quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 39 - A lie.



Eu: A que horas começa? - pergunto assim que entramos em casa, pousando os vários sacos no chão. Em uma breve respiração ele logo responde.

Liam: Começa às 22h, mas não temos de lá estar a essas horas. - ele murmura a última parte, sentando-se no sofá. Respiro profundamente, lutando contra a vontade de literalmente me atirar para cima do sofá. Realmente não estou habituada a sair de casa. A minha mais recente casa. Já me sinto como se pertencesse aqui. Embora não devesse, porque por mais que o meu coração me diga para ficar, a minha mente grita de pulmões bem abertos que não pertenço cá e nunca irei, porque esta não é a vida que costumo levar... não uma vida descontraída ou sequer calma. Nada disso, mas algo me faz pensar o contrário, e é nisso que quero acreditar agora.

Eu: Liammm. - gemo contra o seu peito quando ele me aperta num abraço e me roda no sofá, até o seu peso me prender contra ele. O ar parece até escasso, ele realmente é pesado.

Liam: Disseste alguma coisa? Pareceu-me ouvir que querias, hum, um beijo? - ele ri - Bem, isso pode acontecer, mas tens de parar quieta, sim babe?

Eu: Não. Não, foda-se não. - o seu riso rapidamente desaparece e ele faz beicinho, a força nos seus braços a diminuir. Em um movimento empurro-o e ele cai de costas no chão, grunhindo levemente de dor. O ar nos meus pulmões diminui à medida que riu cada vez mais, trincando o lábio ao ver a cena.

 

***

 

O local está completamente lotado e as minhas pernas fazem o seu caminho para dentro, assim como dezenas de pessoas que nos seguem. O barulho da música é alto, batendo diretamente contra o meu coração e fazendo-o acelerar a cada batida, as luzes são fortes contra os meus olhos e sinto-os arder levemente, enquanto me tento acostumar com a sensação. Alguns olhares são voltados para mim, provavelmente pensando na razão pela qual estou aqui quando não conheço ninguém, de todo. O braço do Liam está em volta das minhas costas, ele logo reconhecendo alguém, acenando alegremente. Continuamos a caminhar pelo que se parecem minutos e o seu braço lentamente parece afastar-se de mim, ele caminhando com as mãos nos bolsos e dizendo algo por entre as batidas, chegando os seus lábios até o o meu ouvido.

Liam: Vou buscar uma bebida, queres beber alguma coisa? - ele fala alto, mas no entanto ele está a gritar para que a sua voz possa ser ouvida. O seu olhar é interrogador e então assinto negativamente com a cabeça, sorrindo por fim. São apenas 23h e se começar já a beber não vou chegar a casa pelos meus próprios pés. Ele afasta-se e empurra-se pelo mar de gente que o apertava pelos corredores, na tentativa de chegar ao bar.

Realmente espero que isto tenha sido uma boa ideia. Espero que sim.

E é então que, perdida em pensamentos e contornando uma esquina que, por entre a música alta, ouço uma voz chamar por mim e um sorriso quente na minha direção. Então o meu coração para, desejando que o Liam não apareça. Desejando que, se fechar os olhos, a visão vá embora.

Dan: Por aqui babe? - o seu sorriso é grande e a sua língua percorre o seu lábio, à medida que o seu olhar percorre todo o meu corpo. O meu peito começa vagamente batendo mais depressa. A sua mão segura um copo, despejando o líquido pela garganta abaixo. E então, em menos de segundos, o meu olhar dirige-se ao seu, olhos vermelhos e brilhantes. Ele está bêbado. - Tive saudades tuas Bell. Não apareceste duranto muito tempo. - ele ri, mãos subindo dos seus bolsos para os meus braços, tentando puxar-me para um abraço claramente não correspondido. As minhas mãos suam e mexem-se irrequietas, cabeça virando de um lado para o outro, no caso de fuga.

Eu: Estive com alguns problemas. - sorri vagamente, arrepios percorrendo desde os meus braços até as minhas pernas. O seu olhar desce até o seu copo, perguntando-se o porquê de estar vazio. Ele literalmente não sabe o que está a fazer. O seu cabelo está todo despenteado e a tendência a despenteá-lo é maior, uma vez que passa as suas mãos por ele freneticamente.

Dan: Estás, hm... pareces-me bem Bell. - uma curva forma- seno rosto, sorrindo depois de lamber os seus lábios. A minha cabeça roda e a minha alma está no chão, lembrando-me de memórias de festas anteriores. - Gosto do vestido. - os seus passos estão perto, cada vez mais à medida que se encaminha até mim. Os meus pés a tropeçar para trás, numa tentativa de manter distância. O meu corpo pede por ar quando esbarro dolorosamente contra uma parede perto da cozinha suponho. Fecho os olhos, a dor instala-se pelos minhas costas e tento mover-me, mas não posso. O meu coração bate depressa no meu peito,o sangue percorre as minhas veias violentamente e começa a sentir-me gelar por dentro, o meu coração a doer das batidas fortes misturadas com a música alta.

Eu: O-obrigada Dan. - tento agradecer, por mais que não quisesse. Os meus olhos ardem e a minha garganta dói, claramente preparando-me para o que vem a seguir. As suas mãos empurram-me contra a parede, mantendo-me presa lá, lágrimas escorrendo lentamente pelo meu rosto quando sinto o seu hálito a álcool próximo da minha boca. - Deixa-me sair, por favor... - os meus lábios movem-se para falar e sussurro em suplica, desejando poder sair daqui o mais depressa possível.

Dan: Mas eu quero-te beijar boneca. - os seus olhos prendem-se nos meus, assim como as suas mãos que apertam a minha cintura e a empurram contra a parede, mantendo-me no lugar. As pessoas passam e ignoram, não vendo o meu choro muito menos a forma como ele me posiciona, aumentando a velocidade com que me movo, por mais que seja inútil. Mas eu não vou ficar aqui e deixá-lo tocar-me, não quando tudo tem acontecido ao mesmo tempo, não como da última vez. Não vou deixar acontecer de novo, não posso. O meu peito bate cada vez mais depressa e os batimentos são altos, quase empurrando o barulho da música para fora da minha mente. E então, em questão de segundos, os seus lábios espremem-se contra os meus, causando-me a entrar em pânico total, o meu corpo a mover-se rapidamente tentando livrar-se do aperto. A sua boca move-se contra a minha e os meus punhos estão presos contra a parede, e por mais que tente empurrá-lo não consigo, os meus olhos rebentando em lágrimas inacabáveis.

Eu: Dan, solta-me. Solta-me, por favor. Para! - grito e as lágrimas que escorrem pelo meu rosto terminam o seu caminho no meu peito, molhando-o por completo. A minha garganta rompe em soluços à medida que ele me força a beijá-lo. Os meus lábios não se movem, por mais que ele tente, levando-o a aplicar mais força e rapidez nos mesmos. O meu rosto está escondido pelas suas costas pois ele é alto e quem quer que passasse pelo corredor diria que estou a fazê-lo por vontade própria, no fundo, a trair o Liam. Mas eu não estou, não estou, e a minha mene apenas voa para o dia em que ele me ajudou com o idiota que me perseguia e tudo o que quero é que ele apareça, rápido.

Dan: Beija-me porra! - ele grita e volta os seus lábios aos meus rispidamente.

Xxx: Bell? - o meu peito bate depressa ao som da sua voz, os meus braços a trabalharem juntos para me afastar rapidamente, mas eles são soltos em questão de segundos. Dan apenas a olhar para o Liam com um sorriso no rosto, fazendo o meu coração partir-se em mil pedaços. Ele sorri cada vez mais e olha para mim, a minha mente explode e só quero partir cada osso seu. As minhas pernas tremem assim como a minha vozz, as palavras não são suficientes para explicar-me no momento, ele pensa que viu tudo... mas ele não viu nada, e o meu corpo treme com isso.

Eu: Liam, liam por favor... - chamo em súplica, lágrimas a escorrerem desesperadamente pelos meus olhos. - Eu não estav...

Liam: Não. Não me mintas! - ele berra, raiva flutuando pelo seu rosto, maxilar apertado e punhos fechados. O meu corpo encolhe-se automaticamente, não suportando a forma como está a olhar-me ou sequer a falar-me. - Tudo o que eu fiz foi buscar uma bebida e encontro-te com ele? Depois de tudo, depois do que passamos até aqui porra, e é isto que me fazes? - os seus olhos fecham-se em descrença, a sua mão fazendo o seu caminho até a sua cabeça, puxando o cabelo rapidamente à medida que a minha respiração se descontrola cada vez mais. - Não podias ser mais original? - ele grita e todas as atenções estão em nós. Ele não podia pensar assim, não de mim.

Eu: Não Liam! Não! Porque é que eu perderia o meu tempo contigo se não te amasse? Porra, porque é que eu iria beijar alguém sequer depois do que se passou? - berro à medida que ele me ouve mas anda pelo corredor até o exterior. O vento está gelado e faz as emoções levarem a melhor de mim. - Eu juro-te, porra Liam, eu juro que eu não queria... ele estava a agarrar-me, ele estava... - soluços rompem da minha garganta a todo o momento e começa a irritar-me quando não consigo formar uma frase inteira.

Liam: Não Bell! Para! - grita. - Apenas... não uses isso para te proteger, eu realmente pensei que te importasses comigo. Que idiota. Claro que não, tu não queres saber de mais ninguém a não ser de ti mesma. Estava enganado. Mas vamos fingir que está tudo bem, não é como se fosse a primeira vez que isto me acontece... - os seus olhos brilham e uma pequena lágrima escorre por eles. O meu peito bate depressa ao som das suas palavras e não consigo fazer nada a não ser pensar que ele mantive aquilo sempre dentro dele. Eu realmente pensei estar a dar o meu melhor nesta relação, se isto ainda é uma relação?

Eu: Por favor Liam... - choro, choro porque não há nada mais que possa fazer no momento. E as pessoas em redor só fazem tudo pior, fazem-me sentir vigiada e eu odeio, fazem-me sentir sufocada e eu sinto como se fosse cair a qualquer momento. - Ouve-me... - caminho para mais próximo e tento segurar na sua mão, mas os seus dedos escorregam pelos meus, fazendo o meu coração para de bater no meu peito. Ele recua cada vez mais... para mais longe... ele está a escapar-me... e os meus olhos estão a atraiçoar-me, não conseguindo ver nada focado.

Liam: Esquece. Eu já percebi. Foi bom para mim, eu acho. Só tenho pena que tenha sido uma mentira.

E com isso ele parte, despedaçando cada parte de mim, até mesmo as que não sabia ter. O meu peito dói e a minha cabeça roda, do choro provavelmente, mas porque já devia estar preparada para isto. 

E eu nunca estive, nem nunca estarei.

Porque eu tinha para mim.

Porque ele foi-se.

Porque ele não acreditou em mim depois de tudo.

Dos meus olhos sai tudo o que pareço ter guardado todo este tempo, rebentando em soluços e choro pesado, sendo deixada para trás, novamente. E as pessoas estão todos em redor, a olhar para mim, com olhares estranhos e por mais incrível que pareça, não era pena que tinham de mim. Mas sim nojo. Porque eles que eu fiz aquilo, mas eu realmente não fiz. As minhas pernas fazem o seu caminho pela rua o mais rápido que podem para longe daquele sítio. Novamente, estou perdida e não faço ideia por qual caminho é a minha casa e a minha visão é fusca, as minhas pernas tremem e o meu corpo não aguenta o seu próprio peso.

Tinha de ser tudo tão difícil? E porra, foi tudo tão rápido. Em menos de 10 minutos entrei e em menos de 10 minutos saí, trazendo nada mais comigo do que raiva e mágoa. Como sempre, eu já devia estar habituada a isto.

Sempre estive, certo?

 

Continua...

xxPatrícia

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Imagine Larry - Diário da nossa paixão

*Leiam as notas no final*

09.06.2014

 

Junho. Olho lá para fora e faz frio, a chuva cai intensamente quebrando as suas frágeis gostas no vidro da minha janela e mal consigo ver os raios de sol rasgarem no céu, como é típico dos meses de verão. Hoje era diferente. O tempo parecia gélido e sem sinal de vida, a noite parece se ter apoderado do dia, transformando-o em ruínas. Mas eu realmente não me importo, estou bem. Não sei explicar, apenas estou porque me fazes sentir assim!

Significas tanto para mim que chego a não saber mesmo lidar com isso... tanto consegues ser a minha calma como o meu tormento.

Tenho-te como se já fosses meu. Acho que o mundo começou a conspirar a nosso favor hoje!

Always yours,...

 

 

09.08.2014

 

As pessoas dizem que a distância é capaz de atrapalhar, desfazer, acabar o que existiu até ali, e que por causa dela amor simplesmente não existe. Será que quem o diz já o viveu? É a distância, é ela que torna os beijos tão desejados e os abraços, os carinhos, os olhares passarem a pertencer aos nossos sonhos. Todas as noites. Ela torna os nossos desejos inalcançáveis, mas somente prova que o quero cada vez mais, apesar da dor que causa em mim durante todo o tempo.

Esta distância está a matar-me, mas está a fazer-me sentir... sentir que o sentimento é humano demais! Os planos começam a fazer todos sentido, o coração passou a ser um só e não, não são só sonhos de criança, desta vez é real. Tenho tanto força de vontade de fazer acontecer... Incrivelmente criamos  a ligação mais inesperada. Com a distância o verdadeiro amor só tende a aumentar. Podemos considerar como "prova de fogo" tudo isto... Porque eu ainda guardo tudo comigo e se fechar os olhos, esse "tudo" volta, desperta a palavra saudade em mim.

A solidão já me procurou várias vezes desde que estamos longe, mas a certeza que tenho de que te vou ter comigo novamente apaga qualquer solidão que venha até mim e queira destruir tudo o que já construímos juntos. Espero que o mesmo esteja a acontecer contigo... Tenho tido os meus surtos inesperados de saudade, é impossível impedi-los quando sei que estou aqui e tu "noutro lado do mundo", mas...

Always yours,...

 

09.06.2015

 

É realmente difícil olhar para atrás, olhar e simplesmente perceber que todos os momentos que vivemos, cada lágrima, cada sorriso, cada vitória, os simples segundos de silêncio em que nem eu, nem tu conseguiam arranjar meras palavras, todos esses segundos em que o tempo parava e éramos apenas nós, tudo isso... perdeu-se, foi destruído e desta vez tu não quiseste lutar. Acho que sabes que nunca venceria a nossa guerra sem ti. Nunca pensei que me conseguisses construir e destruir... e essa destruição tem-se notado cada vez mais em mim, somente não consigo impedi-la porque foste o único que amei e mesmo depois de derrotado continuo a amar.

Pergunto-me tantas vezes, inúmeras até, onde está a pessoa por quem me apoixonei, por quem eu lutei, por quem eu era capaz de enfrentar o mundo, matar, morrer... a pessoa em quem apostei toda a minha vida? Magoa. Tenho medo, medo que nada volte ou que pelo menos parte de mim não supere nunca a perda. E dói, não acreditar mais em algo vindo de ti! Dói viver cada dia numa luta constante, travando uma guerra comigo... o coração luta por uma chance mais e a mente apenas diz que como tudo, nós tivemos o nosso fim.

Era tudo tão mais fácil antes. Tudo. Independentemente de qualquer cicatriz que deixaste agora em mim, eu sempre fui feliz.... acho que ambos fomos... Eu ainda guardo as armas com que lutamos juntos, podemos continuar esta guerra sabes?! Só preciso de ti ao meu lado, diz-me que o queres tanto como eu, e apenas responde mentalmente... Eu significava tão pouco para ti?

Always yours,...

 

09.06.2016

 

Realmente eu sabia. Nós nunca seríamos capazes de esquecer um do outro, não o somos simplesmente. É algo intenso demais para conhecer a palavra fim, algo que foi intenso desde o começo, algo que aumenta a cada segundo, dia, ano que passa... algo incomparável a qualquer outro sentimento que já me preencheu. Já vives no meu coração.

Após as tempestades, o sol sempre surge... e independentemente de qualquer obstáculo que a vida nos traga o nosso sol sempre vai reaparecer e abalar qualquer ruína que se tenha encarregado de nos separar. Tal como agora. 'És o meu porto seguro', porque sei que se um dia cair, não vou entrar em queda constante, tu vais lá estar para me proteger, cuidar, tal como eu o farei! Isso significa tudo, porque muito amam, mas poucos sabem amar como nós...

Always yours,...

 

09.06.2019

 

'-00.00, pede um desejo!

 -Já pedi... conta-me, o que pediste?

 -Como queiras... Uhm, só quero que saibas que o meu foi que o teu se realizasse!'

Nesse dia eu simplesmente desejei ter uma família contigo sabes? 09.06.2019, estou a ver o nosso filho brincar no nosso quarto. Incrível não é?! Como agora a palavra "nosso" faz tanto sentido! Toda a trajetória que forma a minha vida, tu estás lá de mão dada comigo, todos os planos te incluem, o meu futuro pertence-te bem como a minha alma e o meu coração... estou inteiramente preenchido por ti, por isso a minha existência depende unicamente da tua!

Always yours,...

 

 

Fim.


Heyy. Então... embora o imagine seja Larry, não foi verdadeiramente inspirado no Harry e no Louis, respectivamente, mas sim em dois amigos que tal como relata o imagine se amam e nada nem ninguém os poderá separar. E é assim que deve ser, com todos sem exceção, porque todos merecem ser felizes. 

Esperamos que tenham gostado...

 


sábado, 9 de agosto de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 38 - Shopping'?

 

 

Eu: Liam? - a minha voz soa baixo e interrogadora, ele não devia estar em casa? Os batimentos vão desacelerando permitindo-me respirar mais calmamente. - Não devias estar em casa? Ainda não tens aulas agora...
Liam: E tu não tinhas aulas Bell? - ele ignora a minha pergunta e as suas sobrancelhas elevam-se no seu rosto tenso. Ugh, foda-se, esqueci-me por completo.
Eu: É. Tinha. - suspiro e retiro os dois fones, guardando-os de volta na mochila. - Deixei de ter a partir do momento em que a professora faltou... - acrescento, mas ele não parece acreditar e de alguma forma sei que estou fodida. Ele é demasiado preocupado porra, qualquer aula que falte vai ser um problema agora... pelo menos eu acho. Espero que ele não faça grande caso disso, realmente não me apetece ter uma discussão agora.
Liam: Bell... - ele ri e senta-se ao meu lado, olhando agora para mim. - Nós temos um professor de Filosofia, não uma professora.
A minha respiração prende-se na minha garganta e não preciso de dois segundos para me engasgar com a saliva. Ele ri e aproxima-se, massageando as minhas costas, tentando de alguma forma ajudar-me... respiro fundo calmamente e olho para cima, expirando e inspirando várias vezes.
Eu: Foda-se. Foda-se Liam. - grunhi e a minha garganta parece arranhar. Ele ri. - Não devias estar em casa mesmo?
Liam: A minha mãe saiu e não tinha nada para fazer mesmo. Vim para cá por isso... não que aqui seja interessante. Não de todo. - ele ri e os seus olhos prendem-se num ponto fixo na relva. As suas mãos arrancam parte da relva enquanto ele sorri, ele tem um sorriso lindo. Os músculos nos seus braços sobressaem-se enquanto ele continua a tarefa, a camisola é apertada e sinto-me voltar ao primeiro dia que o vi. Ele era, e continua a ser, provavelmente o rapaz mais atraente com quem já estive todo este tempo.
Ele parece pensativo, a sua mente viajante para um outro lugar que não este, pequenas linhas formam-se na sua testa e o seu rosto está carregado. A curiosidade corrói-me por dentro e inspiro para falar, a sua atenção ainda está focada na sua pequena tarefa em destruir o pequeno espaço verde dali.
Eu: Em que é que estás a pensar? - divago, ele solta um pequeno suspiro e os seus olhos cerram-se um pouco, mas a sua atenção logo volta a mim. Os seus olhos encaram os meus como se fossem diamantes, focando-se intensamente, tirando-me o fôlego.
Liam: Estava a pensar... vai haver uma festa hoje à noite, na casa de um amigo meu. - ele suspira, examinando as minhas expressões à medida que ele se explica. Uma festa. Elas não tem corrido bem ultimamente. Não de todo. O meu peito palpita mais forte só de pensar no que pode acontecer, que o que quer que aconteça... pode estragar tudo, fazer com que tudo tenha sido em vão. A minha mente gira e tento recompor-me, os nós da minha mão tornam-se brancos devido à força que aplico neles, seguro no colar e brinco com ele por um pouco, a minha atenção escapando-se para ele e o seu significado para mim. - Eu sei o quanto tu gostavas de ir a festas... eu não quero deixar-te mal a cada vez que saímos ou vamos a uma. Eu só quero que seja diferente desta vez... vai correr tudo bem, eu prometo. Não vou deixar que nada de mal te aconteça... - solto um suspiro leve, o seu olhar ainda está fixo no meu rosto analisando cada detalhe do meu rosto. Desço o olhar e a minha pulsação aumenta com a visão na minha frente, as pulseiras ainda estão todas no chão, as cicatrizes evidentes no meu pulso bem à sua frente, seguro-as e coloco-as de volta no pulso lentamente para que ele não note o quanto a minha respiração alterou e o nervosismo que se forma na minha pele enquanto fazia a pequena tarefa e solto um suspiro longo quando a finalizo.
Eu: Podes ir buscar-me a casa? - respiro fundo, um grande sorriso forma-se no seu rosto e os seus olhos brilham em alegria.
Liam: Então tu vais? - o seu sorriso alarga e ele coloca-se de joelhos enquanto assinto positivamente com a  cabeça, as suas mãos param dos lados da minha anca com punhos formados e as suas pernas estendem-se sobre as minhas, então ele tem todo o seu peso sobre os seus braços cada vez mais tonificados, a minha respiração a confundir-se com a sua à medida que ele se inclina sobre o meu corpo até os meus lábios. - É impossível não amar-te...

E então os seus lábios juntam-se aos meus finalmente, provocando arrepios por toda a minha pele. As minhas mãos não sabem certamente onde colocar-se e mantém-se pousadas dos dois lados da minha cintura, as minhas pernas estão ligeiramente curvadas. A sua boca movimenta-se lentamente contra a minha, os seus dentes mordem o meu lábio inferior, local onde ele se aguenta durante uns segundos até a sua língua fazer cócegas sobre o mesmo. Então o beijo forma-se e aprofunda-se em menos de segundos e o meu corpo aquece por dentro. A minha mente para e apenas o som das nossas bocas e as nossas respirações se pode ouvir, o silêncio é profundo cá fora. Nem um único caro atravessava a estrada. O meu peito bate mais depressa com o contacto da sua mão na minha bochecha, acariciando-a... Então ele está apenas a apoiar-se em um braço, mostrando-me o quão forte ele é e o quão rapidamente ele poderia desfazer quem quisesse. Bastava querer.

Liam: Vamos embora daqui? - ele murmura pesadamente, a sua voz ainda ligeiramente ofegante e a sua mão ainda a acariciar a minha bochecha.

Eu: Para onde? - pergunto rindo à medida que ele se afasta o suficiente para poder respirar fundo e ele gargalha de seguida, mas erguendo um pouco as sobrancelhas.

Liam: Hm, queres ir... ao shopping? Preciso mesmo de uma roupa nova e dava jeito uma ajudinha... - ele pede enquanto faz beicinho o que me faz rir. Ele não quer ajuda. Ele sabe escolher roupa e como vestir-se bem, aliás... ele nem deve precisar de roupa nova. O que mais me espanta é o facto de ele estar a baldar-se para as aulas. É, talvez ele seja diferente do que eu pensei. Talvez.

Eu: Está bem. Eu vou. Com uma condição. - digo.

Liam: Qual? - na sua testa formam-se pequenas linhas como rugas e ele parece curioso.

Eu: Eu pago a minha roupa, não tu. - afirmo - Gosto de pagar as minhas coisas.

Liam: Mas Bell...

Eu: Shhh. Cala-te. - riu e tapo-lhe a boca rapidamente, impedindo-o de falar. - Se queres que vá, é nas minhas condições. - aponto e estou a falar a sério. Também preciso de alguma roupa qualquer e, hmm é... preciso de uma roupa interior. Pensar em comprá-la ao é dele faz as minhas bochechas ruborizar... mas não pode ser assim tão mau. Quer dizer, ele nem tem de lá estar, eu escolho, pago e venho embora.Certo? Claro que sim.

Liam: Está bem. Está bem. Tu é que sabes. - ele ri contra os meus lábios e deixa um última beijo antes de afastar e levantar, tentando limpar um pouco de relva que ficou nas suas calças, sacudindo-as. - Vamos? - a sua mão estende-se para me ajudar e eu seguro-a e então ele puxa-me rapidamente.

Eu: Onde é que está o teu carro? - pergunto enquanto pego nas minhas coisas e coloco a mochila no meu ombro. A sua mão acaricia a minha ligeiramente e ele segura-a, apertando-o na sua. O meu peito rapidamente bate mais depressa e o sangue nas minhas veias corre mais depressa. Andar de mãos dadas... eu estou a andar de mãos dadas. Tem de ser surreal. A temperatura no meu corpo prova-me que não é apenas ilusão e sinto-me tremer de cima a baixo. Eu não sou o tipo de pessoa que faz isto mas tenho de dizer que é inacreditável. Um pequeno gesto... é bom. Como se estivesse a dar-lhe mais de mim, ele me fizesse sentir mais segura e protegida. É realmente algo tão simples com tantos sentimentos envolvidos. É... surreal.

Caminhamos apressadamente até o seu carro. Não tinha reparado da última vez que nele andei, mas é realmente grande e vistoso. E ainda é preto e brilhante. É até um pouco assustador, mas lindo. Assim que entro e coloco o cinto ele faz o mesmo e logo o motor começa a trabalhar. O caminho é quase silencioso por entre as pequenas conversas que vamos trocando, a música é realmente boa, tal como eu previa assim que vi os cd's no seu quarto.

Liam: Chegamos. - ele sorri e a sua mão pousa sobre o meu joelho enquanto ele sorria contente. O meu peito começa a acelerar mas forço-me a acalmar a respiração e controlar as emoções, fazendo-o bater mais calmamente. Ele desce e abre a porta do meu lado antes que possa fazê-lo. Sorriu agradecendo, não estou habituada a que façam este tipo de coisas por mim.

Eu: Bem, vamos?

Liam: Claro! - ele ri e entrelaça os seus dedos nos meus.

 

***

 

Todos os vestidos são coloridos, floridos e/ou aborrecidos e nenhum deles assentava bem no meu corpo, por mais que o Liam dissesse gostar de todos eles na realidade. Nas mãos ele carrega alguns sacos com compras dele, todas realmente boas na verdade. Nas minhas mãos estão alguns sacos com calças de todos os géneros, sweaters para o tempo frio que parece estar a chegar e umas botas, bem, as melhores que já comprei até hoje. Eu diria que elas parecem para rapaz, por serem pretas como toda a minha roupa, mas são lindas. São... bem, confortáveis e quentes. Até o Liam gostou. Fico contente por isso. Mas esta loja está a queimar-me o cérebro e escolher a porra d eum vestido nunca pareceu um atarefa tão difícil antes. São todos horríveis, como já disse antes. Preto, eu preciso de escolher algo preto, ou escuro... por aí.

Liam: E este? - ele aponta par ama prateleira onde tem um vestido preto devidamente dobrado e em menos de segundos tem a minha atenção. Caminho até o pé dele e deixo a rapariga que se encaminhava para me mostrar inúmeras coisas, todas horrorosas de certeza. Posso dizê-lo através da roupa que ela tem vestida. Amarelo. Ugh.

Os meus pés fazem o seu caminho até ele e olho para a prateleira, onde o vestuário se baseava no preto e cinzento. Não vi ainda nenhum que me chamasse a atenção, mas só as cores já posso dizer que me conquistaram. Seguro no mesmo para que ele apontava à um tempo atrás e a minha respiração trava por um segundo, mais tarde voltando ao normal. As mangas são de dois quartos e é coberto por um material preto, com um pequeno fecho nas costas. Sorriu para o Liam e ele logo percebe que vou experimentá-lo mais tarde e acabo por segurar em outro um pouco diferente do mesmo, que se parece uma camisola cinzenta mas na verdade faz parte do vestido e a parte de baixo preta, o material de couro largo, como uma saia.

Depois de pegar em tudo que iria experimentar encaminho-me para os provadores e o Liam espera do lado de fora da porta do provador, claramente impaciente com a demora.

Experimento primeiro a minha última escolha, o top bastante apertado no meu peito mas com um decote conservador, embora o tecido não cobrisse todas as minhas costas, a saia curta e preta é de cinta alta e o couro bate na minha pele fria, não cobrindo metade das minhas coxas, arrepiando-me. Não é feio, mas é bastante curto, mais do que gostaria de usar agora. É muito, provocador? Abro a porta e encontro o seu olhar no teto, enquanto se balança nos calcanhares.

Eu: Liam? - murmuro e permaneço de frente para ele, à espera de uma resposta.

Liam: Jesus. - os seus olhos caiem em mim e a sua voz sai tremida, fazendo-me rir um pouco com isso. A sua boca abre-se ligeiramente e assim permanece, até ele pronunciar alguma coisa. - É hm, é bastante curto. Demasiado curto. - sinto o seu olhar descer para as minhas pernas e vejo-o engolir, levemente deixando a boca entre-aberta.

Eu: Não sei bem. Acho que não vou levar. - murmuro e viro-me para o espelho, alisando a saia contra o meu corpo. A sua respiração é pesada atrás de mim e um sorriso rouco escapa pela minha garganta. Isto não costuma acontecer... ele não costuma ficar sem palavras, ele não costuma ficar com a respiração acelerada perto de mim, ele não costuma ficar paralisado. Normalmente sou eu. Mas fico contente por ver que não sou a única assim. - Passemos ao próximo. - murmuro e suspiro, fechando a porta atrás de mim.

Retiro o que tenho vestido e seguro no outro, vestindo-o. As mangas fazem-no parecer mais conservador do que ele realmente é, mas o tecido preto é bastante apertado na minha cintura e peito, delineando cada curva do meu corpo. O material é bastante curto, mas não tanto quanto o outro. A forma como assenta nas minhas ancas parece divinal e aprendo a gostar dele em menos de segundos. Suspiro e respiro fundo, abrindo a porta.

Ele balança nos seus calcanhares repetidamente, provavelmente choramingando pela espera. Chamo-o e a sua reação é de louvar.

Liam: Foda-se Bell. - ele engole. Não tenho a certeza se ele gosta, espero que sim.

Eu: Fica bem?

Liam: Fica. Foda-se sim, fica. - ele murmura e a forma como diz as palavras torna-as melhores do que nunca. A forma como os seus lábios se abrem para pronunciar cada palavra é apenas fenomenal.

Eu: É hum, curto? 

Liam: Bastante. - ele sorri. - Mas acho que devias levar.

Eu: Acho que sim. - murmuro, entrando para o provador uma outra vez.

Ele ainda tentou pagar o vestido e de certo modo estava a irritar-me, uma vez que eu disse que ia pagar as minhas coisas, mas o simples facto de eu estar a escolher roupa com ele no shopping já é um grande avanço na relação. E ele também parece gostar disso, por isso vamos manter as coisas assim. Só falta uma coisa. Uma loja.

Caminhávamos pelos corredores com várias lojas por todos os lados.

Eu: Queres comer alguma coisa? - pergunto, por dentro esperando que a resposta seja positiva.

Liam: Hum, eu não. Tu queres?

Eu: Ah? Não. Eu só... hm - murmuro, tropeçando nas palavras, a minha cara aquece e sinto-me ruborizar. Ele ri, pedindo-me para avançar - Eu preciso de ir a uma loja. Comprar umas coisas.

Liam: Ah ok, então eu também vou. - ele sorri e diz calmamente, avançando e levando-me com ele, mais tarde percebendo que ainda não sabe qual é o caminho.

Eu: Não Liam. Não estás a perceber.

Liam: O que é que há para perceber? - a sua testa enruga e ele parece curioso, cruzando os braços contra o peito, claramente tonificando os músculos lá. Respiro fundo e encaro o chão, sentindo a vergonha percorrer todos os meus músculos.

Eu: Eu tenho de ir comprar hum, roupa interior, Liam. - termino, olhando para ele rapidamente para ver a sua expressão. Mas ele explode num enorme sorriso.

Liam: Então vamos Bell. Não tens de ter vergonha de mim. - ele sorri e os seus braços puxam-me para um abraço apertado, eu aproveitando para esconder o rosto no seu peito. Não tenho de ter vergonha... mas isso é impossível. Não sabemos assim tanto um sobre o outro para assuntos tão... íntimos certo?

Recomponho-me e assinto, respirando fundo e calmamente dirigindo-me até a loja, desejando que isto nunca tivesse dd acontecer.

Lá dentro, ele insiste em ver tudo o que compro, enquanto vê e ri com algumas coisas da loja, divertindo-se com a minha timidez em relação a este assunto. Mas a verdade é que nunca o fiz com ninguém, nem mesmo com a minha mãe, então é um pouco estranho e estamos a falar de um assunto que eu considero privado.

Liam: E este Bell? Acho que te iria ficar bem. - ele diz, segurando um conjunto num tom azul claro, mas era bastante rendado pelo que pude reparar. Vejo-o largar um sorriso idiota no final, que se transforma numa enorme gargalhada quando lhe mando o dedo do meio.

Depois de pagar seguro nos sacos e dirigimo-nos até o carro. Está mais longe do que me lembro e temos de passar por um casal demasiado animado dentro de um carro, totalmente indiferentes para o barulho que estavam a fazer, provocando uma gargalhada da garganta do Liam. Era impossível andar de mãos dadas porque as sacas eram demasiadas, mas não pude deixar de notar nos músculos que se formavam nos seus braços à medida que as carregava com ele.

Ele estava a fazer de propósito?

 

Continua...

xxPatrícia