terça-feira, 29 de julho de 2014

Imagine Niall - About Time - Parte 2


XXX: Horan?? - uma voz rouca surge perto de nós, o tom autoritário com que fala faz com que me encolha contra o peito de Niall apoiando as minhas mãos nos seus ombros agora tensos. Sinto o seu peito enrijecer contra mim e os seus músculos pulsarem, fazendo pressão em mim. Os seus dedos apertam mais a minha cintura puxando-me o mais possível para próximo de si, a força que aplica provoca-me leves ardências e mordo lábio segurando um gemido que insistia em escapar-me. Rapidamente o toque suave das suas mãos se apodera do local onde causara dor, ele massaja-o calmamente e sinto leves arrepios.


***  


Niall P.O.V. 

Uma colisão de sentimentos e pensamentos. Nada é nítido, apenas confuso! Os pensamentos nunca antes conhecidos por mim, os sentimentos nunca antes sentidos... tudo novo, tudo estranho. Diria que todas essas novas emoções me faziam bem... afeto, carinho, proteção, ciúme! Tudo isso me faz crer que a vida é mesmo um pouco tanto incerta, curiosa, uma mar cheio de surpresas e incertezas, envolvido em vitórias e derrotas, dominado por 'ninguém' e por ela! Sinto que o universo começou finalmente a conspirar a meu favor. Ainda podia sentir cada terminação nervosa ser eletrificada pelo choque do seu corpo com o meu no lago, sentia como se existisse um abismo de desejo que me queimava por dentro, deixava-me esgotado. Era como se ela me deixasse à beira do desespero, queria senti-la, poder tocá-la, o meu corpo suplicava pelo dela, era impossível negá-lo.
Mike: Quem é ela Niall? - grita. Mike era o meu pai, foi ele quem me guardou e cuidou desde que a minha mãe morreu, somos apenas nós sem ajuda de qualquer outro familiar. Ele não me podia ter visto com ela, não podia simplesmente caralho!!
Eu: Não te diz respeito! - respondo no mesmo tom de voz e logo sinto o seu punho no meu peito atirando o meu corpo contra a parede atrás de mim. - Soltas-me caralho?! - digo num tom ríspido cerrando os olhos para não ter que olhar para a sua cara.
Mike: Então Niall?! Toquei no teu ponto fraco filho? - tentava controlar o meu corpo para não me debater contra ele naquele momento. - Vais mudar a tua tática de jogo é? - O que é que ele queria insinuar com aquilo? - Ou apaixonaste-te pela princesinha? - um silêncio interminável instala-se com a sua pergunta. Responde Niall, responde! A minha mente gritava por uma resposta inexistente, as imagens dela era tudo o que me passava pela cabeça agora - As mulheres não passam de objetos, é assim que as deves tratar Niall... São todas iguais... Putas sem sentimentos.
Eu: Cala-te! Tu não sabes NADA dela - o meu punho é projetado no seu rosto bruscamente...
Existem coisas inalteráveis, coisas que não mudam simplesmente porque são assim mesmo. Eu pensava que seria o mesmo durante toda a minha vida, mas esta mudança para Atlanta modificou tudo! Tudo mesmo. Quem sou eu? Eu nao sei. Só não quero mais ser aquilo que era, essa é a minha única certeza! A minha mãe morreu num acidente de avião quando tentava fugir com outro homem ... eu não me orgulho dela pelo ter feito, e a verdade é que passei esses últimos anos a condená-la e julgá-la por isso mas... eu sentia tanto a sua falta, só o tentava escondê-lo, sabia que Mike nunca iria aceitar o facto de eu amar alguém que o traiu. Sou um pouco mais estranho do que o estranho permite! Sou o que me fizeram ser... Depois da morte dela o meu pai tornou-se uma pessoa completamente diferente, distante e que tudo o que conseguia ver era uma fonte de vingança para conseguir que toda a raiva e mágoa que sentia fosse expulsa do seu corpo. Tudo o que temos feito estes últimos anos é acabar com a vida de mulheres ou simplesmente meninas inocentes, isso é o que resume a minha vida até hoje. No início eu poderia dizer que sentia prazer em fazê-lo, vê-las suplicar pela vida que eu em poucos minutos lhes iria roubar sem qualquer piedade...
"Elas sabem o que eu desejo e o que penso. O dia estava chuvoso como tem acontecido todo o ano e o clima mais uma vez tenso, hoje mais uma menina perderia tudo, óbvio que tentará fugir mas no fundo era isso que eu também desejava, fugir... sabia que não teria qualquer oportunidade para fazê-lo. Um dia a menos, um dia a mais, perco-me completamente na minha própria vida, os dias são sempre iguais. Limito-me a matar o tempo para que ele não me mate a mim. Cada história envolvida em lágrimas, sofrimento, sangue, desespero... químicas misturadas na alma de uma só pessoa que se encontra na minha frente... os meus dedos são inundados de um líquido vermelho quente, um sorriso rompe nos meus lábios e os meus olhos prazerosos lutam para não deixar cair as gotas de água que o preenchem. O olhar sanguinário de vigia mais uma vez sobreposto em mim impedindo-me de deixar que o meu rosto se torne húmido e infeliz. Era como se eu caminhasse a toda a hora com a cabeça na mira de um arma! Sentença cumprida, amanhã me encarregarei de outro julgamento!"
Este sou eu, Niall Horan, este sou eu durante anos, até tres dias atrás!
Eu: Desculpa e-eu ... - o meu corpo mexe-se nervoso e não sei o que dizer.
Eu bati no meu pai. Suspiro alto e subo as escadas rapidamente. Não conseguia estar em casa, trancado numa merda de quarto por isso saltei pela janela, não me queria cruzar com Mike ao sair. O ar era frio aquela hora da noite, sentei-me num banco junto do lago onde à pouco estava com a Crystal. Sou um livro, a maioria do mundo limita-se a conhecer a capa, há aqueles que a amam, outros que nem se interessam, existem os que leram o interior e não gostaram, mas depois os que leram e se apaixonaram... por fim só um realmente irá perceber a objetividade dele, só um amará cada letra, cada palavra... Eu era apaixonado por detalhes, mas ela era o detalhe mais impressionante que já vira. Adorava ver a forma como baixa a cabeça e deixa escapar aquele sorriso tímido, amava, amava cada detalhe, nada nela me passava despercebido. Nada. No meio de todas as minhas tentativas de fuga e de superação falhadas apareceu ela... ela no meio de tanta coisa má, ela era a única coisa boa. É que quando eu reparei, já estava centrando toda a minha atenção numa rapariga desconhecida, eu já estava fixo no seu olhar azul quase transparente que refletia a minha imagem deslumbrada neles... Eu não quero criar planos, não quero bloqueios nem recuos, não quero erros, eu apenas quero tê-la... não por uma noite, não por um dia, não por anos... eu quero a eternidade! 


Crystal P.O.V. 

Não, eu não conseguia estar mais um minuto trancada no meu quarto a pensar em tudo, a pensar nele e no quão ele me deixa confusa. Os meus passos fizeram-se sentir pela casa toda, corri para a porta saíndo de lá o mais depressa que conseguia. Sentia-me desiludida pelo facto de ele nem sequer ter enviado uma mensagem a dizer se estava bem ou não, uma explicação, uma merda de uma explicação era o mínimo que lhe pedia, mas nem isso me fazia sentir completamente indiferente para ele. Existiam muitas coisas sobre mim que ele também desconhecia, afinal eu apenas exponho aquilo que me faz sentir segura e não o lado mais negro da minha vida. Aprendi a esconder as minhas lágrimas com simples sorrisos, aprendi a silenciar a minha raiva, a calar e guardar para mim o ódio e a mágoa que sinto por ter perdido os meus pais tão cedo! Andamos por caminhos incertos mas sempre procurando pelo equilibrio, e para quê? Achá-lo e perdê-lo pouco tempo depois apenas torna a desilusão maior, a única certeza com que aprendi a viver é que nunca mais vou esperar acontecer, eu farei acontecer!
O Niall... era como se eu sentisse que ele me conhecia secretamente na verdade, como se não achasse um resposta concreta quando a questão eramos nós. Agora mais que nunca eu sentia tudo de forma contrária, tudo do avesso. Não sabia sinceramente o que seria de nós daqui para a frente. O que passará na mente dele? Realmente não sei. Apenas sinto que ele é o único alguém de quem eu preciso, tudo o resto é insignificante, passa despercebido aos meus olhos! Não parece haver agitação na sua casa, apenas observo uma luz no andar de baixo acesa. Avanço e bato na porta mas ninguém abre, reparo que a porta não está completamente fechada e empurro-a devagar entrando lentamente. Consigo ter um visão ampla para a sua sala que por sinal é enorme, suponho que o quarto de Niall seja no andar de cima então decido subir as escadas. Os gritos de uma rapariga soam pela casa, assuto-me e tento perceber de onde vem. Desço novamente os degraus lentamente e os gritos tornam-se mais nítidos... O que é que se passava ali?? Procuro pela existência de uma porta de onde o barulho possa sair e reparo numa escondida debaixo das escadas, a minha mão pousa sobre a maçaneta e vejo-me tremer. Abro a porta e sinto o meu coração quase desfazer-se ao ver aquilo... uma rapariga está deitada sobre uma mesa de madeira velha que se encontra no centro daquele lugar escuro, não havia uma única janela ou luz ligada, ela estava agarrada por correntes que prendiam os seus pulsos e tornozelos que sangravam. O ar era quase inexistente e a sua respiração era pesada, misturando-se com o choro desesperado.
XXX: T-tira-me daqui! - ela suplica e logo ouço passos... Niall onde é que estás?? 


Niall P.O.V. 

Acendia tela do meu telemóvel pela milésima vez à espera que ela me respondesse à mensagem. Começava a ficar nervoso, ligo-lhe na esperança que pelo menos atenda a merda da chamada. Mas não. Mais uma vez vai parar à caixa de correio dela, o sinal para inicar a mensagem soa ao meu ouvido e suspiro antes de começar a falar.
"Crystal ... H-Há um coisa que precisas de saber, é que apenas saberás aquilo que eu quero que saibas sobre mim! Estou longe de ser aquilo que pensas que sou, estou longe de ser o que quero ser para ti. Apenas responde mentalmente... Achas que serias feliz comigo ao teu lado? Tudo isso valeria a pena para ti?... Eu não posso ser egoísta ao ponto de te prender a mim, não posso simplesmente..."
Passada uma hora ainda estava ali sentado a olhar o nada, sem qualquer chamada ou mensagem dela... o telemóvel vibra na minha perna e a tela acende-se mostrando a foto dela.
"Crystal"
"N-Niall" ela choraminga
"E-eu não aguento mais, ele está a m-magoar-me tanto ... O a-ar é escasso eu quase n-não consigo respirar! Sinto o peito a sufocar e a m-minha voz mal sai Niall. D-diz alguma coisa..." ela sussurra as últimas palavras, os meus dedos deslizam até à tela e desligam a chamada...
Alguma vez ouviste dizer que existem certas palavras capazes de te rasgar o coração? Já te sentiste inútil? Tudo isso por alguem que passou a representar tudo na tua vida? Sensação de impotência quando a deverias ter? Já te sentiste a pior pessoa do mundo? Sentiste fraqueza? Já sentiste aquela momentânea vontade de acabares com a tua vida? Te libertares? ... Eu sentia tudo agora e o meu corpo encontrava-se sem qualquer reação... Reage Niall. Reage. Reage caralho!
"Toquei no teu ponto fraco filho? " O que é que ela estava a fazer na minha casa? Porque é que não ligou só??
"... ele está a m-magoar-me tanto." Mike.


Crystal P.O.V. 

Ele permaneceu em silêncio e apenas senti a chamada ser desligada. O homem à minha frente encontrava-se olhando-me fixamente, algo dentro de mim procurava desesperadamente um sentido para dar ao que acabava de acontecer, dar sentido à atitude cobarde e rude que ele acabava de ter ao telemovel... Inutilmente nada surge na minha mente, segurei as lágrimas que insistentemente tornavam os meus olhos mais pesados enquanto os meus batimentos abrandavam tornando-se quase inexistentes no meu peito. Ele era infelizmente o único capaz de salvar-me daquele abismo. Um abismo onde ele mesmo me trouxe! Mantive-me inerte e imóvel, nenhum dos meus músculos respondia e os estímulos do meu cérebro eram nulos neste momento, as células do meu corpo paralizavam no tempo e a energia que absorvia era nenhuma apenas. Um silêncio mórbido caía sobre o espaço onde estava fechada à poucas horas, horas que pareciam ter-se tornado numa eternidade avalassadora. A rapariga que tentei ajudar não estava mais lá, ele provavelmente levou-a para outro sitio e manteve-me a mim presa. O que aconteceria a seguir era nítido, eu sabia que ele não me queria manter viva. Não sabendo que eu vi tudo! Eu somente lutava contra os meus pensamentos, acreditando que o Niall não era um monstro, que não abusava de raparigas inocentes... isso era tudo o que o meu coração queria sentir mas a minha cabeça lutava pelo contrário fortemente. Eu poderia ter evitado tudo isto... mas algo nele, forte o bastante, fazia-me querer procurar felicidade num mundo perigoso... o mundo dele, talvez!
O telemovel é arrancado das minhas mãos novamente e atirado pro fundo daquela sala escura, encontro-me na ponta oposta e os meus pulsos e tornozelos estao agarrados por cordas (...) o relógio no meu pulso marca meia noite, sou acordada pelos gritos que vem do outro lado e o barulho de algumas coisas quebrarem. O meu corpo está dolorido e nódoas negras formam-se nas zonas onde as cordas fazem mais pressão sobre a minha pele.
XXX: Onde é que ela está? - uma voz rouca grita bruscamente tornando possível que se ouça por toda a casa. Era completamente impossível não reconhecê-la... Niall. Vejo a porta ser aberta rapidamente e encolho-me com a maneira como caminha até mim, não consigo alcançar o seu rosto naquela escuridão e várias lágrimas humedecem a minha pele gélida. Ele aninha-se na minha frente e o meu corpo é puxado pelos seus longos braços e apertado contra o seu peito.
Niall: Babe - murmura com os seus lábios nos meus cabelos, o meu corpo treme intensamente, luto para que pare mas não consigo esconder o medo que sinto apesar de tudo - Crystal, não tenhas medo de mim por favor... - os seus dedos arrastam o meu rosto para cima e deslizam em seguida para as minhas bochechas acariciando-nas levemente. Os seus lábios raspam nos meus e os seus dentes agarram o meu lábio inferior puxando-no suavemente para junto de si. Sinto a sua língua logo de seguida passar nele sem que as nossas bocas se juntassem - Desculpa - a sua voz é fraca e noto que está completamente envolvida em mágoa e raiva - Vais ficar bem amor... - de repente as suas palavras começam a não ficar bem nítidas e os meus olhos não se conseguem manter abertos. Sinto-me perder as forças e a falta de ar que passei durante aquelas horas parecia agora nutrir efeitos em mim. - Crystal?! Mantém os olhos abertos... Crystal?


***


O meu corpo começa a despertar, tudo à minha volta é pintado em tons de branco e posso sentir máquinas ligadas a mim, um suspiro cai dos meus lábios recordando o porquê de estar ali, mexo com os braços e sinto a minha mão embater noutra que as entrelaça num movimento rápido.
Volto o rosto para alcançar o seu e tudo o que sinto são os seus lábios colidirem com os meus e a sua mão pousar sobre a minha cintura e apertá-la um pouco. A sua língua massaja os meus lábios que logo se abrem dando passagem para que ele aprofunde o beijo. Não sei o que estamos a fazer, apenas sei que o quero! Ele puxa o ar calmamente, solta um pequeno gemido entre o beijo e a sua língua novamente volta a tocar a minha. Os seus dedos fazem movimentos circulares à volta da minha cintura descendo para a minha anca. Sinto o sabor a menta da sua boca e não consigo controlar os arrepios no meu corpo que se fazem sentir constantemente. Ele afasta a sua boca por breves segundos mas logo junta os nossos lábios novamente e sinto-o sorrir levemente. O beijo dele era algo completamente indescritível, fazia-me esquecer tudo, tudo... porque tudo o que sinto agora nunca terá uma descrição possível, e por isso mesmo será sempre eterno.
Eu: Tudo bem? - pergunto analisando o seu rosto com os olhos um pouco vermelhos.
Niall: E tu? - fala baixinho.
Eu: Estou à espera da tua resposta! - sorrio e ele pousa a sua cabeça sobre a minha almofada.
Niall: Bem, talvez porque a minha resposta dependa da tua, então... - a sua voz é novamente fraca. Nao sei o que se passa com ele. Contudo não deixo que um sorriso se forme ao ouvi-lo responder e direciono o meu olhar para o teto rindo e logo sinto os seus lábios beijarem a minha bochecha por bastantes segundos fazendo-me corar. - Vou voltar para Londres! - fala de repente deixando-me em choque. Como assim ele ia deixar Atlanta? Várias lágrimas invadiam os meus olhos que se tornavam frágeis com a luz do quarto deixando algumas gotas correrem o meu rosto. Porque é que ele estava a fazer isto comigo?


Continua...
xxAndy

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 37 - Waste of time.

 

A semana passa a voar e a minha relação com o Liam evoluiu bastante. Basicamente ele dormiu em minha casa todos os dias e não posso dizer que não gostei. Quarta feira tive de ir ao hospital, basicamente obrigada pela mão do Liam, e agora já nem sinto nada. Não pude contar-lhe a verdadeira razão por tudo ter acontecido, nem a ela nem ao médico, mas a versão resumida basta: bati com a cabeça na cama, e é tudo. É novamente segunda feira e o despertador toca ao lado da minha cabeça... forço-me a abrir os olhos e desligar antes de atirar com o telemóvel contra o armário.

Liam: Bell... - ele geme e vira-se para tapar a cabeça com a travesseira. - Desliga isso...

Desligo e volto a fechar os olhos. Habituei-me demasiado a dormir até mais tarde e ficar em casa um outro dia é até ironicamente apelativo. Não consigo decidir entre acordar e levantar-me, ou acordá-lo a ele... o seu corpo está quase imóvel e não posso ver o seu rosto uma vez que o esconder debaixo da almofada.

Eu: Liam... - chamo, mentalmente decido que se não acordar agora vou acordá-lo de outra forma... um grande balde de água acordava-o certo? Ele apenas murmura e sinto-me encorajada a fazê-lo. - Liam caralho levanta-te.

Ele não responde. Levanto-me e vou até a cozinha, em um dos armários procuro por um corpo grande e encho-o com água. Faço cuidado para não verter ao subir as escadas e a adrenalina preenche-me quando ele ainda continua deitado. Ele já não tem a cabeça coberta, o que facilita a minha tarefa. Caminho até o seu lado da cama, ele continua de olhos fechados. Chamo uma outra vez e vejo que está a dormir profundamente. Conto até três mentalmente e quando repito três para mim mesma verto o líquido no corpo para a sua cara.

Liam: Foda-se Bell! - ele grita e levanta-se rapidamente, a sua respiração é ofegante e os seus cabelos estão completamente molhados. Ele leva as mãos até a sua cara para limpar e controlo-me para não rir. Bem, definitivamente isto resultou. Mas a cama ficou molhada... ele vai limpar aquilo. Levo a mão até a boca e tento abafar o riso, contorcia-me no chão para não gargalhar mas o ar é escasso, tornando-se difícil respirar.

 

***

 

Ele está na casa de banho e ouço-o gritar algo de lá. A sua voz é enrolada e não percebo o que diz. A pressão no fundo da minha barriga diminuiu mas ainda consigo lembrar-me da sua cara horrorizada quando acordou e porra, porque não fiz isto mais cedo?

Liam: Vais pagar por essa. Espero que te tenhas divertido porque não vai voltar a acontecer. - ele ameaça enquanto ri ligeiramente, ele seca o cabelo com uma toalha enquanto caminha em boxers pelo quarto. Que caralho de mania é essa?

Eu: Liam, foda-se, se voltas a caminhar em boxers em minha casa garanto-te que não voltas a entrar nela! - a minha voz soa mais alto do que pretendia, mas não me arrependo. Admito que não é mau vê-lo assim, mas isso torna a minha ansiedade maior e é como se um íman forçasse o meu corpo de encontro ao dele e eu não quero isso. Não. Não depois do que aconteceu, as coisas vão manter-se calmas como estão, é assim que quero que seja.

Liam. Preferes que ande sem eles? É que eu durmo assim sabes Bell?

Eu: Podes sempre dormir com um pijama.

Liam: Sim, porque tu dormes... - ele diz e solta um sorriso, um sorriso que quero arrancar-lhe quando me atira com a toalha para a cara.

Eu: Eu estou, como já disse antes, na minha casa. Tenho esse direito. - cruzo os braços debaixo do meu peito e ele percorre os meus movimentos com o olhar. Ele sorri por fim e confunde-me, sigo o seu olhar e encontro-o a olhar para o volume que se formava acima dos meus braços. Despacho-me para me cobrir com o lençol e solto um grunhido de nojo quando fecho os olhos. Ouço-o gargalhar e a cama parece abanar quando ele pula para ele, arrastando-se até o pé de mim.

Liam: Bell... - ele murmura ao meu ouvido, a sua voz é grossa porque acabou de acordar e envia arrepios por todo o meu corpo. - Explica-me...

Eu: O quê? Que tu és um grande tarado? - riu por debaixo dos cobertores e sinto os seus lábios vibrarem contra a minha cabeça.

Liam: Não. Porque é que ficas sempre assim quando estou de boxers em tua casa... - subo a cabeça para encontrá-lo à espera de me olhar. - Só preciso que me digas, a sério. Não vai haver problema, mas se não explicares não vou parar de fazê-lo. - ele sorri por fim mas isso não acalma a velocidade dos batimentos do meu coração, bem como as memórias indesejadas. Ele sorri novamente e tenta encorajar-me a falar.

Eu: Nada... Não é por nada Liam. - sorriu, o meu peito bate mais depressa. Ele sorri um pouco, talvez contente por não haver problema de todo, quando na realidade há. Mas não posso apenas impedi-lo, a culpa não foi dele, aliás... se não fosse ele, aquela não teria sido a única vez. Ele levanta-se.

Não gosto de mentir, mas de facto falar só vai fazer-me sentir pior e principalmente, fazê-lo sentir-se mal com isso. Não é agora que vou preocupar os outros com os meus problemas quando nunca se preocupam, e, embora ele realmente pareça preocupar-se, estou a fazer o máximo para esquecer aquele dia. Apagá-lo da minha cabeça. Tenho conseguido, a maioria das vezes não me lembro, mas algumas palavras fazem-me quase voltar lá. E é quase tão horrível como aquilo... horrível. Quando reparo todo o meu corpo está em pele de galinha e a minha pele está fria, gelada.

Levanto-me, já é tarde. Preparo-me para ir tomar banho e a água parece escaldar no meu corpo. A ideia de encontrar o Dan começa a arrepiar-me...

Não quero problemas, não com o Liam... não posso estragar o que temos contruído durante todo este tempo. Ia ser apenas um filho da puta de desperdício de tempo.

 

***

 

As aulas dele começavam um pouco mais tarde, acabei por conseguir convencê-lo a ir para casa e não a levar-me até a escola.

Os corredores estão vazios e rapidamente me apercebo que volto a estar atrasada. A aula já começou à sensivelmente 30 minutos... foda-se. Procuro por um lugar para me sentar sem ser incomodada e lembro-me de não escolher o parque de estacionamento. Sento-me ao pé de uma árvore, o dia está demasiado quente hoje e as folhas impedem que o sol me atinja... o que é bom, já que detesto calor e se alguma vez disser o contrário é porque realmente estou fora de juízo. Porque caralho, calor nem sequer é bom para a sociedade... é nessas alturas em que metade da população feminina com idades entre os 15 e 19 anos decide trazer um filho da puta de mini tecido no corpo, quer dizer... nem sequer lhes incomoda? Ter basicamente 3/4 do corpo à mostra? O pior mesmo é a atenção que recebem por isso... não quero que sejam violadas ou assim por causa disso, sei o quão horrível é e dizê-lo faz parecer ainda mais nojento, mas é a verdade. Mas deviam levar um grande soco dos pais. Merecem isso, se estão com tanto calor aconselho mesmo a comprar uma daquelas mini ventoinhas e que a levem para todo o lado. Estão a fazer-me um favor a mim e à sociedade.

O tempo passa devagar e a música soa nos meus ouvidos enquanto penso em mil e uma coisas... são 9h30min. quando olho para o relógio. Brincava com as minhas pulseiras, as inúmeras que tinha no braço e o meu peito bate depressa quando as retiro todas e olho para os meus pulsos cheios de marcas e cicatrizes. Uma em especial mais evidente do que as outras... era grande, bem maior do que as outras, não podia ser causada propositalmente, não por mim... já não olhava para ele à bastante tempo, o suficiente para me esquecer porque é que foi formada. Há algum tempo atrás pensava que o que fiz foi o melhor, mas realmente não foi... nunca foi. Já devia ter-me habituado a isso. Eu estava tão cega, tão cega foda-se, pensar nisso dá-me raiva de mim própria. Jonas, foda-se, o caralho do Jonas. Eu salvei-o, porra eu salvei-o de uma das inúmeras merdas em que se metia, ele estava quase a morrer, pelo menos era o que me parecia... ele ia morrer se eu não fizesse nada, ele ia morrer se eu não os parasse, mas eu não tinha como, eles eram mais... e mais fortes. Fui tão estúpida em pensar que podia impedir isso, o corte da garrafa partida no meu pulsos foi profundo, demasiado profundo, não parava, o sangue não parava... ele nem merecia isso, eles foram embora depois disso, dando-se como satisfeitos. Ele era um idiota, ele foi o caralho de um idiota que alguma vez eu pensei amar, que eu pensei que me amava... mas não, ele só queria o que todos querem, sexo. E largou-me, depois disso largou-me. Devia tê-lo deixado morrer, morrer como a minha alma, cada vez mais fraca, com tudo o que já tinha acontecido e veio a acontecer... e eu odeio-o, com todas as minhas forças.

Um toque desperta-me e faz o meu coração saltitar depressa no meu peito. O meu olhar sobe rapidamente para encontrar um sorriso enorme...

 

Continua...

xxPatrícia

terça-feira, 22 de julho de 2014

Imagine Niall - About time - Parte 1

 

"O tempo é um colidir de momentos, emoções, sorrisos, lágrimas... uma explosão de vidas! Damos por nós a pensar em formas melhores de viver o tempo que já não nos pode ser devolvido e mesmo sem nos apercebermos dessa perda ela continua a apoderar-se de cada segundo, minuto nosso... tempo que não volta. Lembras-te de tudo aquilo que já fomos? Uma resposta clara, sim. Eu sei que te lembras, afinal não tem como ser esquecido, pelo menos não de forma tão rápida assim! Demasiados dias juntos, tantas coisas que nos ligaram... e nós já o estávamos mesmo sem sabermos. Incrivelmente criamos a ligação mais inesperada. Com a distância o verdadeiro amor só tende a aumentar. Podemos considerar como "prova de fogo" tudo isto... Porque eu ainda guardo tudo comigo e se fechar os olhos, esse "tudo" volta, desperta a palavra saudade em mim, cria lágrimas, esgota-me, leva-me ao fundo do poço... Como nos fomos perder no tempo? Eu não sei."

Crystal, Crystal Hall é o meu nome.

 

"Significas tanto para mim que chego a não saber mesmo lidar com isso... tanto consegues ser a minha calma como o meu tormento. Derrotas... recompõe-te sem deixar que uma derrota te torne mais fraco, sem que uma palavra te faça sentir inútil, esquecer os erros... mas tu, tu és inesquecível, uma parte de mim da qual não me posso desfazer simplesmente. Nunca o conseguirei. Quero ser "único" para ti, que não me esqueças e não me percas no tempo... preciso que fiques comigo, preciso de ti, preciso que tu precises de mim! Preciso que prometas que me vais amar sempre e nunca largarás a minha mão, porque eu... Eu voltarei. A eternidade é só uma parte do que eu quero viver contigo amor."

O meu nome? O meu nome é Niall Horan.

 

*** (Cinco meses atrás) ***

 

Crystal P.O.V.

 

Niall: A minha mãe está morta! - o seu olhar está voltado para baixo e ele evita contactar com o meu olhar. A figura obscura e temida dele parecia desaparecer e ser substituída por uma frágil e triste... Ele mexe com a ponto dos seus dedos freneticamente como se quisesse nunca ter tocado naquele assunto. Encontro-me sem qualquer reação, tinha receio da maneira como ele iria reagir a qualquer palavra minha, mas eu não conseguia simplesmente vê-lo assim e não dizer sequer uma única coisa, de certa forma ele faz com que me preocupe. Pousa a minha mão sobre os seus cabelos depositando neles leves carícias, ouço-o suspirar enquanto o seu rosto continua voltado para baixo.

Eu: Niall - chamo o seu nome calmamente sem receber uma única troca de olhares - E-eu lamento muito! - murmuro docemente próxima do seu ouvido.

Niall: Não precisas lamentar nada! - diz ríspido. O seu corpo está apoiado contra o muro de entrada da escola, uma das suas pernas está cruzada contra a outra, ele movimenta a sua face lentamente para cima deixando que esta fique iluminada pelos raios de sol que á rompiam no céu, observei-o e vi os seus olhos azuis cada vez mais claros expostos à luz encherem-se de lágrimas... ele ia chorar?! Coloquei-me na sua frente e vejo os seus lábios serem pressionados violentamente um contra o outro para que ele impedisse as gotas de água que preenchiam o seu olhar cairem. Envolvi os meus braços À volta do seu pescoço colocando-me em ponta dos pés, os sues longos braços rodearam a minha cintura puxando-me mais para ele... esta era a primeira vez que nos abraçávamos, acho que devia sentir medo de o fazer, mas não conseguia simplesmente tê-lo. - Sentes falta deles? - a sua voz rouca soa perto do meu ouvido, uma quantidade alucinante de choques elétricos percorrem o meu corpo frágil preso nos seus braços. Limito-me a afirmar com a cabeça sobre o casaco de ganga que ele trazia vestido. Os meus pais... morreram quando eu tinha quatro anos, as memórias que tenho são vagas mas persistem todos os dias na minha mente.

Eu: E tu? - pergunto fraca. Ele demora algum tempo a dar-me uma resposta e sinto os seus músculos ficarem mais tensos contra mim e as suas mãos tremem um pouco nas minha costas.

Niall: Eu tento só não pensar nisso! - responde frio. Afasto-me voltando a olhá-lo, as suas mãos continuam à volta da minha cintura mantendo a proximidade entre ambos.

Eu: O que é que te amedronta tanto? É demonstrares o que sentes?! - pauso - Eu sei que estás a mentir Nial, tu pensas nisso sim, eu vi os teus olhos quando falaste nela! - ele não reage, suspiro com a atitude. - Para de mentir! - digo mais calma, ams ele volta a não pronunciar nada e apenas aperta o meu corpo novamente ficando assim durante uns dez minutos. 

Ele veio e fez nascer em mim um sentimento até ali desconhecido, um sentimento daqueles que dá mil e uma voltas no estômago, que chega e nos invade por completo sem que reste uma única partícula que lhe seja totalmente indiferente.

Crueldade. Esse sim é o ponto que destrói, afunda, desfaz qualquer alma boa... alimentar o sentimento de alguém e destruí-lo das formas mais controversas, depois, curar superficialmente com ilusões e... no final o que sobra? Destroços de tudo o que ainda havia intacto. Ver até onde um coração se mantêm vivo, isso é de certo o que a vida procura de nós. O que a crueldade desperta. Todos os meus sofrimentos e tristezas poderiam ser uma fonte de alimento até ao fim da vida... a minha mente fértil e inocente converte os pensamentos em labirintos. Um novo devaneio aproximava-se do meu ser, e este tinha um nome... Niall Horan!

Novas palavras desconexas envolvidas de sentimentos apenas meus. Estranho. Um estranho bom, eu diria! Apesar de eu odiar a sua insensibilidade e todas essas emoções estranhas que provoca em mim... é bom! Sinto os seus dedos deslizarem para as minhas ancas e os nossos corpos afastam-se depois daquele tempo, ainda posso sentir a pressão dos seus braços à minha roda e o seu queixo sobre os meus cabelos que escondem agora um pouco do meu rosto, a sua mão afasta a minha mecha colocando-a atrás da minha orelha mas permanecendo sobre os meus cabelos apenas pousada sobre eles. Ele inclina-se um pouco e a sua boca pousa no canto da minha, beijando a minha pele húmida. Fecho os olhos num impulso enquanto os seus lábios quentes pressionam a zona do meu rosto, tornando-a mais frágil por segundos.

Niall: Vemo-nos logo? - ele sorri de leve e assenti ainda envergonhada. Este foi o momento mais cúmplice que tivemos desde que ele cá chegou à quatro dias. Achava-o completamente obscuro, frio, rude... até conhecer o lado mais doce dessa personagem. Mas eu, eu estava completamente atraída por ambas! - Às seis estou pronto. - ele diz receoso encolhendo os ombros... acho que estava à espera de uma resposta da minha parte.

Eu: Vemo-nos às seis então! - digo animada encolhendo os ombros igualmente e ele sorri abertamente mexendo nos seus cabelos loiros.

Então era isso?? Ele acabava de despertar o meu lado mais doce também! Eu era só uma das raparigas populares da escola, uma arrogante que se acha superior, é assim que a maioria das pessoas me vê claramente e talvez eu o alimentasse um pouco. Não me misturava com outras pessoas sem ser aquelas que tinham influências mas no fundo... no fundo eu não tinha nada contra eles, apenas me limitava a seguir o sangue a que pertencia. O porquê de ser como eles? As feridas do caminho tornaram-me mais forte, a vida obrigou-me a mudar e a me esconder atrás da arrogância. Uma metamorfose um tanto quanto gélida mas necessária para congelar o passado! Ele coloca as mãos dentro dos bolsos sem deixar de sorrir e balança com o corpo de um lado para o outro, a sua mão é retirada do bolso num movimento lento e ele acena enquanto roda simultaneamente o seu corpo indo embora.

***

Niall: Crys...crystal! Preciso de... um pouco de ar! - ele debruça o seu corpo apoiando as palmas das mãos nos joelhos fletidos e tenta ganhas fôlego. Fraquinho!

Eu: Fraco! - gozo com ele.

Niall: O que é que me chamaste?? - ele pergunta e vejo o sorriso doido que se formava no seu rosto. - Fraco?!! - ele arqueia a sobrancelha. Niall Horan o que é que estás a pensar fazer??

Começo numa corrida rápida e sinto os seus passos largos e pesados atrás de mim, as minhas pernas movem-se a um ritmo alucinante e sinto os músculos delas enrijecerem com as minhas passadas, várias gargalhadas são expulsas dos meus lábios. Ouço a voz dele perto de mim, ele resmungava enquanto alguns risos também lhe escapavam, as ruas estavam bastante paradas aquela altura da noite, haviam apenas algumas pessoas a passear pelos passeios do jardim ou então sentados a ler. Sinto umas mãos alcançarem a minha cintura, ainda tento correr mas um dos seus braços envolve a minha cintura e os meus pés perdem ambos o contacto com o chão. Os seus lábios encostam-se ao meu ouvido e a sua voz soa mesmo junto dele, estremeço. - Ainda queres repetir o que disseste à pouco amor?! - o meu estômago é envolvido de sensações estranhas com forma como me trata.

Paixão e amor... Dependência e amar! É diferente. Completamente. Paixão entende-se como algo avassalador, desejo, fogo... arde intensamente em ti, algo alimentado de posse, contudo instantâneo. Quando se trata apenas de paixão, o fim é sempre algo próximo de acontecer, olhas para a outra pessoa apenas pela sua beleza, a forma atraente como ela te cativa... Idealizas, tens razões para provar o porquê de a amares. Amor. Amor não tem simplesmente razões, ele não se alimenta essencialmente de aparência mas sim de sentimentos! Uma espécie de dependência afetiva onde o amor se trata de uma doença, necessidade psíquica de ter por perto alguém. As pessoas não aceitam que acabou, há uma necessidade de não quebrar a ligação já perdida. Psicose. Amor? Ele unicamente se desenvolve e se encarrega de que nada o destrua!

Com o tempo apercebemo-nos de que não dá para viver sem a outra pessoa, que ela não é apenas uma parte de nós, mas sim, o que nos mantêm vivos!

O que eu era para ele? Provavelmente apenas mais uma pessoas na sua vida. O que ele era para mim? Tudo. Não entendia o que me ligava tanto a ele, conhecia-o apenas à três dias, ele mudara-se para Atlanta à pouco. A figura obscura, misteriosa, a figura que no fundo me atraía sem uma única ou qualquer explicação, fez-me cair no seu amor!

Sinto o meu corpo  cair na água tirando-me do transe, não sentia mais os seus baços em contacto com a minha pele. Nada. Assusto-me e apenas movo as pernas para voltar à superfície, os meus olhos abrem-se e não sei onde o Niall se meteu. Foda-se, otário! O meu coração palpita mais rapidamente, o meu corpo treme com a temperatura gélida da água do lago. Aquele toque volta, os seus dedos estão pressionados nas minhas ancas fazendo alguma força sobre elas, instantaneamente rodo o meu corpo encaixando os meus braços à volta do seu pescoço e ouço-o suspirar suavemente contra o meu pescoço deixando que a sua respiração tocasse a minha pele arrepiada.

Niall: O que é que tu fazes comigo babe?! - murmura, as suas mãos deslizam para o meu rabo agarrando-o e as minhas pernas envolvem a sua cintura rapidamente.

Eu: N-na...Nada - gaguejo.

Niall: Fazes Crystal, fazes tanto amor! - cada palavra sua é como um choque elétrico em mim, o meu coração parecia simplesmente perder controle dos seus batimentos e a minha respiração era ofegante tal como a dele. - Apenas não consegues imaginá-lo... - ele faz uma pausa e retoma de seguida - Nem eu às vezes, sabias?! - balanço a cabeça negativamente e uma das suas mãos infiltra-se entre o meu cabelo molhado enquanto a outra permanece onde estava, a ponta do seu nariz toca na minha e sinto a respiração que sai dos seus lábios cada vez mais próxima dos meus. - E-eu n-não sou quem pensas Crys!

Eu: E quem és tu Niall?? - tento manter a minha voz firme mas simplesmente não consigo e a minha frase sai tal e qual um sussurro.

Niall: Agora?... O pior de ti! - os seus olhos brilham e julgo ver lágrimas se formarem neles, o seu rosto está pálido e sinto as suas forças falharem um pouco. - Entraste num caminho sem saída e... e eu não te posso tirar de lá, não agora.

 

Continuação...

xxAndy

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Imagine Harry - Amnesia

 

20|03|2013

 

A música calma soa no meu quarto, as lágrimas formam-se em pouca quantidade à medida que prestava atenção na letra... 

Parecia ser tão fácil ignorar, fingir que por um momento nunca nada aconteceu, mas torna-se impossível no momento em que tudo o que sempre sonhamos, tudo o que queríamos ver tornar-se realidade, acaba. E eu sonhava com ele. Mas agora, agora que qualquer hipótese desapareceu, é como se também a minha alma desaparecesse, fosse levada pelo vento e nunca mais voltasse. Os meus olhos fecham-se, as gotas de água escorrem por eles e a visão ofusca com a melodia de fundo.

A pouco e pouco as fotos rolavam no ecrã do computador, as lágrimas crescem em grandes quantidades e torna-se um choro pesado. O meu coração bate depressa no meu peito enquanto olhava para a foto. Ele sorria... o mesmo sorriso de sempre, talvez ainda mais contente do que antes, bem como a rapariga que o abraçava. É horrível, simplesmente horrível ver a pessoa por quem tanto sofremos não conseguir conter a felicidade quando não conseguimos conter as lágrimas... saber que ela está tão bem, e nós estamos tão mal. Torna-me fraca. Fraca e sem esperança. No meu peito, no lugar do coração, é como se estivesse um buraco preto e frio. Realmente é assim que me sinto e por mais que quisesse o contrário, nunca mais irá acontecer. Porque eu sou um caralho sem futuro, sem vida, sem nada. O único sentimento depois de tudo, é medo. Medo de passar assim o resto de vida que me resta, a chorar e lamentar por nunca poder abraçá-lo como desejava. Dizer-lhe o quanto o amava. Mesmo que ele não soubesse, mas eu amava.

Gostava de esquecer tudo, não apenas esquecê-lo, mas sim tudo. Acordar... amnésica. E cada dia, esquecer de novo. Cada dia, uma vida nova, sensações diferentes, pessoas diferentes. Devia ter prestado atenção quando diziam que nunca o iria ver, que ele nunca iria saber da minha existência, das lágrimas que derramava todos os dias, dos sorrisos que me provocava, ele nunca iria saber o quando o protegia quando todos o tratavam mal... Nunca percebi porquê, ele era bom de mais... tratá-lo assim era apenas uma estupidez. Talvez eu devesse odiá-lo, como todos os outros. Mas por mais que tentasse, nem isso conseguia, por mais que o quisesse odiar, o sentimento apenas aumentava no meu peito, fazendo-me perceber o porquê de o apoiar ao longo deste tempo. Há quem diga que é tempo esgotado. Talvez realmente seja... mas não consigo fazer o contrário, como se toda a minha vida estivesse ligada a ele, a isto... ao quer que isto seja.

À medida que as fotos rolam pelo ecrã uma sensação mais profunda forma-se em um aperto no meu peito. Ele está longe. Nunca, mas nunca, devia ter ganho esperanças quando elas nunca se deviam ter formado. É como querer percorrer o oceano em uma canoa... só vamos afundar, e por maior o esforço que façamos, nunca conseguiremos chegar ao destino. É como caminhar para um precipício, porque mesmo que sintamos a brisa do vento bater na cara que nos faz sentir bem, sabemos que vamos cair. É apenas um caminho diferente para o nosso fim. É assim que posso descrever a minha vida.

Lá fora está escuro. Posso vê-lo quando abro as cortinas do quarto, a brisa do vento parece incrível no meu rosto, mas as lágrimas parecem aumentar, como se olhar para as estrelas fosse ainda pior, me lembrasse o quão longe estou. E eu não estou bem de todo, talvez nunca estivesse. Todas as noites são assim, alguma coisa me faz lembrar dele e por motivo nenhum começa o choro que só acaba quando adormeço, quando realmente adormeço. Mas de manhã lembro-me de tudo. Sempre me lembro de tudo.

 

28|09|13

 

Posso ouvir os gritos vindos do exterior. Gritos principalmente femininos e contentes. Era hoje. Finalmente, para milhares de raparigas, hoje era o dia em que elas iam pegar naquele pequeno papel, naquele bilhete. Um papel, que traz euforia, e com ele o melhor dia da vida de muita gente... muitas fãs. Eu tentei, juro que tentei. Mas não fui a tempo, nunca fui. Já tinham esgotado quando lá cheguei. Várias raparigas pulavam de alegria e abraçavam-se, sabiam que estavam garantidas, que tinham o seu lugar. Não tinham noção o quão mal estavam a fazer sentir a muitas centenas que não conseguiram... podia dizer que as lágrimas que escorreram pela minha cara foram muitas, mas é apenas um eufemismo. O meu coração parou, o choro foi tão pesado que me sentia desmaiar, o meu mundo rodava rapidamente à minha volta, não podia estar a acontecer, não outra vez.

O que realmente me irrita é saber que existem centenas que só lá vão porque estão financeiramente super estáveis, os pais fazem-lhes todas as vontades, nem na puta da fila tinham de estar porque eles encarregavam-se disso. Conseguiam qualquer coisa, sem sequer ter de pestanejar. Quando depois, pessoas como eu, tentaram todos estes anos uma oportunidade para sequer estar no mesmo recinto que eles, e não conseguiram... simplesmente não conseguiram.

O meu quarto tornou-se tão escuro que a luz do exterior nunca poderá substituir o aperto dentro de mim. Por mais calor que esteja vou sempre sentir-me fria. Por mais felicidade que esteja em redor, vou sempre sentir-me infeliz, porque falta algo. Porque sei, foda-se eu sei que nunca vou poder abraçá-los, a todos eles, mas principalmente a ele. É um pedaço que falta no meu coração e nunca vai ser reposto.

Amanhã tenho teste de Filosofia. Que bom não é? O caderno aberto em minha frente é apenas um caderno cheio de conteúdos que nunca precisarei de saber na minha vida. Aliás, nada do que estudámos em Matemática, Português, Psicologia, Ciências, foda-se... nada é necessário. A menos que realmente queiramos ser alguém. O que na verdade eu preciso. Para ganhar dinheiro é claro. Quando dizem que para ser feliz não é preciso dinheiro, bem, foda-se, estão mais do que errados. Dinheiro não traz felicidade? Claro que trás. Dizer o contrário é apenas estúpido.

 

***

 

Os dias passam e cada vez mais se aproxima o meu pesadelo.

Todos os teste têm corrido mal, os exames foram um desastre e por este andar nunca entrarei numa universidade. Nada me acalma, os médicos dizem-me que estou numa profunda depressão... não digo o contrário, porque talvez seja verdade. Ou talvez não. Talvez eu esteja apenas triste porque tudo com o que tenho sonhado estes três anos têm sido uma perca de tempo. Todos os dias guardo novas fotos deles, dele... os sorrisos enchem a tela e trazem-me pequenos sorrisos às vezes... quando não sorriu com as fotos, choro. É nisto que posso descrever as minhas sensações e sentimentos, os poucos que ainda sinto.

Música. Tem sido a única coisa que me acalma verdadeiramente... a única coisa que anda ouço. A única coisa que consigo perceber e que me percebe... como se a cantar, ou a ouvir, parte do sentimento fosse embora. Eu amava, simplesmente amava o facto de eles serem tão bons nisso, eles nasceram para isso. Para cantar, para a fama, para sorrir e fazer sorrir... ninguém alguma vez poderá dizer que eles são rudes, ninguém alguma vez poderá dizer que eles não querem saber, ninguém poderá sequer dizer que eles não prestam. A essas pessoas, tudo o que posso dizer é que tem inveja... de tudo o que eles conseguiram.

Estar em qualquer rede social é apenas horrível para mim agora. Tudo o que vou ver são milhares de raparigas a falar o quão ansiosas estão por vê-los, o quanto esperaram e lutaram por isso... não sabem o que é lutar por algo. Não como eu. É irritante eu me cansar tanto e lutar tanto por vê-los e saber que no fundo nunca conseguirei. Ainda não consegui. Talvez não esteja destinada para isso...

O pior, é que mesmo depois de tanto tempo, tanto tempo para esquecer e seguir em frente, eu continuo envidraçada nele. No seu sorriso, no seu corpo, no seu cabelo, nos seus olhos, nas suas atitudes, a forma como os seus lábios se movem a cada palavra... aqueles lábios rosados. Sonhei tanto com eles... Pensar nisso traz-me memórias à cabeça e as lágrimas formam-se nas minhas pupilas. Por mais que tentasse fazê-las parar, era apenas estúpido, elas nunca pararam, os meus olhos não me obedeciam, nem tanto o meu corpo que vibra a cada pensamento nele.

Ouço os meus pais chamarem lá em baixo... as batidas na porta tornam-se fortes e os gritos também. O choro só aumentou... não bastava estar mal com tudo isto, ainda sou bombardeada com discussões em casa. Causa? Eu. Como sempre... Basta um erro... um único erro e forma-se uma tempestade. Se ao menos soubessem o quanto eu guardo para mim, o quanto tento esconder, talvez percebessem... mas eles não vêm as coisas assim. Na verdade, o que eles dizem é que sou uma adolescente estúpida que está a perder o seu tempo a amar alguém que nunca irá ver na vida. Verdade? Talvez. Mas não preciso que mo digam, não para me sentir pior, não para me enterrar cada vez mais no buraco que criei... estou trancada, todo este tempo estive trancada. Dentro de mim mesma.

 

10|06|14

 

O meu corpo enfraquece a cada dia, cada vez como menos, cada vez durmo menos... nada permanece igual. Estou numa constante montanha-russa. A única coisa que permanece é aquele sentimento, que não vai embora. Não posso dizer se é bom ou mau... mas cada vez está pior, faz-me sentir pior. E ele está cada vez melhor, o sorriso mais brilhante de sempre... o Harry. Era simplesmente maravilhoso. Não consigo adormecer sem pensar nele, sem imaginar tê-lo comigo... Que estúpida ilusão.

Um mês. Mais precisamente um mês e três dias para o concerto. Um mês e três dias para eles estarem tão perto, mas tão longe de mim...

Não sei o quão estúpida posso ser, para amar alguém, alguém que pode ter uma pessoa muito melhor do que eu... Se ao menos ele soubesse, talvez eu me sentisse melhor. Talvez um sorriso mudasse tudo. Mas nunca vou saber isso, não enquanto não o vir...

As aulas acabaram finalmente e posso dizer que foi o pior ano de todos eles. A sensação de protegê-los tornou-se tão grande que comecei a fazer inimigos... as pessoas são tão estúpidas. Eles fizeram algum mal? Talvez seja porque eles realmente são melhores do que toda a gente em redor? Pelo menos para mim são, e ninguém pode mudar isso...

Os papos formam-se debaixo dos meus olhos e estão cada vez mais evidentes. Não durmo bem. Talvez esteja mesmo doente... talvez esteja a precisa de ajuda. Porque não estou bem, não de todo...

 

13|07|14

 

Acordo e o meu peito já bate depressa. Hoje. Hoje é o melhor, ou o pior dia da minha vida.

Gostava de poder acordar com amnésia... gostava de poder acordar e não me lembrar de nada...

Rapidamente corro para ligar o meu computador... sou bombardeada com inúmeras fotos deles e fãs... eles já chegaram. Eles já estão cá, onde nasci e vivi tudo isto. As fotos eram inúmeras, como sempre, mas uma em especial chamou a minha atenção... era o Harry e uma rapariga... eles estavam à porta do hotel, e ele sorria, não tanto como ele, mas ele sorria muito... A roupa prática assentava maravilhosamente no seu corpo, assim como a forma que o seu cabelo estava despenteado na sua cabeça. Os meus olhos fecham-se, e só quando os abro é que percebo que algumas gotas de água escorriam por eles. Estou farta, demasiado farta de chorar...

 

***

 

Corro para o metro mais próximo, são 16h e o concerto está a poucas horas de começar. O tempo está demasiado quente e torna-se difícil respirar quando o ar é tão pesado. A roupa que estou a usar de algum modo faz-me sentir bem, mas não gosto de maquilhar-me por isso não o fiz. Os meus olhos de certo modo sobressaem-se bastante porque a cor é brilhante, talvez do choro, eles tornam-se brilhantes... gosto de ver os meus olhos enquanto choro... ficam lindos. A minha pele é quase impecável, mas não perfeita, por isso suponho que não preciso de por nada nela... só suponho, mas os meus instintos têm me traído todos os dias...

 

*** 


É quase 1h da manhã... os meus olhos pesam e as minhas mãos tremem no meu colo. Não fui ao concerto, mas pude ouvi-los, ver os foguetes, ouvir a voz deles, a voz deles é perfeita... pensa que estive tão perto deixa-me trémula, as lágrimas são incessantes e as ruas começam a esvaziar completamente. Não consegui, outra vez...

As minhas pernas estão dobradas contra o meu peito enquanto estou sentada no chão, perto de uma porta do estádio... o tempo arrefece, mas não me sinto mal com isso. O meu rosto está gelado assim como o resto do meu corpo. Sinto-me amolecer com o passar do tempo, o meu coração parece-se com uma pedra que bate fortemente no meu peito. Não consigo explicar o que sinto, mas ouvi-los cantar foi maravilhoso para os meus ouvidos... mas também horrível, porque no fundo, eu não podia vê-los, é como apenas uma barreira pudesse separar-me do meu mundo... Não consigo parar de imaginar o que teria acontecido se eu lá estivesse... o que é que eu estaria a fazer no lugar delas, se chorava, se pulava, se cantava ou gritava... mas não posso dizer isso, porque não estive. Se alguma vez neste dia tive esperança de os ver, ela morreu à medida que as pessoas desapareciam da estrada que antes estava cheia. Estou cansada e com frio, mas as lágrimas não querem parar de cair dos meus olhos, molhando o meu peito por fim. Não podia limpá-las sequer, várias vinham atrás... Sinto-me quase estúpida. Estúpida por pensar que eles iriam aparecer, que podia ter um minuto de felicidade, que podia abraçar a minha fonte de felicidade...

Ouço passos, não me volto para ver quem era. Podia até ser um assaltante, alguém que me quisesse fazer mal... nada importava. Baixo a cabeça e sinto o choro aumentar quando sinto alguém dobrar-se e inclinar-se para o meu corpo. Não podia olhar, não para sentirem pena de mim. Já basta sentir-me como me sinto... sinto um perfume agradável e os meus pensamentos baralham-se com isso, mas não consigo encarar a pessoa que está ao pé de mim. Sei que iria ser pior. A respiração é suave e a sua mão pousa no meu joelho passado algum tempo... o meu peito bate muito depressa, o toque é calmo. Ouço uma voz, não em português...

"Está tudo bem linda?" aquela voz, faz o meu coração acelerar em um disparo e as minhas mãos tremer mais do que nunca... Os meus olhos fazem o seu caminho até o seu rosto... a respiração falha e sinto-me como se estivesse a desmaiar. Estava a acontecer.

"H-ha... Harry?" a minha voz é baixa e rouca, as lágrimas não param. Já não são de tristeza, não como todo este tempo. É uma mistura: tristeza, por ter sido tão tarde, mas alegria, euforia e tudo mais que não consigo explicar, porque ele está aqui. É ele... Ele está aqui, ao meu lado. Como eu sempre sonhei. Ele sorri e covinhas explodem nas suas bochechas, o meu peito dói com as batidas do coração, a voz é fraca e por mais que tente falar não consigo. Se alguma vez pensei que conseguiria dizer que o amava, agora sei que não... como se já não soubesse falar, a minha voz fosse roubada. Ele roubou-a a partir do momento que apareceu... Foda-se, ele é lindo... ele parece-se com um deus.

"Sim..." ele sorri, derreto por dentro. "O que é que estás aqui a fazer tão tarde? Há algo errado?" o seu rosto cai, ele está preocupado. Ele é tão atencioso... pessoas como ele não deviam receber tantas críticas. Vê-lo aqui para mim, é algo que nunca poderei explicar... é, mágico. Os seus olhos estão focados no meu rosto, estão brilhantes... a noite nunca poderia esconder o verde deles, porque são especiais, porque tudo nele é especial. Limpo os cílios com o indicador, mas quando o retiro elas voltas... ele respira calmamente e sinto o calor do seu corpo ao meu lado, a cortar o vento que antes batia no meu rosto.

"E-eu... não consegui... Eu tenho tentado, t-todos os anos e..." suspiro, a voz escapa-me a cada segundo. "Não consegui... não consegui ver-vos... nunca, nenhum concerto. Nada..." ele parece entender, pelo menos ele parece querer entender. Ele não é como as outras pessoas, ele importa-se. Talvez seja por isso que ele me cativou, mesmo com desconhecidos, ele era incapaz de tratar alguém mal... ele é demasiado bom, para todos. Ele sorri levemente e estende-me a sua mão. A minha treme na sua quando ele me segura, tenho medo que ele repare, mas não consigo parar.. estou de pé, as minhas pernas não parecem aguentar o peso do meu corpo e tremem, ele ri, escapando-me um leve sorriso...

"Vem cá..." os seus braços puxam-me e sou levada para um abraço. O seu perfume enche os meus pulmões e faz-me delirar, a minha cabeça está encostada no seu peito e posso sentir o bater do seu coração. Os seus braços envolvem a minha cintura enquanto os meus envolvem a sua, as minhas lágrimas caiem na sua camisola e tenho medo por isso, mas ele não se importa, os seus braços apenas me apertam mais contra o seu peito e o meu coração parece rebentar a qualquer momento. A minha respiração é ofegante, o choro mais leve... quero dizer as palavras, o que sempre quis, mas a minha respiração impede-me.

O contacto com a sua pele e o cheiro da sua roupa são alucinantes... o seu cabelo é brilhante assim como os seus olhos. Lentamente me inclino e coloco-me na ponta dos pés, ele realmente é alto... chego os meus lábios até o nível dos seus ouvidos, ele baixa-se um pouco... Caracóis batem na minha bochecha. A minha mente trava no momento a seguir...

"I love you, Harry..." murmuro, o meu rosto está molhado...

"I love you too, beautiful..." o meu coração rapidamente aquece com as suas palavras. Os nossos rostos estão próximos, posso ouvir a sua respiração. Não consigo largá-lo, é como se estivesse a abraçar o meu mundo... o mundo nos meus braços... os nossos corpos balançam em sintonia enquanto o calor se propaga de um para o outro.

Passam-se mais vários segundos e o meu corpo parece paralisado, só ele, só ele importava... ninguém mais precisava de saber que ele estava aqui, que eu o abracei como sempre quis, agora... eu sentia que ele era tudo com que eu realmente sempre sonhei. E depois de isto, o sentimento aumentou, não sei o quão mau isso possa ser, mas aumentou... como se o meu coração estivesse demasiado pequeno para isso. O seu rosto afasta-se lentamente e sinto um beijo largado na minha cabeça, o mundo torna-se pequeno... nada pode estragar isto. Nada pode fazer este dia não valer a pena. Qualquer esforço, depois de tanto tempo, afinal valeu a pena. Porque ele, ele é alguém por quem se pode lutar...

"Vamos." Ele sorri, os nossos corpo afastam-se. "Quero dar-te uma coisa..."

A sua mão segura na minha e encaminha-me pelas inúmeras portas e corredores. Os seus dedos são finos e macios. O anel frio do seu dedo bate na minha pele... Algum tempo depois sou levada para uma sala, não muito grande, mas acolhedora... esperava encontrar alguém lá, mas de momento estava vazia. Ele sorria, o meu coração aquecia...

"Queres a minha camisola?" o seu riso é largo e as covinhas rapidamente aparecem no seu rosto. Os meus olhos prendem-se no seus sorriso, ouço-o rir baixinho quando repara. Volto ao meu estado normal, o mais normal que consigo ao pé dele, e abano com a cabeça para cima e para baixo, de forma a dizer-lhe que sim. As palavras não são minhas aliadas e vou ter de mantê-lo assim, a minha voz treme demasiado para conseguir falar neste momento... As suas mãos descem até o fundo da sua t-shirt branca e os seus braços erguem-se, levantando-a pelo seu tronco. Respiração prende-se na minha garganta com a visão das suas tatuagens, a tinta preta sobre o seu corpo... Ele parece atento no que faz e vira a camisola ao contrário de modo a ficar direita, caminhando até uma outra zona da sala. Ele parece segurar uma outra camisola, desta vez preta, na sua mão. Ele veste-a. As suas mãos seguram numa caneta e escrevem na t-shirt, na t-shirt que vai ser só minha... o meu peito acelera com o pensamento... Vou ter a camisola que ele usou, com o seu cheiro, assinada por ele... sinto-me corar quando o vejo caminhar até mim.

"Aqui tens..." a sua mão estende-se para mim, seguro-a.

"Obrigada." consigo dizer, ele devolve-me um sorriso como resposta.

"Podes vesti-la se quiseres..." ele murmura, o seu olhar atento na minha expressão. Sorriu nervosamente. Ele vira-se e caminha para outro lado, de modo a dar-me alguma privacidade. Rapidamente retiro a que tenho e troco-a por esta, fica enorme no meu corpo... O perfume nela invade as minhas narinas e é como estar nas nuvens. Digo-lhe que já pode olhar e ele sorri quando se vira, caminhando na minha direção.

"It looks good on you." os seus braços estão cruzados no seu peito. As minhas bochechas ganham cor.

"Fica enorme..." digo, baixo o olhar até os meus pés. Mas ela cheira bem, mesmo bem...

"Um pouco." ele ri. "Mas fica querido..." ele pausa. "You're beautiful..." sorriu um pouco, mas vai desaparecendo gradualmente.

"Não..." murmuro. Fico contente que ele tenha dito isso, muito até... mas não consigo acreditar que seja verdade. Feia? Não. Mas nunca serei o real significado de "bonita" do seu dicionário...

"You don't know you're beautiful, oh oh... but that's what makes you beautiful..." ele cantarola baixinho, a voz mais suave de sempre... os meus olhos ardem ao vê-lo sorrir e ao ouvi-lo cantar, respiro fundo e olho para o teto. As lágrimas aproximam-se e começam a escorrer rapidamente pelo meu rosto. Ele é tão perfeito... e eu nunca mais o vou ver... os pensamentos misturam-se na minha mente e as lágrimas formam-se em maiores quantidades. Ele aproxima-se lentamente, não consigo decifrar o seu olhar, os seus braços estendem-se na minha direção.

"Come here angel..."

Faço o meu caminho até os seus braços e abraço-o, pela última vez. Ele aperta-me mais uma vez e pousa o seu queixo no topo da minha cabeça, largando vários beijos depois... Se eu pudesse ficar nos seus braços para sempre, eu ficava, e nada poderia me separar. Ele faz um ritmo calmo de cantarolar, os nossos corpos balançam ao mesmo tempo... os meus olhos abrem-se para verificar se realmente é verdade. Quando os volto a fechar, uma lágrima escorre por eles...

"Thank you..." sussurro.

"Shhhh... it's okay, I'm here." Ele diz, as suas mãos sobem e descem calmamente pelas minhas costas...

"I'll always be here..." 

Harry Styles. O ser mais maravilhoso alguma vez existente. A única pessoa que alguma vez me fez sentir assim. A única pessoa que alguma vez me tirou a respiração... não só ele, mas todos eles. Mas ele era especial... Existe alguma coisa, que eu não consigo decifrar... alguma coisa que me faz pensar que é o único. Embora eu saiba que provavelmente esta é a última vez, sei que se o mundo acabar hoje, eu vou morrer feliz... porque eu vou morrer nos braços em que sempre sonhei estar, vou morrer a chorar por alguém por quem sempre chorei, vou morrer cedo... é verdade... mas sinto-me como se fosse morrer... amada.

 

xxPatrícia

Não costumo fazer imagines, de todo, mas fiz este em "homenagem" ao concerto cá em Portugal. Foi... espetacular, o máximo mesmo! Não dá para explicar sequer... Espero que tenham gostado, baseei-me em algumas coisas que vi e que provavelmente todas as directioners sentem ou sentiram.

Bjs


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 10 - Sorry



Zayn P.O.V.

Não conseguia adormecer sem antes saber como ela tinha ficado depois de tudo. Disquei o número que o Louis tinha encontrado e enviei-lhe uma mensagem.
"Como é que estás? Xx Zayn"
"Assustada. Eu não queria ter visto nada daquilo e... se tu não estivesses lá..."
"Mas estava! Agora, eu não vou estar sempre Mel, tens que aprender a lidar com essa realidade, aprender a te defender babe!"
"Tenho medo disso tudo Zayn! E se eu não conseguir?? Cresci num mundo completamente diferente não estou habituada a isto, nem sei mesmo se vou conseguir fazê-lo."
"E se tiveres alguém que te ensine a fazê-lo? Sentes-te mais segura assim?"
"Quem? Não conheço praticamente ninguém no bairro tens noção disso!"
"Sou invisivel para ti amor? Amanhã de manhã no campo de treinos, fico à tua espera."

Volto a pousar o telemóvel, eram nove da noite não conseguia dormir, desci as escadas.
A minha mãe estava deitada sobre o sofá coberta por um mantinha que ela usava para me aquecer quando era mais pequeno. Vejo-me sorrir involuntariamente... uns anos atrás era tudo tão diferente! Sinto saudades. Na realidade, eu não tenho saudades, a saudade é que me tem, faz de mim um seu objeto. Imersos nela tornamo-nos outros e todo o nosso antigo ser fica apenas ancorado no passado, súbito e ausente! Lá fora apenas se ouve o vento. Uma semelhança curiosa entre o tempo e o meu coração neste momento, ambos congelados gradualmente... sinto um nó na garganta ao vê-la agarrada a "memória", esse nó sufoca-me e dá-me a impressão de que quanto mais o tento desatar mais espesso ele fica, travando a minha respiração e impedindo-a de sair. Recordo-me de vê-la olhar para a nossa foto e luto para não deixar as lágrimas quentes transbordarem dos meus olhos, mantenho-os fechados e foco-me apenas na escuridão por detrás das minhas pálpebras, afinal esse tem sido o meu refúgio este tempo todo. Escuridão... era isso que eu via, que eu sentia, era ela que me rodeava. Por segundos, não sinto nada. Alegria, tristeza... nenhuma. Tudo o que havia de bom em mim fora consumido, a vida encarregou-se disso mesmo. É realmente confuso a forma como nós humanos conseguimos ir de um extremo ao outro, da noite para o dia. Uma fração de segundos muda-nos completamente... nada neste vida é fácil. Se algum dia queremos a paz, então teremos de nos preparar para a guerra. Abro os olhos. Um suspiro cai dos meus lábios, caminho a passos lentos para junto dela.
Eu: M-mãe ... - gaguejo, vejo-a desviar o olhar da televisão e olhar para mim. Sento-me no chão ficando de lado para ela. - Desculpa - murmuro, não consigo simplesmente olhá-la nos olhos, torno-me mais fraco, deixo que os sentimentos me guiem - Tenho sido uma merda de filho! - volto o meu rosto para o seu à espera de uma reação da sua parte. Nada. Vou apertando as mãos uma contra a outra e arranjando palavras - É só que... desculpa-me. - sinto as suas mãos puxarem o meu corpo para cima do sofá e sento-me ao seu lado.
Trisha: Foste a melhor coisa que me aconteceu na vida Zayn! - os seus longos dedos e macios deslizam sobre a minha bochecha e voltam a minha face para si - Só tenho pena que ela te tenha mudado tanto, do dia para a noite parecia que já não sentias mais nada, parecia que estavas morto... - o seu olhar brilha, cerro os pulsos. O amor é capaz de nos destruir e eu... amava a Rebecca. Os seus braços envolvem o meu corpo e abraço-a pela cintura - Amo-te tanto! - sussurra ao meu ouvido. Aperto-a mais contra mim e sinto uma gota de água correr o meu pescoço.
Eu: Esta é a minha maneira de ser perto de ti! - riu e ela limpa a lágrima apressadamente esboçando um sorriso também. - Dorme bem. - beijo o topo do seu rosto e subo novamente as escadas para o quarto.
Abri a porta que dava para a varanda e saí... "Só tenho pena que ela te tenha mudado tanto, do dia para a noite parecia que já não sentias mais nada, parecia que estavas morto...".
Existe uma hora em que já nada mais nos consegue afetar. Não porque estamos radiantes e não permitimos que ninguém destrua o nosso campo protetor da felicidade. Nada disso! É tudo porque o nosso coração congelou, porque nada nos pode deixar mais no abismo do que já estamos. O ponto culminante depois disso é apenas a indiferença. Uma indiferença nua, crua... não posso dizer se isso é bom ou mau, afinal tudo me é indiferente!
As minhas palpitações são lentas, conto as horas mas os ponteiros permanecem insistentemente no mesmo ponto, as estrelas parecem estar mortas... sei que mal o sol nasça o ciclo repetitivo vai recomeçar, o rapaz que vive feliz em pertencer a um gangue, se droga, vai a festas, alimenta-se de sexo. Foda-se mas afinal sou isso mesmo que eu sou, é aquilo que quero ser! Ouço um grito, parecia a voz da minha mãe. Deve estar só a ralhar com a Saffa e a Waliyha. Novamente mais gritos e agora um choro... agarro numa arma de dentro duma das gavetas do eu armário e vou silenciosamente até ás escadas.
Eu: Solta-a! - destravei a arma. Vi Saffa e a Waliyha abraçadas no canto da sala a chorar, um dos homens agarrava a minha mãe. Eram sensivelmente dois. - Eu disse para a soltares! - gritei, o meu olhar estava focado no homem que envolvia o braço à volta do pescoço de Trisha.
XXX: Perdeste Malik! - sinto um arma ser destravada e o cano ser encostado á minha cabeça. Engoli seco e fui baixando a minha arma aos poucos ...
Eu: Ou talvez não! - rodei o meu braço num movimento rápido conseguindo agarrar na arma dele. Bati com o meu punho no seu peito arrastando-o contra a parede - Que seja a última vez que vocês tocam na minha família! - a minha respiração é pesada, o meu sangue corre a um ritmo acelerado tornando o meu corpo quente. Dou espaço para que ele saia e fecho os olhos tentando não cometer uma loucura. Silêncio. 

*** 

Eu: Um dos teus pés deve estar sempre ligeiramente à frente do outro, nunca voltes o pé atrás completamente para a frente, inclina-o sempre um pouco para o teu lado direito, isso permite-te que a flexão da perna seja muito mais fácil. Alinha os braços com a arma em direção ao alvo, foca a tua atenção apenas nisso! Fecha um dos olhos e coloca o outro ao mesmo nível da arma... Anda cá! - puxei o seu braço colocando-a na minha frente, a minha mão pousou na sua perna arrastando-na mais para trás, as suas costas colavam-se ao meu peito e sentia a sua respiração acelerar. - Nunca te esqueças de manter a tensão nesta área! - disse calmamente, pressiono a palma da minha mão contra a sua barriga que se arrepia ao meu toque, riu sem que ela perceba e volto a concentrar-me no treino. Posiciono os seus braços prontos para atirar e solto-a - Atira! - ela fez o que lhe disse. Tiro completamente ao lado. - Calma, tu consegues! - tento que não desista e ela suspira. - Concentração, é só isso bebe! - sussurro ao seu ouvido. As suas bochechas tornam-se mais rosadas, afasto-me outra vez e observo-a mais uma vez... -  Boa! - aproximo-me dela e quando ela se volta acerta-me com a arma na barriga - Oh foda-seee... - gemo.
Mel: Zayn! Oh meu deus desculpa eu n...
Eu: Não me querias matar? - brinquei e ela ri-se tímida abanando negativamente com a cabeça - Tudo bem!
... Onze horas, ela estava completamente esgotada, não sei como é que ainda aguentava segurar-se em pé ou sequer agarrar numa arma daquelas. Em duas horas ela já conseguia ter um tiro certeiro o que era impressionante para uma rapariga e principalmente para ela visto que nunca o tinha feito! O campo começava a encher e não eramos apenas nós a treinar como no início, olhei para ela... tinha uma boa forma física, apesar de não ter muito músculo era rápida e movimentava-se bem.
Eu: Pára! - ela roda o seu corpo para mim franzindo as sobrancelhas - Acho melhor descansares! - ela aproxima-se de mim pegando numa garrafa de água e observando o que os outros faziam.
Mel: Quando é que posso experimentar? - olho surpreso com a pergunta dela. Estava a referir-se à carreira de tiro que alguns dos homens praticavam.
Eu: Não achas que estás a querer ir rápido demais? - pergunto-lhe - Ainda é cedo, tens tempo para aprender!
Mel: Queres estar mais tempo comigo é?! - a sua voz é tímida, ela bebe mais um pouco de água sem tirar os seus olhos de mim.
Eu: E se a resposta for sim?! - passo os meus dedos pela sua cintura. - Talvez eu queira.
Mel: Hmm ... e se quiser?
Eu: Depende do que queiras! Aprender rápido ou passar mais tempo comigo! - elevo o seu rosto segurando-o com o polegar e o indicador. Estou a aproximar-me demasiado dela... lembro-me do que aconteceu a noite passada, a minha mãe, ela ficou em perigo por minha causa! Não queria que a Mel fosse mais uma vitima desta luta entre mim e o Kail, Crips e Scuttlers! Mas o Liam avisou-me, a Mel é a chave para tudo e por isso eu tinha que me aproximar dela.


Mel P.O.V. 

Eu: Hmm e-eu vou tomar banho!
Caminhava até os balneários pesadamente, o mais rápido que os meus pés permitiam. O meu coração batia muito depressa no meu peito, então é isto que se sente depois de um treino?
Não olho para mais nenhum lado a não ser em frente, desesperadamente à procura do balneário. Encontro uma tabuleta a apontar para uma área escondida, era lá... o meu peito acelera quando percebo que a área feminina estava mesmo em frente ao balneário masculino. Tento abstrair-me de qualquer barulho que me possa incomodar e à medida que caminho o vento faz o meu cabelo esvoaçar para trás, era uma sensação boa depois de todo aquele cansaço...
A porta está aberta, entro e fecho-a atrás de mim. Procuro pelo meu cacifo, eram inúmeros... nunca iria encontrá-lo desta forma. Passado algum tempo retiro a toalha e preparo-me para começar a despir a minha roupa suada, mas um barulho de passos impede-me e quando me volto para trás a minha cabeça estala.
Eu: O que é que estás aqui a fazer? Isto é o balneário feminino! – digo alto, a minha garganta não me impede e solto um pequeno grunhido quando ele se encosta contra a parede sorrindo e olhando em redor.
Zayn: Acho que isso explica a cor dos azulejos... – ouço murmurar, ele ri por fim.
Eu: Apenas sai por favor, tenho de tomar banho para me ir embora... – explico calmamente, a minha cabeça começa a ferver à medida que ele se aproximava, os seus passos são lentos. Os batimentos no meu peito aumentam, a sua mão é rápida e encurrala-me contra a quantidade enorme de cacifos, o choque faz um enorme estrondo mas ele não se parece incomodar, a minha respiração treme na minha garganta... porque é que ele faz isto...
Zayn: Já te disse que ficas extremamente sexy com armas? – a sua voz soa no meu ouvido, os seus olhos estão fechados. Tento falar mas não consigo formar uma frase quando o meu corpo suado se cola completamente no seu. A sua mão desliza de cima da minha cabeça até o meu braço, levemente acariciando-o e deslizando até a minha cintura. O seu toque faz a minha pele arrepiar, a sua respiração pesada bate contra o meu pescoço. Ouço um gemido, o meu corpo torna-se fogo, a minha cabeça em água...
Eu: Z-zaynn... – murmuro e tento empurrar o seu corpo para trás, ele mantem-se firme, mas a sua cabeça desencosta-se do meu pescoço. Eu não podia, ele não podia fazer-me isto... os seus lábios tocam no meu queixo fazendo-me tremer em resposta. Ele continua uma linha de beijos pelo meu maxilar e as suas mãos apertam as minhas ancas, solto um suspiro profundo quando ele desce pelo meu peito, a sensação cresce no fundo da minha barriga e o meu corpo arde com o seu toque. Os seus lábios chocam contra o meu pescoço e eu gemo baixo, ele faz outra vez, desta vez chupando, implorando para me ouvir fazê-lo outra vez. Forço as minhas pernas uma contra a outra, tentando de alguma forma fazer parar isto, eu estava a ficar louca... as minhas cuecas transmitiam isso, eu estava a transpirar.
A sua mão rapidamente me força contra si, as suas ancas roçam contra as minhas, um gemido rouco soa e é suficiente para me controlar. Os seus lábios abruptamente se juntam aos meus, ele geme fortemente contra mim obrigando-me a ceder. A minha respiração ainda não diminuiu e posso sentir a dele aumentar. Os meus pulsos rapidamente são levados acima da minha cabeça, ele segura ambos com apenas uma das suas mãos, não consigo soltar-me do seu toque. Ele para o beijo, os seus olhos focam-se nos meus, quando penso que está prestes a bater-me quase sinto o meu coração palpitar para fora do meu peito, mas ele não o faz. A sua mão livre desce pelo meu corpo, o meu peito dói dos batimentos acelerados, as minhas pernas são presas na sua cintura e os meus olhos arregalam-se com a sua força. Guicho perturbada quando a sua mão aperta o meu rabo e pressionava o meu corpo contra o seu, os seus lábios encaminham-se até os meus e juro poder sentir o bater do seu coração contra a minha pele que estala de calor. É isso, eu não consigo controlar. Sem perceber, em menos de segundos ele já me beijava, a sua língua desliza pela minha boca e o meu lábio inferior é puxado pelos seus dentes, trincando-o levemente. Não consigo perceber a razão porque ainda o beijava mas não me permito parar. Não consigo comparar este beijo ao primeiro que tive com ele, mas é ótimo.
Eu só me conseguia focar na forma como os meus pulsos rapidamente foram soltos e as minhas mãos se dirigiram ao seu cabelo, apertando cada vez mais à medida que ele beijava e chupava a pele do meu pescoço. Eu não era eu quando isso envolvia um Zayn já sem camisola, os seus músculos morenos estavam tensos enquanto me forçava contra a parede de cacifos. A intensidade na minha barriga começa a crescer e apenas me permite gemer baixo, ele murmura em apreciação.
Ele senta-se no banco atrás de si, empurrando-me consigo, ainda no seu colo. As suas mãos apertam na minha cintura e é um pouco doloroso, no entanto não o posso parar. O meu corpo começa a balançar para trás e para a frente no seu colo e ouço um gemido em resposta, o som mais quente de todos, e eu faria de tudo para o voltar a ouvir... A força das suas mãos na minha cintura aumenta e ele murmura algo contra a minha boca enquanto o sinto endurecer contra mim, o meu rosto ruboriza com isso e a minha respiração começa a faltar-me... As suas mãos encontram a bainha da minha camisola que é empurrada pela minha cabeça, por fim caindo no chão. Os seus olhos brilham em luxúria com a minha pele revelada, o meu coração bate depressa no meu peito e não consigo pará-lo, nada pode fazê-lo parar. Dói demasiado, mas é bom, ele levanta-se novamente, ainda a beijar-me desesperadamente e deita-me sobre o banco que anteriormente estavamos sentados. As suas ações são rápidas e o meu corpo é coberto pelo seu, a minha pele quente bate contra a madeira gelada do banco e gemo com isso. Os meus calções desaparecem em menos de segundos e a minha boca abre-se para guinchar, mas ele não o permite quando a sua mão a cobre.
Zayn: Não sei se já fizeste isto antes babe... – ele murmura ofegante contra a minha pele do peito, chupando e lambendo. Não consigo controlar os gemidos que se escapam da minha garganta... – Mas espero que gostes tanto como eu.
Os seus lábios fecham-se no fim das suas palavras e o meu corpo grita internamente quando a sua mão desliza para dentro das minhas cuecas e os seus dedos se pressionam contra o meu clitóris, fazendo-me chorar de prazer. Tenho de apertar o banco com as minhas mãos quando sinto dois dedos se moverem insamente dentro de mim. Ele não para com os movimentos, é estranho e desconfortável, o meu corpo mexe-se descontroladamente, contorcendo-se ao seu toque, mas a sua mão esquerda empurra-me contra o banco, mantendo-me quieta no lugar. Choro de prazer cada vez que ele os empurra mais rápido e choramingo com a perda de contacto... não sei o que estou a sentir, é estranho, mas adoro. Nunca fiz isto com ninguém, e agora que vejo apercebo-me do quão íntimo isto soa, mas não posso parar, eu pedia por mais... o meu corpo implorava por mais e ele gostava, as suas frases porcas quase podem ser ouvidas do lado de fora e isso assusta-me, mas o seu sorriso era impagável, a sua língua fazia movimentos sobre o meu peito, sem retirar o meu sutiã, e estou levemente aliviada por isso. Cada vez que olho para ele tem um sorriso contente nos seus lábios, ele devia ter prazer com isso, em dar-me prazer...
A pressão no fundo da minha barriga cresce e não sei como explicá-la, o fogo cresce nas minhas veias e é puro extase. A minha mão está no seu cabelo, puxando e apertando e ele parece gostar disso. O meu corpo está demasiado envolvido pelo seu e a minha mente não trabalha corretamente, os seus dedos abrandam mas vão mais fundo, a dor instala-se e não consigo evitar gemer. A sensação toma conta de mim e vai desaparecendo aos poucos, deixando apenas um rasto de prazer nos seus toques torturantes e lentos. Os músculos dos seus braços contraem-se à medida que empurra os seus dedos dentro de mim e geme baixo, a sua cabeça rapidamente sobe até mim e ele beija-me profundamente, o ar em redor não é suficiente para satisfazer as minhas necessidades... Enquanto me beija as suas mãos movem-se habilmente, a pressão no meu estômago cresce à velocidade da luz e as minhas pernas endurecem enquanto me desfaço com o seu toque e murmuro o seu nome repetidamente... a minha visão fica turva e tenho de piscar os olhos fortemente para voltar ao meu estado normal.
Zayn: Como é que nunca ninguém te tocou antes?! - murmura ao meu ouvido... O que é que acabei de fazer?

Continua...
xxAndy