sábado, 1 de novembro de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 12 - Deception



Os meus lábios abrem um pouco para que ele possa colocar o cigarro na minha boca, contudo ele era o que me mantinha fixada neste momento!! A minha atenção estava apenas concentrada nos seus olhos...
Kail: Queres provar o cigarro ou os meus lábios Melanie?... - a minha mente paraliza completamente com a sua pergunta e posso mesmo sentir a minha respiração alterar-se. Resposta alguma rompeu dos meus lábios agora mais selados que nunca, os seus olhos parecem procurar uma resposta nos meus, ele fica alguns segundos investindo nessa busca sem que qualquer reação fosse expressa por mim. Ele deixava-me impotente... um beijo é depositado no meu pescoço, algo suave contrariamente à primeira vez em que os seus lábios praticamente sugaram a minha pele, agora apenas conseguia sentir a humidade apoderar-se do local, uma sensação fresca mas que ao mesmo tempo me deixava cada vez mais confusa, não só a minha mente... tudo! Os seus atos, palavras, tudo nele provocava mudanças em mim no momento, aquilo que eu era deixava simplesmente de ser. De certa forma algo me diz que o mesmo acontecia com ele, caso contrário seria impossivel ele ser uma pessoa tão boa perto de mim, seria apenas o Kail de quem todo o mundo fala, o rapaz arrogante, desligado dos sentimentos, do mundo... ele não era assim, não pelo menos comigo! A pessoa que eu pensei que ele realmente fosse, existiu nas primeiras palavras, na minha mente por momentos, mas nunca de facto existiu. Palavras, primeiras impressões nunca demonstraram importância, nunca demonstraram realidade... ele já foi só palavras, palavras em que acreditei. Já não acredito. Os seus lábios descolam da minha pele, suspiro, a sua mão desloca-se pelo meu pescoço até chegar aos meus cabelos e pousar entre ele, o seu polegar acaricia o lóbulo da minha orelha e o seu rosto aproxima-se do meu - O que é para ti amar Mel? Qual o valor, o impacto... disso em ti? - pergunta calmamente.
Eu: Amar... - a minha voz sai fraca.
Kail: Apenas uma palavra babe, uma só! - ele interrompe-me. Uma palavra... poderia caracterizar amar como uma dor, afinal o facto de amar algo apenas nos vai magoar porque quando acaba nada mais resta a não serem memórias. Não é algo opcional, não é algo que se escolha, é algo que vem de nós, que nos controla e assume todo o poder da nossa vida acabando por nos levar à "morte", o coração ensina-nos a amar mas esquece-se de nos ensinar a superar o fim. Depois a clássica frase surge para derrubar ainda mais a ruína em que te encontras "Não deu certo porque não era para ser...". Se tudo acontece por algum motivo, tudo aquilo que vivemos é porque tinha de ser e o arrependimento pode ser certo mas a incerteza de não ter arriscado seria ainda mais dolorosa.
"Eu: Então o que é que vês nos meus olhos agora??
Zayn: Eu vejo fogo!"
Eu: F-fogo! - a minha voz treme, os seus olhos penetram os meus profundamente e perco-me totalmente nos meus próprios pensamentos...
Kail: Fogo, amor... poético, não significa que seja real. - ele deixa de me olhar e continua a fumar o cigarro que segura entre os dedos. - Incrivelmente o mundo vive demasiado de palavras, ou seja ilusões, encontram nelas um escape para alimentar a vida perfeita que não tem! - disse friamente e dando mais uma traga no cigarro que fumava lentamente aproveitando cada grama de nicotina que este lhe fornecia. - Realidade? - ele retoma e solta um riso sarcrástico em relação à pergunta que se faz a si mesmo e a mim que focava total atenção nele. Remexe nos cabelos já despenteados com a mão livre e solta o ar pesadamente da sua boca - Podes negar a realidade e viver no teu mundo de fantasias, ninguém erra, ninguém morre... tudo se resume a infinitos. Mas esses são mundos que negam a realidade babe. - as suas palavras acertam como flechas no meu peito, era tudo tão verdade... tudo tão real... tão duro! Vivemos nesses ditos mundos, e se não conseguirmos pelo menos um dia aceitar a realidade sermos eternamente alguém sem direção, alguém que não sabe quem verdadeiramente é! Contudo, amar será sempre algo que nos consume e dá vida... e ele sabia, apenas deveria ter cicatrizes mal curadas impossibilitando-o de vê-lo.
Eu: A tua pulseira... - seguro o seu pulso e analiso-a, tem uma frase nela gravada "Love you will never be a mistake...", um corte cobria toda a frase exceto a palavra 'mistake', encaro-o sem soltá-lo.
Kail: Quando aceitas a realidade da vida, superas. Quando a negas, a realidade encarrega-se de acabar com as ilusões e levar-te ao verdadeiro mundo quebrando tudo, e esse tudo inclui-nos a nós! - o seu olhar encontra-se finalmente com o meu e vejo-o brilhar - Pessoas como eu Mel, também criam cicatrizes. A diferença entre nós é que eu aprendo a ultrapassar e tu resumes-te à dor! - a sua voz é rouca e praticamente inaudível.
Eu: Mas tu guardas-a contigo! E se pessoas como tu ultrapassam a dor, porque é que guardas a dor contigo Kail? - ele permanece em silêncio por uns segundos e fico com medo da sua reação ao reparar na tensão que fica deixando que as veias se façam notar nitidamente na sua pele. - Kail?...
Kail: Qual é o teu problema? - explode, encolho-me para trás com o impacto da sua voz perto do meu rosto. - Estás a falar comigo dessa forma porque? Achas que as tuas palavras me afetam caralho? Deixa-me viver a minha vida, à minha maneira. - berra e atira o resto de cigarro para o chão
Eu: E eu estou a impedir-te de o fazeres? - elevo o tom de voz também - Talvez sejas tu que ages como uma criança, não sabes encarar os teus problemas e simplesmente os resolves sem o minimo de escrúpulos... Magoas as outras pessoas para minimizares a tua dor, isso é justo? - grito, o sangue nas minhas veias acelera e o estado em que o deixo é semellhante.
Deveria ter medo dele mas tudo o que sinto é raiva, ele consegue mostrar-me sempre pessoas diferentes e o verdadeiro ele... não sei, quero acreditar que seja bom mas as suas atitudes momentâneas de raiva fazem-me duvidar disso. A minha respiração está alterada e apenas sinto de repente o meu corpo ser atirado para a areia e o peso do dele cair em cima do meu. Os seus dedos apertam os meus pulsos, um de cada lado da minha cabeça, as minhas ancas são fortemente apertadas contra corpo... O que é que ele estava a pensar fazer? A força exercida sobre os meus pulsos impossibilita-me de fazer qualquer movimento, mordo o lábio ao sentir a ardência na minha pele.
Kail: Não me conheces Mel - cospe e sinto cada vez mais ele pressionar o seu corpo no meu - E se eu te fodesse agora bebe? - o impacto da sua pergunta sobre mim é intenso, sinto o ar quase ser-me roubado e os meus olhos inundam-se em lágrimas que consigo segurar por agora. Ele não seria capaz de o fazer, está apenas irritado... ou seria? Não sei - Oh Deus o que eu podia fazer contigo... neste preciso momento, agora. Ninguém nos ouve Mel, somos só eu e tu babe, na praia... Fodasse, quero-te tanto. - a forma como pronuncia as palavras é totalmente fria, a sua mão cobre o meu rosto gélido e engulo o choro.
Eu: Não, por favor Kail ... por favor - suplico, ele olha-me o tempo suficiente para perceber que nada que eu disse-se fosse mudar algo, sigo o movimento que os seus braços fazem desde o meu rosto até ás suas calças e observo-o descer o seu zyper dando-me visão para os seus boxes cinza claro. A água nos meus olhos escorre agora por todo o meu rosto e não controlo os soluços que desesperadamente saem da minha boca, os seus polegares pressionam a cinta das calças pretas que veste e descem-nas um pouco, - Para com isto ... K-Kail - choramingo, a minha cabeça não consegue raciocinar direito e tudo o que quero é que me solte, quero fugir... ele inclina-se, o seu abdómen roça contra a minha blusa.
Kail: Desiludes-me Mel! - sussurra junto do meu ouvido, tremo com a sua respiração quente - Achas-me capaz de te obrigar a fazê-lo?! Eu realmente não sou uma boa pessoa, mas pensava que percebeces que contigo é diferente. - engulo seco e dabato-me com a culpa de o ter pensado realmente.
Ele levanta-se bruscamente apertando as calças apressadamente e afastando-se de mim, da praia... limpo as lágrimas que se foram formando e levanto-me num impulso rápido correndo atrás dele, a velocidade que atinjo é suficiente para depressa o alcançar. Os meus dedos finos rodeiam o seu braço e ele volta o seu corpo lentamente para trás, os segundos em que nos olhamos parecem virar uma eternidade naquele preciso momento, apenas se ouve a agitação do mar aquelas horas da noite e as nossas respirações igualmente fortes cruzarem-se uma com outra. Os seus lábios tremem um pouco e acredito que a minha pele seja totalmente pálida com o vento gelado que quebra nela. Estou cansada, tento perceber comigo mesma o que está errado, o que não é assim, que não faz sentido no tempo, que não está no seu lugar, o que não está certo para a minha vida... nada é exato. Nada.
Eu: Desculpa... - murmuro e logo sinto a sua mão deslizar pelo meu rosto, a ponta dos seus dedos é gélida tal como a temperatura da minha pele, olha-me diretamente nos olhos. Congelo. - Eu... - ele imterrompe-me pousando a sua mão levemente sobre os meus lábios.
Kail: Shhh... não digas nada! - a sua voz está mais rouca e baixa, calculo que isso se deva ao facto de a temperatura que se faz sentir - Estás perdida, é só isso... - era isso, exatamente isso, não acrescentaria nem mais um ponto ao que ele acabava de dizer ... estava perdida. Perdida na minha própria vida! - Às vezes para podermos seguir em frente, precisamos de mudar de direção, pensamentos, ideias, trocar o que julgavamos errado e encará-lo agora como algo certo... Mel, ainda és tão jovem babe! Não deixes que algo te abata sem antes tentares lutar contra isso!
Eu: Falas como se soubesses tão bem o que dizes...
Kail: E sei... - suspira - O que é que te atormenta tanto afinal? - a maneira como me olha é cada vez mais profunda.
Eu: Solidão... E o que te atormenta a ti Kail?
Kail: "Eu vi na tua solidão uma excelente amiga para a minha solidão..." - ele começa a citar a frase de um livro que me lembro de ler antes me vir para Bradford - "... Achei que elas pudessem sofrer juntas, enquanto nós nos divertiamos" - um sorriso rompe nos seus lábios rosados exibindo um pouco do piercing que ele tem na lingua, não consigo evitar sorrir também, os seus braços agarram o meu corpo dando um impulso para que as minhas pernas se entrelacem na sua cintura e abraço-o fortemente apoiando o meu rosto no seu ombro. Os meus cabelos cobrem a maior parte do meu rosto escondido entre o seu casaco e descem pelo seu tronco ligeiramente curvado. A forma como me abraça, conforta-me. Consigo inalar o cheiro do seu perfume com aroma fresco e suave... o tempo passa, os meus batimentos cardíacos diminuem voltando ao normal aos poucos, sinto-me cada vez mais segura perto dele, fecho os olhos, abstraio-me de tudo e vivo apenas o momento.

Continua...
xxAndy

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