sábado, 28 de junho de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 8 - Tonight



Mel P.O.V. 

*** 

A noite acabava de cair, ainda andava desorientada pelas ruas estreitas daquele bairro, o ar encontra-se demasiado frio provocando alguns choques no meu corpo, sinto-me mesmo um pouco abalada com a diferença de temperatura que agora se fazia sentir. Uma sensação desconfortante fazia-se sentir no meu estômago, não comia nada desde que saí de casa hoje. Já era noite fechada, as luzes que se refletiam para a estrada eram muito poucas aquela hora... encontrava-me sem destino, estava simplesmente guiada por um sentimento que nem eu mesma poderei explicar.
A lua é tudo o que consigo ver no céu e de vez enquanto uma ou outra estrela vai surgindo. Puxo os punhos do meu casaco para a frente apertando-os nas mãos e coloco o capucho para manter-me mais quente, sinto o rosto ainda húmido das lágrimas e depressa o dia de hoje volta à minha mente, relembrando-a de tudo. Olho para o fundo e recordo-me daquele lugar, os altos candeeiros iluminando um terreno vedado por redes e muros, desta vez os barulhos eram escassos. Logo ouço gargalhadas altas, volto-me para trás e vejo um grupo de rapazes saírem de uma casa, reconheço um dos corpos sem qualquer dúvida, Tyler. Não sei o que estiveram a fazer mas literalmente pareciam estar bastante alegres. O meu coração bate lentamente por momentos, queria correr até ele e perguntar onde está toda a preocupação dele nestas alturas! Nem uma mensagem, uma chamada, nada... e depois acha que tem maturidade para cuidar de mim?
Um dos rapazes começa a correr na direção de uma rapariga do grupo, sentia os passos pesados de todos eles aproximarem-se cada vez mais de mim, mais gritos seguidos de gargalhadas... praticamente nenhum deles estava no seu perfeito juízo. Mordi o lábios sentindo-os mais perto e simplesmente voltei o meu corpo para o lado ficando de costas para eles, peguei depressa no telemóvel fingindo estar a ver alguma coisa. Eles ficavam cada vez mais longe, as lágrimas apoderaram-se novamente de mim. O meu irmão... ele nem sequer quer saber, então quem iria querer?! Encosto-me sobre um dos muros que cercava o campo de treino, abracei as minhas pernas contra o peito e abafei o rosto entre os braços.


Zayn P.O.V. 

Agarro o meu saco colocando a sua alça sobre o meu ombro, saiu do campo e a primeira coisa que visualizo é uma rapariga a poucos centímetros de distância de mim, a sua cabeça estava baixa e as pernas encolhidas contra o seu peito. Apercebo-me dos cabelos longos que saiam pelo seu capucho, as roupas que vestia, era impossível não reconhecê-la. Caminho lentamente para junto de si e baixo-me apoiando os meus cotovelos nos joelhos fletidos, ela não nota a minha presença. Deslizo os meus dedos por uma das suas mechas de cabelos afastando-a um pouco e permitindo-me observar agora o seu rosto calmo. O meu polegar acaricia a sua pele suave e gelada, olho em volta observando se alguém estava ali ou nos olhava. Nada. Ela estava ali completamente insegura sem ninguem a olhar por ela. Coloco a minha mão atrás da sua cabeça e outra nas sua pernas puxando-a para mim e colocando o meu corpo por baixo do seu, as suas pernas pousam delicadamente sobre as minhas e ela rapidamente se aconchega ao meu corpo, os seus cabelos estendem-se sobre o meu abdomen, envolvo os meus braços em sua volta apertando-a contra o meu peito procurando mantê-la quente. Eu sei que ela me odeia neste momento, mas... por alguma razão eu não a odeio e não quero deixá-la!
Sinto as temperaturas do meu corpo baixarem cada vez mais, tudo o que cobria o meu corpo era um t-shirt branca, uns calções azuis escuros e as vans escuras que pouco aqueciam os meus pés frios, uma forte dormência instalava-se sobre as minhas pernas e braços, sentia-me cansado... Passava-se uma hora, as ruas estavam totalmente escuras e vazias, tremores violentos e incontroláveis percorriam os meus membros, a minha pulsação estava mais fraca e a minha respiração mais lenta do que o normal, sentia-me estremecer a cada segundo contudo tentava manter-me tenso para que ela não acorda-se, os meus lábios não conseguiam manter-se fechados, o ar que escapava deles formava leves "nuvens" brancas que quebravam no meu rosto. Bati de olhos com um papel preso entre os seus dedos finos, a minha mão trémula direcionou-se para ele, talvez não o devesse abrir mas fi-lo.
"Mundo? Posso ter pelo menos um pouco da tua atenção agora? Perdoa-me se sou demasiado jovem para te entender, mas por enquanto todos os enigmas que lançaste na minha vida são incompreensíveis ao meu olhar, à minha alma ... Sabes, há alguém de quem sinto realmente falta, eu achava que ele poderia ser a melhor metade de mim, mas simplesmente me apercebi hoje de que estou no lugar errado tentando fazer o certo quando isso é impossível! O Tyler, bem ele era tudo o que me restava e o meu "tudo" se transformou agora num "nada"... e apenas resta ele, ele de quem eu tenho medo de todas as suas ações, de quem eu receio cada passo! Há uma guerra, eu já me apercebi disso mesmo que todos me tentem escondê-lo, mesmo assim eu vejo luz... eu e ele... a luta por ele é tudo o que eu já conheci! Tudo o que podemos ser, é isso que deveremos ser, e por isso eu preciso dele aqui! O que os meus lábios dizem não passam de meras palavras de mágoa, porque eu não consigo deixar de querer tê-lo por perto mesmo estando magoada! Encontra-me e salva-me hoje à noite... "
O papel voou das minhas mãos sem que pudesse ler as últimas palavras. Limitei-me a mover a cabeça com dificuldade e a minha boca beijou a topo do seu rosto. Fechei os olhos, mal sentia o meu corpo, era como se ele não me pertence-se mais e fosse apenas um cubo de gelo.


Mel P.O.V. 

Começava a abrir os olhos aos poucos enquanto sentia os raios de luz penetrarem em mim, olhei em redor e haviam já algumas pessoas a circular, pela intensidade do sol deveriam ser umas sete e meia da manhã. O meu corpo estava quente o que era estranho porque a note me Bradford é gelada... ontem, senti alguém ao meu lado mas, mas agora não havia ninguém ali por isso provavelmente seria impressão minha. Recordo-me do papel que escrevi e ele não estava mais comigo, deveria ter voado à noite quando adormeci. O dia de ontem volta à minha mente... O que me assusta realmente é o que o Zayn é capaz de fazer! Levanto-me e logo choco contra alguém mas sinto as sua mãos fortes ampararem o meu corpo, olho para o seu rosto...
Eu: Ohh desculpa! - falo atrapalhada. Alguns ferimentos ligeiros ainda se arrastavam pelo seu rosto pálido, uma sensação estranha penetrava o meu coração diminuindo as suas batidas mas acelerando-nas repentinamente de vez em quando.
 Kail: Calma, calma babe! Estou bem - a sua voz calma acalma-me.
Eu: Kail, responde-me a verdade. Foi o Zayn não foi? - vejo os seus lábios se moverem com receio, luta para que a resposta seja um não apesar de saber que sim, foi o Zayn.
Kail: Sim - as lágrimas regressam e voltam a percorrer a minha face, sentia-me a desmoronar, uma mágoa apoderava-se de mim mesmo eu tentando não me importar e ignorá-la. O meu corpo é instalado entre os seus braços - Mel talvez a culpa não fosse só dele ... v-vai ficar tudo bem ok?! Esquece isto! - as suas palavras reconfortam-me, afasto-me de si voltando a olhar o seu rosto, um pequeno sorriso é esboçado nos seus lábios carnudos, a sua mecha azul de cabelo parecia tornar-se um tom mais claro à medida que o sol incidia nela.
Aidan: Avisa o teu namorado que tenha mais cuidado estes últimos tempos! - uma voz rouca sooa mesmo junto ao meu ouvido, sinto até o seu bafo quente bater na minha pele, volto-me ficando de frente para ele.
Eu: Isso é uma ameaça?? - pergunto firme avançando para ele.
Aidan: Entende-o como quiseres!
Kail: Chega Aidan! - ele coloca-se do meu lado, o seu braço contra contra o meu e sinto alguns choques eletrizarem-me. Aidan esboça um sorriso sarcástico.
Aidan: Conseguiste escolher o maior filho da puta da zona princesa! - quem é que ele julga que é para falar daquela maneira??
Eu: Cala-te - gritei empurrando o seu peito.
Aidan: E tu julgas o quê?! - os meus pulsos são violentamente arrastados contra ele - Que sou o idiota do teu namoradinho para me falares assim?! - a sua voz é fria e raivosa.
Eu: E tu achas-te quem para falar assim dele porra?? Talvez o maior filho da puta aqui sejas... - o meu braço é puxado para trás e não acabo a frase, vejo a maneira como Aidan me olha com ódio, a mão de Kail encontra-se sobre o seu peito pressionando-o para que ele não avance na minha direção.
Kail: Chega, calem-se os dois! - ele grita colocando-se no nosso meio e voltando-se seguidamente para mim - E tu, vai embora! - os seus olhos não me encaram, limitei-me a rodar o corpo e ir embora.
Davam agora oito horas, as minhas aulas hoje só começariam às onze por isso tinha tempo de ir a casa. As temperaturas eram agora mais quentes a esta hora da manhã, fiz o caminho calmamente, afinal, tinha tempo. Sinto mesmo falta... e acho seriamente que essa força se começa a apoderar de mim, hoje à noite tenho quase a certeza que o senti ali comigo e... na verdade é só falta dele! Nunca lhe disse o que deveria ter dito. Escondi isso de mim mesma. Agora, eu nem acredito que ainda o quero, que sinto saudades, que me sinto desamparada sem ele, mesmo depois de tudo! Ele torna difícil eu conseguir ver onde pertenço, porque até pode ser o lugar errado para mim mas só o facto de ele pertencer a esse lugar já torna qualquer outro sítio errado. Quando não estou à volta dele ... é como se estivesse sozinha. Visualizo o visor do telemóvel, cinco chamadas não atendidas do Tyler. Suspiro e continuo o caminho enquanto digito uma mensagem para o Tyler.
"Está tudo bem comigo não te preocupes. XxMel" 

*** 

Respirei fundo antes de entrar para o descampado onde treinava a equipa de rugby. "Mel talvez a culpa não fosse só dele"... Sabia que ele ia lá estar certamente, eu só queria ouvi-lo contar o que aconteceu com o Kail, queria que me mostrasse que não é nenhum monstro! Entrei, haviam bastantes rapazes da escola espalhados pelo local inclusive o Tyler que treinava no fundo do campo. Senti uma mão pousar sobre as minhas costas e um leve beijo ser depositado sobre a minha bochecha.
Louis: Oi beleza! - ele sorri e continua a correr para o meio dos outros, levanto a mão acenando e esboço um sorriso também. Observo um dos rapazes que se encontra numa das pontas do terreno, aproximei-me dele. Ele chutava as bolas com uma intensidade incrível enquanto o seu olhar permanecia sempre na trajetória que a bola que chutava fazia. Podia perceber o quão forte ele era, a sua pele suada brilhava quando os raios de sol incidiam nela, vejo os seus calcanhares rodarem para trás e o seu olhar focar-se em mim tornando as minhas palpitações mais rápidas.
Zayn: O que é que estás aqui a fazer? - perguntou indiferente...


Continua...
xxAndy

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 36 - "Good morning"



Acordo. A minha cabeça dói demasiado e é como se pedras me empurrassem para baixo, como se estivesse demasiado pesada.
Eu: Liam? – chamo. O meu peito bate depressa e reparo que estou sozinha no quarto. Novamente, como todas as porras de manhas. Lentamente tento me levantar, levo a mão às feridas e tenho algo como um penso lá. A porta abre-se e solto um guincho quando bato com a cabeça na cama.
Liam: Cuidado Bell. – ele levemente sorri. Os seus passos aproximam-se e realmente não sei o que pensar em relação a isto tudo. A nós, a ele... porra, a ele. O que caralho eu sinto por ele? E porque é que tenho a sensação que, depois de tudo, a raiva que senti ontem é inválida? É isto que odeio, foda-se, odeio tanto! Mesmo depois de tudo, e eu quero dizer tudo, não consigo odiá-lo ou sequer deixar de pensar nele. Mesmo depois de ontem basicamente ter desaparecido sem deixar rasto, mesmo depois de sentir como se ele me perseguisse, não consigo, apenas é como se ele fosse o ar que respiro... e isso, isso simplesmente dá cabo de mim.
Ontem, porra, ele salvou-me, outra vez. Como em todas as outras vezes: quando quase ia sendo atropelada, quando o nojento do Gale me perseguia na festa, quando ele me... hmm, porra quando ele me tocou, aquele verme simplesmente brincou comigo e com o meu corpo como se fosse um saco de plástico!
Ele simplesmente é o meu salvador, e eu quero dizer que sem ele, provavelmente nada mais faria sentido. E pior, na verdade ele também é o meu maior erro. Porque tê-lo comigo, é simplesmente um erro. No fundo, eu nem sequer o mereço, e eu sei disso. Ele merece alguém melhor, talvez uma rapariga qualquer toda certinha que goste de estudar e que esteja à espera dele quando chegar a casa. Não alguém que só lhe arranje problemas, não alguém que só lhe dá dores de cabeça, não alguém como eu. Não.
Eu: Foste tu? Quer dizer, foste tu que me colocaste o penso? – pergunto, os meus olhos fecham-se em dor quando volto a colocar lá a mão e ele senta-se ao meu lado.
Liam: Sim fui eu. Não isso não é um penso Bell. – ele murmura e sinto um beijo plantado na minha testa, fecho os olhos por momentos. A sua voz é grossa e ele está apenas em boxers. Imediatamente desvio o olhar mas é tarde de mais quando sinto os seus olhos nos meus e um sorriso curvar nos seus lábios, forma-se cor que vai diretamente até as minhas bochechas e baixo o olhar envergonhada.
Em menos de segundos sou surpresa por lábios chocarem nos meus. Os meus olhos estão fechados, a sua língua desliza para a minha boca e continua com o mesmo sabor inexplicável que passei a adorar. A sua mão cobre a minha bochecha enquanto a outra segura na minha cintura e gentilmente aperta. O bater do meu coração torna-se irregular, tão irregular...
Liam: Bom dia. - ele murmura sorrindo e gemo com a perda de contacto. Empurro os meus lábios contra os seus de novo e ele ri. Controlo a vontade de lhe espetar um estalo por estar a rir-se de mim, mas o que mais posso fazer se não rir também? Estou basicamente a beijá-lo como se o quisesse tanto como respirar. Obrigo-me a parar e separo os seus lábios dos meus, permanecendo com a testa colada na sua.
Eu: Bom dia. - sorriu e ele volta a rir, como se algo passasse na sua mente.
Liam: Vejo que acordaste de bom humor.
Eu: Não - suspiro - simplesmente acordei e tu beijaste-me, nada mais.
Liam: O quê? Tu basicamente estavas a olhar para mim como se fosse um deus! - ele ri e levanta-se, erguendo os braços no ar.
Eu: Ah não, bem, também não tens o direito de andar apenas em boxers na minha casa. - atiro e faço a cara mais séria que consigo, a sua expressão era de surpresa.
Liam: Bem, então admites que olhaste? - ele volta a rir e realmente só quero bater-lhe, é como se estivesse a humilhar-me! O calor nas minhas bochechas volta e é mais do que desconfortável.
Eu: Não, não estava! - nego.
Liam: Estavas sim! - ele afirma e diz mais alto.
Eu: Liammm - suspiro e gemo em protesto. Ele ri e salta para o meu lado na cama, o meu corpo dá um pulo com o balanço que ele dá quando cai na cama e a minha cabeça parece rebentar. - Foda-se - murmuro e levo a mão à nuca. Procuro por vestígios da noite anterior mas são invisíveis, nãos vejo. Talvez ele tenha limpo.
Liam: Desculpa... - ele murmura um pouco preocupado e então sinto lábios encostados contra os meus rápida e suavemente. Não consigo evitar o riso que seguro mas de alguma forma isso provoca uma dor na minha cabeça maior do que nunca.
Depois de algum tempo e de tomar o pequeno almoço que ele insistiu em trazer-me à cama ele ainda continua em boxers e de repente, como um flash, lembro-me...
Eu: Porra, hoje é terça-feira! - guincho.
Liam: Eu sei.
Eu: E temos aulas Liam!
Não realmente que queira voltar ao mundo real e encará-lo como se nada tivesse acontecido, cada vez mais tem sido difícil esconder os problemas que se formam na minha cabeça e simplesmente não consigo evitá-lo, mas faltar às aulas não é uma boa solução se quero passar de ano.
Liam: Relaxa... - ele sussurra. Eu pensei que ele não gostasse de faltar às aulas? - Hoje é melhor ficares em casa, amanhã também, e esta semana vai ser um falhanço, por isso aconselho-te a aproveitar este tempo. - ele diz sorrindo e não consigo perceber a que é que ele acha tanta piada.
Eu: Mas tu tens de ir às aulas. - murmuro e controlo-me para não roer as unhas, que estúpido hábito foda-se.
Liam: Mas eu vou ficar contigo, logo vais ter de te preparar psicologicamente para me aturar o resto da semana... - ele ri e deita-se na cama, quase por cima de mim. De alguma forma acho que ele acordou um pouco estranho? Talvez, demasiado, foda-se, demasiado carente? Não posso dizer que desgosto, eu ia amar se não fosse esta dor de cabeça...
Eu: Queres mesmo aturar-me? É difícil, a sério. - digo e não consigo deixar de sorrir.
Liam: Bem, temos de ter em conta que já te aturei quando tu totalmente me odiavas, por isso não vai ser assim tão difícil... - ele sorri mas não consigo fazer o mesmo ao relembrar a forma como o tratava, como o odiava e como não podia pensar nele. Simplesmente, culpei-o por algo em que a única culpada sou eu.
Liam: Está tudo bem babe?
Eu: Sim... acho que sim.

Continua...
xxPatrícia

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 35 - Stay with me



A aula passa demasiado devagar, ou talvez o meu cérebro trabalhe demasiado depressa... Algo do género. Arrumo o material e colocando a mochila no meu ombro caminho até os corredores do exterior. A minha visão divaga por todo o lado, não encontro o Liam, ele saíu mais cedo e ainda não tinha voltado.
Caminho até o estacionamento, como sempre, e uma outra vez sento-me em cima de um carro. Faço cuidado para que não seja o do Zayn e simplesmente me sento. Ainda consigo lembrar-me do motivo pelo qual ele ria, e o motivo pelo qual eu chorava mais tarde...
Estou sentada no capô do carro enquanto ouço música aleatória. De uma forma ou de outra lembro-me como passava os dias anteriormente, sentada ao pé de uma árvore a fazer isto mesmo... E a verdade é que comecei por gostar disso, estar sozinha, poder fazer as minhas coisas sozinha e ser independente. Mas à uns tempos atrás, tornou-se desinteressante...
O vento era forte logo ninguém estava cá fora. Através do ritmo da música conseguia ainda ouvir o som do vento, era um tanto assustador, se eu não estivesse habituada. Ouço o apito do carro e passos zangados, gritos roucos.
Ele: Mas vais sair de cima do meu carro caralho?
Será que todas as pessoas daqui tem problemas com os filhos da puta dos carros? Foda-se, não estou a foder dentro dele! Estou sentada, não é normal? Rapidamente tiro os fones dos ouvidos e guardo-os dentro da mochila. Pulo de cima do carro e encaro quem se aproximava.
Ele ri levemente enquanto arrasta a língua pelos lábios rapidamente.
Ele: Mas vejam só se não é ela...
Eu: Não acredito. – sorriu e dou uma gargalhada.
Ele: Oh, acredita. Em carne e osso babe. – ele diz e percorre o olhar sobre mim. Não tinha reparado o quão claros os seus olhos são quando realmente me aproximo.
Eu: Já te disse que és muito rude com desconhecidos? – digo quando me lembro da sua voz gritar.
Ele: Contigo nunca. – ele diz e rapidamente o meu corpo arrefece, a minha pele é coberta por arrepios. – Posso dar-te um conselho? – ele sussurra e diz sorrindo. A sua cabeça aproxima-se da minha e os seus lábios encostam-se ao meu ouvido. – Não venhas cá para fora sozinha. Vi um rapaz olhar para aqui à pouco e não estava contente. Foi quando me aproximei de ti principalmente... 
Eu: Que rapaz? – pergunto e tento parecer o mais calma possível.
Ele: Leom, ou liam... uma merda qualquer. – ele acaba e abana os ombros desinteressado. O meu peito bate mais depressa, as minhas mãos suam nos meus bolsos e tenho que respirar fundo para responder calmamente.
Eu: Oh. Ok. – suspiro. Ele olhava fixamente para mim, vejo um pequeno sorriso formar-se nos seus lábios. – Dan?
Dan: Diz babe.
Eu: Precisas de ajuda? De um... psiquiatra talvez? – brinco e ele ri.
Dan: Bem, se fores tu não me importo…
Sinto-me observada e realmente não gosto disso. Baixo o olhar e tento focar-me no chão, mas sou interrompida pelo um riso rouco.
Dan: Precisas disto babe? Pareces, tensa.
Ele sussurra e lentamente retira um pacotinho preto de dentro do bolso, rapidamente percebo a que se referia. O meu peito bate depressa com o calafrio que me invade. Novamente eu parecia precisar daquilo. Porra, eu estava a conseguir, eu tinha parado.
Eu: Cuidado. – olho em volta – podem apanhar-te Dan! Tens noção que podes ser expulso? – falo, o coração parecia invadir-me a garganta deixando-me quase sem respiração.
Dan: Oh vá lá, faço isto há anos, nunca fui apanhado…
Eu: Já foste preso porra! Queres ser outra vez?
Dan: Relaxa boneca. – ele diz. – Queres?
Ele diz sério, penso em recusar de imediato, mas não o faço... Assinto com a cabeça e ele logo percebe a que me refiro.
Dan: Vamos para outro sítio… - ele murmura. – Vem comigo…
Sigo-o e ele leva-me até uma sala. Ninguém lá estava e o vento já não prejudicava agora, não havia riscos. Assim como eu, ele olha em volta para verificar se havia movimento…. Nenhum.
Rapidamente ele coloca tudo em cima de uma mesa e separa em duas linhas finas. Vejo-o pegar em uma nota do bolso das suas calças e enrolar. A sensação que tinha parecia tão estranha agora… tão, diferente de antigamente. Antes, era como rotina: na minha casa, na minha verdadeira casa, tinha quem me fornecesse sem problema nenhum, agora… agora eu simplesmente tive de aprender a viver sem isso. Mas já não preciso, uma vez que o meu mais recente “amigo”, se alguma tive um, é um dealer, logo posso ter alguma, sem dar nas vistas.
Eu: Espera… - interrompo – qual é o pagamento?
Dan: O quê? - ele diz e parece indignado. A sua postura parece mais rígida e encontro-me quase a tremer. Não consigo esconder o sentimento profundo de medo que me atordoa cada vez que alguém, qualquer rapaz, parece com raiva. Não consigo evitar as más lembranças, as horríveis sensações que aquele filho da puta me provocou.
Eu: O pagamento. Quanto é que tenho de pagar por isto? – pergunto novamente, tentando esclarecê-lo.
Dan: Eu percebi boneca. – ele diz. – Mas achas que quero que me pagues alguma coisa? Babe, podes ter disto sempre que precisares… a qualquer hora, qualquer momento… - ele sussurra e aproxima-se lentamente. – é só pedir. – ele pausa. – E eu dou.
A sua mão desliza pelo meu rosto e afasta o meu cabelo para trás do meu pescoço.
Eu: Hm. O-obrigada então. – ele ri e afasta-se, dando-me espaço até a mesa. Percorro o olhar por lá e faço o meu caminho. Ele estende-me a nota já enrolada na sua mão. Seguro e afasto os cabelos. Num movimento rápido deslizo a nota pela linha fina que lá se encontrava e levanto a cabeça, deixando-a tombar para trás. Riu com as milhentas sensações conhecidas e deslizo o dedo pelo nariz por fim.
Em poucos segundos o meu corpo está mais relaxado e a minha mente mais calma.
Nada podia mudar isso.
Dan: Gostaste da surpresa? – ele pergunta e sorri enquanto retira a nota das minhas mãos.
Eu: Amei. – digo ainda rindo. Começo a caminhar pela sala e ele ri com isso.
Ele faz o mesmo procedimento e a última linha de pó desaparece. Não havia vestígios sequer. Estou curiosa acerca da forma como ele arranja tão facilmente mas não pergunto. Prefiro manter as coisas assim. Quando volto a olhar até ele, ele ria claramente contente.
Dan: Vamos? – ele pergunta e ri, colocando as mãos nos bolsos.

***
Faço o meu caminho até a sala de aula, já são quase 16h. Depois da primeira aula não voltei a falar com o Liam. Simplesmente desapareceu. Tento ligar-lhe mas o telemóvel está desligado. Começo a ficar preocupada, pode ter acontecido alguma coisa. Porra, ele pode estar mal.

***
Soa o toque da campainha e não posso estar mais aliviada. Despacho-me a arrumar o material e tenho a certeza que não ouvi uma única palavra do que o professor dizia durante a aula. Liam, liam, liam. Era tudo o que rolava na minha cabeça e não posso estar mais preocupada do que agora.
Era tão estranho foda-se. Todo o caminho parecia uma eternidade e a primeira coisa que penso em fazer é ir até a sua casa. Talvez lá não esteja. Mas a Karen, tem de saber disso... certo?
Não, não é certo. É como se eu estivesse a controlar a sua vida quando odeio que o façam com a minha. Como ele fazia com a minha.
Passados alguns minutos finalmente vejo os dois edifícios ao longe. Apresso-me e sigo primeiro até minha casa.
Entro e rapidamente sigo até o meu quarto. Pouso a minha mochila no canto, e pego no telemóvel. Penso mandar-lhe uma mensagem.

“Estás em casa? xxBell”

O som final mostra-me que foi enviada e atiro com o telemóvel contra a cama. Solto um grunhido do fundo da garganta e a sensação de stress volta quando ele não responde nos próximos 15 minutos.
Primeiro dia. O primeiro filho da puta de dia numa relação com ele e já está tudo a correr mal. Que óbvio não? Só me queria ter como garantida... isso explica muita coisa. Principalmente a insistência. Foda-se. A raiva que não sentia dele há uns dias volta em força bruta e sem reparar acabo de partir o candeeiro.
Os cacos pelo chão são evidentes. A raiva flutua no fundo da minha barriga e percorre cada centímetro das minhas veias. Foda-se, foda-se. Fecho os olhos e tento acalmar a respiração. Não resulta pela milésima vez e parece piorar a cada segundo, cada respiração mais forte, os batimentos acelerados.
Abro os olhos. Está escuro. Nos cacos posso ver sangue. Consigo ouvir barulho de gritos, pessoas desesperadas... Olho em toda a volta, o chão parecia mover-se, em queda livre. Como no avião. Cerro os olhos com a máxima força possível mas piora quando ouço a voz da minha mãe. Ouvia gritos, tantos gritos, principalmente meus. Gritos que soltava agora, inaudíveis. O meu coração bate depressa no meu peito, tão rápido, dói até. Uma outra vez vejo uma sombra, novamente tal como a do Adam... tão parecido. A insistência em voltar a vê-lo uma outra vez é enorme, mas não maior do que a frustração e raiva que percorre todo o meu corpo quando percebo que não vai acontecer. Eles foram-se... para sempre. A pulsação do meu sangue é demasiado rápida, o meu corpo treme a cada segundo e estou a suar, congelo assim que sinto um calafrio. Formam-se lágrimas nos meus olhos, correm por todo o meu rosto.
Alucinações. Outra vez.
As minhas pernas tremem, o meu corpo desvanece. A minha cabeça bate contra a madeira nas laterais da cama... sinto-me desmaiar. Vários arrepios tomam conta do meu corpo, as lágrimas de raiva e dor misturam-se, não consigo pensar, tudo o que ouço são gritos, tudo o que vejo é sangue, tudo o que sinto é dor. Os gemidos que tento abafar levam-me ao desespero, mordo a minha mão e tento parar esta dor que só piora a cada momento.
Sinto toques sobre o meu corpo desfalecido, pontapear a minha barriga, vidros cairem sobre o meu corpo. Fecho os olhos com força, a minha garganta dói com os gritos roucos que saiem dela, a minha cabeça parece latejar e não aguento a pressão. Ouço vozes ecooarem, como se estivesse num esgoto. Ao longe ouço uma vibração que vem do meu telemóvel... os meus olhos não se abrem, permanecem fechados, o meu corpo não se move, sinto sangue escorrer da minha cabeça. Perco a força nas minhas ações, a pulsação aumenta...
Sinto-me cair de um precipício...


Liam P.O.V.

Assim que saio do ginásio, entro no meu carro e faço o meu caminho para casa. Recebo uma mensagem.

“Estás em casa? xxBell”

A minha mente corre até o momento em que a vi com um rapaz. Eles riam. Ela ria... e esse riso não era provocado por mim.
Respondo minutos depois.
Durante todo o dia tenho vindo a receber chamadas dela que não atendo.
Será que ela está em casa? Está bem? Está sozinha, ou acompanhada? Com ele?
A raiva, os ciúmes, pareciam controlar-me. Ela não podia escapar-me... não podia. Eu preciso dela, é tudo em que penso. Eu amo-a demasiado, como nunca amei ninguém, não posso perdê-la. Não posso.
Quase 1 hora depois chego a casa. Estaciono o carro no passeio, penso em passar em casa, mas preciso de ver a Bell. Sentia-me tão mal, como se algo tivesse acontecido, algo que não pude controlar. O meu peito bate depressa quando entro em casa e a porta nem sequer está trancada.
Sigo rapidamente até o seu quarto, as luzes eram fracas. Só a luminosidade de lá de fora entrava pelas cortinas escuras do seu quarto. Procuro pelo seu corpo.
O meu peito dói, a minha cabeça para quando vejo o seu corpo fraco sobre o chão. Corro até ela, seguro-a nos meus braços, o seu corpo desmaiado. O sangue corre depressa nas minhas veias quando vejo a sua cabeça cheia de sangue, assim como as laterais da cama. O meu corpo gela e não sei o que fazer.
Eu: Bell. – chamo enquanto dou leves beijos sobre a sua testa. – Amor, acorda. Por favor, não me deixes... – murmuro e sinto lágrimas descerem pelo meu rosto. Não a posso perder, não posso.
Passam-se minutos e continua desmaiada, o seu coração bate devagar sob o seu peito.
Levanto-me, passo as mãos pelo cabelo e puxo-o com força stressado enquanto penso em alguma coisa.
Corro rapidamente até a casa de banho, procuro por uma toalha e remexo em todas as gavetas, assim que encontro uma molho-a com água fria.
Volto ao quarto e seguro a sua cabeça nas minhas pernas. Deslizo a toalha sobre a zona afetada da sua cabeça e não tenho a certeza do que estou a fazer, só espero que ajude. As minhas tremem e o meu peito dói demasiado. O meu coração bate depressa e parece rebentar com o meu corpo.
Eu: Amor...
Choramingo. Não consigo controlar a quantidade de arrepios que me percorrem. A ideia de a perder ultrapassa-me. Não pode.
Continuo a passar o pano frio sobre a sua testa e cabeça desesperadamente. O movimentos trapalhões não ajudavam e silenciosamente choro com isso. Beijo a sua testa, braços, mãos... como se isso fosse ajudar.
Sinto-me o maior idiota do mundo.

***

Bell P.O.V.

Ouço vozes ao longe... beijos largados por toda a minha pele. Uma voz suave, choro...
Xxx: Por favor... Bell... – ouço chorar desesperadamente enquanto a minha cabeça é massajada por uma toalha molhada. – Bebé... acorda, por favor.
Sinto um pouco de água deslizar sobre os meus lábios secos, a minha cabeça dói. Mexo-me e tento abrir os olhos.
Era o Liam. Podia perceber isso pela sua respiração, pelo seu perfume...
Lentamente mexo a minha mão. Consigo chegar até a sua, pousada sobre a minha anca. Aperto levemente os seus dedos, não conseguindo fazer nada mais do que isso. Lentamente tento abrir os olhos, pisco repetidamente, consigo. A minha visão dói e não vejo quase nada.
Liam: Bell... – ele chora e sou recebida por repetidos beijos nas costas da minha mão.
Forço-me a falar.
Eu: Hmm... – gemo. A dor concentra-se na minha nuca, deslizo a mão até lá. – Liam... – chamo, a sua respiração descontrolada...
Liam: D- desculpa amor. Desculpa por não estar aqui... – ele diz e noto a raiva em si mesmo. Aperto a sua mão e levemente massajo-a, tentando acalmá-lo. – Devia ter estado contigo.
Eu: Shhh... – pauso. – eu estou bem... já está tudo bem...
Sou carregada pelos seus braços, as minhas costas descansam na cama. O seu corpo senta-se a meu lado.
Liam: Precisas ir ao hospital...
Eu: Não. – murmuro. – estou bem assim. Fica aqui comigo. – peço – por favor.
A minha voz soa como um murmuro e sinto lágrimas rolarem pelo meu rosto quando me lembro do acontecimento. Vai atormentar-me. A morte deles, vai atormentar-me, para sempre. Só o tenho a ele, a única pessoa que tenho na minha vida, agora... é ele.
O seu corpo deita-se ao lado do meu e as minhas vans são retiradas dos meus pés calmamente. Junto-me lentamente a si, os seus braços rodeiam a minha cintura enquanto as suas mãos massajam a pele por debaixo da minha camisola.
Um beijo é largado no topo da minha cabeça.
Liam: Vai ficar tudo bem...

Continua...
xxPatricia