sábado, 31 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 32 - Flash


Liam: Tu acabaste de me chamar idiota? – ele pergunta e vejo-o esfregar com um punho um no outro enquanto no seu rosto se via um sorriso como quem estava a planear alguma?
Os seus passos caminham na minha direção e vejo um sorriso meio doido formar-se na sua cara e a primeira coisa que me ocorre é fugir. A força nas minhas pernas é de doidos comparando com aquele horrível dia e pelo caminho livro-me do casaco deitando-o para o chão, tropeçava nos meus próprios pés repetidas vezes e cada uma delas ouvia gargalhadas seguirem-me. Estou no topo das escadas e posso ter visão dele a correr na minha direção enquanto subia de dois em dois degraus rapidamente, demasiado rápido até. Quase juro sentir o chão tremer com a velocidade e a investida pesada nas suas passadas. Sinto-me numa corrida mortal de carros em que a velocidade é crucial entre vida e a morte. Só que neste não havia morte. Apenas paragens cardíacas que ele me provoca a cada momento que o olho diretamente. Nunca me vou habituar a isso.
Corro até o meu quarto e não consigo evitar as risadas que se formavam cada vez que o ouvia gargalhar atrás de mim. Entro rapidamente e os meus pés escorregam, sinto-me cair mas apoio-me na porta e tento fechá-la atrás de mim, até que vejo um pé impedir a minha desesperada tarefa de fuga e posso sentir a força que ele fazia contra a porta e a abria, ele ria e grunhia um pouco até com a força com que empurrava. Conseguia ouvir a sua respiração alterada enquanto empurrava o seu corpo contra a porta. Julgava-me mais forte do que realmente sou... ele acabou por abri-la com muita facilidade até, quase me esmagando contra a parede. Escondo-me atrás desta e ouço os seus passos seguidos pela sua respiração nem perto de tão ofegante como a minha...
Liam: Bell. – ele chama enquanto seguro a porta para que seja impossível ele ver-me. Mas o certo é que a única coisa impossível agora é ele não encontrar-me... estou demasiado exposta, e o pior, não consigo parar de rir e fazer barulho com os pés... costumava ser tão fácil controlar o riso, até tinha de fingir um. Porque é que agora que preciso de parar não consigo? Ugh, que estúpido não? Porquê parar de rir? Afinal, a parte mais engraçada da brincadeira até que é a caça... torna tudo mais tenso mas claro... mais interessante. - Anda lá babe... – ele ri e sinto um leve aperto no coração quando ouço a voz cada vez mais próxima. – Eu já te encontrei... – ele diz e ouço algo que se parece com um riso, mas tão rouco... encolho-me ainda mais, o espaço é pequeno demais mas não me impede de ganhar esta batalha. Sou descoberta e logo vejo o corpo dele aparecer e ocupar todo o meu campo de visão. O meu corpo é puxado pelo seu braço forte e a minhas costas embatem com a porta agora fechada.
Os risos continuavam mas à medida que o seu rosto se aproximava do meu sentia um nó formar-se na minha garganta, cada vez que sentia a sua respiração perto da minha baralhava-me nos pensamentos, cada vez que sentia o seu toque todo o meu corpo parecia ser eletrificado por dentro. Tento manter o meu olhar no seu mas parece que me enfraquece, olho para baixo e vejo os seus lábios, e então aí é mortal...
Liam: Babe? – ele sorri. Talvez com a minha falta de atenção. Foda-se, porque é que ele não se cala e me beija de uma vez? Os seus lábios roçavam nos meus enquanto ele murmurava coisa que não queria nem saber. Oh, que tortura. Saber que agora posso tocar-lhes, e estando tão perto de poder beijá-lo realmente, mas não conseguir... quer dizer, eu consigo, mas é como se alguma coisa me impedisse de fazê-lo.
Eu: Hmhm... – murmuro lentamente e percebo que ele abria a sua boca fazendo a minha abrir-se ao mesmo tempo. Foda-se. - Não. – não, não, não. Isto vai ser mau, sei que sim, sei que me vou entregar por completo e não quero isso no primeiro dia!
Escapo por entre os seus braços e sigo apressadamente até a cama, o quarto parecia em fogo, o meu corpo parecia incendiar e o meu coração parecia querer formar uma festa dentro de mim, sentia-o aos pulos constantes e o sangue correr pelas minhas veias de forma rápida. Como, mas como é que depois de o conhecer à tão pouco tempo ele tem este poder em mim? Não. Simplesmente não cabe na minha cabeça. É impossível.
Liam: Porque não? – novamente os seus passos vinham na minha direção, tornando tudo demasiado confuso. Deixava ou não? Foda-se, eu queria tanto. Nunca quis nada tanto na minha vida. Vejo-o puxar o casaco pelos braços deixando-o com apenas uma camisola branca justa. Muito justa até, que, devido à chuva, estava toda molhada, colando-se totalmente ao seu corpo perfeitamente esculpido permitindo-me uma ótima visão do seu abdómen. A cada passo em frente seu era um para trás meu... até que certa altura já não tinha nada mais, a não ser parede. E então vejo-o erguer os braços e puxar a camisola molhada, dando uma nitida visão do seu corpo.
Eu: Liam. – chamo – volta a por o caralho da camisola! – ordeno mesmo sabendo que isso me deixava desnorteada. Ele ria enquanto avançava cada vez mais...
Liam: Oh vá lá. Ambos queremos isto... - o seu corpo colava-se no meu totalmente impotente, o seu abdómen encostava-se propositamente contra o meu peito e a minha respiração falhava, sentia-me hiperventilar... – Estás bem? – ele ri.
Eu: Não, não estou bem. – afirmo - Disse-te para vestires o caralho da camisola mas tu não me ouves. -- digo nervosa e assim que tenho hipótese fujo por entre o pequeno espaço dos seus braços. Porra, eu devia estar a ter a melhor noite da minha vida mas não, estou para aqui a fugir de um deus! E foda-se, que deus...
Ando apressadamente, à velocidade do bater do  meu coração, tento abrir a porta, mas esta fecha-se brutalmente e vejo um pulso forte pressionar-se contra ela.
Liam: Bell...
Estremeço por dentro, fecho os olhos e concentro-me na minha respiração. Tento acalmá-la. Desesperadamente tentava acalmá-la, até ela me incomodava agora.
Sinto uma mão apertar a minha cintura enquanto levantava a minha camisola, os seus dedos percorriam a minha barriga... todo o meu corpo se arrepia quando sinto um beijo ser depositado calma e suavemente no meu pescoço. Automaticamente chamo pelo seu nome, recebo um outro beijo, mais forte como resposta.
Eu: Liam... – murmuro. Sou encostada contra a porta e o seu peito bate contra as minhas costas, o meu cabelo é arrastado para um só lado e a minha cabeça é inclinada para o meu lado esquerdo, então ele tem a oportunidade de morder. Os seus dentes cravam contra a minha pele e os seus lábios chupavam a minha zona mais sensível, sentia calafrios e uma sensação desconfortável no fundo da minha barriga e foda-se, eu sabia exatamente porquê. Ouço repetidos sons do fundo da sua garganta enquanto o fazia e cada vez apertava mais o meu corpo contra a porta, pressionando-se contra mim desesperadamente. Começava por doer agora, cerro os olhos e gemo um pouco, mas era um misto de dor e prazer, tornando tudo tão difícil, e irresistível...
O ar prende-se no fundo da minha garganta assim que sinto as suas mãos apertarem com força e a minha cintura subir arrastando-se pela porta quando ele me vira para si, nos seus braços eram mais que evidentes os músculos enquanto ele me prendia, o seu olhar era escuro, olhos totalmente dilatados e escuros, quase pretos, era quase assustadora a forma como ele me olhava com tanto desejo, nunca ninguém esteve assim tão “desesperado” para estar comigo antes, era tão fácil controlá-los, mas não me parece que controlar o Liam seja uma tarefa fácil. E isso só torna tudo mais excitante, demasiado até, imaginar a situação é até assustador porque sei que ele é muito melhor nisto do que aparenta....
Eu: Payne... – sussurro quando percebo que os seus lábios estão mais perto do que desejava.
Liam: Shhh. Cala-te. – os seus lábios colam-se nos meus rapidamente impedindo-me de pensar ou ter qualquer tipo de reação a não ser ceder de imediato. A sua boca abre-se lentamente e ele desliza a sua língua pelo meu lábio inferior até esta se encontrar com a minha. Levo as minhas mãos até às costas dele e passo as minhas unhas contra a sua pele. Eu poderia explodir apenas por ele me estar a beijar.
Liam: Quero isto desde o dia em que te beijava em frente daquele maldito espelho. – a sua voz é tão profunda e desesperada que me encontro a ceder instantaneamente sendo impossível dizer não. – Diz.
Eu: O quê? – puxo o ar por entre os dentes enquanto separo os meus lábios dos seus.
Liam: Diz que também me queres. – ele geme profundamente e morde o lóbulo da minha orelha. Abano com a cabeça repetidamente tentando dizer que sim. – Diz Bell. Por favor, diz que sim. – ele pede roucamente enquanto beija o meu pescoço uma outra vez, desta vez mais lenta e fortemente. A sua mão sobe um pouco e entra pela camisola que estou a usar, massajando a minha pele.
Eu: Sim Liam... – murmuro por entre os beijos.
O meu corpo é quase atirado até a cama e o seu colocava-se agora por cima de mim, as suas mãos livravam-se da minha camisola até que sinto o meu coração bater depressa demais. Vejo um flash. Algumas imagens. Sentia o seu toque e ouvia sons ao longe. Cerro os olhos e tremo profundamente... só via o Gale, ouvia a voz do Gale, sentia o toque como se fosse o toque do Gale... o meu corpo tremia e juro ouvir a sua voz.
Grito. Grito mesmo. O meu medo era tão grande, não pelo Liam, mas por lembrar-me daquele nojento. As lágrimas começavam a ameaçar e sentia os meus olhos arder muito.
Liam: Bell? Está tudo bem? – ele levanta-se rapidamente e os seus passos caminharem até mim.
Eu: Não Liam. – sussurro. - Desculpa. – choramingo e limpo as lágrimas que escorrem por todo o meu rosto. Aqui estou eu outra vez, a chorar em frente a ele. O seu polegar encaminha-se ao meu rosto e limpa uma das mais lágrimas que insistem cair.
Liam: O que se passa Bell? Fiz alguma coisa errado? – pergunta e vejo o seu olhar mais leve, mas a sua testa carregada.
Eu: Não Liam, não... – choro – não foste tu! Estava tudo a correr bem, mas eu... – suspiro e os soluços apoderam-se da minha pausa – eu apenas... eu lembrei-me do Gale... do que aconteceu hoje... eu não queria, mas eu não consigo esquecer! – choro ainda mais e parece que o mundo está a desabar. O seu olhar mostra preocupação, talvez até pena... eu tenho de suportar isso. Sinto os seus braços rodearem o meu corpo e é como se um sensação de maior segurança me percorresse, mas não conseguia impedir as lágrimas estúpidas que caíam.
Liam: Shhh, eu percebo-te. – respiro fundo e apoio a cabeça no seu ombro, tenho noção que estava a molhá-lo completamente mas isso não parecia preocupá-lo, ele apenas se concentrava em mim. Apenas em mim. E isso era a única coisa boa de agora.
***
Eu: Achas que podes dormir aqui hoje? Só dormir? – pergunto, limpava o rosto debaixo dos meus cílios enquanto esperava por uma resposta sua. A voz soa mais baixo do que espero.
Liam: Claro que posso... desculpa se fiz alguma coisa. – ele diz e percebo que ele pensa que é o culpado por isto. Não quero fazê-lo sentir-se assim, mas não tenho coragem para voltar a falar no assunto, talvez amanhã, mas tudo ainda é demasiado fresco  na minha cabeça, parece que foi à tanto tempo, e foi ainda hoje... o tempo passa tão devagar agora.
Sigo até a cama calmamente enquanto seguro o Liam pela mão e o puxo calmamente até, deito-me e instantaneamente encosto a minha cabeça contra o seu peito e empurro para longe todo o tipo de pensamentos... foco-me na sua respiração, no seu bater de coração. A mudança parece radical de há umas horas atrás...
Aperto o meu corpo contra o seu e os meus cabelos eram gentilmente penteados, sentia-me adormecer...


Continua...

xxPatrícia


sábado, 24 de maio de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 5 - Innocence


*** 


Mel P.O.V. 


Eram nove da noite, decidi dar uma volta por fora. As ruas lá eram frias, demasiado frias durante a noite, apertei os punhos do casaco que trazia vestido entre as mãos e coloquei o capucho. Agora pensava, talvez a vida aqui não seja assim tão má, nós apenas a tentamos complicar! Talvez se olhássemos para a vida de outro ângulo... criar um sorriso mesmo nos momentos dificeis, arriscar e ignorar o medo, não chorar por mais que a mudança magoe e seja dificil de compreender. Deixar de lado o que me fazia feliz e procurar o que me fará feliz agora! Talvez sejamos mesmo algo que a nossa própria mente criou. Eu era mais uma prisioneira desse pensamento e por isso deveria soltar-me de si... Apenas uma coisa aqui mudava, eu não poderia esperar nada de ninguém... somente de mim mesma.
Comecei a ouvir uns gritos de repente, tirando-me do transe, direcionei o olhar para o local de onde vinha o barulho, à minha frente tinha um muro não muito alto, subi-o sentando-me em cima e reparei num enorme campo, estava rodeado de uma grade e iluminado com alguns candeeiros colocados em cada ponta do campo. Corri o olhar por todo o campo. O cheiro masculino fez-me estremecer, vários rapazes disparavam contra alvos pendurados em muros de pedra que se espalhavam por todo o terreno, alguns que aparentavam ser já mais maduros, por volta de uns vinte e dois anos, gritavam com eles rigidamente. Presumi que fossem uma espécie de treinadores. Uma figura masculina fez-me fixá-lo a treinar... ele voltou-se um pouco mais para mim, reparei na madeixa azul que tinha à frente entre o cabelo escuro, Kail! Ele mantinha o olhar extremamente concentrado no alvo à sua frente, a sua pele estava completamente suada e a camisola branca que vestia tornava-se transparente traçando cada promenor do seu abdómen. Parecia esgotado, mas ainda assim disparava com raiva, deixando-me reparar no quão os seus músculos estavam tonificados.
XXX: Pára Kail, por hoje chega. Já não estás a render nada para o treino! - um dos treinadores gritou. Ele deixou o seu corpo cair no chão mantendo apenas as pernas fletidas e passou a toalha pelo seu rosto suado. Observei os seus movimentos e em menos de segundos, sem que me apercebesse ele levantou-se dirigindo o seu olhar para o meu. Ok, ele tinha-me visto agora não podia esconder-me! Correu até ao muro onde eu estava sentada, elevando o rosto e sorrindo-me.
Kail: O que fazes aí?? - a sua voz cansada, tornava-se ainda mais atraente, ele apoiou uma das suas mãos na cintura enquanto a outra segurava uma garrafa de água. - Anda, salta eu seguro-te! - mordi os lábios receosa.. saltava?? - Descansa babe, não te vou morder! - ele gargalhou. "não te vou morder", bem visto que a última vez me fez um enorme chupão no pescoço eu não saberia o que esperar! Olhei para trás e apercebi-me de que não consegueria mesmo saltar aquilo sozinha e cedi. Levantei-me e saltei sentindo rapidamente apenas as pontas dos meus pés baterem no chão e todo o meu peso ser suportado pelos seus braços. O meu corpo congelou no momento, abri os olhos tendo uma visão perfeita para os seus lábios. - Olha para mim! - o seu dedo indicador deslizou até ao meu queixo elevando-o. - Porque é que tens tanto receio?! - um leve sorriso continuava esboçado na sua boca, suspirei.
Eu: Eu não tenho... - respondi fria, senti os seus braços soltarem-me.
Kail: Tens sim! - disse ríspido, calafrios correram a minha pele ouvindo o seu tom de voz e a maneira como me olhou agressivo. - Vês! - ele deu um passo na minha direção e simultaneamente dei um passo para trás.
Eu: Pára com isso! - pedi calma baixando o olhar, o seu toque voltou a invadir-me mas agora de uma maneira que não esperava... as pontas dos seus dedos tocaram suavemente o ematoma no meu pescoço e de seguida colocou as mexas do meu cabelo para trás deixando-no à mostra, o seu rosto curvou-se para baixo, fechei os olhos novamente sentindo finalmente os seus lábios chocarem suavemente com a mancha que me tinha deixado desde ontem e a beijar docemente.
Kail: Desculpa, não te queria magoar. - sussurrou ao meu ouvido, o seu hálito a menta destruía a minha mente, deixava-a sem saber o que queria, o que não queria, o que era certo ou errado... eu não sabia distinguir perigo de desejo! - Mel, Mel... - os meus olhos abriram-se, observando os seus que me pentravam. As suas pestanas tremeram e os seus olhos verdes brilhavam para mim. Tudo parecia demasiado estranho e emotivo naquele momento... ele voltou-se lentamente e começou a caminhar de novo pelo campo.


***


Bati a porta de casa, e ouvi logo a sua voz irritante chamar-me, revirei os olhos sentindo os seus passos pesados descerem as escadas apressadamente e a sua voz dizer o meu nome repetidamente. Atirei o corpo para cima do sofá e ele logo ocupou todo o meu campo de visão.
Eu: Importas-te de sair da minha frente idiota! - atirei com uma almofada pra sua cara na tentativa de ele se afastar mas logo senti todo o seu peso cair sobre o meu corpo demasiado fraco para o suportar. - Sai Tyler!! - gritei tentando que a minha respiração se regulasse.
Tyler: Vens comigo sair hoje e... eu saio! - gargalhei com dificuldade. - Aceitas?? - ele sorriu carinhosamente mordendo a língua entre o sorriso.
Eu: Vais ter que sair de qualquer das formas e não, eu não quero sair hoje! - respondi colocando as minhas mãos sobre o seu peito tentando afastá-lo de mim, contudo isso poderia considerar-se uma missão impossível.
Tyler: Não me desafies Mel! - ele riu - Eu não saio enquanto não disseres que aceitas! - cruzei os braços contra o peito tentando fazer a minha cara mais séria, desviei o meu olhar do seu olhando para o teto e mantendo-me quieta a ignorá-lo. - Hey morreste?? - respirei fundo.
Eu: Não não morri Tyler, agora pára de insistir e vai-te embora!! - gritei alto fazendo-o cerrar os olhos até.
Tyler: Tens quantos anos?? 10?? Mel chegou a altura de te divertires um bocado, dares um fim a essa tua inocência e aqui é o lugar certo, tem tudo para te tornar no que realmente és, afinal Bradford pode não ter sido assim tão má escolha! Não encares isto como um pesadelo de que queres fugir e tens sempre medo do fim, encara-o como um pesadelo que queres arriscar, viver e sair com vida!
Eu: Tudo bem! Eu vou... - um sorriso abriu nos seus lábios, ele levantou-se e uma sensação dormente percorreu todo o meu corpo depois de não sentir mais o seu peso sobreposto em mim. Levantei-me também deitando-lhe a língua de fora e fui em direção ás escadas.
Tyler: Mel! - virei-me direcionando-me para ele - Não sintas medo lá, essa é a única sensação que te pode impedir de descobrir quem serás tu aqui! - disse calmo, acenti e subi as escadas até ao meu quarto. Caminhos diferentes, pessoas diferentes, eu vivia isso agora. Como é que eu ia fazer para me descobrir?! Todo o mundo lá fora é desconhecido para mim, drogam-se, matam-se... mas querendo ou não, eu iria fazer o possível para ser feliz, eu não precisava de droga apenas de um apoio, alguém para aprender a viver ali!


Zayn P.O.V. 


Oito da noite. Dei por mim a esta hora quase a pegar a dormir, sem um banho tomado... Ohh fodasse tinha-me esquecido completamente da festa de hoje na casa do Liam!
Eu: Puta que pariu esta merda! - rosnei bagunçando os cabelos e levantando-me da cama indo em direção à casa de banho. Com a pressa tropeçava em quase cada passo que dava, mesmo assim em menos de meia hora consegui ficar pronto. Desci as escadas a passos rápidos correndo para a cozinha e pegando numa maçã. Sentei-me em cima da mesa vendo a bagunça que a Saffa e Waliyha faziam na sala com os brinquedos e como gritavam uma com outra porque ambas queriam o mesmo. Saffa tinha apenas quatro anos e Waliyha cinco, eram as minhas irmãs mais novas ...
Eu: Podem se calar caralho?!! - gritei-lhes e elas olharam-me ficando em silêncio - Dói-me a cabeça - falei num tom mais baixo e calmo. Os sintomas que tive à pouco no quarto com a Mel pareciam ir e vir, aquela sensação de fracasso e a dificuldade em respirar voltava mas desaparecia logo.
Trisha: Zayn! Vê como falas elas, são tuas irmãs! - ouvi a voz da minha mãe mesmo atrás de mim resmungar.
Eu: O que é que tu queres?? - disse frio saltando da mesa para o chão, apoiando a mão na mesa e esperando que ela me respondesse.
Trisha: Estás a falar para mim Zayn não é para nenhum dos teus amigos, exijo que me respeites! - desapoiei a mão da mesa e perdi o equílibrio tendo que voltar a segurar-me, fechei os olhos respirando fundo mas as tonturas deixavam-me zonzo. As drogas nunca tiveram este efeito sobre mim, o que é que se estava a passar?!
Comecei a tremer involuntariamente outra vez. O meu corpo parecia entrar em pânico, mas a minha mente não... dei um passo para trás encostando-me na parede da cozinha.
Trisha: Zayn, Zayn! - ela olhava-me preocupada, a sua mão cobre a minha bohecha e de certa forma encontro um refúgio no seu gesto que me acalma e deixa o meu corpo voltar à normalidade.
Eu: Eu estou b-bem! Não te preocupes! - disse fraco beijando o topo da sua testa preparando-me para sair mas sinto-a agarrar o meu braço.
Trisha: O que é que foi isto Zayn?? - engoli seco. Claro que não lhe ia dizer a verdadeira razão. - Diz-me a verdade! - ela elevou o tom de voz apertando mais o meu braço.
Eu: Senti-me mal foi só isso! - disse brusco - Importaste de me soltar? - falei alto soltando o meu braço dela e saindo dali. Agarrei o meu casaco pousado sobre o sofá e ouvi os seus passos seguindo-me.
Trisha: Zayn não me voltes a costas quando falo para ti!
Eu: Não sei a que horas chego, xau! - mantive-me de costas voltadas e saí a porta de casa. Cinco minutos depois ouvi vozes a se aproximarem, deveriam ser eles. Vesti o casaco e terminei de fumar o cigarro que segurava entre os dedos soltando o fumo uma última vez antes de eles chegarem á minha beira. - Então, vamos?? - perguntei vendo Louis, Caroline e Nicole pararem na minha frente, mesmo atrás dele surgiu o Tyler agarrando a mão de alguém que o Liam não deixava que visse. Centrei o meu olhar nesse alguém, voltei a olhar o braço dela ... Mel!
Ela colocou-se entre o Louis e o Tyler, sorri mais um vez não conseguindo desviar o meu olhar dela, do seu corpo, conseguia sentir o brilho que se formava nos meus olhos fixando cada promenor seu. Porque é que não conseguia simplesmente matar essa sensação quando ela aparece?! Ou pelo menos escondê-la?...
Louis: Vamos!! - disse empolgado. Seguimos pela rua que ia até á casa do Liam, ficava a uns quinze minutos da minha por isso era excusado ir de carro. Louis andou na frente com Nicole e Caroline, vi o Tyler soltar a mão da Mel e ir para junto deles, deixando-na mais para trás. Avancei um pouco mais para a frente colocando-me ao seu lado, fomos o resto do caminho em silêncio, eu apenas sentia o seu cheiro entrenhar-se nas minhas narinas provocando um sensação incontrolável de a agarrar, descobrir como é o seu beijo! No fundo da rua começamos a ouvir o som da música já bastante alta com batidas fortes, a iluminação da casa causava até ardência nos olhos , mas isso era já habitual do Liam, fazer festas em grande!
Finalmente chegamos ao portão da casa, havia pessoas sempre a entrar e sair, tornava-se quase impossível andar, as batidas da música eram agora mais intensas parecendo quebrar o meu peito e rebentar com os meus ouvidos. Algumas raparigas, senão a maioria, já estava completamente fora de controlo, rebolavam o corpo ao som da música com um pedaço de tecido a cobri-las. Olhei para a Mel e ri-me com a expressão surpresa dela.
Eu: São só putas. Não ligues, vales muito mais do que elas! - sussurrei ao seu ouvido e sentia arder, mal pousei a minha mão sobre a sua cintura ela foi arrancada da minha beira pela Caroline que a levou para dançar. 


***


Peguei num dos copos para a minha mão, o mesmo líquido incolor de sempre, aperto o copo na mão empurrando-o contra a minha boca e engulo tudo de uma vez só, aquele sabor ardente queima a minha garganta na sua passagem rápida, escaldando-a mas logo se segue uma sensação fresca. Pouco tempo depois, já tinha bebido umas tres vodkas e o meu corpo encontrava-se perfeitamente bem, dirigi-me para a pista de dança segurando um copo na mão. Quando me apercebo um rapariga balança o seu corpo contra o meu, percorri o meu olhar por todo o seu corpo...Ohhh fodasse que boa! Aperto a minha mão livre na sua cintura colando-a a mim e movimentando os nossos corpos ao som da música. Ela roda os seus braços à volta do meu pescoço e de repente sinto os seus lábios colados aos meus, deslizei a minha mão pelas suas costas chegando ao seu rabo e apertando-no, a sua língua lutava com a minha, misturando o seu hálito a álcool com o meu... 


Mel P.O.V. 


As batidas fortes da música estavam a deixar-me zonza, saí para a parte de trás da casa onde não havia quase ninguém, a aragem fresca da noite deixou-me respirar melhor, sentei-me junto da piscina tirando os sapatos e colocando os meus pés dentro da água... o estrelado do céu refletia-se nela.
XXX: Posso??


Continua...

xxAndy


domingo, 18 de maio de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 4 - Breathing me


Mel P.O.V. 


Zayn: Eu vejo fogo!
Eu: Porque dizes isso?? - um brilho intenso ia iluminando o seu olhar, nem a mais profundo escuridão que caísse poderia ofusca-lo. Era um brilho único, que me confundia desde o primeiro dia que o vi. Ele tinha algo de diferente nele que me deixava desejosa de descobrir... era demasiado perigoso!
Zayn: Simplesmente vejo. Queres mentir-me outra vez é?
Eu: N... - ele interrompeu-me.
Zayn: Isso é um hábito para ti?? Esconder o teu verdadeiro eu dos outros?? - as perguntas dele deixavam completamente confusa, não arranjava respostas para elas, era como se ele tocasse num ponto de mim que nem eu mesma conheço ou entendo. Ás vezes encarno mesmo a alma do fantasma de uma rapariga que eu tento ser acima de tudo, mas mesmo assim ele nunca apaga o medo que eu tenho da vida, a dor e a solidão que me abraçam até eu adormecer.
Eu: Quem é que julgas que és?? - respondi fria mas ele manteve-se calmo.
Zayn: Um idiota que nem te conhece e mesmo assim está a tentar proteger-te caralho! - o silêncio voltou a colocar-se entre nós, parecia nos seguir a cada resposta inesperada dele.
Eu: Não precisas de fazê-lo, nunca to pedi. E se te arrependes assim tanto, afasta-te é simples, não te estou a prender a mim ou estou?!
Zayn: Também nunca pedi a tua opinião e tu insistes em dá-la! - disse bruto, levantei a minha mão num impulso mas antes que o atingisse ele desviou a cara colando os nossos corpos e agarrando os meus braços com força, pressionando os seus dedos nos meus pulsos já doloridos. - Opção errada babe! - ele sorriu empurrando-nos contra o poste atrás de mim e mantendo a sua boca bem próxima da minha. Tremi com a sua ação, ele deixava-me cada vez mais confusa, sem saber o que esperar dele. - Abre os olhos Mel, isto aqui é perigoso! - sentia as pontas dos seus cabelos tocarem na minha testa e a sua respiração quente abafar os meus lábios semi-abertos. Vi os seus lábios virem na direção dos meus mas logo ele os desviou para a minha bochecha beijando-a - És demasiado inocente! - ele voltou as costas indo embora. 



Zayn P.O.V. 


Muitos são aqueles que acreditam que o mundo acabará em fogo, outros em gelo, eu prefiro fogo, mas pensando duas vezes, o ódio é prova de que mesmo pelo gelo o fim seria ótimo! E até que esse dia chegue, pessoas como eu sobrevivem e jogam com a alma dos inocentes.
Como podem existir pessoas tão boas?? Pessoas que não se apercebem da falsidade e do interesse que as cerca. Será simplesmente inocência ou elas gostam de acabar a secar lágrimas de uma dor cicatrizante?? Não entendo como conseguem deixar-se levar em meras palavras quando o silêncio vale muito mais que isso... só nele se escondem as verdadeiras respostas!
Voltei-lhe as costas seguindo o meu caminho, uma das minhas mãos foi guiada até ao bolso de trás das calças... a cada passo meu haviam olhares caindo sobre mim, sabia que atraía as raparigas de uma certa forma, mesmo sem que as olhasse sabia que a sua atenção se direcionava para mim.
Liam: Contaste-lhe?? - ele bateu a sua palma da mão nas minhas costas gargalhando e de seguida sentou-se em cima do muro na frente da escola.
Eu: Achas?? - franzi as sobrancelhas apaoiando o peso do meu corpo numa perna e apoiando a outra no muro ao seu lado. - Quero manté-la afastada disto entenderam?
Louis: Queres afastá-la porque?? Ela já está nisto Zayn, sabes que não existe saída depois que entras num mundo como o nosso!
Eu: Pra ela existe entendeste?? - atirei o seu corpo na frente do meu. Cada veia do meu corpo começou a pulsar, senti os meus músculos ficarem tensos com as palavras que rompiam da sua boca. Volto a puxá-lo pelo ombro cerrando os punhos e mantendo os braços encostados à lateral do meu corpo, controlando a raiva que circulava em cada pequena ramificação de sangue minha. - Ela não vai ser mais uma vitima!
Louis: Abre os olhos caralho!! O Kail sabe quem ela é, por mais que queiramos negar, ela é SIM mais um ponto fraco nosso! - permaneço calado em frente dele - Eu não posso acreditar mano! Ficaste apaixonado por ela ou quê?!! - ele riu. De uma certa forma inesperada a sua brincadeira afetou-me fazendo a minha raiva crescer.
Eu: Estás a gozar com a minha cara por acaso?? - grito, empurrando-o... O que é que eu tinha?? Porquê aquelas reações??
Louis: Ouu, acalma-te está bem?? - ele levanta os braços em sinal de paz, ouço os pés de Liam baterem no chão ao meu lado. Sentia-me a explodir sem explicação, o meu coração dava batidas cada vez mais aceleradas fazendo o sangue circular no meu corpo de maneira mais brusca.
Liam: Mas a miúda afetou-te o cérebro ou quê?? O Louis estava só a brincar e tu explodes dessa maneira caralho! - fala sério, vejo na sua expressão que estava confuso tal como eu com a minha reação. Sacudi os cabelos e voltei a subir o olhar até Louis.
Eu: Fodasse, desculpa ok! - suspirei - Eu ainda estou nervoso por causa do Kail. Viram o estado em que a Caroline ficou ... Temos que começar a proteger melhor os nossos ou vamos acabar por perder contra aqueles filhos da puta que não valem a merda do chão que pisam!
Liam: Eles vão pagar sabes bem ... e não falta muito!
Eu: Vou indo para casa, estou sem cabeça putos! - despedi-me deles e caminhei pelas ruas estreitas de Bradford, estavam vazias, aparentemente ...
Mel, só o seu nome ecoava na minha mente como uma droga aliciante. Conhecer esta rapariga foi o maior erro que eu podia ter cometido, vai arrastar-me para problemas, confusões, o que eu menos preciso neste altura! O Tyler ia ser um bom parceiro, era forte, tinha uma alma como a nossa... mas ela! Ela não pertencia a este lugar mesmo... ou talvez sim!!
Era confuso, eu via ainda algo de diferente dele, uma pequena alma rebelde à espera do momento certo para encontrar a vida dentro de si! Finalmente avistei o portão da minha casa, entrei e tranquei-me dentro do quarto ignorando os gritos da minha mãe. Não arrancava as imagens do que se tinha passado na escola hoje, o estado em que a Caroline tinha ficado depois daquele filho da puta lhe ter tocado... a marca no pescoço da Mel. Ela provavelmente não se apercebeu de que reparei mas sim, eu reparei no ematoma que se formava na sua pele! Sentia uma vontade incontrolável de matá-lo, naquele momento, desfazer cada pedacinho seu... tirar-lhe a vida! Juro que se o Liam e o Louis não estivessem lá era capaz de o fazer.
Direcionei os meus passos da varanda para dentro do quarto e tirei um cigarro, o isqueiro e um pequeno pau de pólen do meu armário, sentei-me sobre a cama e dei um corte no cigarro retirando todo o seu conteúdo para a minha mão, só o seu cheiro já deixava o meu corpo desejá-lo pra caralho. Pousei as ervas dentro de uma pequena caixa e segurei agora no pau de pólen e queimei-o lentamente, uma sensação prazerosa invadia cada veia minha, o sangue queimava dentro delas... depressa o pau ficou suficientemente mole para que o pudesse desfazer, misturei-o com o conteúdo do cigarro. Peguei na mortalha estendendo-a sobra a palma da mão livre, coloquei a mão sobre a que tinha o conteúdo, pressionando a mortalha nele e virei as mãos deixando tudo em cima dela. Coloquei o filtro numa das pontas e enrolei devagar para que ficasse bem apertado, pisei o conteúdo depois de bem enrolado com o isqueiro, fechei cada espaço para que a cada tragada o meu corpo, a minha mente de sentissem mais leves, e para que a cada bafo um sorriso de satisfação e liberdade se formasse. Finalmente enrolei a mortalha, levei o filtro até aos lábios e comecei a queimar dando o primeiro bafo soltando o fumo, e inundando o quarto com aquele cheiro que me satisfazia. Tombei o pescoço para trás deixando as sensações, que agora tomavam conta de mim, me acalmarem.
Droga ... no príncipio um sensação de euforia e total entrega, algo alucinante que no dia seguinte te faz querer sentir tudo de novo, fa-te querer mais e mais! Não viciamos logo, mas amamos a sensão de liberdade que nos dá, aos poucos ela passa a ser parte do nosso organismo, parte de nós e torna-se um dependência ... boa! O êxtase estava a tomar conta de mim agora mesmo, não pensava em mais nada, o efeito era fascinante, estimulante ... abstraía-me de tudo!
Mel: Uhmm posso entrar?? - olhei para a porta do quarto, revirei os olhos ... dei uma ultima tragada e levantei-me aproximando-me de si.
Eu: O que é que vieste aqui fazer?? - apoiei o braço contra a parede ficando á sua frente, notei que o cheiro a incomudava. - Vais-me responder ou ?...
Mel: Obrigada ... - ela mordeu o lábio envergonhada e encostou-se contra a parede onde tinha o meu braço apoiado deixando-nos mais próximos. - Hoje, bem se não tivesses aparecido acho que as coisas iam correr pior - comecei a sentir-me zonzo, não entendendo bem as palavras que ela dizia. A minha respiração prendia-se na garganta enquanto os meus dedos tornavam-se trémulos, o corpo começou a aquecer, apertei os punhos tentando manter os olhos abertos. Ao mesmo tempo que me sentia ficar fraco havia também uma sensação de nervos percorrendo todo o meu corpo. Todo o meu abdomen parecia estar a ser apertado, e pontadas fortes eram aplicadas nele subindo até ao meu peito. Revirava os olhos em branco ... - e .. uhmm ... O que é que se passa?? - ouvi a sua voz preocupada. Dei lentos passos para trás tentando encontrar equilíbrio. De repente senti as suas mãos apoiarem num lado da minha cintura e ela colocou o meu braço à volta do seu pescoço e levou-me até á cama sentando-me lá - Estás-me a ouvir?? - ela colocou a sua mão sobre a minha. Acenti. O meu corpo começava agora a suar, não conseguia manter os olhos abertos e mal me segurava.
Os seus dedos deslizaram agora para o meu peito ... Porque é que o seu toque me estava a deixar pior ainda? Respirei profundamente, ambos nos mantivemos em silêncio por breves momentos... a minha respiração foi se acalmando, olhei-a.
Ela: Tem calma ... Respira! - ela pediu calma.
Eu: Respira-me! - falei fraco... aquelas palavras fugiram-me dos lábios, eu não o queria dizer mas ao mesmo tempo queria ... ela dobrou o seu corpo até ao meu abraçando-me. Não esperava essa reação da sua parte mas não posso mentir, eu amei! Ela suspirou fundo contra o meu pescoço como se .... me respirasse! O meu corpo parecia voltar ao normal, rodei os meus braços à volta da sua cintura puxando-a mais para mim. Ela afastou-se ... sorri com o jeito dela e ela logo subiu o olhar para mim.
Mel: O que é que se passou contigo?? - ... efeitos da droga ... engoli seco.
Eu: Nada! Nada que pelo menos te diga respeito.
Mel: Como queiras - respondeu fria, levantando-se e saindo.
Eu: Mel! - chamei-a mas ela ignorou-me continuando a andar, saí a porta do quarto disparado atrás dela e depressa a alcancei atirando-a contra a parede antes que ela descesse as escadas. - Não me ignores caralho!! - falei nervoso pressionando os seus ombros com força.
Mel: O que é que tu queres??? - ela explodiu.
Eu: Primeiro, que te acalmes. Depois ... acho melhor não ires sozinha para casa! Eu levo-te.
Mel: Não quero! - disse firme, afastou as minhas mãos dos seus ombros e seguiu. Fiquei estático nas escadas vê-la ir embora e depois a olhar a porta fechada...Qual era o problema dela?? Qual era mesmo?? Eu sinceramente não percebia!


Continua...

xxAndy


terça-feira, 13 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 31 - Him

O caminho até minha casa parece demasiado lento ainda que fossem poucos metros. A visão tornava-se turva e sentia que ia cair a qualquer momento. Estava difícil perceber se o queria sufocar pelo que o ele disse, ou pela forma como ele o disse... se ele apenas se mantivesse calado... mas não, isso é apenas um sonho meu, ele nunca vai parar de dizer coisas que magooam as pessoas, ajudá-las, voltar a magooar, e sempre vai ser assim... Não pode ser normal, é quase uma estupidez, até para mim.
A porta parece não querer abrir e percebo que  trouxe a chave errada. Volto a olhá-la e não é a minha. Só isto mesmo para melhorar a situação não é? Ainda estou para perceber o que está destinado para mim...  Percorro todos os meus bolsos e não a encontro em lado nenhum. Começo a irritar-me e a pulsação forte volta a atacar. Faço o mesmo repetidamente mas sem nenhuma sorte acabo por não encontrá-la. Ouço o barulho de uma porta abrir e bater com força e escolho ignorar enquanto procuro por uma janela aberta.
Começo a sentir gotas de água cair no meu corpo e passados poucos minutos já chovia muito, tornando os meus passos pesados e deixando-me sem visão do caminho enquanto eu procurava por uma janela ou por uma porta traseira algures na minha casa. Ainda não sabia bem todos os compartimentos e vou ter de procurar até conseguir entrar. Esta semana pode tornar-se a partir de hoje, a mais cansativa de todas...
Ele: Hey!! – ouço alguém gritar do outro lado e estou ciente de que é o Liam. O meu coração parece querer saltar fora mas ainda assim finjo não ouvir e continuo a minha procura enquanto limpo os olhos já cheios de água, não que eu estivesse a chorar, pelo menos eu tentava controlar isso ultimamente, mas sim da chuva pesada que insistia em cair pesadamente. Qualquer tipo de maquilhagem que tenha colocado já desapareceu a esta hora. Por fim encontro uma janela. Sigo até ela e encontro-me desiludida quando está trancada por dentro.
Ele: Bell!! – talvez devesse parti-la? Posso sempre pagar uma nova depois?
O meu braço é quase arrancado e as minhas costas embatem contra a grande janela de vidro arrancando um gemido dos meus lábios entre abertos...
Ele: Porra, toma o caralho das tuas chaves! – quase grita e fecho os meus olhos instintivamente. A minha mão é aberta e sinto metal frio das chaves bater nela. Então eu deixei-as na casa dele? Podia ser ainda mais estúpida?
O seu corpo parece colar-se ao meu pois ambos estão demasiado molhados, a chuva impede-me de ver a expressão na sua cara mas sei que está zangado, bêbado, etc. Talvez eu devesse apenas... ignorar a sua presença? Sei que é o mais certo, ele vai acabar por ir embora?
“Porque é que ainda precisas de te injetar para amenizar as tuas crises? Não sabes cuidar delas de outra forma?” Ouço as palavras ecooarem na minha mente profundamente e desejo nunca ter tentado ajudá-lo. O meu corpo treme do frio e de medo quando me lembro do aspecto do seu quarto e o quão dura a sua voz soou. Com uma mão tento afastá-lo de mim mas ele mantem-se no lugar, como que me impedindo de avançar, o seu peito fazia força contra a palma da minha mão e podia sentir o bater forte do seu coração. Não sei se choro ou sorrio, se grito ou permaneço calada. Tudo parece demasiado confuso agora.
Eu: Deixa-me sair. – peço quase silenciosamente. Estou cansada, quer fisica quer psicológicamente e não tenho força para tentar controlar os meus sentimentos. Talvez seja melhor ideia ser fraca. Porque ultimamente, esse é o verdadeiro eu. Tudo o que ouço é a sua respiração pesada e sinto-a bater contra o meu rosto causando-me arrepios por todo o meu corpo. - “A mente humana tem o hábito de frequentemente recordar memórias dolorosas e eventos que levam à tristeza emocional.” – repito as palavras que li num livro à uns tempos atrás e parece encaixar na perfeição. Não encontro nada mais que caracterize o momento. Nada que me caracterize melhor. Porque o que eu sei fazer melhor é recordar os piores momentos... aqueles que não preciso recordar.
Liam: “A mente humana tem também o estúpido poder de perdoar, mesmo quando o outro está errado... o que pode levar a um profundo erro...” - ele continua e estou surpresa com isso. Ele lê o livro ou.. simplesmente vieram-lhe as palavras à cabeça? A sua respiração parece-se como música de fundo e não consigo controlar a minha pulsação...
Eu: “... Ou uma profunda felicidade.”- acabo.
Uma profunda felicidade... que não encontrei até hoje.
Liam: E tu és o motivo da minha felicidade. E o motivo da minha tristeza. E o motivo pelo qual eu te amo tanto... é a tua maior fraqueza. – As palavras atingim-me como setas e não consigo raciocinar. O que é que ele queria dizer com aquilo? Os seus lábios parecem demasiado perto dos meus, e o meu olhar demasiado focado no seu...
Eu: ...E a minha maior fraqueza...
Liam: És tu...
O choque suave dos seus lábios frios nos meus é tudo o que sinto e parece que estou no paraíso.
A sua mão desliza pela lateral do meu corpo até que para na minha cintura e a aperta levemente provocando-me sensações desconhecidas, mas ainda assim, tão boas. Era tão errado... Separo os nossos lábios à procura de ar e permaneço de olhos fechados, não sabendo como agir. A sua boca dirige-se novamente à minha e a sua língua desliza pelos meus lábios à procura de maior contacto. Não tinha sabor a álcool... talvez ele não estivesse bêbado? Apenas... zangado? Continua com o mesmo sabor inexplicável a menta que reconheço instantaneamente e é impossível manter os olhos abertos. O bater do meu coração é tão irregular que tenho medo que ele consiga senti-lo... As suas mãos puxavam-me ainda mais para si enquanto levo uma das minhas mãos até a parte inferior do seu pescoço. Ele puxa algum ar e volta a juntar-se a mim e a diferença entre a temperatura dos seus lábios com a sua língua parece-se com a de gelo e fogo tornando tudo tão estupidamente perfeito... A sensação percorre cada fibra do meu corpo e não consigo controlar os arrepios e a vontade de tê-lo só para mim. A chuva caía sob os nossos corpos e é como pedras de gelo sob o calor que se formava em nosso redor.
Não consigo decidir se adoro, ou se odeio o forma como ele me beija. É demasiado viciante, talvez a minha nova droga... mas, será que é uma droga passageira?
Liam: Desculpa-me, por tudo que te tenha feito... – ele murmura e sinto-me vazia com a perda de contacto. Empurro os meus lábios contra os seus de novo e espero que sirva de resposta ao seu pedido de desculpas. Tal como ele disse... a mente humana pode perdoar... e pode levar-nos a um profundo erro, ou a uma profunda felicidade. Espero que me leve à felicidade que nunca encontrei. As nossas bocas pareciam veneno para cada um de nós e o primeiro a largar perderia. Era impossível tentar perceber o que ele me fazia sentir... era como se um beijo mudasse tudo?
Empurro qualquer pensamento mau que me preencha e que me diga que pode dar errado. Sinto a sua respiração acalmar e permaneço calada à espera de conseguir dizer alguma coisa. A sensação de o voltar a beijar volta e flutua por todo o meu corpo levando a melhor de mim e fazendo-me sorrir levemente. O seu olhar ilumina e o seu sorriso capta toda a minha atenção. Sinto braços envolverem o meu tronco e um abraço apertado formar-se. A sua cabeça apoia-se no meu ombro e ouço a sua respiração perto do meu ouvido...
Eu: Não me deixes... por favor. – peço quando sinto a lágrimas voltarem. Aperto a parte de trás da sua camisola e encosto a minha cabeça no seu peito. Mãos deslizam pelo meu cabelo acariciando-o gentilmente e um beijo é deixado no topo da minha cabeça por fim.
Liam: Não vou. – ele murmura e aperta-me mais forte contra o seu corpo. Não sei por quanto tempo ficamos nesta posição mas foi o suficiente para tornar os meus movimentos pesados devido à chuva forte que insistia em cair.
Liam: É melhor irmos para dentro? – ele ri e acarinha as minhas costas com a mão enquanto se afasta lentamente. Assinto e caminho em direção à porta em silêncio e finalmente suspiro quando chego lá chego e esta finalmente abre-se.... ouço-o gargalhar ao ver a minha expressão aliviada e entro.
O interior está muito mais caloroso do que lá fora. As nossas roupas molhavam todo o chão e tenho noção que vou ter de o lavar mais tarde para que não fique com uma poça de água enorme à entrada. Riu quando percebo que ambos estamos encharcados e ele logo ri tal como eu, mas tenho noção que é de algo diferente.
Liam: Tens uma coisa na cara. – ele ri e aponta em direção a mim que tento perceber ao que ele se referia.
Eu: Porque é que é simplesmente não paras de te rir e me tiras isto? – falo séria mesmo que o meu interior esteja a rir frequentemente. Ele caminhava até mim e estou a sério quando afirmo sinto o sangue percorrer as minhas veias... não sei se é possível? Mas neste momento, acho que tudo parece possível. Ele ria e levava a sua mão até a minha cara, até que sinto de facto tirar de lá alguma coisa.
Liam: Toma, podes ficar com isto. – ele ri e atira para o chão com uma coisa que se parecia com uma folha?
Eu: Ew que idiota. – reclamo quando vejo que ele não estava com ideias de limpar o que acabou de sujar... – Limpa. – ordeno e cruzo os braços debaixo do peito quando ele começa a gargalhar, alto. Ainda assim, muito rouco.
Liam: Porquê eu? A casa é tua!
Eu: Tu é que sujaste seu porco! – digo. Ele não parava de rir e quase julgo que não é o mesmo Liam de há uns minutos, é impossível ser-se tão bipolar certo? – Idiota. – riu.
Liam: Tu acabaste de me chamar idiota? – ele pergunta e vejo-o esfregar com um punho um no outro enquanto no seu rosto se via um sorriso como quem estava a planear alguma? 


Continua...

xxPatrícia


domingo, 11 de maio de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 3 - I see fire







 

Mel P.O.V. 


Por volta das cinco da manhã já estava acordada, mantive-me quieta no sofá sentindo os braços de Tyler à minha volta cercando a minha cintura e prendendo-a com força contra si, parecia que tinha medo de algo, que estava a sonhar. As suas palmas da mão estavam suadas e a sua respiração quente transmitia leves ondas de calor ao meu corpo.
O tempo ia passando, o barulho do carro, o quão aquelas luzes me sufocaram... tudo isso envolvia-me num mar de pensamentos que iam sendo arrastados para os seus braços envolvidos na minha cintura, para tudo o que ele me fazia sentir e eu não percebia! Na televisão apenas passava a notícia de que a escola de Bradford tinha sofrido um atentado, mais uma vez, por parte de um grupo desconhecido. Um ambiente totalmente oposto àquele que vivia em LA, lá nunca estivemos em perigo dentro da nossa própria escola, havia segurança, tinha liberdade para poder confiar nos meus próprios passos... mas aqui, aqui não! 


***
Eram sete da manhã, não me sentia nada preparada para começar um novo dia, começar um novo dia tentando esquecer que a minha irmã está morta. O Tyler disse-me que trataria de tudo, sinceramente senti um alívio com as suas palavras, acho que não me sentia preparada para estar no enterro da Caissy...
Vesti umas calças pretas justas e coloquei uma sweat agarrando o cabelo. Olhei-me no espelho...
Nós, o nosso jeito, os nossos problemas, a raiva, a dor, cada minimo pormenor nosso... o nosso mundo, nós, o nosso à parte e as nossas fraquezas superadas por algo inesperado, algo que te transforme, te dá força e apazigua a tua alma carregada. O inexplicável que te dá vida, as batalhas que resumem a tua vida e... as vitórias que a marcam. Somos feitos para ser fortes! Eu ia sê-lo!
Saí de casa, na escola os mesmos olhares desconfortáveis voltavam, suspirei e coloquei a mão sobre a maçaneta da porta da casa de banho, em menos de segundos senti o meu corpo ser atirado lá para dentro e as minhas costas baterem na parede causando-me leves ardências na coluna, mordi os lábios minimizando a dor, o meu corpo estava caido no chão devido á força com que me empurraram.
XXX: Estás bem?? - uma rapariga de cabelos loiros ondulados atirou o seu corpo para junto do meu. Elevei o rosto afastando o cabelo para trás da cara conseguindo agora vê-la perfeitamente. Os olhos dela eram um verde bastante escuro chegando a parecer castanho por vezes, tinha um piercing sobre a sobrancelha dando-lhe um ar obscuro com a maquiagem escura que utilizava nos olhos. Acenti sorrindo. - Caroline ... é o meu nome! - ela sorriu discretamente apoiando as mãos no chão. Mexi um pouco o corpo dolorido e soltei um pequeno gemido - Magoaste-te? Desculpa, estava a tentar fugir e ... - ela engoliu seco desviando o olhar do meu.
Eu: E ... - esperei uma resposta dela mas nada - Porque estavas a fugir?
Caroline: É uma história complicada ... és nova aqui certo?? - ela desviou o assunto, reparei na maneira como se sentiu desconfortável com a minha pergunta. O que lhe teria acontecido? Será que alguém a perseguia? E se ele corresse perigo? Não Mel, seja o que for não te vais meter em confusões!!
Eu: Sim. - a campainha tocou, ia ter filosofia, agarrei as minhas coisas do chão levantando-me - Uhmm tenho filosofia preciso mesmo de ir. Fica bem! - dirigi-me para a porta e olhei para ela que se ria.
Caroline: Estás em Bradford Mel! - franzi as sobrancelhas não percebendo o sentindo da sua afirmação. - Aqui não precisas de te preocupar em chegar a tempo às aulas! Nem mesmo os professores se preocupam em faze-lo. - Como assim?? Será que naquele lugar nem UMA única coisa poderia ser normal como em Los Angeles?! Suspirei encostando-me contra a porta e mantendo a minha mão apoiada na maçaneta, tombei a cabeça para trás e ... - O Zayn tinha mesmo razão em relação a ti! - ela esboçou um sorriso encostando-se contra a parede. Zayn? Dirigi o meu olhar para si confusa, senti a minha respiração cortar-se ao ouvir esse nome, mais uma vez ela riu-se da minha reação. Aquela sensação que me domava agora, poderia ter inumeras razões afinal eu estava a ouvir falar de um rapaz que nem conhecia mas ele parecia saber algo a meu respeito, ou ... aquele nome criava algo em meu corpo desconhecido, e a única coisa me que a minha cabeça pensava era no rapaz de ontem. Seria mesmo ele?
Eu: Quem é o Z... - ela interrompeu-me amarrando o seu casaco no braço e andando na minha direção apressada, a sua expressão estava completamente mudada, o medo parecia voltar a tomar conta de si.
Caroline: Tenho de ir - ela saiu.
Soltei mais um suspiro e comecei a caminhar lentamente pelo corredor arrastando os pés pelo chão. Cheguei á porta da aula, olhei o fundo do corredor por um impulso e vi uma sombra lá no fundo ... um leve arrepio precorreu o meu corpo, eu sabia quem ele era. Entrei na sala. 


***
Passada uma hora que parceu uma eternidade a aula finalmente terminou, mal saí ouvi gritos vindos do fundo do corredor e uma rapariga ser arrastada, ela parecia exatamente como a Caroline. Corri até lá o mais rápido que consegui mas mesmo antes de lá chegar um rapaz agarrou o meu braço puxando-me para si e apertando o meu corpo.
XXX: Afasta-te de pessoas como a Caroline, elas são o teu caminho para a morte! - os seus olhos penetravam os meus de uma maneira intensa, vi a raiva dele em cada traço de sangue que ia preenchendo o interior do seu olhar. - És uma princesinha não queiras ser usada, abre os olhos antes que seja tarde de mais!
Eu: Porque é que me estás a dizer isso? Nem me conheces! - rosnei.
XXX: Porque é que achas que não te conheço?? - engoli seco soltando o meu braço dele. - Um aviso ... toma em atenção a maneira como falas para as pessoas aqui Mel. Não sabes do que somos capazes! - revirei os olhos voltando-lhe as costas mas mais uma vez o meu corpo foi arrastado para trás. - Não percebes?? - disse nervoso soltando um riso abafado no final.
Eu: O que é que queres de mim? Diz-me de uma vez por todas caralho! - gritei batendo com as palmas da mão no seu peito empurrando-o ligeramente para trás.
XXX: Não vais entrar ali. Entendeste? - ele gritou de volta, durante o momento que falava senti o meu corpo ser brutalmente empurrado contra a parede, as suas mãos prenderam os meus pulsos agressivamente, mordi os lábios tentando abafar a dor. A sua respiração acelerada tocava cada canto dos meus lábios, agora reparava no quanto a sua figura me intimidava, ele era bastante mais alto que eu, o tom de pele claro contrastando completamente o escuro das suas pestanas, os olhos nitidamente azuis e hipnotizantes. Não sei porque estava a reparar em cada feição dele mas era nele que a minha atenção se estava a concentrar agora por mais que não quisesse ou fosse absurdo.
Eu: Não mandas em mim. Se eu quero, entro! - disse firme e tudo o que senti foram os meus pulsos a serem mais apertados, os músculos do seu peito estavam tensos pressionando o meu peito com mais força.
XXX: Aindan, o meu nome é A-I-N-D-A-N - ele pronunciou cada letra - Grava-o bem na tua mente porque vais ouvir falar muito dele daqui para a frente! - sussurrou próximo do meu ouvido, o meu corpo parecia ter caído em pedaços quando os meus pulsos se sentiram livres da sua força. Ele manteve-se estático a perfurar-me com o olhar. Acariciei os pulsos e voltei a olhá-lo uma última vez antes de empurrar a porta e entrar... a minha boca formou um perfeito "o" ao aperceber-me do que estava a acontecer ali dentro. Um rapaz alto e musculado, utilizava uma roupa toda preta à excepção do gorro cinza que cobria os cabelos escuros e lisos com uma madeixa azul á frente. A rapariga que agarrava era mesmo a Caroline ..."Porque estavas a fugir??" "É uma história complicada" ... seria dele?!
Caroline: Larga-me, filho.da.puta! - gritou desesperada enquanto as lágrimas molhavam o seu rosto. As suas pernas tinham alguns arranhões profundos, vi o medo dominar o corpo dela, ele agarrou o seu braço atirando-a contra parede, um gemido escapou dos seus lábios e deixou-se deslizar pela parede acabando caída no chão. Os seus longos cabelos loiros estendiam-se pelos azulejos e ela escondeu o rosto entre eles.
XX: Puta é a tua mãe vadia! Devias ter pensado bem antes de me tentar enganar, ou achavas o que? - ele gargalhou aproximando-se a passos lentos dela ainda estendida no chão - Que ia cair na vossa armadilha, ERA?? - dobrou os joelhos apoiando os cotovelos nas pernas e permanecendo junto dela - O que aconteceu ontem na escola foi só o íncio, porque isto só termina quando eu acabar com cada um de vocês princesa! - o atentando à escola, tinha sido ele! O que é que eu ia fazer?? Não podia deixar a Caroline ali sozinha mas e se ficasse?? Não sabia do que ele era capaz... ela levantou o rosto lentamente, o seu lábio estava magoado e a sua maquiagem completamente borratada colando alguns fios de cabelo ao rosto, a punho dele cerrou-se...
Eu: Para! - gritei, o seu corpo rodou para trás e todo o meu corpo tremeu, o meu coração parecia explodir no peito ao sentir o seu olhar penetrar-me. Os meus batimentos aceleraram momentaneamente a uma velocidade alucinante, uma aflição, um medo crescia em mim e parecia cortar a minha respiração, sufocando-me. Ele levantou-se caminhando para mim - Deixa-a em paz - a minha voz tremeu ao senti-lo demasiado junto a mim. Sentia a minha boca ficar seca aos poucos.
XXX: E quem me obriga? Tu? - gargalhou e prendeu-me contra a porta apoiando um dos seus braços na parede ao meu lado.
Caroline: Sai daqui Mel - disse fraca tentando ganhar forças para se levantar.
XXX: Uhmm Mel! Sou o kail! - sussurrou ao meu ouvido e de repente senti os seus lábios serem pressionados no meu pescoço e ele chupou-o, os meus olhos cerraram rapidamente e senti-o sorrir contra a minha pele enquanto forçava o seu corpo no meu. As suas mãos escorregaram pelo meu pescoço e em pouco tempo senti-as nas minhas costas.
Eu: Solta-me. - falei baixo, não sei o que ele estava a causar-me mas era desconfortável, ele agarrou o meu queixo fazendo-me olha-lo bem nos olhos e ... afastou-se de mim. A porta atrás de mim foi aberta empurrando o meu corpo para a frente, Kail segurou-me e de repente o Tyler entrou com mais três rapazes e logo puxou o meu corpo para si abraçando-me e saindo comigo, do lado de fora conseguia ouvir os gritos do Kail, montes de pessoas paravam ali à porta junto a nós esperando para ver o que se estava a passar lá dentro mas ninguém se atrevia a entrar. O que é que lhe estavam a fazer?! As mesmas sensações de sempre voltavam a amedrontar-me, cada parte de mim tremia... - Tyler pede-lhes para pararem! - ele abraçou-me mais para si apoiando a minha cabeça no seu peito e acariciando os meus cabelos. Porque é que ele não fazia nada? Desamarrei-me de si ...
Tyler: Onde é que vais? - disse brusco segurando o meu pulso. - Deixa-os Mel, não entendes que estás cada vez mais desprotegida neste lugar, não quero que nada te aconteça, já me bastou perder a Caissy não te quero perder a ti!- gritou furioso.
Eu: Para de querer proteger todo mundo, não és de ferro ok?! Eu não preciso de um pai, preciso de um irmão ao meu lado! Deixa de pensar que tens de me manter segura, eu mesma tenho que aprender a fazê-lo!
Tyler: És a minha prioridade Mel, isso não vai mudar nunca. - a porta abriu-se desviando a minha atenção, o Kail saiu em primeiro correndo rápido e derrubando algumas pessoas que tentavam perceber o que aconteceu. Cada vez apareciam mais pessoas, toda a confusão estava a deixar-me um pouco zonza, afastei-me para trás da multidão que cercava a porta e encostei-me num dos postes abraçando as pernas entre os braços. Aos poucos acho que as pessoas iam-se afastando e eu perdia noção do tempo ... eu sentia-me a viver um sonho em que era impotente, não tinha qualquer apoio para me manter me pé e por isso brevemente iria desmorenar. Era tão estranho deixar tudo para trás, os nossos sonhos, passar a não nos sentir bem connosco mesmos porque agora nem sabemos o que é uma ponta de felicidade. Se emoções são droga, eu tinha agora um vício... medo de tudo! Deslizei as mãos sobre os meus cabelos e acabei por tocar a marca do seu beijo no meu pescoço... o meu olhar direcionado para o chão observou uns pés na minha frente, subi lentamente o olhar...
Zayn: Estás bem??- ele estendeu uma das suas mãos para mim ajudando-me a levantar. Acenti. - Uhmm ainda bem... Agora diz-me verdade!
Eu: Porque é que nunca acreditas no que digo? - perguntei.
Zayn: Porque vejo-o nos teus olhos!
Eu: Então o que é que vês nos meus olhos agora?? - fiquei com receio da sua resposta. Ele analisou-os por momentos... apenas permaneci quieta, não sei o que ele via mas o que eu sentia era uma chama queimando-me por dentro, uma desolação rodeada de fogo e profurando a minha alma quando estou próxima dele.
Zayn: Eu vejo fogo! 


Continua...

xxAndy

sábado, 10 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 30 - Your problems


Tinham-se passado vários minutos, acho que até mesmo horas... eram agora 2h da manhã e ouve-se o som de um telemóvel vibrar em cima da mesa. Era ria com algumas piadas que ele mesmo fazia e provocava-me sorrisos e gargalhadas, mas no fundo ainda sentia algo diferente? Talvez... medo, do desconhecido?
Dan: Desculpa... vou ter de sair. – sorri largamente. Assinto com a cabeça e ele levanta-se e segue até o balcão para pagar. Tento pagar a minha parte mas ele insiste em fazê-lo por mim, já que, segundo ele, foi ele quem ofereceu.
O tempo cá fora é mais frio e desejo ter escolhido algo mais quente. Quando começo a caminhar a força nas minhas pernas parece maior do que anteriormente, ou talvez seja apenas da minha cabeça. Pelo caminho penso se ele ainda estaria na minha cama? Talvez quando chegar ele esteja lá, talvez a dormir, ou então com o olhar fixo no nada... apenas a pensar, como uma pessoa normal. Ou então, talvez esteja vazio, sem ninguém a aquecer o local, muito menos a desarrumá-lo. E neste momento, é com isso que conto, sei que ele não ia ficar à minha espera durante tanto tempo enquanto eu ando cá por fora. É mais do que normal. E já estou habituada de qualquer das formas...
Entro e bato a porta atrás de mim. A temperatura está quente e agradável, mas o conforto da cama parecia uma ideia mais agradável na minha cabeça. E se eu não quisesse a cama, mas a companhia de quem lá estava? Era esse o meu problema agora não era?
Subo enquanto vou tirando os ténis e abro a porta do quarto. Encontro-o vazio. Sem ninguém. Eu já esperava por isso, mas o meu coração parte-se a meio quando sei que ganhei esperanças quando não devia. Nunca devia ter ganho. Muito menos por ele.
A respiração altera-se e encrava-se na minha garganta quando olho pela janela do quarto. Um outro corpo movimentava-se lá dentro, de forma rápida e irregular e para por uns segundos. O telemóvel vibra no meu bolso e assim que tento perceber o número marcado no ecrã é desconhecido. Decido atender, só sei que tenho um mau pressentimento em relação a isto.
“Hey?”
“Bell querida? És tu?” – a minha mente trava quando ouço o meu nome mas não consigo perceber quem fala do outro lado.
“Sim, sou eu. Quem é que fala?” – atiro.
“É a Karen! A mãe do Liam.” – consigo ouvir a sua respiração rápida e trémula deste lado.
“Passa-se alguma coisa?”
“É o Liam! Eu sei que tu ele não têm nada, mas não sei quem mais chamar! Este é o único número de amigos dele que tenho.” – o sangue corre depressa nas minhas veias...
“Mas o que é que se passa?” – pergunto rápido e um tanto rude, o ocultar de informações deixa-me ainda mais nervosa e não sei o que fazer em relação a isso. E se tivesse acontecido alguma coisa? E se a culpa foi minha?
“Por favor querida vem para cá que eu explico-te tudo! Mas despacha-te por favor!” – ela suplica e sei que algo de grave aconteceu. O meu coração não parece ajudar quando o sinto bater muito forte no meu peito que parece rebentar com a sensação.
Desligo a chamada e rapidamente calço de volta os ténis enquanto corro até a casa deles. Assim que bato à porta sou recebida por uma senhora simpática e já me conhecida, a dona Karen. Ela abraça-me rapidamente e puxa-me para dentro com força.
Vejo uma lágrima escorrer do seu olho e ouço algo partir.
Eu: O que é que se passa? – pergunto.
Karen: É, é o Liam. Não sei o que se passa com ele. Ele chegou aqui a casa e comecei a ouvir coisas partir no quarto dele, quando entrei tinha tudo partido e ele tinha os olhos vermelhos. Eu nunca o vi assim. Não sei o que fazer e estou aqui sozinha com ele! – ela pausa. – Por favor, ajuda-me. – o seu tom é perturbante e preocupa-me saber que ela estava aqui sozinha com ele. Sei que não era capaz de a magooar, mas neste estado, já não tenho a certeza de nada.
Eu: Calma Karen. – seguro nas suas mãos e tento transmitir calma, que eu não sentia em nenhuma parte do corpo. Ela inspira e solta o ar pesadamente enquanto fecha os olhos encharcados de lágrimas. – Karen. Olhe para mim. – peço num murmuro. – Eu não sei o que fazer. Não quero fazê-la sentir-se mal, mas eu não conheço o Liam assim tão bem para o fazer parar! – ouço a sua respiração partir e o choro aumentar aos poucos, um choro silencioso no entanto.
Karen: Por favor. Apenas tenta. – pede.
Queria explicar-lhe as inúmeras razões pelas quais a situação pode piorar, mas não consigo. Não tenho esse direito e ela parece confiar em mim. Assinto com a cabeça e lentamente caminho pelos corredores até o local do barulho.
Quando chego à porta sinto-me tremer e algum medo me invadir, medo e receio no fundo. Sei que quando me vir só vai piorar a situação, porque mesmo que a culpa não seja minha, a minha presença não pode ajudar de alguma forma. Não bato à porta porque sei que não a vai abrir e apenas entro.
A minha boca abre-se e forma-se um nó apertado na minha garganta. Todo o quarto parecia diferente da última vez que o vi... o computador portátil estava partido e desmontado no chão assim como a sua secretária... Havia vidros por todo o chão e no fundo da cama, estava ele. Sentado e apoiado nas suas mãos enquanto os cotovelos se apoiavam nas suas pernas dobradas. Está de costas voltadas e tenho medo de dizer alguma coisa.
Lentamente caminho até ele e sento-me mesmo atrás do seu corpo, de pernas dobradas e aguento a respiração.
Eu: Liam. – chamo baixo. O seu corpo move-se e reparo que leva as mãos à ponta da camisola e levanta-a até chegar ao seu rosto e o limpar com esta. Penso em tocá-lo, mas de certo modo sei que isso não é seguro neste momento. Ele continua a olhar para o chão e ganho coragem para falar, mas não sei o que dizer. Não quero perguntar-lhe porque o fez, porque sei que não vai ajudar, mas se não o fizer nunca saberei a verdade não é? – Liam porra olha para mim!
Liam: Cala-te! – berra enquanto se levanta e caminha até o lado contrário do quarto. Suspiro para evitar dizer disparates, mas tenho a sensação que é mais do que impossível... ele merece-os, e vai ouvi-los.
Eu: Cala-te tu e ouve-me! – berro ainda mais alto até que sinto a minha respiração aumentar. – Será que não percebes que a tua mãe está preocupada contigo e tu estás para aqui a agir que nem uma criança a partir coisas? – atiro e falo suficientemente alto para que a Karen me ouça lá em baixo. – Não percebes isso?
Liam: Tu não me chamas criança. – cospe e olha para mim por uns segundos, suficientes para perceber que eu sou o problema agora. E é por isso que ele está assim. Os seus olhos apresentavam um contorno vermelho, parecia fora de si, com um tom escuro e não o castanho que eu conhecia.
Eu: Chamo sim! Porque não encaras os teus problemas como um adulto!! Porra, tens 18 anos! Acorda para a vida! – grito e levanto-me no mesmo momento. Não consigo manter a raiva na minha garganta e expludo.
Liam: E tu és adulta? Adulta o suficiente para cuidar da tua vida e não da dos outros? Deixa-me em paz. – berra e atira com o candeeiro para o chão, fazendo-o quebrar-se a meus pés. Solto um grito de dor quando sinto alguma coisa bater com força numa das minhas pernas... olho para baixo e apresso-me a retirar o enorme pedaço de vidro que ficara espetado na perna, tinha sangue... vertia muito sangue, e ele não queria nem saber... não percebo o que dói mais, é demasiado difícil escolher.
Eu: Talvez devesse mesmo cuidar da minha vida não é? Que estranho ouvir isso de ti, que passas todo o momento a cuidar da tua não é? – cuspo enquanto se formam gotas nos meus olhos quando começo a sentir a dor aumentar e focar-se em apenas uma zona central... Baixo-me e aperto lá, mas não resulta e o sangue apenas escorregue pela minha perna a baixo...
Liam: Se realmente soubesses cuidar da tua não precisarias que alguém tomasse conta dela. Afinal, se és assim tão adulta como dizes – ele rosna – porque é que ainda precisas de te injetar para amenizar as tuas crises? Não sabes cuidar delas de outra forma? E porque é que sempre que te encontro estás em problemas? Sou eu que tos provoco é?
O sangue nas minhas veias acelera e a única coisa em que penso é em espetar-lhe com um vidro na cabeça, e que doesse tanto!! Dou um passo em frente corajosa, mas no fundo inojada, porque alguma vez pensei que pudesse ajudar alguém, que no fundo, não quer nem merece ser ajudado.
Eu: Sabes que mais? Eu tenho pena, pena de ti! – digo, pois sei que é o pior sentimento que alguma vez posso ter por alguém. Não ódio, mas sim pena. Porque esse para mim, é tratar a pessoa como psicopata... como doente, que não consegue cuidar-se. Não que eu ache isso dele, mas espero que o atinja tão forte como me atingiu a mim. Baixo a voz por momentos.  – E principalmente da tua mãe, não a mereces. – cuspo. O meu coração já dói demasiado, e não espero ouvir o que quer que seja da sua boca por hoje. Olho para trás e encontro-o paralisado enquanto me olhava, e o pior de tudo? Não parecia minimamente preocupado, nem comigo, nem com a sua mãe, muito menos com o que dizia.
Corro até a porta e encontro a Karen no fundo das escadas com uma expressão preocupada enquanto a sua boca se abria num perfeito “o”. A única coisa que consigo fazer é ignorar e saio a porta, sabia que não ia dar certo...


Continua...

xxPatrícia


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 29 - Why?


Pelo caminho ia tropeçando mas seguro-me ao corrimão das escadas que descia. Talvez eu apenas precise de me focar em alguma coisa, alguém, que não seja ele.
Sigo até cozinha e encontro o pano de anteriormente na mesa onde o tinha deixado e lembro-me dos planos que tinha feito para esta noite... limpar. Só preciso de me distrair, e sei que com isso vou deixar de lembrar-me que ele cá está, nem que seja por apenas alguns minutos. Pego nele novamente e acabo de limpar a mesa com algumas migalhas de comida, neste caso de umas sandes que ele tinha preparado.
As bancadas tinham algum pó, pó esse que eu nunca tinha limpo desde que cá tinha chegado... Que foi à pouco mais de uma semana. O tempo parece passar demasiado devagar, os segundos parecem minutos, os minutos parecem horas e as horas parecem dias... não consigo entender, este sítio apenas não parece destinado para mim. Nada aqui parece.
Penso em aspirar o chão, mas não tenho aspirador. Penso em lavar o chão, mas só se for com uma toalha, porque não tenho uma esfregona. Amanhã tenho de ir às compras, não posso continuar assim durante muito tempo.
Abro  porta e o vento bate na minha cara de forma suficientemente agradável para me fazer querer ir lá para fora. Talvez não seja assim tão má ideia? Quando olho para o relógio é 1h da manhã e o sono parece ter se esvaído. Está um pouco frio por isso decido ir até o quarto pegar num casaco. Sei que ele ainda lá está, mas não preciso falar para ele! Talvez até precise, chutá-lo de aqui para fora, mandá-lo pro caralho porque é o que ele merece agora, mas sempre que volto a pensar nisso... ele já fez mais por mim do que qualquer outra pessoa! Idiota ou não, não o posso tratar assim tão mal. Até porque ele não merece tanto... quer de mim, quer da minha cabeça, simplesmente não merece.
Subo as escadas e a porta do quarto está entreaberta. Passo pela cama até o armário e encontro-o com os seus braços cruzados sob a cabeça e as pernas entrelançadas uma na outra. Ele olhava o teto de forma pensativa com leves traços na sua testa. Rosto carregado mas tão suave, o seu cabelo estava todo despenteado sobre a minha travesseira...
Abano a cabeça negativamente quando o sangue acelera nas minhas veias e abro a armário afim de pegar num casaco, optei por  uma sweat mais quente do que a que vestia e troquei-me na casa de banho.
Quando saí ele ainda lá estava. Talvez devesse dizer alguma coisa? Talvez não?
Saí com estes pensamentos e quando chego lá fora o vento era suave e não tão frio quanto esperava. Caminhava nas ruas pouco iluminadas, a estrada estava deserta e não se via uma única pessoa caminhar por estes lados. Os prédios eram altos e assustadores, viam-se becos por todos os lados, ouvia barulhos que pensava ser de animais mas era mais do que isso. Voltei-me para trás e não vejo ninguém...
Passada meia hora ainda tinha a sensação de vigia, o olhar sobre mim que me arrepiava, e o pior de tudo... eu não via nada. Dobro a esquina e  apresso o passo até me doerem as pernas. Já não ouvia ninguém, e muito menos via. Em frente tinha um café, algo que eu penso ser um bar, mas que se parecia com uma discoteca? Sigo até lá, em passos pesados, vejo um rapaz. Alto e moreno com roupas escuras, o capucho sobre o cap que usava e fumava alguma coisa. Aproximei-me, os meus olhos doíam com a luz que neles embatia mas estes pareciam arder ainda mais quando vi o que ele fumava. Erva.
Os batimentos do meu coração tinham aumentado tanto, mas tanto. O meu peito parecia doer e a minha cabeça latejava. Foda-se, eu precisava tanto daquilo.
Apresso o passo e parece que estou a correr, a respiração pesada atrapalhava-me e então eu sabia... tudo ia começar de novo.
Eu: Hey. Onde é que arranjaste isso? – atrapalho-me e sinto a boca seca. Aponto para o que ele tem entre os dedos e vejo-o sorrir largamente.
Ele: Qual é o teu nome boneca? – sorri e levanta-me o queixo até ver o seu olhar posto no meu. Os seus olhos brilhavam com a luz que o bar refletia, eram verdes acastanhados.
Eu: S/n. Trata-me por Bell. – afirmei.
Ele: Nunca te vi por aqui. – murmura e inala todo o fumo à sua volta. Talvez eu esteja doente, mas não sei se o quero mais a ele ou à erva. Ele coloca todo o seu peso numa perna enquanto encosta a outra na parede atrás de si. Engulo em seco quando reparo que só nós estavamos cá fora. – Bell. – ele sorri. – Gosto do nome. – afirma e e olha-me por breves momentos.
Eu: Hm. – ele pega no cigarro que fumava e afasta-o da sua boca enquanto o dirige à minha. Instantaneamente seguro nele e levo à boca e sou invadida por milhares de sensações conhecidas. Ele sorria e eu limitava-me a fumar enquanto deitava para fora alguma da fumaça. Era estranho agora, eu não gosto mesmo de fumar, prefiro inspirar alguma droga... mas de certo agora não a tenho, e contento-me com isto.
Ele: Gostas? – acenei com a cabeça. – O meu nome é Dan. – estende a sua mão. – Prazer. – sorri e aperta a minha mão num cumprimento. – Muito prazer! – ele lança um pisquete de olhos.
Eu: Isso foi para mim?
Dan: Estás a ver aqui mais alguém?
Eu: Não.
Dan: Então foi para ti.
Fumar aquele cigarro não parecia interessante e nem estava a fazer qualquer tipo de efeito, a única coisa que sentia era o seu olhar sob o meu corpo. Apaguei-o e deitei para o chão, já cheio de cinzas e pontas de cigarros inacabados.
Eu: Queres uma foto? Dura mais. – riu quando o vejo abanar com a cabeça pensativo.
Dan: Hm, ela é bruta! – gargalhou e caminha até mais perto de mim. O pensamento do que poderia acontecer não me saía da cabeça, e se ele fosse como o Gale? E se ele apenas quisesse o meu corpo? A ideia de que o Liam nem sabe onde estou para me proteger invade-me e percebo que estou dependente dele. – Estás bem? Precisas de alguma coisa? – preocupação percorre pelos seus olhos e tento pensar que ele está apenas preocupado comigo, mas isso não resulta quando sei que apenas o conheci à menos de 15 minutos.
Eu: Eu nunca estou bem.
Dan: Que interessante ouvir isso de ti. – murmura e solta um risinho abafado.
Eu: Como assim interessante? – pergunto.
Dan: Apenas me pareces normal... linda e demasiado sexy... mas normal. – engasgo-me com a minha prórpia respoiração quando o ouço dizer aquelas palavras...
Eu: “Linda e demasiado sexy”? Eu acho que a erva te afetou a cabeça, só pode... – riu. Ele lambe os lábios mas não parece intimidante, embora um arrepio insista em percorrer todo o meu corpo ele apenas sorria levemente e contente. Ele parece atrapalhar-se quando os nossos olhares se voltam a encontrar, mas finjo não perceber.
Dan: Queres uma bebida? Eu pago.
Penso em recusar, mas soa demasiado apelativo e estou demasiado arrepiada com o tempo cá fora. Aceno com a cabeça que sim e ele lança um pequeno sorriso e abre a porta enquanto me ordena a entrar. 


***
O tempo passava e cada vez mais percebia que ele era tal e qual como eu. Não de aparência claro. Percebi que ele se tinha refugiado nas drogas e já tinha parado várias vezes ao hospital, e pelo meio destas suas revoltas surgiu a cadeia. Ele tinha 19 anos pelo que percebi...
E quando penso no assunto, ouvir que ele passou por isto tudo, fez tudo isto... soa tão estranho e errado. E saber que faço o mesmo que ele, só torna tudo mais complicado, porque embora eu saiba que devo parar, já não consigo.
E, pelo contrário do Liam, ele parece estar a incentivar-me a continuar com isto, a destruir a minha vida, porque é isso que estou a fazer.
Então, mais uma vez eu penso, porque é que ele surgiu na minha vida mesmo? Para encontrar outro caminho? Se foi para isso, porque é que eu faço sempre o contrário? E porque é que se é isso, eu continuo a odiá-lo, mas a querê-lo tanto? Será isto normal? Talvez... mas não para mim.
Talvez o facto de ele ser tão intrometido me faça odiá-lo! Talvez o facto de ele ser tão carinhoso, ser tão diferente dos outros me faça odiá-lo. Talvez o facto de eu nunca ter sentido isto... me faça odiá-lo. São tantas razões e tantas hipóteses, mas posso responder a isso de forma concreta? Não. Se tenho uma pergunta que englobe tudo isto? Tenho... “Porquê?”


Continua...

xxPatrícia