar de a ver, o medo da saudade já me encontrou. Uma saudade amarrada pelo "sempre", eterna, nunca esquecemos, sentimos falta a toda a hora, momento, memória... Só o tempo pode acalmar esse sofrimento. - E-ela morreu Tyler... - prendi as lágrimas enquanto o olhava, mas elas logo se tornaram em algo impossivel de segurar e escorreram por cada traço do meu rosto. Passado pouco tempo chegou um ambulância, os homens tiraram-na dos meus braços, levantei-me dando lentos passos para trás, cruzei os braços contra o peito vendo-a ir... o som das cirenes ia se afastando, ouvi a porta de casa bater e não vi mais o Tyler. Aquele toque novamente apoderou-se de mim – Solta-me! – grito e  empurro-o, batendo com as minhas mãos no seu peito.
Zayn: Ouve eu... - interrompi-o.
Eu: Não quero ouvir nada do que tens para me dizer! Desaparece! – grito.
Zayn: Mas vais ouvir! - ele gritou arregalando os olhos, senti os meus pulsos serem violentamente agarrados e o meu corpo ser arrastado contra o seu, os nosso peitos chocavam violentamente um no outro. - Desculpa - ele baixou o rosto, fiquei surpreendida com a sua mudança de reação. Achava que ele seria demasiado orgulhoso para me falar daquela maneira...
Eu: Nunca me devias ter salvo! - as lágrimas insistem em voltar e não as consigo impedir de cair. - Se fosse alguém especial para ti no lugar da Caissy? Se eu te implorasse para me deixares morrer a mim? - o medo, medo das suas palavras, das respostas, de tudo... o minha dor encarnava agora a forma de lágrimas e tentava controlar a raiva de mim mesma.
Zayn: Salvava-te naquele segundo ... sem qualquer arrependimento!
Eu: A Caisy morreu! - mordi o lábios sendo mais forte que a vontade de chorar que cercava os meus olhos.
Zayn: Mas tu não!... Pára de chorar, mostra que não és fraca! Tu não a perdeste, tu apenas ganhaste um anjo no céu para olhar por ti! - as palavras dele impressionavam a cada pausa sua, nunca pensei que conseguisse dizê-lo ... os seus olhos tornavam-se mais claros, o rosto vazio que conheci não era o mesmo era mais doce, acalmava-me. Senti os meus pulsos serem largados, ele afastou-se caminhando para o carro - Mel! - a sua voz voltou a chamar-me. - Eu teria te salvo de qualquer das formas, mesmo que implorasses para que não o fizesse... - um tom completamente frio e egoísta entoava na minha mente.
Eu: Porque é que não deixas que percebam o teu lado bom? - falei um pouco mais alto para que ele me ouvisse. Um braço deslizou pelas suas costas, ele olhou o nada e só depois me encarou novamente, mantive-me fixa no seu olhar esperando por uma resposta.
Zayn: Porque com o tempo o lado bom vira uma merda Mel! Nunca esperes isso de alguém como eu!



Ele entrou no carro indo embora. Quem era ele afinal?
Entrei em casa e deitei-me junto do Tyler, os seus braços abraçam a minha cintura, sinto as suas lágrimas cairem nas minhas costas voltadas para o seu peito, entrelecei as nossas mãos e fechei os olhos, e mesmo assim as lágrimas voltavam...
"Tu não a perdeste, tu apenas ganhaste um anjo no céu para olhar por ti! ", a sua frase... entendemos a morte como um fim, mas para outros ela é apenas a mudança para um novo mundo desconhecido, a crença de que voltaremos... como anjos! Seja qual for a verdade, a única certeza de que tenho é a de que, perdi a Caissy e... para sempre! O vazio que inunda o meu peito, a sensação de que é apena um pesadelo que acabará, o desespero de querer acordar... quando tudo é real e não vai mudar!
Encontras a realidade no silêncio da noite, e aí percebes que... acabou. Todas as rotinas passarão a memórias, vamos esperar o seu beijo, o seu abraço, a sua voz, e nada disso existirá mais. Aquela ausência, a presença inexistente, a esperança, a saudade, vão criar lágrimas, feridas que deixam marcas.
Sequei as lágrimas e novamente a frase voltou à minha cabeça formando desta vez um leve sorriso nos meus lábios ... "Tu não a perdeste, tu apenas ganhaste um anjo no céu para olhar por ti!" ... Os dias vão continuar, a vida vai seguir, sei que esta fase magoa, todas as fotos, todas as memórias vão lembrar-me dela! Sei que me estás a ouvir Caissy, e prometo-te que vou ser forte! As lágrimas podem ainda cair, mas eu prometo lembrar-me de sorrir por ti, fazer brilhar a felicidade que sinto por ser tua irmã... Um dia encontro-te!
Eu&Tyler: Amo-te Caissy! - sussurrei apertando os olhos para que as lágrimas não vencessem novamente, mas exatamente no mesmo momento o Tyler disse o mesmo.


Continua...

xxAndy


domingo, 27 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 28 - Roller coaster

Passamos um bom tempo a falar e a conversar e acabei por descobrir que ele já tem um “emprego”, o que explica muita coisa... o carro que ele tem estacionado lá fora não foi pago pelos pais dele de certeza!
Ele trabalha num ginásio, pelo que percebi dá aulas de box aos sábados e participa em várias competições. Ele falava tão contente e os seus olhos brilhavam a cada momento que recontava as suas vitórias e percebo que está orgulhoso por ver onde chegou. Sem dúvida que ele sabia se defender... mas imaginá-lo à luta novamente não é algo que eu queira mesmo. Na verdade, só me matava por dentro, sentia-me mal com isso, como se vê-lo magoar-se fosse quase um desespero.
Ver o quanto ele mudou em mim leva-me ao extremo! Eu nunca foi de me preocupar muito com as pessoas, não me lembro de dormir na mesma cama com mais alguém, não me lembro de chorar tanto por  medo e aflição... ele trazia o pior ou talvez o melhor de mim, porque esta não sou eu.
Liam: Hmm bem tenho de ir pra casa agora, a menos que queiras que eu fique aqui?
Eu: Ah, não. Podes ir. – murmuro. Ele levanta-se e veste o casaco enquanto caminha até a porta. – Liam? – chamo. – Obrigada por isto. – ele sorri e num relance a porta fecha-se e ele já cá não está.
Talvez eu devesse ir dormir? O meu subconsciente lembra-me que acordei à poucos minutos mas não encontro nada mais interessante para fazer. Quando passo pela cozinha encontro os dois pratos ainda em cima da mesa e penso vigorosamente em limpar a casa toda, de cima a baixo.
Desde o dia em que a minha família se foi, eu tive que fazer tudo sozinha. Já não tinha a minha mãe para limpar tudo ou sequer mandar-me ir dormir mais cedo.
Quando não tinha nada para fazer, eu limpava e colocava uma música qualquer a dar. Sei que parece estúpido, mas sempre fui habituada a deixar tudo limpo e não vou estragar isso.
Vou até a cozinha e começo por lavar os dois pratos sujos. Ele tinha deixado tudo arrumado, mas esqueceu-se de arrumar o seu prato... o que na verdade é bom porque me dá uma tarefa extra. Estava a limpar a mesa quando ouço a porta bater. Corro até lá antes de limpar as mãos ao pequeno pano e abro-a. O ar frio bate na minha cara e arrepia-me, mas não tanto quando vejo quem está à minha frente.
Eu: Esqueceste-te de alguma coisa? – pergunto e dou espaço para ele entrar e ele assim o faz.
Liam: Hmm sim. Acho que deixei aqui o meu telemóvel. – murmura enquanto passa as mãos pelos bolsos para se certificar que lá não estavam. Ele começa a caminhar e vejo-o subir as escadas e vou atrás dele. Quando reparo está no meu quarto a remexer em tudo.
Eu: Eu dei-te permissão para mexer nas minhas coisas por acaso? – digo. Quando penso que estava tudo a ir bem ele volta como se mandasse em tudo, boa. Uma certa raiva começa por crescer dentro de mim e lembro-me de respirar fundo, mas não resulta quando vejo que me está a ignorar. Vou até ele e dou-lhe um leve empurrão, não tão leve quanto isso porque ele cai levando-me com ele.
Liam: Estás assim tão desejosa que não possas esperar? – ele ri, um riso estúpido e desejoso. Mas um riso poderoso que me incendeia por dentro, mas depois de hoje... já nada será como antes. Depois do que aconteceu hoje, a última coisa que quero saber é de qualquer tipo de relação sexual...
Eu: Ugh idiota. – grunhi e levanto-me. Sem dúvida que esta camisola não me está a ajudar em nada hoje. – Não gosto que mexam nas minhas coisas. – atiro.
Liam: Bem, eu só estava a procurar pelo meu telemóvel e tu empurraste-me de qualquer modo.
Eu: Não gosto que mexam nas minhas coisas. – repito dura. Ele é tão irritante porra! Como é que pode ser tão bipolar?
Liam: Bem, será que podemos parar com isto? Estava a correr bem até agora. – ele diz num tom calmo. Levanta-se e encontra o telemóvel em cima da cabeceira ao lado da minha cama e aponta com ele para mim para me dar a perceber que ele veio cá por um motivo verdadeiro.
Eu: Estava a correr bem até tu te fazeres de estúpido.
Liam: Oh deixa-te de coisas Bell. Ficaste ofendida por eu dizer aquilo? Pensei que eras demasiado dura para isso. – atira e faz a minha pele rasgar como que setas estivessem a atingir-me. O sangue parece esvair-se do meu corpo e sinto-me ficar gélida. Ouvi-lo da boca dele parecia ser muito pior do que qualquer outra pessoa a dizê-lo. Porra, ele não sabe nada da minha vida, porque é que simplesmente não se cala? Limpo o canto dos meus olhos com a costa das mãos e cruzo os braços debaixo do meu peito.
Eu: Se já encontraste o que querias podes ir embora. – mando e de certa forma sei que ficou ofendido e não esperava que o fizesse. Talvez ele não me conheça de verdade. Neste momento, acho que ninguém me conheceu mesmo. Não o verdadeiro eu.
Liam: Desculpa. – ele sussurra e atinge-me ainda mais forte do que o outro comentário. Porque é que eu simplesmente não lhe dou uma estalada e o mando embora?
Eu: Vai-te embora. – digo firme e vou até a porta e abro-a. Tudo o que vejo é ele permanecer quieto e mais tarde voltar a pousar o telemóvel na cabeceira e atirar com o casaco para cima da cama. – Eu disse para saíres. – falo mais alto e cerro os olhos tentando conter a raiva que se formava em mim. Oh, tenho de aprender a controlar-me.
Liam: Não. Sinceramente não acho seguro ficares sozinha agora, ainda partes a casa toda.
Eu: Foda-se Liam sai! – berro e a minha garganta dói, a minha voz falha e os soluços voltam. Estava a ser demasiado bom, já devia ter suspeitado que alguma coisa ia acontecer. Os seus passos encaminham-se até mim enquanto desabava em soluços contra a parede. Eu sou tão parva, porque é que fiquei tão ofendida de qualquer das maneiras? Talvez porque a pessoa que pensei que nunca o diria o fez com a maior das facilidades?
Liam: Desculpa Bell. Desculpa eu não devia ter dito aquilo! Eu sei. – ele grita fazendo-me ouvi-lo. Olho para a parede fixamente à procura de não encontrar o seu olhar no meu. Os seus dedos percorrem o meu rosto e fazem-me virar a cara até ele. – Ouve-me. – ele ordena. – Eu sei que não estás habituada mas vais ter de perceber que só porque digo alguma coisa diferente não quer dizer que não me importe! Eu importo! Só preciso de levar isto com mais calma... não sei o que estou a sentir no momento... – ele murmura e afasta-se lentamente. Sinto um choque de curiosidade em relação a isso, mas sei que se descobrir o que ele realmente queria dizer alguma coisa vai voltar a acontecer e estragar tudo. E vai ser sempre assim... como uma montanha russa.
Eu: Achas que eu sei? Por mais que te odeie fazes-me pensar o contrário! E quando penso que realmente te importas minutos depois fazes-me odiar-te ainda mais!! – berro. As suas costas estavam voltadas para mim e irritava-me perceber que ele não queria sequer olhar-me enquanto estava a falar para ele! O que é que lhe deu na cabeça para dizer aquilo? – Não tens nada para me dizer?
Liam: Tenho. Várias até. Mas tu ainda não te calaste. – suspira e cruza os braços enquanto roda nos calcanhares e me olha. – Já posso falar? – formam-se várias linhas na sua testa enquanto ele permanecia com a expressão duvidosa à espera de uma resposta minha que acabou por não chegar, acho que ele levou isso como um “sim”.
Passaram-se alguns segundos de silêncio e ele continuava calado.
Eu: Diz alguma coisa ou então sai. – atiro e soa mais rude do que estou à espera.
Liam: Nada... – suspira, os seus ombros tensos relaxam e vejo-o deitar-se na minha cama, sem a minha ordem. Ele ainda não percebeu que não pode ficar aqui?
Solto um suspiro profundo quando percebo que ele não vai sair. Quando olho para o relógio já passa da meia noite...
Eu: Vais ficar aí?
Liam: Vou.
Dou de ombros, não acho que vá valer a pena outra discussão. Ele vai acabar por sair... acho eu. Quer dizer, ele não deve pensar que só porque cá esteve hoje de tarde esta agora é a casa dele ou  pensa? Abano a cabeça com os pensamentos e chuto-os para longe enquanto desço as escadas. 


Continua...

xxPatricia

sábado, 26 de abril de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 1 - Gravity

Heyy!! Esta é uma das novas fics que vamos começar a postar!! Espero que gostem!!

Bjss :3

 


Trailer (pra quem ainda não viu):

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ou

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Mel P.O.V. 


Passou-se apenas uma noite e eu mal consegui fechar os olhos para descansar um pouco, havia sempre um medo a tomar conta de mim e impedindo a minha mente de ficar tranquila por uns segundos que fossem. Este não era o meu mundo... em LA tudo era tão, mas tão diferente.
Bradford não me parecia seguro, a qualquer passo que eu dava parecia haver sempre alguém a perseguir as minhas atitudes, era horrível pensar que podia haver alguém a controlar a nossa vida sem que nós mesmo percebessemos isso! Nunca fui alguém de entrar em brigas, drogas, grandes festas... era apenas uma rapariga normal. Não tenho um passado propriamente feliz visto que minha mãe me abandonou a mim e aos meus irmãos quando ainda éramos novos, eu tinha apenas dez anos...
Foi muito mau crescer sem ter essa figura maternal ao meu lado pra me ajudar e não deixar cair, mas eu tive que aprender a viver assim mesmo, apenas contando comigo. Falo sozinha pelo simples facto de não ter ninguém em quem confiar... Dá até um leve arrepio subindo pelo meu corpo ao tentar entender quem sou verdadeiramente, às vezes tenho a sensação que me escondo atrás de uma rapariga feliz para não mostrar o meu sofrimento. Não posso esconder que a Mel é apenas uma rapariga à procura de algo bom na sua vida e, tal como outra jovem alcançar os seus sonhos. E um dia tudo mudará, um dia incerto o qual não podemos prever, mas esse vai ser um dia em que o nosso pequeno mundo irá nos dar liberdade!
A vida é um turbilhão de sensações, emoções, mudanças, ilusões... ilusões porque muitos odeiam-nos apenas porque querem o nosso lugar, enquanto tudo o que nós queremos é fugir dele! Vai chegar um dia em que vou entender que existe um limite para tudo mas só quando ultrapassar esse limite eu vou perceber que ele existe. Quando chegar esse dia eu vou entender que cada um usa as armas que tem para deixar sua história marcada e... nesse dia a vida encarregar-se-á de me mostrar que tudo não passou do início porque o fim está longe de chegar.
Eram agora sete da manhã, os meus olhos querem fechar mas os primeiros raios de luz começavam a entrar entre as cortinas da janela do meu quarto... Grrr que ódio. Fiz uma viagem enorme e nem consegui dormir! Ainda pra mais hoje era o meu primeiro dia na nova escola. Empurrei os meus cobertores para trás na cama e soltei um suspiro deixando-me estar deitada na cama. Estava completamente perdida ali... como ia ser a partir de agora?
Arranjei forças e levantei-me num pulo da cama indo ligar a música colocando-a num volume não muito alto mas o bastante para acordar quem estava a dormir naquela casa! Mal pressionei o botão para o cd começar a tocar, cerrei os meus olhos e contei até três e logo ouvi a voz irritante do meu irmão Tyler gritar ainda ensonado...
Tyler: Mel queres desligar essa porra caralho?? Estou a tentar dormir!! – ele berra. Ignorei os seus gritos e entrei dentro da casa de banho do meu quarto, movendo o meu corpo ao ritmo da música. Passei uns cremes no rosto e liguei o ferro pra esticar o cabelo enquanto cantarolava palavras soltas da letra... é, realmente a música não era meu forte!
Alguém desligou o cd, saí a porta da casa de banho irritada apoiando-me com o braço na porta e fiquei a olhar para o Tyler só de boxers com o cabelo todo desarrumado em meu quarto. Ele repara em mim e olha-me revirando os olhos ainda quase fechados de dormir... idiota!! Os seus lábios ainda se movem para me dizer algo mas ele acaba por não dizer absolutamente nada e volta-me as costas. Não pensei nem duas vezes e atirei com a caixa de creme que tinha na mão contra suas costas deixando uma marca vermelha nele...
Eu: Seu idiota de merda volta a ligar a minha música!! – grito e tento falar séria sem rir. Ele logo se voltou para mim a correr na minha direção nem me dando tempo de correr e pega-me no seu ombro deixando-me de cabeça voltada para baixo e aperta as minhas pernas contra o seu peito com uma mão enquanto a outra segurava no meu rabo. Comecei a gritar feita uma louca mas ele ignorava-me completamente. Que otário!!
Os nossos risos ecoavam pela casa. Ele atira-me para cima da cama com força mas acaba por cair em cima de mim quase me tirando o ar e começa a passar os seus dedos cheios de creme no meu rosto e  no meu corpo. Remexia o meu corpo na tentativa de sair dali mas suas pernas prendiam as minhas e, claro, ele tinha muita mais força que eu como é óbvio!!
O Tyler e eu sempre tivemos uma relação muito... parvinha diguemos! Discutimos a toda a hora mas acabamos sempre como agora, a lutar feitos duas criancinhas pequenas! Todo o mundo quer ter alguém para o ouvir, eu felizmente tinha a sorte de o ter ao meu lado, sempre a ouvir o que minha alma não consegue dizer... as palavras não saem da minha boca, os meus sentimentos exprimem-se no meu olhar e ele consegue captá-los e me confortar sempre que preciso!
De repente ouvimos alguém tossir e ambos olhamos para a porta aberta e vimos a Caissy encostada na parede agarrando o seu peluche olhando-nos muito sério, sorrimos para ela e o Tyler levanta-se e pega nela ao colo trazendo-a para a cama, para junto de nós.
Tyler: A nossa maninha é muito chata não achas? Temos que lhe dar um castigo!! - ele sussurrou no ouvido dela que ri... e qual não é a minha surpresa quando os dois me vêm fazer cócegas!! Mais uma vez estavamos ali, os três, a tentar ser felizes e mesmo que a vida muitas vezes nos tentasse impedir, lutavamos sempre e o certo é que a nossa ligação era enorme!!
Acho que tenho medo da tristeza, da solidão, da saudade... mas nunca do nosso amor. A Cassy tem apenas cinco aninhos, eu 16 e o Tyler 19.
Depois de um tempo cada um foi para o seu quarto se preparar. Primeiro arrumei a bagunça em que tinha ficado a minha cama e só depois fui até ao closet pegar numa roupa pra vestir. Optei por algo simples que mostrasse tal como sou para ninguém criar uma impressão errada daquilo que eu era... uma saia preta de cinta alta com um top preto também, deixando ainda um pouquinho da minha pele à mostra e umas sapatilhas brancas. Maquilhei os meus olhos com uns tons claros e deixei meu cabelo ir solto.
Deixamos a Cassy na escolinha dela e seguimos para o colégio. Como já esperava toda a gente começou a olhar para nós e a falar, o Tyler disse para eu simplesmente os ignorar, mas confesso que era frustrante. Mais que isso, aquele lugar era frustrante, todo mundo parecia bandido ali, a forma como se vestiam era totalmente diferente de como eramos lá em LA! Os olhares até já queimavam no meu corpo, será que eles não podiam pelo menos fingir um pouco que não se importavam?!
A primeira aula foi um tédio, a minha companheira de carteira faltou e eu sentia-me deslocada do resto da turma, mas acho que nem vou me esforçar por socializar, estes rapazes são mesmo... arrepiantes! Ficam a olhar para o meu corpo de cima abaixo a todo o momento. Queria mesmo que aquele dia acabasse e poder voltar a casa...
Durante toda a manhã o Tyler não deu nem sinais de vida, e bem, eu encontrei um lugar mais escondido e passei lá os meus intervalos ouvindo música ... Muito interessante hã? A minha segunda aula estava para começar, fui até à sala e mais uma vez e apanhei uma seca. Mal a campainha soou saí dali e vi Tyler no fundo do corredor a falar com uns rapazes, ele pisca-me o olho e faz sinal para que eu esperasse. Parei contra os cacifos encostando-me e pouco tempo depois ele seguiu até mim.
Tyler: Hey feiosa!! – olhei-o indignada deixando um sorriso escapar de meus lábios e ele beijou minha bochecha com brutalidade fazendo-me rir. - Como está a ser??
Eu: Odeio isto Tyler!! - ele encostou o seu braço apoiando-se na parede - Os rapazes ficam a olhar-me a todo o momento e...
Tyler: Isso é porque a minha irmã é muito gostosa!! - dei um tapa no seu ombro fazendo-o desiquilibrar-se.
Eu: Cala-te idiota!!
Tyler: Cala-te tu e anda!! - ele envolve o seu braço em roda do meu pescoço e fomos até ao descampado onde treinava a equipa de rugby do colégio, ele foi-se equipar pro primeiro treino e eu sentei-me nas bancadas. Ele não tardou em aparecer no campo, reparei numas raparigas nas bancadas que o ficaram a olhar e ri. Eu realmente tinha um irmão bem sexy!! Ele era muito mulherengo, mas não daqueles que come uma rapariga qualquer. Mais rapazes começaram a entrar no campo, todos eles se cumprimentavam e pulavam nas costas uns dos outros enquanto o treino não começava, parecia-me que o Tyler se estava a adaptar bem ali, pelo menos parecia estar a criar amizades ao contrário de mim...
O meu olhar estava fixo no Tyler mas logo reparei em dois rapazes que entraram correndo aos risos, pelo que reparei eles deviam ser bastante populares por ali, vi alguns da equipa gelarem ao eles entrarem em campo, como se tivessem com medo de algo ou ódio... o Tyler e outros rapazes foram pra junto deles.
Alguns alunos que estavam dispersos pelas bancadas falavam neles... penso que um deles seria o Louis, era alto, os seus músculos sobressaíam no equipamento que trazia vestido. Tinha um olhar doce mas frio ao mesmo tempo, ele bagunçava os seus cabelos castanhos claros com sua mão... O outro deveria ser o Liam, chamou-me mais à atenção pelo facto de parecer um pouco mais amável que o Louis e menos perigoso, o seu corpo era bastante bem estruturado e tinha um sorriso lindo!
Centrei-me no telemóvel quando ouvi uma voz vinda lá de baixo ... Os seus olhos encontraram os meus, senti um clique, tal e qual uma chave a destravar um cadeado, eu não conseguia desviar meu olhar do seu!! Somente conseguia ouvir as batidas lentas do meu coração a acelararem e o seus olhos não pararem de me olhar, não sabia o que me estava a fixar tanto nele! Eu nunca o tinha visto antes em toda a minha vida, mas... havia algo nele que me provocava sensações desconhecidas. Aquele olhar, a pulsação acelerada, sentia as minhas bochechas rosarem e a forma como ele me olhou fixamente mas tão calmo... Perdi-me totalmente nele... Era como... ação da gravidade!!
De repente, senti meu pulso ser quase arrancado de meu braço, voltei-me assustada e vi que era apenas o Tyler.
Eu: Estás a magoar-me idiota!! - ele insistia em me agarrar enquanto me puxava para fora do campo... O que é que lhe estava a dar?!! Será que não me ouvia dizer que me estava a magoar? A certa altura ouvi uns gritos, voltei a minha cabeça para trás e olho para o campo mais uma vez - O que é que se passa ali Tyler?
Tyler: Deixa as perguntas para depois Mel! - ele falou frio. As pessoas gritavam, pareciam apavoradas com o que se estava a passar, o meu corpo começou a tremer descontroladamente com o medo. Deixei-me apenas guiar pelo Tyler e tentei evitar olhar em meu redor. - Vou buscar a Cassy ... Hey Mel - ele pegou o meu queixo na sua mão - Promete que não sais daqui, não quero que corras perigo... - cerrei os olhos deixando as lágrimas sair deles e molharem o meu rosto. - Promete-me Mel! - ele apertou a minha cintura contra si, encostando a minha cabeça no seu peito e abraçando-me. - Vai ficar tudo bem! – ele beija o topo da minha cabeça dando-me um sorriso forçado que eu não retribui. Ele correu entre as pessoas e eu me mantive ali naquele beco. Deslizei o meu corpo pela parede e levei as mãos ao rosto abafando o choro. Deixei escapar um grito de raiva dos meus lábios... Porra, era o meu primeiro dia e estava a correr tudo mal!! E ainda para mais, o Tyler deixou-me ali sozinha naquele beco sem saída, e se aparecesse alguém?
Limpei as lágrimas com o punho do meu casaco e quando ia apoiar minha mão no chão para me levantar senti meu corpo ser arrastado, uma mão tapou a minha boca impedindo-me de gritar, debati-me contra ele mas era óbvio que a sua força era muito superior à minha. Com muito esforço consegui-me voltar para ele enquanto dava murros no seu peito, tentei ver o seu rosto mas estava demasiado escuro ali e ele usava um capuz em cima do seu cap não me deixando ver seu rosto nitidamente, apenas notei os seus músculos bem definidos que roçavam com a minha pele da barriga um pouco descoberta. Elevei o meu joelho acertando com força nas suas partes baixas e corri dali, o Tyler pediu-me que não saísse dali mas eu não podia fazer nada! Se ficasse ali o mais provável era ser violada por aquele idiota!!
Não sabia para onde estava a ir, do nada começou a vir um temporal enorme, a chuva começou a cair forte deixando-me completamente molhada, aquelas ruas estavam desertas... parei um pouco para arranjar uma forma de voltar a casa...
Vi o mesmo rapaz aparecer outra vez, não pensei duas vezes e comecei a correr outra vez, a chuva dificultava a minha visão, dobrei a esquina correndo rápido, mas nesse momento senti os seus braços me alcançarem e o meu corpo ser atirado contra a parede, provocando uma ardência nas minhas costas, cerrei os olhos e mordi o meu lábio tentando reduzir a dor. A respiração quente dele bate em meu pescoço arrepiando-me, o seu cheiro inalou as minhas narinas, subi um pouco o olhar.
Ele: Shhh ... Não me vais bater outra vez pois não?! – a sua voz rouca soou perto do meu ouvido arrastando os meus pensamentos para ele...


Continua...

xxAndy


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 27 - Nice

Surgiram alguns problemas com a estúpida porteira, ignorei e apenas deixei que o Liam tratasse do assunto, ele já tem 18 anos, é lhe permitida a saída sem ordem dos pais, já a minha não... Mas ele mesmo encarregou-se por mim, soa estranho e faz-me sentir ainda mais estranha...
Durante o caminho não falamos, tinha encostado a minha cabeça contra o vidro da janela enquanto tentava apagar tudo da minha memória. É quase óbvio que isso foi impossível.
O carro para em frente à porta de minha casa, olho quase incapaz de me movimentar, solto um suspiro profundo que não sabia estar a aguentar. Abro a porta do seu carro e pego na minha mochila enquanto caminho sobre o pavimento até a minha casa.
Quando entro a temperatura parece ter diminuído drasticamente, todo o meu corpo treme com isso enquanto atiro com a mochila contra um canto. A porta bate atrás de mim, pensei que a tinha fechado. Vou até o corredor e tento ligar o aquecimento, à espera de conseguir pelo menos aumentar um pouco a temperatura fria aqui dentro.
Liam: Estás com frio? – a sua voz soa mais suave do que me lembro enquanto ele caminha para mais perto lentamente, os seus próprios passos pareciam atrapalhá-lo a todo o momento.
Eu: Hum, um pouco. – encolho-me apertando os braços contra o meu peito. Vou até as escadas e sigo até o meu quarto, não sei se ele me segue, não devia ter cá entrado sequer, mas não vou protestar contra isso. Estou demasiado cansada. Deixo a porta encostada e ouço a batida de dedos contra ela enquanto a sua cabeça surge por entre o espaço. – Entra. – sento-me na ponta da cama e apoio a cabeça nas minhas mãos enquanto os meus cotovelos se seguram nas minhas pernas. Os meus olhos pareciam querer fechar-se enquanto os tentava manter abertos, de algum modo sabia que ia ser impossível. Ouço um pequeno riso abafado que escolho ignorar enquanto me levanto lentamente, a minha barriga dói e tenho uma mancha enorme nela.
Liam: Dorme um pouco.
Eu: Não. – suspiro e ando até o armário e procuro por um pijama. O maior problema é que eu não durmo de pijama  mesmo, costumo colocar apenas uma camisola e não vou fazê-lo enquanto ele aqui está. Ele observa-me atentamente de braços cruzados e espero que se vire, mas ele não o faz.
Liam: Oh. Podes vestir-te! – diz, as suas bochechas ganham uma cor diferente, ele cora. Quase penso que foi por minha causa, mas isso nunca aconteceria. E mesmo que acontecesse, não ia mudar nada. Somos completamente diferentes. Não vou enumerar as diferenças porque são demasiadas e a cada momento iria encontrar um nova. Provavelmente até iria descobrir coisas que preferia não saber, então vou ignorar o pensamento. Ele está virado contra a parede contrária de costas para mim.
Eu: Liam. – chamo – Liam! – porra será que não ouve?
Liam: Hmm?
Eu: Eu não me vou vestir agora. – afirmo. Não é de todo boa ideia andar por aqui apenas vestida com uma camisola.
Liam: Porque não?
Eu: Não tens nada a ver com isso! – ri ligeiramente, a temperatura parece ter aumentado aos poucos mas não tanto como esperava. Mexo-me desconfortavelmente assim como ele que se afasta ligeiramente da minha cama e se encosta a uma parede.
O clima está tenso então apenas tomo isso em consideração e não digo nada. Ele deve provavelmente estar a pensar no mesmo que eu quando o vejo mexer-se desconfortável e abrir a boca sem emitir nenhum som. Ele apoia o seu peso em uma das pernas enquanto mexe com a outra.
Eu: Podes sentar-te. – digo. Ele levanta a sua cabeça na minha direção e os seus olhos parecem ganhar algum brilho e a sua cara mostra surpresa enquanto caminha até a minha cama e se senta na ponta contrária à minha.
O segundos em que permaneciam calados sufocavam-me e deixavam-me tonta, as discussões tornam-se mais interessantes, mesmo que estejamos sempre zangados nessas alturas.
Liam: Hmm, estás bem? – ele pergunta e percebo o tom de curiosidade e preocupação na sua voz que hoje me parece mais calma do que nunca.
Sorriu levemente e aceno com a cabeça, mas sei que é mentira. Ainda sinto os dedos repugnantes do Gale pelo meu corpo e uma dor profunda cresce no fundo da minha barriga quando me lembro da forma como me olhava e tocava, era doloroso, quer física ou psicologicamente. Limpo os cantos dos meu olhos com as costas da mão enquanto tento afastar o pensamento.
Ele não repara e sinto-me mal por isso, como se me tivesse ignorado, mas não posso culpar. As lágrimas insistem em voltar aos meus olhos e já levo isso como um hábito estes dias, mas eu mesma impeço-as de cair.
Eu: Liam? – chamo e um nó grande forma-se na minha garganta. – Podes ficar aqui? – pauso. – Comigo? – mal falo e já estou novamente à beira de lágrimas.
Ele para o seu percurso e olha-me confuso mas logo volta a caminhar até mim lentamente. Cada passo parecia mais lento do que outro e isso frustrava-me, só o queria aqui e pronto. Não vou dizer que o amo, nem mesmo como amiga... só sei que longe dele já não sinto nada.
Puxo os lençóis para trás e ele caminha até o outro lado e faz o mesmo enquanto me olha. Percorro o meu olhar pelo meu corpo e penso seriamente na ideia de tirar esta roupa, que hoje parece trazer más recordações. Ele senta-se na cama e vai tirando o calçado e eu aproveito a sua distração e pego na camisola que usava para dormir e vou tirando as roupas enquanto rezo para que ele continue o que está a fazer. Empurro a camisola pelo meu pescoço e quando me viro encontro o seu olhar fixo e a sua boca abre-se ligeiramente. Penso em dizer alguma coisa, talvez algo para que o fizesse nunca mais olhar para o meu corpo mas não o faço...
Caminho até a cama e assim que me deito puxo os lençóis para cima enquanto me cubro. Ele faz o mesmo e deita-se por debaixo dos lençóis finos e brancos que nos envolviam. Uma mão toca-me na anca mas num relance afasta-se causando arrepios por todo o meu corpo. As minhas costas estão voltadas para ele e eu apenas permaneço a olhar para a parede clara que tinha em frente. Sinto o seu peito junto a mim e a sua mão larga passear pelo meu cabelo despenteado, automaticamente fecho os olhos e várias vezes tentava mantê-los abertos mas era uma missão mais que falhada, estava a ser um fracasso. O calor do seu corpo mantêm-me quente e confortável, o suficiente para que os meus olhos se fechassem...
***
Acordo e tenho a sensação de ter dormido durante vários dias, e mesmo que tivesse só era bom para mim. Já não dormia há mais de um dia e isso estava a acabar comigo, literalmente. Quando abro os olhos estou no meu quarto, tal como previsto, mas estou sozinha e o lugar da cama ao meu lado está vazio. Um nó formava-se na minha garganta sempre que pensava no motivo pelo qual ele terá ido embora, mas eu já sabia que isso ia acontecer, não estava à espera de outra coisa, não tem porquê eu me zangar com isso.
Pego no telemóvel e são onze horas da noite. Dedos batem na porta e ela abre-se enquanto eu olhava boquiaberta.
Liam: Eu estava à espera que acordasses para comer qualquer coisa, até te preparei alguma comida...
A minha cabeça gira e tenho vontade de bater em mim própria por pensar mal dele. A minha barriga faz um barulho e ele ri, não consegui evitar e juntei-me a ele.
Liam: Se quiseres ainda podes comer, eu não comi nada, é um pouco estranho pegar nas coisas dos outros sem ordem. – ele sorri e anda até mim e ajuda-me a levantar-me quando me vê fazer uma cara de dor. Até o meu peito dói agora. Reparo que ele estava a olhar para algum lado de forma estranha e desvia o olhar rapidamente mas não percebo porquê. Mais tarde, cerca de 5 segundos depois, percebo que a minha camisola estava subida até a minha cintura e deixava mais à mostrava do que eu pretendia.
Eu: Ugh, desculpa. – murmurei desconfortavelmente e ele sorri um pouco.
O caminho até a cozinha parecia ter sido demasiado rápido, demasiado para me permitir olhar para ele por um pouco que seja. Demasiado rápido para tentar perceber as suas ações.
Quando entro tinha dois pratos de comida sobre a mesa, algo que eu penso ser hamburgers e batatas fritas, simples mas para mim foi ótimo. E oh, eu sentia-me tão estúpida perto dele, sentia-me lixo por pensar que ele me tinha deixado aqui sozinha e na realidade ele estava a preparar algo para eu comer.
Sento-me numa cadeira e ele senta-se em frente a mim.
Liam: Espero que esteja comestível. – ele ri nervoso e passa a mão por detrás do pescoço. Sorriu e levo o garfo à boca, sabe ainda melhor do que esperava.
Eu: Talvez me pudesses dar algumas aulas de culinária? – riu e ele sorri aliviado enquanto assente com  cabeça. Ele é tão estupidamente amável que me baralha os pensamentos... eu quero dizer, como é que ele pode fazer algo como hoje fez ao Gale e agora está aqui comigo, enquanto comemos juntos algo que ele mesmo preparou?
O seu cabelo está levemente despenteado e a sua t-shirt parece diferente da última vez que vi. Rodo o garfo no prato enquanto mantenho o olhar fixo no nada... talvez ele não seja assim tão parvo?


Continua...

xxPatrícia


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 26 - Madness

Heyy!! Eu não me tinha lembrado, até que olhei para a data aqui no computador... porra, já faz um ano que criamos o blog! Se me tivesse lembrado mais cedo eu teria preparado alguma coisa especial para hoje, alguma coisa diferente para aqui... mas bem, obrigada por todo o apoio, embora eu seja uma chata, eu assim como a Andy só queremos dar o nosso melhor aqui no blog, só espero que percebam isso! Obrigadaa e por hoje tem aqui um novo capítulo da Pretend It's Ok. Nem vou pedir comentários porque sei que não os vou receber, mas se pudessem gostava mesmo que dissessem alguma coisa!! 

Bem, fiquem com Deus! Bjs



Liam POV


Caminhava pelos corredores da escola, ouvia gritos e risadas atrás de mim enquanto andava. Várias eram as pessoas que me tentavam contactar, recebia mensagens constantes que não queria ler. Só queria esquecer que alguma vez conheci aquela rapariga, dos olhos castanhos e o cabelo de uma cor doce, um castanho suave e claro. Pele clara e lábios rosados. Lábios que há uma noite atrás eu tinha conhecido pessoalmente. Lábios esses que eu gostava de poder tocar a todo o momento. Quero tirá-la da minha cabeça desde o dia em que a vi, desde o dia em que estive na casa dela. Foi o meu maior erro, ou então o melhor. Lembro-me da sua reação assustada de ontem enquanto me tentava aproximar dela, parte-me por dentro a cada momento que me lembro da sua cara, dos seus movimentos irrequietos para se afastar o máximo possível de mim. Lembro-me do beijo perfeitamente, como se ainda os sentisse comigo. Não percebo porque simplesmente não se afastou quando a beijei, se queria assim tanto estar longe de mim, porque não o fez? Há tanto que gostava de perceber nela, assim como o porquê de ela admitir que se drogava. Porque o fazia de qualquer das maneiras? Só está a traçar um futuro estúpido que depois não poderá apagar.
Fazia de tudo para que ela se ligasse de certa forma a mim, todas as noites desde a semana passada penso e arranjo estratégias para voltar a encontrá-la ou poder falar com ela, algo que ela parece evitar. Soa tão estúpido, mas não tanto como as minhas ações. Tenho-a salvado sempre que posso, quer do Gale, quer de outro rapaz qualquer que a possa magoar, quer dos seus próprios erros, mas ela parece não querer ser ajudada. O que eu posso fazer então? Esquecer? Esquecer alguém que apenas conheci à uma semana? A forma como ela me intriga é tão estupidamente boa que só quero intrigá-la ainda mais, tentar perceber o seu jogo silencioso. Isto é um jogo? Se é, ela sabe jogá-lo.
Desde que começaram as aulas que me tenho afastado de toda a gente, não sei como mas pareço querer afastá-los. As raparigas que me querem são várias, os rapazes que querem ganhar fama comigo são ainda mais... como se eu fosse exemplo para alguém. O cigarro na ponta das minhas mãos cai, apenas o piso e sigo em frente. Quanto mais ando maior é o silêncio, apenas continuava. Já um pouco afastado da zona das salas vejo um rapaz sair por uma porta que não me lembro de ver antes, era o Gale. A raiva percorre cada fibra do meu corpo quando o vejo caminhar até mim com um sorriso estúpido na cara. Do que se ria de qualquer das maneiras? O seu ombro bate contra o meu, continuo a caminhar mas o meu ombro é puxado.
Eu: O que é que queres caralho? – evito gritar, mas os punhos formavam-se ao lado da minha cintura de uma forma que não consigo controlar. Só queria esmurrá-lo... como é que alguma vez fui amigo dele?
Gale: Bem – ele ri enquanto dá de ombros – De qualquer das maneiras, é melhor contar-te não é?
Eu: Contar o quê? – pergunto, a minha cabeça confunde-se com as suas palavras e expressões. – Contar o quê caralho? – grito e não percebo o que estou a fazer quando o empurro e ele cai de cara no chão.
Gale: Hey hey! Calma aí mano! – sacudo o braço dele quando se levanta, ele ri enquanto pensa em alguma coisa. – Bem, digamos que a tua namorada acabou de ter os melhores trinta minutos da vida dela!
Eu: A minha namorada?
Gale: Sim caralho! Aquela boa da festa! – ele ri enquanto explica. Expludo por dentro, o meu coração bate forte contra o meu pulso, mas não tão forte como o murro que ele leva. Assim que o faço o seu riso desaparece, sacudo o punho com manchas de sangue que saía agora do seu nariz.
Eu: O que é que tu lhe fizeste? – grito nervoso enquanto o levanto e empurro contra a parede, ele solta um grunhido de dor. – Vais falar ou não? – a força que faço nos maxilares para não lhe bater parece infinita.
Gale: Oh mano!, ouvi-la gemer o meu nome era demasiado bom! – ele volta a rir. Eu sabia que não, ela não o faria, tinha demasiado medo dele para o fazer, ele apenas mo diz para me irritar. Oh foda-se, se ela não fazia por vontade própria então ele...
Eu: Oh, filho da puta! – grito nervoso e ando até ele em passos pesados, os seus reflexos são demasiado baixos para perceber que lhe vou dar um murro e acerto-lhe em cheio na cara, que rapidamente se vira com a força do meu punho contra ela. Examino os seus movimentos por uns segundos e percebo que o seu braço se levanta, ele não devia saber que eu treino box. Baixo-me e ele chuta o ar, a forma como ele se movimenta é patética e o medo e ódio percorre o olhar dele quando me aproximo-mo e dou um pontapé forte no seu estômago desprotegido. Ele geme de dor enquanto se contorce, coloco-me por cima dele enquanto o meu punho atingia o seu rosto múltiplas e múltiplas vezes. Ninguém nos ouvia, ninguém me podia impedir de o espancar aqui, agora mesmo. Sinto uma mão forte no meu rosto deixando-o quase dormente. O sangue bombeia depressa nas minhas veias enquanto  movimento o meu braço novamente e acerto com toda a minha força na sua cara já vermelha de sangue. Não tinha controle sob o meu corpo, o meu punho movimentava-se repetidamente acertando-lhe, ele implora por ar enquanto me afasto, levanto-me. O seu corpo estava estendido sob o chão quase desmaiado, não me arrependo de um único movimento e volto atrás uma última vez e atinjo o seu abdómen com a força da minha perna, volto a ouvi-lo gemer de dor. Aproximo-me do seu rosto e seguro-lhe pela camisola. – Voltas a tocar-lhe, uma única vez que seja! – exclamo – e acabo contigo de vez! Não me faças fazê-lo!! – atiro e a sua cabeça cai no chão de pedra.
Corro até a porta de onde ele tinha saído e olho em volta, à procura de um corpo. Do corpo da Bell. Imaginar o que possa ter acontecido dá-me nojo, e raiva, tanta raiva dele. Oh, eu podia ter acabado com ele!! Corro sempre em frente e encontro-a no chão, tremia e soluçava muito. Não conseguia vê-la assim, eu devia ter impedido isto. A raiva que tinha de mim era muito maior à que eu conseguia suportar.


Bell POV


Liam: Desculpa! – ele pede num sussurro, a maneira como os seus olhos começavam a lacrimejar era impensável. Ele não podia culpar-se, não por isto.
Eu: Podes – começo, a voz falha e sinto-me voltar a tremer novamente ao lembrar do acontecido. – Podes levar-me a casa? – murmuro e uma lágrima escapa-se do meu olho. Ele olha-me confuso e aproxima-se, aninhando-se perto de mim. Conseguia sentir a sua respiração tão descontrolada como a minha.
Liam: Não! Tu não vais para tua casa! – afirma, a sua expressão era demasiado confusa para descrever. – Não podes ficar sozinha!! E se ele vai até lá? Ele consegue arranjar forma de te encontrar Bell! – quase grita. Fecho os olhos num impulso, ele acalma-se... – Ficas comigo hoje. – a forma autoritária como o diz é de certo modo confortante por saber que me quer por perto, mas demasiado dura. Sei que parece que me quer proteger, mas não consigo confiar o suficiente nele. Talvez consiga, mas vamos passar todo o tempo a discutir.
Eu: Eu quero ir para minha casa. – digo.
Liam: Não! Tu vens comigo! – ele persiste, suspiro e encho o peito de ar.
Eu: Liam! – esforço-me a levantar a voz. – Por favor, este dia não está a ser fácil, não descarregues assim a tua raiva, não comigo! – peço e estou ciente que estou a usar o meu lado sensível contra ele. Mas é a única forma que tenho para me manter afastada, e esquecer o que aconteceu, se alguma vez conseguirei esquecer este dia... Ele mantém o seu olhar fixo no meu, até eu o desviar.
Liam: Tudo bem. – ele diz e suspira pesadamente. Aos poucos vou-me levantando, ele olhava-me estático, não sei se percebe o que estou a fazer, mas só quero sair daqui depressa e deitar-me na cama e tentar esquecer tudo.
Ele segue à minha frente para verificar se o corpo do Gale ainda lá está. Os meus olhos começam a marejar quando vejo o seu corpo imóvel no chão. O Liam olha-me e estende-me a sua mão. Recuso com o olhar e passo pelo corpo no chão, os gritos internais eram profundos. Paro no caminho, já afastada da zona.
Eu: Liam – chamo – Tu, tu não fizeste aquilo por minha causa, fizeste? – perguntei. A minha dúvida desaparece assim que o seu olhar se desvia até o chão. Oh não, outra vez não. – Liam... não quero que voltes a magoar pessoas por minha culpa! Eu sei que ele merecia, eu sei! – grito – só não o voltes a fazer! Por favor! – peço, ele podia realmente ter-se magoado. Estou cansada que me proteja a todo o momento e não dar nada em troca! Ele nem o devia ter feito, não depois de ontem!


Continua...

xxPatrícia


domingo, 20 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 25 - A broken marionette



Eu: Larga-me, por favor... – choramingo – por favor, eu juro que ninguém vai saber! – declaro enquanto as lágrimas paravam aos poucos e eu me tentava aproveitar da sua distração para fugir. De qualquer das formas eu não queria que isto saísse daqui, sinto-me demasiado humilhada... ele ri  e afasta-se um pouco segurando-se num dos braços enquanto me prendia com força contra o chão.
Gale: Oh bebé, não chores! – a sua mão grande cobre o meu rosto, engulo o choro e o nojo dele, não havia forma de sair daqui, ninguém vinha cá, gritar não ajudava em nada, nem mesmo para tirar esta raiva de dentro de mim. – Sabes, se tivesses sido mais calminha no princípio e não tivesses chamado o teu namoradinho naquela noite – ele lembra quase sussurrando e vejo ódio percorrer o seu olhar quando diz “namoradinho”, sei que deve ter ficado irritado e por momentos achei boa a ideia de ele ter morrido sem ar naquele momento, mas sei que é apenas outro psicopata, que recorre a sexo para se sentir feliz. Se pelo menos percebesse que magooar os outros não ajuda em nada eu talvez pudesse sair daqui. Ou talvez possa fingir-me de amiga dele... – teria sido mais fácil e não estarias a fazê-lo contra a vontade! – ele sorri pelo meio, um sorriso torto e tarado, um sorriso que me provoca medo e me dá voltas ao estômago.
Eu: Eu... – suspiro – tu não precisas disto! Sabes que não... – faço o meu melhor para me mantar calma e aos poucos tento levantar-me, foi um passo precipitado e ele empurra-me de volta fazendo o meu corpo semi-nu embater com força e a minha garganta soltar um grunhido de dor. Tento falar mas as palavras não saem, quando dou por mim estou aos soluços enquanto ele se aproximava novamente para continuar o que parou, o meu coração começa a bater mais depressa e apresso-me a interrompê-lo. – Além disso, eu não sou a rapariga ideal para fazê-lo. Há imensas raparigas melhores do que eu que te poderão dar prazer. – digo um tanto ríspida apenas vendo-o gargalhar e lamber os lábios inchados.
Gale: Oh não digas isso. Já olhaste bem para ti? – ele ri – Tenho a certeza que me vais dar tanto prazer quanto eu a te vou dar bebé. – as palavras dele incomodam-me e a minha barriga dá revira-voltas, a minha cabeça deixa de funcionar...
O choque na minha mente é demasiado grande para me conseguir mover. Volto a sentir os seus lábios pelo meu corpo enquanto me mantenho estática e ouço o barulho do fecho das suas calças...
***
A minha cabeça está tombada no chão e todas as minhas roupas no chão juntamente com as suas. As suas estocadas são fortes e dolorosas e tudo o que consigo fazer é fechar os olhos, não consigo chorar ou sequer gritar. Cada movimento seu corta-me por dentro e os seus gemidos causam-me aflição. Não conseguia ter prazer, era impossível quando o meu corpo parece uma marioneta nas suas mãos, uma marioneta quebrada, que já não se consegue mexer. Não havia barulho à volta a não ser o seus gemidos roucos e asquerosos, as portas não se movimentavam, não havia em redor no momento, nada que me fizesse movimentar para  o fazer parar. Nada. Ouço-o gargalhar ligeiramente enquanto vai mais fundo, o meu coração parte cada vez que o faz, como se fosse rasgando aos pedacinhos a cada toque.
Aquilo dura o que me parecem horas, não consigo reagir muito menos pensar. Um líquido viscoso escorre agora pela minha barriga enquanto ele se levanta.
Gale: Estiveste muito bem querida. – sussura ao meu ouvido e pega nas suas roupas e veste-se. - Temos de fazer isto mais vezes. – afirma, os meus sentidos parecem voltar e o meu estômago contrai com a afirmação. Ele sai e eu levanto-me lentamente, o meu corpo dói. Visto-me com muito custo depois de limpar aquilo da minha barriga mas não consigo sair dali. Todo o meu corpo treme e a minha mente parece explodir.
Volto a ouvir passos, os batimentos no meu peito aceleram, os meus olhos criam raízes de sangue enquanto permacem abertos de pânico. Rastejo para trás com a força dos meu braços enquanto continuo a olhar em frente. A aflição em que me encontrava parecia ser demasiado grande para conseguir mantê-la no fundo da minha garganta. Não percebo que estou a soluçar quando me sinto perder o ar e quase sufocar.
Ele: Bell? – os seus olhos parecem aumentar. - Oh não! – eles escondiam alguma coisa, uma expressão que não conseguia descrever. Via-o caminhar até mim apressado, o meu coração para de bater, já não batia apressadamente ou sequer lentamente, parecia não bater. Persegui os seus movimentos com os olhos e ele aninhava-se perto de mim agora, senti uma gota bater no meu pescoço e deslizar pelo meu peito, os soluços eram permanentes assim como o tremer das minhas mãos. – O que é que ele fez? Foi ele não foi? Diz-me. – juro ver medo no seu rosto, as suas mãos sobem até o meu rosto, esforço-me a afastá-la. A humilhação corre nas minhas veias. O que se passou à momentos... não vai ser nada mais, do que passado, que não quero recordar. Não respondo à sua pergunta, os meus pensamentos frios ajudam-me a parar de chorar e soluçar, o que sinto não se transmite na minha cara, está dentro de mim. – Bell, ele disse-me, oh meu deus, diz-me que ele não fez o que estou a pensar! – o pânico dele estava de certo modo a incomodar-me, o seu rosto pesado afasta-se do meu, os seus cabelos pareciam querer ser arrancados da sua cabeça pelas suas próprias mãos. Sentir-se-ia ele culpado? Fecho os olhos e encolho-me numa bola, junto os joelhos ao peito e seguro-os com os braços em redor.
Eu: Liam. – chamo enquanto continuo a olhar em frente, para outro lugar que não o rosto dele. – O que é que ele te contou? – pergunto, conseguia ouvir o sangue bombear pesadamente nas minhas veias por detrás das orelhas. – Diz-me! – grito rude.


Continua...

xxPatrícia


sábado, 19 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 24 - Disgusting

O som da campainha toca e relembra-me que mais uma aula acabou e eu volto a estar perto do parque de estacionamento, exatamente como ontem. Estou sentada no capô do carro de alguém enquanto ouço música no meu telemóvel. Alguns alunos começam a sair das salas enquanto parte deles se dirige ao seu parceiro e/ou namorado/a. 

Um casal dirige-se até o que eu digo ser o seu carro e os vidros fecham-se. De repente trocam beijos quentes e posso sentir o quão desesperados estão para fazê-lo, bem, o ato... Talvez eles não soubessem mas eu conseguia ver tudo dali. E ugh, era horrível ficar como espectador, nunca o façam, é um aviso que deviam levar a sério. Solto um grunhido de nojo enquanto viro a cara perturbada e ouço risadas atrás de mim. 

Ele: Com que então não gostas de pornografia ao vivo. – constatou, e posso dizer que está correto. Viro-me para ver a sua cara e solto um pequeno riso no fim enquanto ele se aproxima de mim e se senta em cima do carro tal como eu. 

Eu: Pelos vistos não. – ri e volto ao meu estado anterior e volto a observá-los. – Talvez devesse avisá-los que estão a ser observados? – disse e ele ri em resposta.

Zayn: Ou talvez não. Vamos ver o que acontece. – sussurra e dá uma risada no fim e tal como eu volta a olhá-los. – Devíamos filmar isto. 

Eu: Devíamos sair daqui. – afirmei. – Qual é a lógica de ver seres humanos em reprodução? – questionei e estou ciente de que a minha cara é de nojo em relação àqueles dois. Ouço-o rir. – Porque é que te estás sempre a rir?

Zayn: Também estás em cima do meu carro e eu não comentei. – olhei para ele e espero ver alguma reação da sua parte mas os meus pensamentos são interrompidos por gemidos e percebo de quem vêm assim que olho para eles. – Puta que pariu, isto está a tornar-se interessante. – ele dá um sorriso um tanto tarado e esfrega com uma mão na outra enquanto olha para mim de forma engraçada. 

A forma como aqueles dois se tocavam era simplesmente horrorosa... quer dizer, queriam comer-se? Parecia que se estavam a devorar! Isso nem é sexo normal... é  coisa para um psiquiatra entrar em ação, ou quem sabe, Jesus, mas nem vou chamar o seu nome para o meio porque seria injusto eu estar a culpá-los de algo que eu mesma já fiz. Só que bêbada, como sempre. Não o faço no meu estado normal a menos que valha a pena. 

Eu: Ugh, parvo. – grunhi mas um riso abafado escapa da minha garganta enquanto me levanto. 

Zayn: Hey! – ele grita e percebo que já estou bem longe do seu lugar. – Estavamos a ter cinema em direto e tu foges? – quando me viro vejo que já está ao meu lado enquanto caminha para a minha frente. 

Eu: Bem, digamos que não é o meu género de filme favorito, mas já percebi que tu adoras. – ele volta a rir o que me causa náuseas. Como, mas como, é que alguém pode gostar desse tipo de coisa? Simplesmente não cabe na minha cabeça. O riso dele ecoa por toda a parte e quando volto a olhá-lo ele continua a rir como anteriormente. – Olha, é sério, não estou nos meus melhores dias e não é de todo aconselhável irritar-me. – aconselhei e vejo o seu sorriso desaparecer aos poucos enquanto me olha atentamente. Começo a caminhar em passos lentos e pesados deixando-o ficar para trás. Sei que fui rude mas não posso fazer o tempo voltar atrás, e por agora prefiro deixar assim as coisas. 

Ainda tenho um longo ano pela frente e começo a achar boa ideia mudar de escola... não é mais uma mudança que me vai atrapalhar, logo devia começar já a pensar no que fazer suficientemente bom para uma expulsão definitiva. 

Algumas ideias surgem-me à cabeça e considero-as boas logo de imediato, mas isto se quiser ser internada em um hospital psiquiátrico. Parece que nem o meu cérebro funciona ultimamente. 

Perco-me nos pensamentos e quando reparo estou perdida em um canto qualquer daquela escola, totalmente vazio. Olho em redor e estou entre várias paredes, todas desconhecidas e um arrepio preenche todo o meu corpo quando percebo que era uma zona não frequentada. Ouço passos ao longe, pesados e lentos... Sigo até uma parede e encosto-me nela enquanto viro a minha cabeça e tento reconhecer a figura alta que se aproximava. Desvio-a rapidamente e o meu corpo treme com a sensação e sinto-me quase desmaiar quando percebo de onde vinha o barulho. Procuro um local por onde escapar sem me mexer, o meu coração bate mais depressa no meu peito enquanto respiro fundo e tento não fazer barulho. Eu devia saber que ele estaria aquele, só ele é que frequenta locais como este, desconhecidos. Pelo menos desconhecidos para mim. Corro até o outro lado sem fazer ruídos e procuro por uma saída. Vejo uma porta de socorro ao fundo e não penso duas vezes e começo a correr até lá... novamente ouço passos,  não passos normais, era uma corrida, outra corrida em que eu competia, e eu só queria sair vencedora desta. O meu corpo cai quando um pé se atravessa no meu caminho e então os meus cabelos são puxados brutalmente fazendo-me soltar um grito de dor.

Gale: Desta vez não te escapas babe. – ameaça e percebo que está a falar a sério. O meu corpo é brutalmente empurrado contra a parede, as minhas costas ardem com o embate e os meus lábios soltam um gemido abafado enquanto trinco lábio para amenizar a dor.

Eu: Para! – grito e tento afastar-me, mas logo sinto os seus lábios embaterem contra o meu pescoço e as minhas ancas fortemente apertadas contra o seu corpo nojento. Ele ria contra a minha pele o que me dava nojo, os meus pulsos eram amarrados em cima da minha cabeça impossibilitando-me de qualquer movimento. 

Gale: Não te vale a pena gritar, ninguém te ouve bebé... – Os meus batimentos cardíacos aumentavam cada vez que me tentava soltar e não conseguia. Eu apenas continuava a gritar por socorro enquanto ele se divertia a brincar com o meu corpo e a sua língua se aproveitava do mesmo. Só queria morrer, os pensamentos levavam a melhor de mim apenas me permitindo gritar e rezar para que isto acabasse depressa. Solto um grito seguido de um choro intenso quando sinto a minha camisola ser arrancada do meu tronco e ele me prende mais contra a parede fazendo-me sentir o quão duro ele estava... era tão nojento, tão horrível, só queria acabar com isto... – Para de gritar! Cala-te caralho!! – ele berra e todo o meu corpo frágil estremece quando sinto a sua mão contra a minha cara e ele me pegar ao colo e prender as minhas pernas na sua cintura.  Tento livrar-me das suas mãos que me voltavam a prender com toda a força que tinha. Sentia-me lixo, fraca, eu devia saber que ele não vale nada e iria fazer isto. Devia ter previsto. – Ouve boneca! – o meu rosto é quase esmagado pela sua mão que o segurava – Apenas tenta aproveitar este momento que te vou dar! Vais adorar, acredita em mim! – ele ri e lambe os lábios enquanto solta as minhas pernas da sua cintura e o seu olhar percorre todo o meu corpo.

Eu: Como é que vou adorar ser violada por um nojento como tu? – berro o mais alto que posso e vejo ódio no seu olhar. As suas mãos apertam-me e empurram-me até o chão. A dor do impacto não é comparável ao quão horrível me sinto. 

Rastejo pelo chão o mais rápido que o meu corpo permite mas sinto uma mão forte se apoderar do meu braço e me virar bruscamente. O seu corpo junta-se em cima do meu, as suas mãos prendem os meus pulsos novamente e os seus lábios colidem com o meu peito agora descoberto. Movimento as minhas ancas presas pelas suas pernas em redor da minha cintura e solto um gemido de dor quando os seus dedos rastejam até a parte interior da minha coxa e apertam fortemente. A minha voz falha e todo o meu corpo treme quando vejo as minhas calças serem arrancadas. 


Continua...

xxPatrícia


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 23 - Pathetic


O ar está mais frio agora do que anteriormente. Quando olho para o ecrã do telemóvel ele marca 4h da manhã. Amanhã é outro dia de aulas, e dentro de 3 horas tenho de acordar. As ruas estão agora vazias e tudo o que quero é voltar a casa. Não faço ideia onde estou e o caminho é demasiado longo, só lá chegarei depois de pelo menos uma hora de caminho. Suspiro e o ar frio da minha boca sai pesadamente. Fecho os olhos enquanto me acalmo e pego no telemóvel que tinha acabado de guardar. Escrevo o endereço da minha casa na navegação do telemóvel e começo a andar. 


***

Quando chego a casa atiro-me diretamente pra cima do sofá e juro a mim mesma não voltar a fazer todo este longo caminho depois de ter corrido tanto antes. A verdade é que quase nem sentia as minhas pernas. Era como se estivessem mortas. Eram 6 horas da manhã, sem dúvida foi um longo caminho e não vou voltar a fazê-lo. Lá fora a luz espreita por entre as nuvens escuras da noite e lembro-me que tenho de ir tomar um banho rápido. Eu tinha a perfeita noção de que só tenho de estar a pé por volta 7h30 mas hoje vou fazer tudo calmamente, sem pressas. Não tenho forças para me irritar sequer. Embora saiba que isso vai acabar por acontecer, porque bem, não estou de facto no meu melhor dia, a noite foi horrível, tento apagar todos os momentos da minha memória mas eles agarram-se a mim como um íman... o jogo estúpido em que participei, o rapaz de quem fugia, a luta entre o Liam e ele, o estúpido beijo... nunca deveria ter acontecido, e as suas palavras acertaram como flechas no meu coração. Nem sei porque é que ainda me irrito, era tão previsível, sabia que não passava de uma estupidez. Às vezes pergunto-me se serei um preservativo, que se usa e deita fora. Deixei de o ser à alguns tempos, mas desde que me mudei para cá parece que gostei da ideia e me deixar levar... digo isto porque ainda não fiz para mudar, pelo menos ainda nada do que tentei resultou.

Subo até a casa de banho do meu quarto com estes pensamentos. Antes de começar a tirar a roupa lembro-me de fechar a cortina... já estava fechada quando reparo. Por momentos lembro-me da primeira vez que ele me avisou para as manter fechadas... gemo de nojo de mim mesma por ainda pensar nele e atiro com as roupas para o cesto. Eram quase sete horas quando fecho a torneira e enrolo a toalha pelo meu corpo.

Vou até o armário o mais lenta e preguiçosamente possível e escolho uma roupa qualquer que depois coloco sobre a cama. À mais de 24 horas que estou acordada e não sei se consigo aguentar outro dia, é demais para mim. Deito-me sobre a cama durante uns momentos e sinto-me adormecer. 


***

Abro os olhos lentamente e preparo-me para me começar a vestir, bocejei enquanto me espreguiçava, sinto um estalido nas minhas costas quando o faço. Parece que dormi apenas uns minutos... pego no telemóvel e desbloqueio o ecrã.

Eu: Oh que merda. – grito de frustação enquanto a minha boca se abre de surpresa. Faltavam 5 minutos para começar as aulas e eu aqui enrolada na toalha.

Visto-me ao que eu digo a velocidade da luz e apenas tive tempo de sublinhar os olhos com uma linha escura preta. Pego na mochila enquanto corro pelas escadas e bato a porta de casa com força e tranco-a rapidamente. Começo a correr pelo caminho todo e vou colocando a outra alça da mochila sobre o meu ombro para me poder movimentar melhor. E assim que penso que não vou voltar a correr aqui estou eu a competir contra o meu adversário invisível. O ar bate contra a minha cara pesadamente e sinto o ar faltar-me. A minha cabeça dói e todo o meu corpo está dorido... Chego no momento do toque e a porteira olha-me estranhamente enquanto paro na entrada para recuperar algum ar. 

Ela: Não devia estar nas aulas? Vá, depressa! – grita com a sua voz fina e aguda e sinto os meus ouvidos explodirem em conjunto com a minha cabeça. Era como se agulhas espetassem lenta e dolorosamente. 

Eu: E você devia trabalhar em vez de estar para aí a tagarelar! – atiro rude. Ela olha-me incrédula e solta um gemido de contrariação, novamente fino e agudo. Caminho até a sala enquanto me pergunto a mim mesma qual era, visto que ainda não tinha decorado o horário deste ano. Olho em frente e de certa forma fez-se luz na minha cabeça... - Puta que pariu! Foda-se esta merda. Vou voltar para casa. 

Lembro-me que era a primeira aula de Educação Física que iamos ter este ano. Já fiz exercício suficiente por hoje e não me parece que o professor seja amável. Quando me volto para fazer o mesmo percurso para casa vejo os portões fecharem e a porteira me  olhar contente. “Puta”, penso para mim mesma. Fechou o caralho dos portões de propósito mesmo sabendo que é proíbido. Sinto o sangue nas minhas veias ferver e quando dou por mim já tenho a minha mão marcada na sua cara. 


***

Diretor: Bem, as duas sabem porque estão aqui certo? – ele fala distante enquanto roda a sua cadeira à nossa frente. A voz calma mas exigente ao  mesmo tempo dá-me vómitos.

Ela: Exigo um pedido de desculpas! Faltou-me ao respeito e ainda me agrediu! – fala convincente e percebo que me estou a rir quando me mandam calar. Reviro os olhos com isso e  apenas espero que continue com o seu diálogo.

Eu: Patética. – disse e um suspiro cai de meus lábios. Enterro o meu corpo na cadeira confortável enquanto fechava os olhos. Sabia que estava a faltar ao respeito, mas depois de estar aqui dentro já não me podem fazer mais nada. Ou julgo eu.

Diretor: Caladas! – grita rude – As duas! – o meu maxilar torna-se tenso enquanto tentava obedecer. Solto um grunhido no fim e ele olha-me no momento, um pouco alterado enquanto se levanta e o seu punho forte bate contra a mesa. 

Eu: Oh, não se irrite! – permaci sentada no meu lugar e fiz gesto para que se sentasse mas ele não o faz - Faz mal à saúde. -  acrescentei. 

Diretor: Caluda, já disse! – grita ainda mais alto e estremeço contra a cadeira. O meu coração bate mais depressa do que esperava.

Eu:  Vá pra puta que o pariu!! – retorqui gritando enquanto me levanto e rebolo com a cadeira ao mesmo tempo. Vejo ódio no seu olhar e indignação. – Primeiro devia pensar em despedir gente como esta aqui porque não está a ajudar em nada ao seu negócio! Segundo,  expulse-me, faça o quiser, até o aconselho a mudar-me de escola! Era um favor que me fazia, a mim e a si! – bati a porta e saí, abandonando o local.

Choco contra um corpo de forma abrupta, olhei para ver quem era... não fazia ideia. Continuei a andar deixando-o para trás. O sangue nas minhas veias bombardeava depressa e o meu coração batia de forma irregular no meu peito, sei que o melhor é acalmar-me mas não vejo como. Caminho de punhos cerrados e reparo que não tinham passado sequer 45 minutos desde que cá cheguei, nem sequer uma semana nesta escola, e já estava prestes a ser expulsa. Isto foi o mais rápido que pus um diretor à prova.


Continua...

xxPatrícia


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 22 - Fear


Liam: Porque é que saíste? Sabias que era perigoso cá fora! – fala mais alto e ainda um pouco irritado. Percebo várias manchas de sangue na sua cara. Lentamente levanto o braço, temerosa e percorro os meus dedos pelas manchas cuidadosamente. Os seus olhos castanhos e cintilantes olhavam-me atentamente, sempre focados no meu rosto.
Liam: Eu só te queria proteger... – murmura ao meu ouvido, a voz mais calma de sempre. Tremo ligeiramente. Nunca ninguém alguma vez me quisera proteger. Nunca o permiti. Sempre que considerei forte suficiente para o fazer sozinha... e  orgulhosa demais.
Eu: Não precisavas de o ter feito. – sussurrei de volta, o meu tom de voz é fraco, tal como um castelo de cartas. Prestes a desmoronar. O vento assobia e o meu cabelo esvoaçoa a um ritmo lento. Baixo a minha mão e brinco com a ponta dos meus dedos.
Liam: Sabes que o faria a qualquer momento. – a sua voz é calma, mas poderosa. O meu coração palpitava depressa e agradeço o facto de estar escuro... por breves momentos sinto-me corar. – A qualquer hora. – completa e a minha mão e é agarrada pela sua e levada até o seu peito. – Por qualquer motivo...
Tenho noção de que o pânico de à momentos ainda não passou quando sinto barulhos. Guincho e a minha mão treme no seu peito.
Liam: Está tudo bem. – murmura e braços fortes envolvem o meu corpo tão pequeno comparado com o seu... fecho os olhos contra o seu peito e a sua camisola é molhada por lágrimas minhas enquanto permaneço quieta. – Eu estou aqui. – ele é bom demais para mim. Sei disso quando tudo o que faço é tentar ignorá-lo, embora isso não aconteça de todo, e ele está sempre aqui. Quando preciso. Mais uma vez que se mostra disponível quando nem sequer chamei por ele. Mais uma vez que me ajuda, sei que sim... mas nem sempre aprecio os seus gestos. Não consigo habituar-me ao facto de ter alguém que realmente se importe comigo. Simplesmente não cabe na minha cabeça. É demais. Sei que por causa dele já me senti mal, por culpa dele sinto-me tão fraca... mas em outros momentos tão forte. E não posso ignorar isso. Porque é verdade.
Eu: Porque é que vieste? Quer dizer... – continuei – porque é que não continuaste lá dentro, como todos os outros? – perguntei, uma ligeira mudança no meu tom de voz um pouco mais sério, rude... desprezante. Não consigo fazer nada para mudá-lo... é a minha auto-defesa.
Liam: Para! – grita e segura nos meus pulsos um pouco mais forte do que esperado. Tento afastar-me, estou ciente que agora tenho medo dele, mas este medo está apenas a afastar-me de tudo o que alguma vez poderia ser bom para mim. – Deixa de pensar nos outros como superiores a ti! Para com isso! É estúpido! – rebenta e grita ainda mais alto. – Não percebes como me fazes sentir? Não Bell?
Eu: Não! Não percebo!! – ripostei e gritei, dói ver a maneira como ele me olha, com raiva. – Hoje a  única coisa que percebo é que cada momento que estou contigo fica registado na minha mente! – os seus olhos mostravam surpresa, um pouco de alivio, mas ainda sentia os meus pulsos fortemente apertados. – Não porque eu quero! Eu detesto isso! E detesto a forma como me olhas! – acrescentei e falo mais alto - Pelo simples facto que nunca ninguém me fez sentir assim!! Basta um olhar... um olhar!, - reforcei - e é como se  nada mais importasse! E custa perceber o quão estúpido tu te tornas perto dos outros! Quer dizer... será que o fazes para dar nas vistas? Não encontro outra explicação!! – a força exercida pelas suas mãos é fraca e sinto-o largar-me aos poucos.
Liam: É isso que pensas de mim? – pergunta. – É? –  o seu tom de voz eleva-se o que me faz estremecer. Assim que sinto os seus dedos me tocarem afasto-me. Tento ser forte e não voltar a fazer o que tenho feito este tempo todo, chorar, mas quando percebo as lágrimas voltavam a rolar por toda a minha face mais depressa do que antigamente e ele já não as podia fazer parar. Porque o culpado era ele. A sua mão aproxima-se novamente enquanto forço o meu corpo a afastar-se o mais possível. Medo, medo refletia-se nos meus olhos e eu estava ciente disso. A expressão do seu rosto muda e vejo-o olhar-me preocupado e receoso enquanto puxava o seu cabelo. – Não, não não não Bell!! – repete, a sua voz está mais fraca e julgo que está prestes a chorar. – Eu assusto-te? – murmura receoso. Ele luta contra a sua mente e percebo que se esforça a negá-lo. Volta a caminhar até mim enquanto recuo e tropeço no chão, rastejo para trás e tento levantar-me o mais rápido possível. Vejo a sua cara, totalmente derrotado. Quero fugir daqui, estar longe dele, mudar de país... voltar à minha insignificância. Pelo menos nesse período, não tinha medo de magoar os outros com qualquer comentário rude que pudesse fazer. E agora aqui estou eu, incapaz de deixá-lo para trás, a sua tristeza faz-me doer o peito, doer a alma...
O seu corpo balança para frente e para trás repetidamente enquanto esconde a cabeça entre o seu peito e joelhos.
Eu: Liam... – sussurrei enquanto me aninhava até ficar da mesma forma que ele. Algumas lágrimas foram embora, mas ainda algumas permaneciam a deslizar pelo rosto pálido e gelado. Ele não me ouve, ou então ignora. Volto a chamar, era desesperante vê-lo assim sem fazer nada. Fazia-me lembrar uma criança perdida, sem a mãe e o pai para o aconchegar. Por momentos lembro-me exatamente do que senti quando o avião aterrou... o meu coração parou por segundos e julgo que ia cair. Não sei o que me manteu de pé... – por favor liam... não fiques assim comigo... – murmurei perto do seu ouvido, com uma voz chorosa. – eu... – suspiro e luto contra o meu incontrolável orgulho – não chores. – murmuro. Os seus olhos estão húmidos e ainda mais brilhantes do que a última vez que os vi. Aos poucos ele levanta-se e vejo-o caminhar até mim. Ele limpa qualquer lágrima que insistia cair pelo seu rosto e encosta-me contra a árvore que eu anteriormente escolhi como esconderijo. As suas mãos seguram nas minhas ancas e os seus dedos fazem circulos delicadamente sobre a minha pele. Um suspiro cai dos meus lábios entre-abertos. Arrepio-me ao seu toque mas ignoro. Sinto a sua respiração forte perto da minha enquanto ele me encostava totalmente contra a árvore larga. Olho para o céu e a lua parece brilhar ainda mais. O facto de ser lua cheia torna tudo tão diferente... como se fosse destinado a ser hoje, o que quer que seja. Mágico. Não percebo que as lágrimas cessaram quando volto a olhar para ele, mais calmo assim como eu.
Os meus pensamentos são interrompidos quando sinto os seus lábios colidirem com os meus, e as suas mãos apertarem a minha cintura com mais força. Separo os nossos lábios por breves segundos  à procura de ar e uno-os novamente. Não sei o que estou a fazer, mas não quero parar. Tem exatamente o sabor que imaginei, menta. A sua boca abre-se enquanto ele procura beijar-me. A língua quente dele choca com a minha e forma leves arrepios por todo o meu corpo que parece incendiar com o movimento. Era viciante, bom... era um beijo desesperado! Levo a minha mão ao seu peito enquanto uma das suas sobe da minha anca até o meu rosto frio. Sinto-o puxar o ar pesadamente e murmurar o meu nome baixinho por entre o beijo enquanto volta a trazer a sua língua à minha. Luto com a minha própria mente para parar mas saio derrotada, não consigo controlar nenhum movimento do meu corpo. A sensação percorre cada centímetro do meu corpo e choramingo quando sinto a perda de contato com a sua boca.
Liam: Bell – ele murmura e respira pesadamente contra o meu rosto e volto a sentir o seu hálito fresco. Empurro qualquer pensamento ou sentimento de culpa em relação a isto e apenas permaneço calada respirando calmamente. Não sei quando foi a última vez que beijei alguém a sério, mas a sensação flutua no fundo da minha barriga e faz-me sorrir gentilmente para ele. Ele sorri e as suas mãos unem-se às minhas entrelaçando-as.
Eu: Se te deixa feliz se fosses outro rapaz não me terias beijado. – sussurrei com uma ponta de humor na minha voz o que faz rir de alívio. A sua expressão muda novamente e  um pouco de ódio de si próprio reflete-se nos seus olhos enquanto ele murmurava frases.
Liam: Eu assusto-te? – diz sério à espera da minha resposta que não tenho no momento. Embora eu saiba que sim, o quanto o seu tom de voz áspero faz a minha pele arrepiar-se, o quanto o seu olhar de ódio me faz tremer por dentro de medo, não podia dizê-lo. Mas ele já sabia a resposta. Ele olha-me por breves momentos e volta a desviar o olhar para longe e afasta-se, enquanto caminha pelas folhas secas do chão. – Não precisavas ter-me beijado de qualquer das maneiras. – diz rude e olha-me por cima do ombro. - Não precisavas existir... – a minha existência torna-se um empecilho para ele? Se é isso porque é que não o assume? Parte de mim diz-me que este é apenas um assunto mal resolvido, mas eu sei que não.
Eu: Não precisavas de ser tão estúpido. – a minha garganta doi enquanto me esforço para falar. Ele não para de andar o que apenas mostra o quão idiota ele é. Porque me beijou de qualquer das maneiras? Se a minha existência não faz falta porque o fez? Porque é que ainda me fala sequer?
Sinto vontade de voltar a chorar mas impeço-me a mim mesma de o fazer. Não vou voltar a fazê-lo, não por culpa dele. A humilhação percorre-me enquanto por momentos volto a sentir o seu toque e a maneira como me beijava. Tudo teatro. 


Continua...

xxPatrícia