quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capítulo 11 - Only one


Mel P.O.V.  

Zayn: Como é que nunca ninguém te tocou antes?! - murmura ao meu ouvido...O que é que acabei de fazer? 

Senti as minhas cuecas serem arrastadas pelas minhas pernas juntamente com os calções cobrindo a minha pele novamente. Os seus lábios pousaram sobre os meus beijando-nos suavemente... 

Zayn: Olha para mim Mel! - subo o olhar vendo o seu rosto próximo do meu - Não precisas de sentir vergonha babe... eu só te toquei, imagino que nunca ninguém o tenha feito contigo pela maneira que reagiste! - sentia-me corar cada vez mais, ele não podia simplesmente não falar daquela forma tão naturalista do que acabava de acontecer. - Responde-me Mel... Alguma vez t... - a sua voz é calma.  

Eu: Não - um sorriso forma-se nos seus lábios e vejo os seus olhos brilharem, sinto o meu corpo formigar com as pequenas carícias que a ponta dos seus dedos vai fazendo nas minhas pernas. Consigo ouvir as batidas aceleradas do meu coração e também os batimentos de Zayn contra o meu peito, impressionantemente estes são rápidos também.  

Zayn: Não te quero perder Mel - um sussurro cai dos seus lábios e faz-me estremecer pela maneira fraca como o diz.  

Eu: Não vais. - e mais uma vez aquela sensação de medo voltava... parecia que ele gostava de ter sempre opções ali, como se tratassem de escapes. Porque é que ele acabava de me dizer aquilo agora?! Porque é que ele insistia em confundir-me! Eu queria tê-lo e foi por isso exatamente que acabava de confiar e entregar-me a ele como nunca o tinha feito a ninguém.  

Zayn: V-vou! - a sua voz parece desmoronar completamente à medida que os seus lábios se movem para dizer uma simples palavra, o seu olhar não larga o meu por um segundo... - Acho melhor tomares um banho - o tom da sua voz volta ao normal, ele dá espaço para que eu possa me levantar e dirigir para os chuveiros. Assim o faço. A água começa a correr molhando cada parte do meu corpo. Não sei o que sinto concretamente, não sei o que acabou de acontecer, não sei o porquê do que ele me disse... estava completamente perdida, inundada em perguntas sem respostas concretas, perdida em pensamentos, perdida nele! Na minha vida... as luzes apagaram-se, a escuridão chama por mim constantemente, ouço vozes a arrastarem-me para onde não devia, e em tão pouco tempo, eu entreguei-me a todos esses perigos, deixei de odiar essa sensação e agora eu amo-a... não posso lutar contra essa vontade, tê-lo perto, porque apesar do lugar onde ele me leva ser a escuridão eu quero viver assim! 'Um dia vou entrar no teu mundo e acertá-lo, vou dizer que estamos melhor juntos.' Deslizei a toalha à roda do meu corpo e saí, o Zayn ainda estava lá, sentado, os seus cotovelos eram apoiados nas pernas e ele segurava o rosto entre as mãos fechadas... acho que ele se apercebe da minha presença, os seus braços são empurrados para os lados apoiando-se no banco em que está sentando e ele inclina-se um pouco para trás enquanto um suspiro cai dos seus lábios. Mordo o lábio nervosa com os seus movimentos e apenas permaneço quieta à espera de uma palavra sua. - Mel - a forma como o diz é fria e ao mesmo tempo triste, um arrepio cai sobre o meu corpo - Sabes o que eu realmente sou? - a sua expressão muda e ele levanta-se rapidamente do banco seguindo na minha direção, a maneira intimidante como anda faz-me recuar à medida que sinto os seus passos mais perto de mim, - Egoísta. Queres perceber porque? Porque tomo decisões que magoam os outros, e sinceramente eu não quero saber, eu não me importo. Afinal quando mostramos bondade é isso que as pessoas vão esperar de ti e eu não estou disposto a viver debaixo das expectativas de alguém durante anos para chegar ao fim e nada restar, não estou... e isto é o que eu sou Mel! Alguém que prefere morrer agora, a ter de viver de amor, porque o amor simplesmente não faz as pessoas felizes, não passa de uma ilusão boa no início mas e no fim?... - ele pausa e desliza os seus dedos entre os meus cabelos húmidos, a palma da sua mão preenche a minha bochecha e o seu polegar movimenta-se ao longo do meu olho, limpando as imensas gotas de água presas nele - E não há razões no mundo que não me provem o quanto eu sou errado para ti. - as palavras dele magoavam cada mínima fragilidade em mim. É difícil aperceber-me de que se olhar para trás tudo o que ele nos fez viver acabava de ser destruído, nunca imaginei... que alguém poderia construir algo melhor em mim e em poucos segundos desmoronar completamente essa muralha que ambos conseguimos criar para me defender de todos os perigos... acabando por ser ele o maior de todos! - Ás vezes na vida somos obrigados a fazer sacrifícios - realmente aquela frase de que "as pessoas iludem" faz um completo sentido em mim neste momento e a minha mente só grita pela pessoa que eu conheci dias atrás, a pessoa que me fez apaixonar por si... ela sempre lá esteve eu só não quis perceber!  

Eu: Sacrifícios?? Como é que podes ser capaz de dizer-me que sou um sacrifício para ti?! - grito, a velocidade com que a minha voz dispara na minha garganta provoca nela uma ligeira ardência que torna a minha voz mais rouca.  

Zayn: Mel não... - não, eu não conseguia simplesmente ouvir mais algo vindo dele agora, porque magoava, magoava escutar o meu coração querer apostar tudo nele e a minha mente dizer que chegou ao fim e a dor me provava isso.  

Eu: Não deixa, mas realmente sabes - respiro fundo e deixo que o meu coração se expresse em palavras, porque era o único que eu tinha esperança que se soubesse expressar o suficiente para ele - Eu não me arrependo de te ter conhecido, não lamento que tenhas sido o único que me fez questionar tudo... E independentemente de todas as escolhas erradas a que te resumes eu não me arrependo de te amar Zayn... - ele não se pronuncia e nem consegue encarar-me, mantendo apenas a cabeça baixa. As minhas pernas tremem e não consigo arranjar mais palavras para expressar o que sinto, as lágrimas encarregam-se disso correndo desesperadamente cada feição do meu rosto. 

Zayn: Porque é que o disseste? - grita inesperadamente, unicamente sinto os seus braços um de cada lado encurralarem-me contra os cacifos novamente e o estrondo que os seus punhos provocam ao embater neles. O meu corpo encolhe-se com o seu ato de raiva. - Eu sou um hipócrita e tu dizes que me amas? - grita.  

Eu: Eu era praticamente uma pessoa morta, e na morte... foste o único que me fez sentir viva! Como é que eu posso não amar o motivo da minha existência, explica-me... se o consegues fazer! - os seus olhos brilham e posso jurar que está perto do choro... Zayn: Para - ele suplica encostando a sua testa quente na minha, fecho os olhos e o meu peito bate cada vez mais depressa tornando a minha pulsação um tanto instável. - Dá vontade lutar por nós... mas quando apenas um está disposto a fazê-lo é melhor desistir na verdade! E eu não estou Mel... - uma lágrima desliza pelo seu rosto e sinto-a cair no meu peito. - Encontramos algo tão verdadeiro que está fora de alcance, completamente!! - ele recua mais... e mais, olha-me por uma última vez e simplesmente sai. Um aperto no coração e dor. Tudo o que sinto. Lágrimas e mais lágrimas.

(...) 

Caminho para fora do campo, a noite já caiu sobre Bradford e o meu corpo encontra-se trémulo. A arrogância apoderou-se completamente dele, tanto que nem mesmo ele percebe o monstro em que se tornou com os outros, o quanto as palavras podem magoar, mais até do que atos. Ou por outro lado percebeu mas apenas sente prazer em ser assim! Tudo o que vejo são palavras à toa em relação a mim, palavras em que acreditei... nenhuma promessa foi cumprida, porque não passou tudo de uma farsa. Como é que eu pude achar que ele cuidaria de mim, estaria lá e não deixaria o lado escuro apoderar-se dele? Como? Ele não se preocupou sequer em apenas seguir a sua vida, preocupou-se em excluir-me totalmente dela!! Continuei a arrastar os pés ao longo do passeio, o céu já estava completamente escuro mas contrariamente bastante estrelado, ou seja provavelmente amanhã não irá chover intensamente aqui por Londres. Lágrimas inocentes preenchiam os meus olhos intimidantemente escuros nesta altura transparecendo a dor que sinto neles. Não sei onde estou. Apenas me consigo aperceber de que estou perto da praia pois o cheiro salgado a mar invade as minhas narinas e mistura-se simultaneamente com o salgado do meu choro. 

Kail: Precisas de ajuda babe? - reconheço de imediato a sua voz rouca e volto-me para encará-lo, ele está atrás de mim mas distante o bastante pra que não repare nitidamente no seu rosto. O seu corpo está encostado a uma das árvores que forma aquela avenida, ele apoia o peso do seu corpo numa das pernas enquanto a outra se encontra fletida para trás pousando o seu pé no tronco suficientemente espesso para que as suas costas encostem totalmente sobre ele. As minhas mãos deslizam para dentro dos bolsos do casaco que trago vestido, abano a cabeça negativamente e volto o rodar os meus pés avançando. Poucos minutos depois chego à praia, um suspiro cai dos meus lábios e inspiro o ar que ali se fazia sentir. Sinto as suas mãos pousarem uma de cada lado da minha cintura e rodarem-na virando-me para ele, logo sinto os seus lábios gélidos rasparem ligeiramente perto do meu ouvido arrepiando-me - Tens a certeza Mel?- ele franze uma das sobrancelhas - Quer dizer, és nova por aqui, não deves conhecer bem a zona!- os seus olhos tem uma cor realmente cativante durante a noite, era como se ao castanho se misturassem diversas tonalidades de verde, as suas sobrancelhas são bastante definidas e como de habitual utiliza roupas escuras... Ali era tudo muito mais calmo, a mágoa parece amenizar, a agitação do mar causa um barulho agradável e agarro as sapatilhas na mão caminhando pela areia. Deixo-me cair de joelhos e choro compulsivamente deixando que o meu diafragma seja abatido de uma dor insuportável. Sento-me contra o rochedo mesmo ao meu lado e puxo as minhas pernas para o meu peito, abraçando-as entre os meus braços - Ohh babe - ele suspira e abraça o meu corpo contra o seu envolvendo-me nos seus braços. Ele acaba por me soltar e observo os seus movimentos lentos pegando num isqueiro e uma caixa de cigarros do bolso de trás das suas calças bastante apertadas por sinal permitindo-me aperceber de como os músculos das suas pernas estão tonificados. Ele retira um cigarro e prende-o entre os dentes acendendo-o, o seu olhar parece-me fixo no mar.  

Eu: Posso... experimentar? - o seu olhar centra-se em mim novamente seriamente e de repente solta uma gargalhada. - O que tem? Só quero saber qual é a sensação!

Kail: A sério?! - ele parece surpreendido, apenas o encaro firmemente. Aquele cheiro era repugnante mas eu precisava de novas sensações! - Espero que saibas que a tua ação de rebeldia vai acabar por ter consequências nessa tua vidinha bebé! - ele retira o cigarro da sua boca e direciona-o até à minha boca, aproximando o seu rosto também do meu. O seu indicador já está colado no meu lábio superior, o espaço entre nós é quase inexistente, ele movimenta as suas pálpebras e os seus lábios realizam uma curvatura despercebida e as covinhas nas suas bochechas tornam-se nítidas, ele estava a sorrir. Os meus lábios abrem um pouco para que ele possa colocar o cigarro na minha boca, contudo ele era o que me mantinha fixada neste momento!! A minha atenção estava apenas concentrada nos seus olhos... - Queres provar o cigarro ou os meus lábios Melanie?...

 

Continua...

xxAndy


Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 42 - Forgetting.

 

***

Dan: Deixa-me levar-te a casa. Bell...

Eu: Não, não. Eu estou bem, só preciso de um tempo para mim. Sozinha. Preciso de ligar os pontos, perceber isto tudo... eu não quero fazer algo que me arrependa Dan. Desculpa.

E com isto o som da campainha soa, milhares de alunos aparecendo por toda a parte. Murmuro um pequeno "obrigada" antes de sair, virando costas a tudo e a todos, as minhas pernas fazendo o seu caminho pelo passeio do exterior, caminhando pela única rua que conheço de verdade. As minhas mãos estão nos bolsos do meu casaco enquanto chuto pedras pelo caminho. A chuva já parou, mas o céu ainda está escuro, como sempre em Londres. A mochila descansa no meu ombro, levemente caindo enquanto ando. Os meus ténis molham-se, a água infiltrando-se nos meus pés, provocando-me uma sensação estranha. Todas as palavras ainda permanecem na minha mente... as do Zayn, da Sally, mas principalmente do Dan. Talvez o meu verdadeiro problema não seja o Liam, mas sim o que me aconteceu no passado? Mas se isto nunca tivesse acontecido, será que eu o conhecia? Será que tudo estaria bem? Será que tudo levaria este rumo?

Passados 15 minutos a passos lentos estou dentro de casa, retirando o casaco lentamente e pendurando-o junto de alguns outros perto da porta. Tenho mesmo de lavá-los, depois de estarem lá tanto tempo molhados provavelmente cheiram mal. É esse o problema de Londres de qualquer das formas... nunca está sol, a roupa não seca de outra forma a não ser numa máquina de secar. Algo que eu ainda não me decidi a comprar. Um passo de cada vez.

Olho novamente para o conjunto de roupa pendurado e os meus olhos querem chorar. Um casaco do Liam, ele provavelmente deixou-o para trás. Mas ele deixou mais do que isso para trás... muito mais - ou então quase nada... não é como se eu contasse de qualquer das formas. Seguro nele e procuro por algum sinal de mau cheiro, sujidade, estragos... mas está impecável, como sempre esteve. Penso em entregá-lo à sua mãe, ela deve estar em casa neste momento, mas recuo com a ideia assim que penso melhor. Ela não deve saber, ele não lhe deve ter dito. Não se passou um dia, porque haveria de o ter feito? Mas agora que penso realmente, são apenas 10h da manhã, ela provavelmente está a trabalhar. Olho pela janela e não está ninguém em redor, vou apenas colocá-lo na caixa de correio. Sei que posso entrar em casa, ele deu-me liberdade para o fazer sempre que assim quisesse, ele esconde uma chave para que eu saiba onde ela está e possa fazê-lo  sem ela ter de ficar aberta, mas não vou fazê-lo. Afinal de contas, já não somos nada um ao outro. Talvez nunca tenhamos sido de verdade, talvez tudo tenha sido uma ilusão, porque ambos precisavamos de alguém...

Abro a porta, seguro nas chaves e no casaco numa mão enquanto a fecho com a outra, não a trancando, a sua casa é mesmo na rua em frente à minha de qualquer das maneiras. Ultrapasso a estrada que as separa e chego até perto do correio. Claro que o casaco não cabe, claro que não. Sigo até a porta e deixo-o no banco lá perto, ficava mesmo ao lado da entrada para quem quisesse sentar-se cá fora para descansar ou estar ao ar livre, era impossível não ver.

 

***


São 22h, o meu telemóvel vibra perto da minha cama, sinal que acabo de receber uma mensagem. Olho para o ecrã, o número é me desconhecido.

Desconhecido - "Não consigo dormir, achas que me podes fazer companhia? xDan"

Rapidamente guardo o seu número no meu telemóvel, registando como Dan nos meus contactos.

Eu - "Talvez?"

Dan - "Espero que estejas a brincar com as tuas bonecas para teres demorado tanto tempo a responder."

Eu - "E eu espero que estejas lentamente a adormecer... oh, esta rimou xD" franzo as sobrancelhas na dúvida, sem dúvida não estou no modo de piada, então provavelmente vou dizer algo que não devia, ou que não faz sentido. É.

Eu - "Mas não fez sentido nenhum de qualquer das formas... :/ ignoremos. Amén."

Dan - "Por algum motivo tenho a sensação que me vais fazer adormecer de verdade. Fala-me disso... é algum poder?" sem querer forma-se um sorriso parvo no meu rosto, uma pequena gargalhada soltada pela minha garganta. Deito-me sobre a cama, já pronta para dormir, no entanto, a trocar mensagens.

Eu - "Idiota."

Dan - "Ouch. Essa doeu! Babeee porque é que me fizeste isto? Estou em sofrimento. :("

Eu - "Água fria e isso passa."

Dan - "Está tudo bem? Precisas de alguma coisa?"

Eu - "Preciso. Preciso de conseguir dormir e só dou voltas e voltas na cama. É o que se passa."

Dan - "E seu eu cantasse para adormeceres? Podíamos fazer isso... posso ligar-te?" riu com a ideia. Ele não parece ser o tipo de rapaz que sabe cantar, nem tão perto o tipo de rapaz que faz uma rapariga adormecer.

Eu - "Claro. Tens a certeza que sabes cantar?" brinco.

Dan - "Cala-te e espera só."

E então é quando recebo uma chamada. Deslizo o dedo pelo ecrã para atender. Não estou certa do que está prestes a acontecer, mas tenho a sensação que não vou adormecer nas próximas três horas.

"Dan?"

"Hey, bela adormecida. Então, queres uma canção de embalar? Olha que eu sei várias. Nem me perguntes como!" ele ri do outro lado da linha, a sua voz muito mais profunda através da chamada.

"Hey, e não, eu não preciso e uma canção de embalar, Dan. Não é como se fosse a primeira vez que não consigo dormir."

"Ainda bem, de qualquer das formas a minha garganta já se queixava antes mesmo de começar a cantar." ele ri, "Mas bem, como é que estás? A sentir-te melhor?"

"Ugh, não, nem por isso." solto um pequeno grunhido, deitando a cabeça contra a almofada, olhando para o teto. "Mas vou ficar. Mas sinceramente, preciso de alguma coisa para fazer. Um emprego talvez... de qualquer modo preciso de algum dinheiro."

"Já procuraste um emprego?" a sua voz desde alguns tons e parece muito mais sério. Relembrar-me que ninguém me aceitou faz-me soltar uma cara de desgosto enquanto falamos.

"Er, bem, sim. Mas eles não me aceitam... tu sabes, tenho 17 anos." digo, mexendo na bainha do lençol.

"Oh." É tudo o que ele diz. "Eu conheço uma pessoa que talvez possa ajudar-te!" ele diz rápido, como se de um momento para o outro se tivesse lembrado de algo.

"A sério?"

"Sim, ganham um bom dinheiro. Mas não me parece o teu género. Quer dizer, tens um bom perfil para isso, mas talvez não tenhas paciência."

"Não, não digas isso. Eu já aceito qualquer coisa." fecho os olhos, espalmando a minha cara em desprezo. "Qualquer coisa não, isso não! Depende do que tens em mente."

"Eu percebo-te." ele ri. "Mas bem, falamos amanhã? As coisas aqui não estão fáceis..."

"Certo. Desculpa."

"Não tem mal, boneca. Boa noite."

"Boa noite."

E com isso a chamada acaba, o silêncio rapidamente apoderando-se do meu quarto. Antes de conseguir adormecer penso em mil e um assuntos... nos meus pais, no Liam, na proposta de emprego que o Dan tem em mente, nos estudos... realmente preciso colocar as coisas no sítio.

O meu peito bate mais depressa enquanto percorre as antigas mensagens que trocava com o Liam, a minha respiração tornando-se descontrolada e quente.

 

***

 

Os meus pés andam durante algum tempo até avistar um corpo alto perto da entrada da escola, à minha espera. Ele segurava um cigarro na mão enquanto fumava algumas vezes, rapidamente atirando-o para o chão assim que me vê. Apresso-me a chegar até lá, desesperada para saber o que ele tinha para dizer, as minhas mãos já suadas.

Dan: Erm, então, lembras-te do que te disse ontem? Sobre o emprego?

Eu: Sim, Dan, lembro. Agora diz-me, passei  a noite toda em branco. - respiro, o ar frio saindo da minha boca e formando uma nuvem no ar. O dia está realmente gelado hoje, a sweater que tenho vestida não sendo suficiente para me aquecer. Não como quando tinha o Liam para me abraçar... as coisas mudaram tanto desde que o conheci, é como se não fosse mais eu.

Dan: É, então... achas que podias ser modelo?

 

Continua...

xxPatrícia

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 41 - I can't.

 

 

Sinto um vazio no peito, fá-lo doer. Porque está vazio, nada a ocupá-lo ou para mantê-lo ativo... impossível de curar. O tempo não muda nada, não cura nada, não torna uma pessoa fraca numa pessoa forte. É isso que temos de perceber, e esperar que o tempo ligue os pontos e cosa o meu cérebro para que funcione normalmente não vai acontecer. É impossível de qualquer das formas. Se o cérebro para, também nós.
A raiva nas minhas veias corre rapidamente, a chuva perfura a minha pele como tiros, o vento deixa-me sem ar e penso que posso ficar louca. Corro pelo compartimento escolar, à procura da saída, nunca antes tão difícil de encontrar. Os meus olhos parecem cegos com as gotas pesadas que caiem do céu, levando-me a embater dolorosamente contra o peito de alguém. Afasto-me e o meu coração bate rápido, começando a correr rapidamente, sem antes mesmo de pedir desculpa. Ele ficou apenas a olhar-me enquanto corria desesperadamente à procura de saída, à procura de alguma paz, algum conforto, na minha casa.
Não percebo nada. Não percebo porque corro, de qualquer das formas, não percebo porque tive de confrontá-lo numa sala de aula, não percebo como deixei tudo chegar a esse ponto, bem lá no fundo, nem percebo porque me sinto tão mal, como se todo o meu mundo tivesse desaparecido e eu fosse forçada a viver no dele. Não consigo suportar, é impossível lutar contra algo que nem eu mesma sei o que é, se é raiva, pena por ter acabado, tristeza, loucura... não sei, mas de tudo o que sei, isso eu não quero descobrir. Às vezes, para dar certo, temos de viver na ignorância. Pena que eu não sou assim.
As minhas pernas mexem-se rapidamente pelo passeio, já não correm, apenas andando a passos rápidos, enquanto o punho da minha camisola é usado para limpar as lágrimas que escorrem pelo meu rosto. A minha respiração desacelerou um pouco desde que cheguei cá fora, mas continua demasiado rápida para o normal, demasiado dolorosa para suportar.
Xxx: Bell? - o meu corpo torna-se pedra, os meus olhos fecham-se e algumas gotas caiem dele. - Bell! Babe.
Eu: Dan? - sussurro, inaudível, incrédula. Viro a cabeça rapidamente, o meu corpo seguindo as mesmas ações, encontrando-me totalmente desesperada ao vê-lo ali, à minha frente, quando na minha cabeça tudo o que penso é bater-lhe, bater-lhe e berrar, até que não possa falar nunca mais.
Os seus passos encaminham-se na minha direção, a histeria a percorrer cada fibra do meu corpo, a loucura a possuir a minha alma.
Eu: Como é que tiveste coragem de fazer aquilo? - as minhas mãos formam punhos, os meus olhos perfurando cada pedaço do seu corpo, inquieto e nervoso.
Dan: Bell, babe... eu juro, eu estava bêbado, tão bêbado... - a sua mão corre do seu bolso até o seu cabelo, despenteando-o nervosamente enquanto se aproxima, o meu corpo tremendo inquietamente.
Eu: Não te aproximes! - grito. Ele para os seus movimentos, as suas mãos mexendo em todo o seu corpo, desde o seu peito, até a sua testa.
Dan: Por favor, acredita em mim, eu nunca te faria isso. Eu não faria.
Eu: Porque é que o fizeste então? - estalo, voz chorosa e trémula, ele não responde. - Diz alguma coisa foda-se! Não tens noção do que provocaste... não tens... - digo incrédula, ele parece com remorsos, com pena.
Dan: Eu sei, eu sei. Foda-se, Deus sabe que eu nunca faria isso, não em plena consciência. - ele choraminga. - Mas tu estavas lá, tão linda, tão... - pausa. - Só eu sei o quanto me controlei todo este tempo, mas eu estava fora de mim, eu queria-te só para mm. Para mim. Não com ele! - a sua voz sobe, quase gritando, com raiva.
Eu: Para. Para, para, para!! - grito alto, a minha garganta a doer no mesmo segundo, as lágrimas escorrendo até a minha boca, levando-me a provar o mesmo sabor salgado de sempre. - Sabes o quanto te odeio? O quanto quero, - pauso, os batimentos do meu peito acelerando freneticamente, como flechas. - o quanto te quero bater agora? O quanto te quero ver sofrer, ver-te passar por tudo o que passei?? - choro. - Porra Dan, a minha vida já é tão difícil, tão difícil foda-se! Porque é que fizeste isto? Porquê?
Dan: Eu sei bebé, e acredita em mim, mais ninguém neste mundo te percebe tanto como eu! Eu sei o que é isso, eu sei o quanto é querer que alguém morra, o quanto é querer que alguém sofra por tudo o que nos aconteceu! Eu sei foda-se! - grita, elevando o seu tom de voz cada vez mais, mais baixando-o lentamente, incerto, inseguro. - Por favor, tens de acreditar em mim. Por favor Bell.. - os seus olhos brilham, o meu corpo dói com a proximidade a que ele se encontra, cada vez se aproximando mais. - Deixa-me... por favor, deixa-me ajudar-te.  Eu sei que é estúpido, eu sei, mas eu só quero ver-te bem. Amor...
Eu: Não me chames amor!! - berro.
Dan: Apenas, percebe que eu não fiz tudo isto para vos separar, para te ver mal. Não. Eu, eu apenas... eu preciso de ti Bell. Eu preciso. - o meu coração para de bater no meu peito, a temperatura em redor sobe, as minhas mãos tremem e os pelos nos meus braços arrepiam-se, congelando-me até a alma.
Eu: Nunca ninguém precisou de mim.

Dan: Mas eu preciso, eu preciso, deixa-me provar-te que só quero ver-te bem, ver-te assim parte-me o coração. - ele chora, algumas lágrimas escorrem pelo seu rosto, mas ele limpa-as rapidamente com o seu polegar. Sinto-me tão estúpida, tão estúpida por chorar em frente a ele, por não estar a bater-lhe como tanto quero, por não estar a correr até a minha casa para nunca mais o ver. Tão idiota, tão fraca, tão desesperada para ter alguém que se importe...

Eu: O que é que tu sabes?

Dan: O quê?

Eu: O que é que tu sabes que te faz perceber assim tanto de mim? O quê? De repente adivinhas a minha vida? É isso? Explica-te, por favor explica-te ou eu acho que vou enlouquecer. - digo, a minha voz alterada, a minha cabeça a doer enquanto as minhas mãos fazem o seu caminho para limpar as lágrimas.

Dan: Sabes porque é que sou assim? Porque é que tenho de vender estar merda? - ele cospe, gritando, referindo-se à droga que ele atira para o chão, o pó de dentro espalhando-se pelo chão, levado pela chuva. - Eu não quero isto! Não foi isto que eu escolhi para a minha vida! - ele berra. - Mas eu tenho de o fazer, caso contrário sou expulso de casa, porque tenho de sustentar a minha família! O meu pai é alcoólico, a minha mãe está sempre a fugir de casa porque ele lhe bate, e  depois, depois eu fico sozinho, como todos estes anos! Nunca passei anos tão maus como estes últimos... eu tive de o fazer, eu tive de o fazer se queria continuar com eles. Porque apesar de tudo, eles são minha família, e eu não posso deixá-los! - as lágrimas escorrem pelo seu rosto com a mesma frequência que a água cai do céu, o meu peito dói tanto como se tivesse sido cortado em bocados. - Mas eu quero, eu quero tanto deixá-los por vezes, fazê-los ver que me estragaram a vida, que eu posso ser melhor do que isto, sem eles! Mas eu não posso dizer-lhes isso, porque sem eles eu não sou nada! E infelizmente, infelizmente eu também sei que a tua vida é assim... difícil, horrível, um verdadeiro pesadelo. E sabes o pior? Eu sei porquê, e acredita... eu só queria ter estado contigo e ajudar-te quando eles se foram, eu queria! Mas eu não sabia, eu não te conhecia... mas eu podia ter-te ajudado. Sabes como é que eu sei disso? Sabes? - ele berra, rebentando com cada parte do meu corpo. - porque os teus olhos falam mais do que a tua boca. Cada vez que a palavra "pais" ou "família" é pronunciada, é como se te tivessem atirado de uma ponte abaixo, tal como agora... Mas Bell, nada na vida te pode fazer chegar a esse extremo, por mais que seja difícil, o nosso passado não pode influenciar o nosso futuro. Eu sei que tu os amavas, eu sei, mas dá uma oportunidade a todos os outros que se importam contigo mostrar que também te amam. Passa o capítulo à frente, a tua história pode ser maior do que isto, podes ser mais do que isto...

As gotas de água que caiem dos meus olhos molham a minha t-shirt à medida que as suas palavras soam da sua boca, memórias da minha família surgindo na minha mente. Eu era tão feliz, tão feliz... nada disto tinha de acontecer, e nada que eles digam pode mudar isto que eu sinto, esta raiva, esta impotência... eu não fui capaz de continuar a minha vida sem eles, eu não sou capaz! Não sou, porque pessoas como eu nunca aprenderão! Quando é que vou aprender? Eu só quero ficar bem, só quero que tudo fique bem... eu não quero ficar sozinha, eu odeio estar sozinha.

Eu: Eu não c-consigo... eu, e-eu, e-eu tenho saud-da-dades deles. - murmuro. - e-eu n-não consigo c-contin-nuar as-assim. - choro. - eu s-só qu-quero... - respiro fundo, apertando os punhos cada vez mais, não sendo capaz de formar a porra de uma frase sem gaguejar, sem chorar, sem conseguir prevenir-me de me sentir assim. - eu n-não qu-quero f-ficar... sozinha.

Dan: Está tudo bem. Por favor, não chores... -murmura, mas ele também chora. - P-posso abraçar-te? Eu não vou magoar-te, por favor... eu só quero abraçar-te. - a minha cabeça move-se para cima e para baixo, afirmativamente, não arranjando forças para abrir a boca para falar. Porque é como se a cada palavra me enterrasse cada vez mais, no meu buraco. Ele move-se calmamente até mim e abre os seus braços, envolvendo-me neles, apertando-me contra o seu peito. A chuva deixa o meu corpo dormente, as nossas roupas estão totalmente encharcadas e o seu corpo está gelado contra o meu.

Exatamente como nos sentimos.

 

Continua...

xxPatrícia

domingo, 7 de setembro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 40 - Breathing



O meu telemóvel marca 2h da manhã, na minha cabeça marcam 4h.
O meu telemóvel vibra a toda a hora, mensagens do Zayn e da Sally... pergunto-me como é que eles souberam. Mas pergunto-me ainda mais porque é que se preocupam. Era mais fácil se não quisessem saber de mim. Se nem sequer soubessem da minha existência. Dessa forma não tinha de preocupar-me se os iria magoar ou não, porque eles eram apenas estranhos. Como 98% da população. Se eu conhecer 2% sequer. Talvez não.
O meu peito arde, a minha garganta arde, a minha cabeça arde... tudo parece doer, tudo parece mais doloroso. Não vou dizer que não sei, porque é nisso que tenho estado a pensar todo o filho da puta de tempo, mas não obtenho resposta concreta.... não a que quero ouvir. Apenas, não.
As lágrimas pararam, como se o meu corpo não estivesse disposto a desperdiçar mais água, como se toda ela se tivesse evaporado dele.
As ruas estão vazias, geladas, horríveis... a luz é tão fraca que mal consigo ver, os meus olhos estão pesados e sei que se os pudesse ver estariam horríveis. Estou transparente. O que sinto dentro transparece para fora... transparente. Apenas isso. E é horrível, porque as muralhas que tentei construir durante todo este tempo, enquanto me preparava para mais uma noite destas quebraram de um momento para o outro, quebraram e nunca mais se vão construir. Sinto-me como se tivesse recuado 4 anos atrás. Todos os sentimentos voltaram em força. Porque sei, mais do que nunca, que não tenho ninguém que me vá fazer sentir bem de novo, ninguém que me faça tentar sorrir. Vou voltar a ser o mesmo. O que sempre fui. Fria. Distante. Arrogante. Alguém que nem eu mesma alguma vez quereria conhecer.
Os meus pés andam descalços pelo pavimento, as pedras doem neles, mas anda comparado com a dor que os saltos-altos me proporcionavam, quase me impedindo de andar. O vestido apertado faz-me acreditar que posso deixar de respirar em breves instantes, o meu telemóvel toca cada vez mais e tenho de colocá-lo em modo silencioso.

(...)

4h da manhã. A minha porta de casa finalmente abre-se, depois de procurar pelas chaves algures na mala. O calçado que seguro na mão é atirado contra o chão, o impacto fazendo um grande barulho para o silêncio que se sentia.
As escadas parecem infinitas, o meu quarto parece maior. A cama parece maior, enorme para mim, para dormir sozinha. Os meus olhos correm pelas cortinas, lágrimas escorrem por eles assim que o faço.
Ele está lá, ele está no seu quarto, ele está na sua cama.
Isto não deveria ser assim. Não tinha de ser assim.
O meu peito bate depressa à medida que a minha visão se torna fusca. Os meus joelhos tremem e as minhas pernas perdem a força, as minhas mãos parecem partir ao tentar segurar o meu corpo. A minha garganta rebenta em soluços silenciosos, choro silencioso, mas na minha mente estou a gritar, berrar alto e  bom som, as coisas partem, embatem no chão e deixam-no cheio de vidros, sangue escorre pelos meus pulsos à medida que me corto mais profundamente, à medida que a lâmina embate na minha pele e me provoca arrepios e gemidos silenciosos, dolorosos. Mas em vez disso choro no chão do meu quarto, à espera que a noite passe e tudo não tenha passado de um pesadelo. Em vez disso rompo por dentro, à espera que tudo vá melhorar a partir de hoje. Sozinha e por minha conta, como voltar aos velhos tempos. Como eu sempre gostei e fiquei a odiar. Porque eu já não me corto desde a primeira semana, mas porque bem lá no fundo sei que não passo de uma covarde, uma covarde que não consegue lidar com tudo sozinha. Porque ficar sozinho é o inferno. Leva-nos à loucura, a fazer coisas loucas. Porque não me drogo desde o dia em que estive com o Dan e agora, agora ele faz isto, agora ele faz com que tudo o que sempre sonhei caia como um lindo castelo de cartas.
Mas o Liam... ele não vai saber de nada, ele não vai saber que me torna fraca. Ele não é, nunca será o motivo da minha fraqueza. Eu consigo passar por isto sozinha. Não vou cometer loucuras por ele, não me vou deitar a baixo por ele, não vou desmontar-me como uma boneca e entregar-lhe o meu coração. Porque esta boneca, se alguma vez teve coração foi arrancado, ele arrancou-o e jogou com ele como o rei do castelo. Porque esta boneca era de confiança e não confiaram nela. Porque esta boneca é de barro, e parte.

(...)

O toque da campainha lembra-me que tenho aula, Psicologia, como todas as Terças-feiras de manhã. Estou do lado de fora da escola, sozinha, depois do Zayn e da Sally voltarem para as suas aulas. Não tenho a certeza se percebi o que eles me tentaram dizer durante a meia hora de intensa conversa. Os pormenores de cada palavra deles ainda estão na minha cabeça, a forma como o diziam de forma dura, zangados, irritados... Como se eu pudesse ter morrido ontem, como se eu estivesse morta e eles não pudessem fazer nada para me ajudar. Mas eu não estou, não como o resto da minha família.
Mas eles foram sérios, durante toda a discussão, uma faceta deles que nunca tinha visto. Mas eu não os conheço de verdade, e vice-versa. Só porque falamos uns com os outros não faz de nós amigos. Mas sim conhecidos. Conhecidos que mantém contacto quando se encontram ocasionalmente.
Caminho até a sala de aula e sento-me no mesmo sítio de sempre. Em questão de segundos a porta abre-se rapidamente, o Liam entrando de seguida e dirigindo-se até uma das mesas desocupadas. O meu peito bate depressa,o sangue nas minhas veias a correr rapidamente. Mantenho o meu olhar no professor, como se nunca ninguém tivesse entrado. Como se ele não existisse. Como se fosse invisível. Mas ele não é.
Ouço gargalhadas, risos, sussurros. Olho par ao lado e o meu coração parte-se em mil bocados. É claro que ia ser assim.
Mas o problema é: não pode ser assim.
A minha respiração descontrola-se, o professor está claramente distraído e não repara na fonte de murmúrio na sala de aula. Liam. Ele e outra rapariga, olhos tão focados nele que fazem o meu peito doer, rostos tão próximos e sorridentes que faz as minhas mãos tremer. Tento fazer anotações da matéria mas as minhas mãos não deixam, tremendo mais e mais enquanto seguro na esferográfica. Respiro fundo e fecho os olhos, respirando lentamente, dolorosamente. A aula continua, os risos continuam, os murmúrios continuam, a minha cabeça roda e o tempo parece aquecer descontroladamente. As minhas mãos fecham-se e formam-se punhos apertados enquanto continuo com o olhar no quadro. Não importa quantas vezes ele dirija o seu olhar ao meu, não importa quantas vezes eu respire fundo, não importa quem quer que seja a rapariga para que ele fale, a minha reação vai ser sempre a mesma. E eu não posso mudar isso, porque ao contrário dele, eu não deixo de amar uma pessoa de um dia para o outro. Não assim. Infelizmente. Eu adorava fazer o sentimento parar, mas não é como se fosse um brinquedo nem uma máquina. E neste momento odeio tudo o que sou, odeio tudo o que ele é, e principalmente, odeio tudo o que sinto por ele, porque ele é um idiota insensível. Mas não consigo mudar isso, e está a partir-me por dentro estar aqui sem fazer nada. E a minha respiração dói, a minha pele aqueceu estupidamente embora me sinta gelada, tudo o que vejo é vermelho, sangue. A raiva cresce nas minhas veias, a força que faço nos meus maxilares claramente a crescer.
Fecho os olhos e sem perceber o meu punho bate na mesa, os meus pés pousam no chão com toda a força enquanto me levanto, o meu coração a bater a velocidades estúpidas. Os olhares estão todos em mim em questão de segundos, o professor cala-se.
Eu: Será que posso ter uma aula normal sem que alguém se ria a todo o filho da puta de momento?
Professor: Linguagem, Sra. Bell.
Eu: Será. que. os. murmúrios. podem. parar? - digo entre os dentes, pausando a cada palavra, o meu peito doendo a cada momento.
Professor: Eu não estou a ouvir mais ninguém falar a não ser você Bell, sente-se. Agora.
Liam: Deixe-a falar. Tem de se expressar de alguma forma de qualquer das maneiras. - ele fala, as suas costas relaxam contra a cadeira enquanto o seu olhar se manobra para se encontrar com o meu, sério, duro, diferente.
Eu: O que é que acabaste de dizer?
Liam: Ouviste bem.
A minha boca permanece aberta em choque, os meus olhos ardem e é como se tudo voltasse para mim como pedras. O meu peito bate depressa, fecho os olhos e as lágrimas caiem deles. Fraca... eu não vou ser fraca. Eu não posso ser fraca.
Seguro rapidamente nas minhas coisas com as mãos trémulas e a porta bate abruptamente atrás de mim, deixando a sala em rumores.
A atenção toda em mim. Tudo o que eu menos queria. Como nunca quis.
Sinto-me lentamente quebrar, parar de respirar.


Continua...
xxPatrícia
 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Imagine Niall - About Time - Parte 3 (última)

 

Niall P.O.V.


Eu: Vou voltar para Londres! - as lágrimas tornam-se bastante evidentes nos seus olhos que brilham cada vez mais, intensificando a quantidade de gotas de água que se formam neles. Aperto a sua mão na minha e forço-me a não chorar na frente dela, apesar de já sentir as minhas pupilas em água. De tudo o que esta vida me obrigou a fazer até hoje, esta definitivamente era a minha decisão mais difícil... Sair da vida dela ... haviam dois lados a puxarem-me, dois lados contrários, razões adversas, algo que me pedia para ficar e algo que me mandava partir. Acho que me perdi completamente no tempo com ela, perdi noção dos perigos, das consequências, perdi-me nela. Nunca pensei que o tivesse de fazer um dia, abandoná-la precisamente agora, é só que eu pensava que nós seria para sempre. Penso que ambos estávamos cientes disso, mas as coisas mudam... e connosco mudou drasticamente. Porque o sempre também acaba... poderia não magoar tanto, mas realmente dói. 

Neste momento o meu corpo é percorrido de inúmeras sensações que o exploram, que procuram as minhas maiores fraquezas e chegando até elas, eu sentia tudo... e nada. 

Eu: Hm... - cerrei os olhos impedindo as lágrimas e voltei a mover os lábios para falar - E-embora eu tenha as minhas inseguranças... que são tantas quando se trata de ti Crys... os meus erros, eu amo-te, e a única certeza de que me envolvo neste momento é de que isso não mudará nunca! - via o sofrimento nos seus olhos. - Amor - chamo-a, colocando a palma da minha mão no seu rosto quente e puxo-o um pouco mais para mim, podendo sentir a sua respiração chocar contra os meus lábios - Eu sei que hoje dói muito, mas pode ser que 'amanhã' essa dor alivie...
Crystal: É isso que achas? - ela eleva o tom da voz, que sai rouca misturando-se com o seu choro cada vez mais nítido.
Eu: Foda-se, achas que não o estou a sentir isto tanto como tu?? - grito - Desculpa se estou a tentar não chorar à tua frente, não te mostrar como me deixas, desculpa está bem? - uma ardência corre a minha garganta tornando a minha voz mais grave e vejo-a encolher-se na cama - Queres a verdade?! A verdade é que não posso dizer que não vou sentir falta, porque vou, e muito caralho!... Não vai ser difícil esquecer, vai ser impossível ... Os meus dias vão tornar-se simplesmente num paraíso sombrio, porque não existe cura para a lembrança, a tua alma vai assombrar-me a cada dia que passa e eu só vou querer estar morto para poder apagar todas essas sensações! Nao há libertação possível Crystal, não há alívio nenhum... - neste momento o meu rosto já se encontrava húmido e tudo o que queria era sair dali e acabar com este sofrimento que matava a cada segundo que a olhava.
Crystal: Eu também vou sentir falta, todos os dias em que ainda respirar eu vou senti-lo, porque a verdade é que eu estarei morta... Amo-te o suficiente para deixar que a tua felicidade não seja ao meu lado, n... - o meu dedo indicador pousa sobre os seus lábios, silenciando-os.
Eu: Shhh... não o digas babe, isso não é verdade. - encosto a sua testa na minha enquanto a sinto apoiar as mãos no meu peito que bate aceleradamente, junto os nossos lábios mantendo-os unidos por segundos. Estava na hora. - Se alguém te falar em mim, não me conheces... Mantém-te a salvo... Quando te sentires só, olha para o céu e procura a lua... não importa a distância que nos separa, porque a tua lua vai ser sempre a mesma que a minha amor!
Crystal: Niall... fica... - ela choraminga.
Niall: Era tudo o queria... - murmuro e encosto os nosso lábios beijando-a. As nossas línguas dançam em sintonia e sinto as suas lágrimas molharem a minha camisola ... último beijo... O meu rosto ja estava completamente húmido e tenho a certeza de que os meus olhos estão vermelhos do choro ... Esta era a minha vida sem ela, um abismo! 

Afasto os nossos lábios e ela mantém os olhos fechados, dando-me tempo de ir ate à porta e sair... apenas consigo ouvir os seus gritos chamando o meu nome. Caminho pelo corredor do hospital, a sua voz ecoa atrás de mim quando chego á porta de saída, a minha mão está pousada na maçaneta, rodo o corpo ligeiramente alcançando a sua imagem não muito longe de mim a gritar desesperadamente pelo meu nome e enfermeiros agarravam-na, impedindo-a de chegar perto de mim, tal como lhes pedi. Eu sabia que ela tentaria impedir-me e não podia deixar que isso acontecesse porque bastaria mais um beijo e eu ficaria ... - Pára Crystal - sussurro e acho que ela entende o que digo ficando estática a olhar para mim. Rodo a maçaneta e saio.


*5 meses depois*


05h.20min. Apenas consigo ouvir os ruídos assustadores do vento a soprar lá fora entre as inúmeras lágrimas que o céu hoje de noite chora. Acho que se encontra como eu, sem forças, perdido. Aqui dentro não existe vida, nem sequer paz, todos os dias tem sido um tormento desde que a deixei, todas sem exceção, não houve uma única em hora me que conseguisse sentir paz, alívio ... felicidade.
A minha respiração praticamente escassa é o que se pode ouvir na sala onde estou trancado. Procuro manter o silêncio que perdura por horas, praticamente os meus pensamentos são nulos, tudo em mim está prestes a morrer, isto se não estiver já morto. Fecho os olhos e tudo o que encontro do outro lado são lembranças nossas, partes do passado que me carregam e as quais a minha mente não entra em desaprovação com ela, não sei porquê. Não me consigo mais afastar daquele monstro, ele agora voltou a viver dentro de mim. Isto atormenta-me, não quero ser assim... a lentidão com que o meu coração bate duplica o sofrimento. Apenas a lua continua lá.


Crystal P.O.V.


"O tempo é um colidir de momentos, emoções, sorrisos, lágrimas... uma explosão de vidas! Damos por nós a pensar em formas melhores de viver o tempo que já não nos pode ser devolvido e mesmo sem nos apercebermos dessa perda ela continua a apoderar-se de cada segundo, minuto nosso... tempo que não volta. Lembras-te de tudo aquilo que já fomos? Uma resposta clara, sim. Eu sei que te lembras, afinal não tem como ser esquecido, pelo menos não de forma tão rápida assim! Demasiados dias juntos, tantas coisas que nos ligaram... e nós já o estávamos mesmo sem sabermos. Incrivelmente criamos a ligação mais inesperada. Com a distância o verdadeiro amor só tende a aumentar. Podemos considerar como "prova de fogo" tudo isto... Porque eu ainda guardo tudo comigo e se fechar os olhos, esse "tudo" volta, desperta a palavra saudade em mim, cria lágrimas, esgota-me, leva-me ao fundo do poço... Como nos fomos perder no tempo? Eu não sei."

...Acabava de escrever mais uma das minhas cartas, esta provavelmente seria a última. Todos os dias desde que ele foi embora escrevo, mas hoje eu iria vê-lo finalmente outra vez. Ele não sabe que lá estarei. Medo, tenho medo.


***


Eu: Niall James Horan.
XXX: Aqui, por favor - um dos polícias dá espaço para que entre na sala. - Tem a certeza menina? - ele pergunta e eu dou de ombros - Tome cuidado. - ele finaliza abrindo a porta de aço que tinha apenas uma janelinha no topo. Niall está num canto como se embalasse o próprio corpo, as pernas encolhidas contra o seu peito onde o seu rosto se escondia enquanto envolvia os braços à volta das suas pernas. Ele apercebe-se de uma presença e eleva um pouco rosto, pousando o queixo sobre os joelhos e olhando para mim. O seu olhar não mostra qualquer sentimento e está mais escuro do que o habitual azul marinho a que eu me habituara à cinco meses atrás... ele não solta uma única palavra então resolvo fazê-lo.
Eu: Hey - digo fraco, ele levanta-se e aproximamo-nos um do outro a passos lentos. A sua respiração é praticamente inexistente em comparação à minha, os seus dedos deslizam pelo meu braço levemente, solto um suspiro ao voltar a sentir o seu toque, rapidamente sinto o meu pulso ser apertado bruscamente e o meu corpo ser lançado contra a parede ao lado. Um pequeno gemido escapa dos meus lábios e cerro os olhos.
Niall: Não devias estar aqui! - diz ríspido, o seu maxilar encontra-se tenso e a sua postura é assustadora, sinto medo do que possa fazer apesar de ter a certeza que ele nunca me magoaria.
Eu: Eu tinha que o fazer... - sussurro e sinto os meus pulsos mais leves por isso tento dar um passo em frente e descolar as minhas costas da parede, mas os meus ombros são novamente empurrados fazendo-me embater nela. - Niall, estás a magoar-me! - choramingo e ele solta-me. O que é que se passava com ele? Os seus comportamentos nervosos voltam e vejo-o atirar tudo o que os seus olhos alcançam, uma das cadeiras acaba por partir ao bater na parede, ele passa as mãos nos cabelos despenteando-os completamente. As lágrimas correm o meu rosto, Niall bate bruscamente com os punhos e com os pés numa das paredes... Ele estava a magoar-se! 

Corro para junto dele e pouso a minha mão completamente trémula no seu ombro mas logo me arrependo quando sinto o meu corpo ser apertado quase nem permitindo que a minha circulação passe em certas zonas, praticamente amassadas pela força abrupta que ele aplica nelas.

Eu: Pára Niall, sou eu! - grito mas ele parece reagir mal ao tom de voz que utilizo e atira o meu corpo contra a mesa, dirigindo-se para mim novamente, as suas mãos prendem o meu pescoço entre elas - Que merda, pára. - a passagem do ar na minha garganta começa a ficar bloqueada e mexo freneticamente com o corpo procurando que ele me solte. - Sou eu, a Crystal. - a minha voz mal sai, os seus olhos encaram os meus fixamente agora e a sensação de alívio volta.
Niall: E-eu não entendo... - o seu rosto está assustado - Crystal - ele parece procurar-me na sua mente - Amor... Eu sou um mostro - a sua voz parece quebrar à medida que ele diz cada palavra, as lágrimas descem pelo seu rosto, nunca o vi tão magoado - Violei-as, sem qualquer piedade ... não sabes o que me tornei sem a tua presença. Todas as noites eu olhei a lua no céu e apenas lhe perguntava se tu farias o mesmo, se eu passava por um único segundo na tua mente. Independentemente da resposta eu importava-me em sabê-lo... saber se estavas bem o suficiente sem mim! - um silêncio instalou-se na sala, algo avassalador porque nenhum de nós se pronunciava, nenhum. Eu apercebi-me, todos nós estamos à beira de um penhasco, todos os segundos, toda a nossa vida... e um dia todos iremos saltá-lo! A escolha é apenas uma, iremos forçados ou simplesmente gritando? Iremos manter os olhos abertos e observar a nossa própria queda, ou abriremos apenas os nossos corações?... os anjos que caminhavam sobre mim de noite, apaziguavam a minha alma e curavam o meu cansaço, eles simplesmente tomaram a forma de demónios! Via a minha dor refletida nele, ambos sofríamos. Então porquê manter essa dor? - Vieste aqui, pelo menos diz alguma coisa... Foda-se, vai-te embora Crystal, vai! - ele grita desta vez.
Eu: É mesmo isso que queres?  

Niall: Não... mas simplesmente vai! - deslizei os meus dedos trémulos pelo rosto e limpei-o apesar das lágrimas não pararem, o seu rosto virou-se para uma das paredes evitando o contato comigo. Eu nunca devia ter arriscado aparecer aqui, ele é que tomou a decisão de me deixar para trás à cinco meses atrás, ele é que optou por desistir de nós... porque é que ao fim de todo este tempo eu ainda tentava lutar?? Devia ter-me ficado apenas pela lua, viveria numa ilusão mas pelo menos não me magoaria, não saberia quem era o verdadeiro rapaz que amo. Enquanto não encerramos um dos capítulos da nossa vida é impossível avançar para um próximo e talvez por essa mesma razão haja essa necessidade tão grande de certas coisas irem embora em momentos da vida, nem que soltá-las magoa tanto. As cartas com que jogamos o jogo da vida não estão marcadas, apenas umas vezes ganhamos e outras perdemos... - Crys! - a sua voz é ríspida, volto o meu corpo e rapidamente sinto as suas mãos prendendo as minhas, lançando-me contra o seu peito. As minhas pernas envolvem a sua cintura definida assim como as minhas mãos soltam as suas, percorrendo o seu pescoço quente. Num abrir e fechar de olhos sinto as minhas costas embaterem na grande porta de aço que se fecha num estrondo, o meu corpo está imobilizado pelo dele que exerce pressão para que eu não caia. Uma das suas mãos segura as minhas pernas enquanto a mão livre movimenta os seus longos dedos gentilmente pelo meu rosto e a sua boca procura a minha deixando leves rastos de beijos pelo meu queixo. - Sabes o efeito que tens sobre mim? - a sua voz é ofegante, limito-me a mover a cabeça dizendo que não e logo posso sentir a sua língua dentro da minha boca, o intenso sabor a hortelã instala-se dentro de mim e sinto-o por todo o meu corpo. - És virgem... - fortes arrepios eletrizam-me com as palavras que ele sussurra firmemente contra o meu ouvido. Ele agia naturalmente o que era incrível na minha opinião, à medida que a frase era ditada pelos seus lábios colados à minha frágil pele, os seus dedos moviam-se freneticamente na minha cintura. - Quero-te Crys ... - ele murmura, a sua voz é cheia de desejo e os seus olhos azuis brilham de luxúria, ele roda-nos inclinando-se lentamente até ao chão, mantendo o meu corpo preso no seu, pousa-me no azulejo gelado e as minhas costas arqueiam-se involuntariamente ao sentir o contato, permitindo-me sentir assim o seu membro roçar na minha virilha. 

Eu: O que vais fazer comigo Horan? - a minha voz falha, ele para os beijos por momentos e encara-me profundamente, a claridade dos seus olhos é inexplicável neste momento. Não consigo esconder o medo... ele já esteve com outras mulheres... matou muitas delas... 'Confia Crystal, confia' a minha mente gritava. Ele deixa de olhar-me momentaneamente e vejo o seu rosto descer até a minha barriga. Várias sensações incompreensíveis se instalam em mim, o tecido da minha blusa é lentamente arrastado para cima cobrindo apenas agora os meus seios, de repente sinto a sua língua fazer um trilho à volta do meu umbigo, a sensação húmida é prazerosa e mordo o lábio para impedir um gemido escapar-me. Ele eleva o seu olhar, descolando a sua boca dali e por segundos imploro para que continue mas rapidamente os seus lábios novamente pousam, agora em cima do umbigo e sugam a minha pele. Inevitavelmente não consigo impedir os gemidos, a minha respiração acelera e ele beija a zona repetidamente, os meus olhos devem encontrar-se vivos de excitação. Fecho os olhos e logo que os abro encontro o seu rosto já perto do meu, os seus dentes perfeitamente alinhados mordem o meu lábio inferior e seguidamente ele roça o seu nariz no meu.  

Niall: Diz-me tu o que vais fazer comigo Hall! - a sua voz está rouca e sensual, fazendo o meu interior explodir em questão de segundos, fazendo-me desejá-lo cada vez mais. Ele roda o seu corpo para o lado e puxa o meu, colocando-o em cima do dele. O que é que eu fazia agora? Oh foda-se. Ele agarra os meus pulsos firmemente, move os lábios e apenas tento perceber o que eles dizem... 'Calma amor'! A pele dele é suave e lisa, as pontas dos seus dedos chocam com as minhas e ele guia as minhas mãos pelo seu abdómen, ajudando-me a descer a parte de cima do macacão cinza que tem vestido. Em pouco tempo apercebo-me de que ele já está apenas com o tecido branco dos boxers cobrindo o seu corpo esbelto... - A tua inocência é cativante! - um sorriso rompe no canto dos seus lábios, balanço os cabelos discretamente, tentando que a minha timidez não se faça notar assim tanto. Ele ri com o meu ato, as suas mãos levemente sobem pelas minhas pernas no seu colo, subindo até o botão das minhas calças, desapertando-o, cada movimento lento, cada vez mais difícil de aguentar, controlar a timidez na minha pele e o quente ao mesmo tempo, não podia parar. As minhas calças estão no chão, os seus olhos abrem-se em luxúria, e então é quando sinto os seus lábios fortemente pressionados contra os meus, respiração ofegante batendo contra a minha boca, língua desesperada na minha. A minha camisola é rapidamente arrancada e atirada para o chão sujo e frio, os meus ténis são também atirados até uma parede. O beijo para, a minha respiração descontrola-se, o meu peito bate depressa, o meu sangue corre violentamente nas minhas veias, bochechas aquecem furiosamente.

Os seus olhos encaram-me fixamente e eu estou fixa nos seus lábios molhados que adquirem agora um tom mais avermelhado.

Niall: Não dói amor. - ele sussurra contra a minha boca, ele posiciona-me melhor nas suas pernas e logo pousa as suas mãos sobre os meus quadris, acariciando-os e exercendo uma força agonizante sobre eles. A minha mente não tem capacidade de assimilar todas as sensações de imediato, as suas mãos seguram-me firmemente e as minhas costas voltam ao chão, o seu corpo sobre o meu... Os seus dedos fazem o seu caminho até a única peça que tenho no corpo, lentamente baixando-as e deitando-as no chão, assim que as mesmas escorregam pelas minhas pernas. O meu peito bate depressa, dolorosamente, mas não consigo colocar a hipótese de parar, preciso disto, preciso para mim. 

Os meus olhos fecham-se instantaneamente e a minha boca abre-se, as minhas costas tombam para trás e eu gemo conforme o seu membro vai entrando em mim lentamente.

Niall: Isso amor. Sente-me... - ele murmura. A dor dura poucos segundos... minutos... não tenho ideia do tempo, apenas sinto prazer. Os meus cabelos caídos sobre as costas são agora arrastados pelas suas mãos suadas até aos meus ombros, cobrindo consequentemente os meus seios devido ao seu comprimento e os seus lábios colam-se aos meus pela milionésima vez. Ele roda os seus quadris um pouco fletidos realizando o mesmo movimento que os meus, o meu corpo por cima do seu, as minhas pernas de cada lado da sua cintura, o meu corpo quente. - Comanda Crys... por amor de deus ... - ele geme.

 


Niall P.O.V.


*15 anos depois*


"Acredito que todos nós temos um verbo. O meu é o 'sentir'.
Como sabe bem sentir. Sentimentos. Uma mistura deles, uma infinidade deles. Desde sempre que os conhecemos, mas a maneira como vamos esquecendo ou fortificando alguns é de facto inexplicável... Principalmente aqueles que descobrimos com o tempo, aqueles que não eram familiares mas que se tornam tão íntimos... Como é bom conhecê-los, saber que podemos sentir mais do que pensávamos... Como é bom descobri-los da melhor maneira, decifrá-los com quem merece e não ficar apenas a ouvir de quem sente e tenta descrever a sensação. Nada melhor do que conhecê-la. Nada melhor do que tu para me ajudares a desvendar os segredos de um poço que eu cobiçava mas não tinha como descer até ele. Um poço que no final de contas é um paraíso de lágrimas e sorrisos, choros e gargalhadas. Nada melhor do que tu para me mostrares que a profundidade daquele é bem mais aconchegante do que aparentava. Nada melhor do que tu para me ensinares a intensidade de cada alegria, a intensidade de cada tristeza. Sim, tristeza. Naquele poço de sentimentos, descobri que a tristeza pode ser o primeiro passo para a nossa alegria, que a tristeza nos fortalece para um evento futuro, deixando-nos uma força de prevenção para quando for necessária. Porque a tristeza serve-nos de consolo para os momentos em que a alegria some sem ninguém dar conta. Nesses momentos, por vezes a saudade apodera-se do nosso peito fazendo-nos desabar... Mas tudo isto são fases preparatórias para uma nova alegria, um voltar aos olhos brilhantes e aos sorrisos abertos.
Quando pensamos que estamos prestes a cair num precipício este fecha-se rapidamente para que voltemos a reviver o que nos faz bem. Porque a vida é mesmo assim, feita de altos e baixos, momentos em que subimos ao céu e momentos em que parece que estamos a cair de cabeça para acabar tragicamente. Mas não, isso é apenas um recomeço. Que estes sejam eternos, Crystal Hall."  

Pousei o papel que segurava na minha mão e acabava de ler perante uma grande quantidade de pessoas à minha frente, as gotas de água caiam sobre ele à medida que mais uma lembrança colidia por todo o meu corpo. Um dia em que a minha alma se vestia de negro... Onde anda o meu anjo?? Ohh, ele simplesmente foi levado para um lugar melhor... Os meus olhos caíram sobre o seu caixão que seria agora enterrado, aproximei-me, a minha mão tocou a sua gélida pele, tão calma ... vida ou morte? Qual eu queria mais neste momento? É tão evidente que estar ao teu lado seria a minha única escolha! O meu corpo inclina-se e beijo os seus lábios ... 

Niall: Lembra-te de que a eternidade ... é só uma parte ... do que qu-queremos viver amor. Descansa em paz, afinal a nossa lua será sempre a mesma, não é mesmo?! - sussurrei, sabia que não obteria uma resposta sua mas também sabia que ela me ouvia e que precisamente neste momento estava ao meu lado de pé segurando a minha mão na sua, eu sabia-o. Todas as cartas que escrevi ao longo dos cinco meses que estivemos longe um do outro deslizaram dos meus dedos caindo ao lado dela... Estava na hora de a deixar ir... Voltei-me e logo senti aquele abraço apertado. 

'Fechei os olhos. As lágrimas caíram. E apenas imaginei estar contigo no Paraíso ...'

 

Fim.

xxAndy