sábado, 11 de outubro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 43 - Humanity.

 

 

Dan: É, então... achas que podias ser modelo?

Eu: O quê? - pergunto, respirando mais rapidamente. Ele não pode estar a falar a sério. As minhas veias estão mais escuras na minha pele, os meus olhos seguindo os meus atos, escurecendo. Depois de todos os problemas que eu tive... com o meu corpo, com quem usou o meu corpo... eu não consigo simplesmente mostrá-lo em diante de várias câmaras e olhares, ainda para mais com os cortes no pulso... não posso, nem consigo, mesmo que quisesse, eu simplesmente não podia.

Dan: Podes ganhar bastante dinheiro com apenas uma sessão... Bell, - ele respira, olhando-me diretamente nos olhos. - eu só quero o teu bem. Se continuares assim não vais conseguir pagar as contas de casa... acredita em mim, vais precisar disso.

Eu: Eu não posso Dan... - suspiro, olhando o chão, voltando o olhar até ele, as minhas mãos tremem nos meus bolsos e as minhas pernas congelam enquanto balanço nos meus calcanhares. Ele suspira, tirando outro cigarro do bolso e procurando pelo isqueiro no outro, apalpando os seus bolsos do casaco várias vezes, franzindo as sobrancelhas de seguida, soltando um grunhido rouco.

Dan: Tens um isqueiro boneca? - ele volta a segurar no cigarro e segura-o na ponta dos dedos, olhando-me com cautela. Vou até a minha mochila e seguro no isqueiro, prestes a entregar-lho, mas as minhas ações são antecipadas pelo seu corpo que se move para mais perto, o seu rosto está próximo enquanto mantém o cigarro preso nos dentes, fazendo um gesto com as mãos para que o acenda eu mesma, logo o fumo se espalhando por toda a parte. Ele vai inalando algumas vezes, os seus olhos sempre nos meus. A minha visão arde um bocado, até se habituar com a sensação do fumo em redor.

Dan: Queres? - ele aponta com o cigarro na minha direção, retirando-o da sua boca.

Eu: Sabes bem que isso já não me faz nada Dan. - murmuro, ele logo rindo um pouco de seguida. Ele encosta-se contra a parede, apoiando a perna contra ela. Sigo os mesmos atos e vou até o seu lado, encostando o meu corpo contra ela, deixando-me descansar com a brisa do vento a soprar-me no rosto.

O dia está escuro, mas não tanto como ontem, não tão deprimente. Talvez isso ajude no meu autoestima. Provavelmente não. Percorro o estacionamento com o olhar, à procura de rosto conhecidos mas não os encontro. Talvez seja melhor assim. Pergunto-me se ele viu o casaco, como será que reagiu. A minha cabeça rodou em torno dele a noite toda, incapacitando-me de dormir de qualquer forma. Cada vez que fechava os olhos lembrava-me dos momentos que tivemos, e isso não é saudável. Não para mim. Mas eu estou a tentar esquecer, é o melhor que tenho a fazer. E não acredito como estou separada dele e estou junta da pessoa que provocou tudo isto. Mas tudo na vida tem um propósito.

Dan: Sabes, eu posso sempre ir contigo. - viro o meu rosto até ele, que continua a encarar o nada. - Se te sentires mais à vontade podemos fazer a primeira sessão juntos. Pode ser que funcione melhor, de qualquer das maneiras também preciso de dinheiro e ontem atirei com toda a cocaína que tinha para o chão...

Eu: Dan, - murmuro, mas sou interrompida pela sua voz profunda, cada vez mais rouca devido ao tabaco.

Dan: Eu quero deixar esta vida sabes Bell? Mas é difícil. Uma vez que entras, - ele inala uma vez mais. - já não consegues sair. Se ao menos fossemos juntos seria mais fácil, para ambos...

 

***

 

As aulas passavam devagar, a um ritmo quase doloroso até. Quando olho para o relógio ainda são 15 horas. Durante todas as aulas pensei em que resposta lhe daria. A verdade é que se eu não fosse, ele também não iria. Mas eu não posso fazê-lo por ele, não é como se ele fosse de confiança de um dia para o outro, não é assim que se ganha confiança nas pessoas... não tão rápido, muito menos comigo. Mas ele realmente tem perfil para esse trabalho, bem mais do que eu na verdade, não sei como nunca reparei nisso antes. Tem pele morena, cabelo castanho claro, lábios rosados, olhos de um verde totalmente perturbador, por vezes um pouco castanhos, e uma altura enorme. Pelo que pude reparar é bem maior do que todos em redor, acabando por descobrir que tem 1.90 de altura. Sinto-me demasiado pequena ao pé dele, o Liam era alto de certo, mas tem no mínimo menos 10 centímetros do que ele.

Estou agora a caminhar pelos corredores, perdida em pensamentos e na música que toca no meu telemóvel, os meus fones privando-me de ouvir qualquer outro barulho em redor. Olho em volta, várias pessoas seguem na mesma direção que eu. Continuo a caminhar, as minhas botas fazem barulho no chão molhado, já posso sentir o ar frio vindo das portas de saída. Sigo por entre vários caminhos, até chegar ao portão de entrada para a escola, a parte de fora. Geralmente ninguém cá estava, a não ser eu e o Dan, por isso tomo o lugar como nosso... Tenho passado cá parte do tempo. Aqui é silencioso, calmo, apenas alguns carros passam, ninguém podendo acabar com os meus pensamentos de qualquer modo...

Remexo no telemóvel várias vezes, os meus dedos inquietos batendo contra ele, o meu nariz lentamente ardendo e pingando, obrigando-me a limpá-lo com um lenço. Eu podia simplesmente dizer que estou constipada, mas é mais do que isso... acontece quando passo mais de três dias sem me injetar, e é o inferno. A minha pulsação é rápida, podendo senti-la no meu pulso. Mas eu vou parar, eu tenho de o fazer, porque se a minha vida já está arruinada, a culpa é minha, e não vou piorá-la.... não posso continuar a fazê-lo, uma vez que realmente vou seguir esta carreira tenho de parar. Acabo de tomar essa decisão uma vez que posso ganhar bastante dinheiro, possivelmente viajar para outros lugares e deixar a vida de merda que levo. Talvez tudo fique bem, sem ele? É só nisso que posso pensar, porque ele é tudo em que consigo pensar. Quer seja bom ou mau, ele está na minha mente, e está a deixar-me louca.

Mas eu não estou obcecada nele. Nunca o deixaria chegar a esse ponto. Porque desse modo, já nem é amar, é precisar de respirar o mesmo ar que essa pessoa para se sentir bem. E isso nem é saudável, nem agradável.

O tempo passa, as nuvens permanecem, escurecem, os minutos passam, os batimentos no meu peito dóiem a cada momento... não sei porquê, não consigo fazê-lo parar. Fecho os olhos e tento imaginar um futuro melhor, sem ele... mas não é a mesma coisa, nunca será. Deixei tudo chegar até aqui, tão longe, apaixonar-me... o pior erro de qualquer ser humano. O pior erro da humanidade.

 

Continua...

xxPatrícia

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