quinta-feira, 24 de março de 2016

Pretend It's Okay - 1ª Temporada - Capitulo 44 - I'll go with you.



O meu corpo queixa-se enquanto permaneço quieta encostada contra a parede. Está frio. Estou sozinha. A música não parece encaixar com o meu humor neste momento e já é tarde. Espero pela presença de um corpo alto, pelo Dan... realmente não sei o que estou a tentar fazer, só espero que dê certo. As pessoas já foram embora, já ninguém parece permanecer na escola. Não vi o Liam. Estou certa que me está a evitar. Não o julgo por isso, apenas agradeço silenciosamente.
Dan: Bell? - Os meus pensamentos são interrompidos por uma voz rouca mas calma, a minha mente dispara.
Eu: Uh, hey. – tento sorrir, o meu peito já bate forte sabendo a afirmação que vou fazer. Se o fizer, não posso voltar atrás. Se não o fizer terei de viver arrependida pelo resto do meu tempo. Perdido por cem, perdido por mil. Tenho de o fazer.
Dan: Está frio boneca, já devias estar em casa. – ele ri, olhando o céu nebulado e algumas gotas começam a cair subitamente, a sua testa parece franzir com isso. Os seus braços ajustam-se e as suas mãos encaixam perfeitamente nos seus bolsos, enquanto avançamos pela estrada.
Eu: Eu vou contigo.
Dan: O quê? – ele parece confuso. Eu estou confusa. Nada parece melhorar e só me sinto idiota agora. Concentro-me, não me permitindo desistir da ideia.
Eu: Fazer a tal sessão... – respiro fundo após uma pausa, ele continua a investida nos seus passos, sem reação aparente - juntos. – então ele sorri. Sorri verdadeiramente e olha nos meus olhos por uma questão de milésimas de segundo, como se todo o seu mundo tivesse mudado.
Dan: Tens a certeza que queres fazer isso? – ele pergunta esperançoso, dizer-lhe que não destroçá-lo-ia, o seu sorriso é tão largo e brilhante, os seus olhos ficam mais claros a cada momento e ele baixa o olhar até os seus pés, avançando no passeio calmamente. Permaneço silenciosa, sei que ele é invadido de pensamentos. – És a melhor, babe. – ele morde o lábio sorrindo e solta todo o ar preso nos seus pulmões, repira pesadamente – E se fossemos comemorar? Eu pago; prazer meu boneca. – ele dá um pisquete de olhos.
Aceito o convite quase de imediato e então o nosso rumo muda até o café onde nos conhecemos pela primeira vez. Nunca mais lá voltei depois daquele dia, mas não me arrependo de o ter feito. Ele não é perfeito, é a principal causa pela minha separação com o Liam, mas se ele realmente me amasse ele teria acreditado em mim, porque tudo o que eu lhe disse foi verdade. Tudo, e ele não acreditou. E eu continuo a amá-lo, mas para quê se de nada serve? Por mais forte e verdadeiro que fosse o sentimento de nada serveria se ele nem sequer tenta perceber-me; ele não conhece a minha realidade, o meu mundo, não como o Dan.
***
São duas da manhã, pelo menos o meu relógio diz que sim, no entanto a minha visão é turva e não é de confiar neste momento. A minha barriga dói das gargalhadas e outra bebida é estendida em frente de meus olhos, lambo os lábios e empurro o copo contra os meus lábios, fechando os olhos forçadamente enquanto sinto o sabor horrível daquilo. Jesus, como é que ainda vendem destas merdas? Ugh devia processá-los.
Dan: Então bebé, conta-me mais sobre ti... – ele ri largamente – Não espera, deixa-me tentar adivinhas, deixas? – ele pergunta desafiador, gargalhando apoiado à garrafa de vodka, já pela metade.
Eu: Toda ouvidos. – riu e encosto-me contra o bar atrás de mim, as minhas pernas falham-me e oh deus, como estou zonza. Não devia estar a beber tanto pois não? Claro que devia, tenho tanto para comemorar. Novo emprego, perdi o Liam, o meu primeiro grande amor oh, que tristeza não é verdade? Era capaz de beijá-lo agora, que corpo meu deus, devia ter aproveitado enquanto podia, que idiota de merda... mas não o fiz, tão envergonhada e repugnada com aquele Gale, aquele filho da puta; era capaz de matá-lo, destruí-lo. Mas pronto, a verdade é que o meu Liam escolheu ficar sem mim, já não posso mais beijá-lo, tocar-lhe, ouvi-lo dizer o meu nome ao meu ouvido... vou ter saudades, mas a vida é assim, e eu consigo lidar com isto. Não há nem nunca houve romeu e julieta. E tal como os outros ele nunca quis saber de mim de verdade, não tanto como dizia; oh como ele mente bem, dou-lhe os meus sinceros parabéns, devia dizer-lhe isso na cara na verdade. Talvez vá procurá-lo quando chegar a casa? Sim, acabo de decidir que é uma boa ideia.
Dan:  Ouviste alguma coisa do que te disse?
Eu: Hm? – murmuro, a minha cabeça estala – Desculpa, – riu - estava demasiado concentrada a olhar para esses teus olhos, hm... que olhos. – murmuro e olho-o diretamente, ele morde o lábio. A que será que sabem?
Dan: Oh deus, queres dar cabo de mim miúda. – ele engole e enterra a boca na garrafa, quase a desvaziando, os seus olhos fecham e ele faz uma cara repugnante. – Que merda, porque é que ainda bebo disto.
Eu: Irónico não é? Que sabor horrível. – dou uma gargalhada quando ele engole outra vez, fazendo uma cara ainda pior. A garrafa está agora vazia. Os seus olhos perfuram os meus e o seu braço desliza sobre o balcão, partindo-a em bocadinhos quando cai ao chão.
Dan: Oops! – ele dá um sorriso torto.
Tento manter-me fixa mas as minhas pernas estão bambas devido ao álcool. Estou tão bebâda, foda-se. Os meus pés tropeçam um no outro balançando o meu corpo para a frente, é tudo muito rápido e antes que possa parar-me os meus lábios chocam com os dele. Oh deus, consigo provar o sabor da sua boca; é tão doce. Pressiono a palma da minha mão contra o seu peito e forço-me a descolar-me do seu corpo. Os olhos dele encontram-se com os meus e e a próxima coisa que sei é que ele tem a sua língua na minha boca. Ele não é o Liam. O sabor da sua boca é bom mas não o que eu quero, não agora. Fecho os olhos com força e deixo-me levar pelos movimentos da sua língua, empurrando o meu corpo contra o seu demasiado descaradamente mas ele não parece queixar-se. Ele murmura algo por entre os beijos e vamos caminhando assim até ao exterior, ele deixando uma nota no balcão à última hora.
Dan: Bebé, - ele parte o beijo mas logo empurro os meus lábios novamente contra a sua boca, ele murmura algo pesadamente e segura o meu rosto nas suas mãos. Os seus olhos bailam em desejo eu vejo-o, o canto da sua boca eleva-se, formando uma pequena curva. – não que eu não queira, mas amanhã vais arrepender-te disto. – ele murmura. Porque é que toda a gente pensa saber o que é melhor para mim? Se eu quiser beijá-lo, eu beijo foda-se! Porque haveria eu de arrepender-me? Estou tão bem aqui, sem ele, sem o Liam caralho.
Eu: Não vou. – censuro.
Dan: Eu pago-te um táxi, é melhor cada um seguir o seu caminho. Não aguento mais isto boneca – ele sorri, claramente referindo-se ao beijo. Pareceu-me que ele queria mais; não entendo os rapazes. Querem e depois não levam a sua avante, palermas... - Vemo-nos amanhã? – ele fala sorrindo. – Oh, foda-se. – ele apercebe-se de um táxi passar ali no preciso momento e corre até lá, parece trocar algumas palavras com o condutor mas estão tão longe, a minha visão é demasiado fraca agora. Ele acena até mim instruindo-me a ir para lá. Não quero ir na merda do táxi, não quero ir para a merda da minha casa. Não para ficar sozinha. Quero manter-me acordada até o sol raiar, até a minha cabeça rebentar, até os meus olhos se forçarem a fechar.

Continua...